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Poder feminino: conheça três chefs brasileiras que revolucionam o mercado da gastronomia

Manoella Buffara, Renata Vanzetto e Morena Leite figuram entre as profissionais em destaque na culinária nacional à frente de empreendimento de sucesso

Manu Buffara (Foto: Henrique Schmeil), Morena Leite (Foto: Mário Rodrigues), Renata Vanzetto (Foto: Gustavo Steffen)

 

A frase “lugar de mulher é na cozinha” é utilizada comumente para diminuir a classe feminina e como tentativa de limitá-las a um espaço – erroneamente – considerado como inferior. Ao longo da história, figuras brasileiras vêm desenvolvendo trabalhos culinários representativos, ocupando com louvor e talento o cargo mais alto da gastronomia: o de chefs de cozinha.

 

A lista de mulheres em destaque neste mercado é longa e carrega o peso de muitos prêmios. Um dos principais talentos nacionais é Manoella Buffara. Nascida em Maringá, no Paraná, ela trocou os lápis pelas facas, ao descobrir sua paixão pelas panelas e desistir de seguir com o Jornalismo. Com base na valorização da terra, dos ingredientes orgânicos e de produtores locais,  Manu define sua cozinha em duas palavras: respeito e tempo.  “A cozinha tem que trazer tranquilidade, o respeito com as pessoas e com o ingrediente. Então, a gente trabalha com respeito e tempo. Acho que são os ingredientes principais da minha personalidade e da minha cozinha”, disse a chef em entrevista à Rede Food Service.

 

A Chef Manu Buffara (Foto: Henrique Schmeil)

 

Aos 36 anos, a profissional coleciona conquistas expressivas na carreira. À frente do restaurante Manu, em Curitiba, ela trouxe os holofotes para o Estado ao ter o seu estabelecimento nomeado como o Miele One To Watch (“restaurante para se ficar de olho”) como parte dos 50 melhores restaurantes da América Latina em 2018.  No ano seguinte, o Manu entrou para a lista principal na 42ª posição.  “O mais importante foi abrir portas para outras pessoas, saindo do eixo São Paulo. Eu acho que quando a gente ganha um prêmio, ganha uma voz, mas também ganha responsabilidade. Você vira uma referência. Eu me sinto muito honrada de ter ganhado este prêmio, por poder estar fazendo este trabalho e poder trazer estas pessoas para perto de mim”, afirma Manu ao comemorar o título.

 

Com o seu nome já reconhecido internacionalmente, a chef se prepara para deixar sua marca em territórios americanos. Ela pretende abrir o “Ella” em Nova York, em 2021. Para distanciar do conceito do Manu, o restaurante virá com uma proposta mais descolada e menos formal.

 

A instintiva Renata

 

Outra chef que sempre figura nas listas das melhores do Brasil é Renata Vanzetto. Além do talento na cozinha, ela também é um sucesso quando o assunto é empreendedorismo. Com 32 anos, a paulistana comanda um grupo que soma nove projetos bem-sucedidos: o Buffet Vanzetto, a Casa Vanzetto, o bar MeGusta, a lanchonete Matilda, com duas unidades em São Paulo, os restaurantes Ema, Mé Taberna, Muquifo e  Pescadora.

 

A Chef Renata Vanzetto (Foto: Gustavo Steffen)

 

A paixão pela cozinha vem desde muito cedo e, segundo a chef, ela sempre soube que trabalharia na área. Aos 14 anos, fazia jantares em restaurantes de Ilhabela, no litoral paulista, aos 16 foi estagiar na França e, aos 18, a única coisa que passava pela sua cabeça era comida. “Tenho várias lembranças da minha infância, com a minha avó me ensinando mil coisas, contanto mil segredos de receitas e eu fascinada ouvindo tudo e sempre cheia de perguntas. Fui crescendo e o gosto pela coisa começou ficar cada vez maior e começou a amadurecer a ideia de ser chef dentro de mim”, relembra Renata.

 

A criatividade é o ponto alto que define a personalidade de Vanzetto. O Ema é o principal lugar onde consegue expressar sua cozinha autoral.  “Lá estamos sempre criando e pesquisando novas receitas. Acho que mudo o cardápio toda semana, pois sempre tem algo novo que quero experimentar. A inspiração também vem de cada restaurante e cada cidade que já visitei e me influenciaram muito. Viajar é ótimo para descobrir novos temperos, novas maneiras, novos gostos e isso me ajudou  a amadurecer. Tudo que vivi foi muito essencial pra minha carreira. Adoro comer fora, conhecer lugares novos. Estou sempre antenada em tudo o que acontece.” diz a chef sobre suas referências em construir seus pratos.

 

Sobre o futuro, a “incontrolável” Renata garante que sempre está pensando em alguma ideia “maluca” e adianta à Rede Food Service o desejo de lançar um livro de receitas. “Eu sempre tenho planos e projetos pela frente. Mesmo que esteja completamente louca, fazendo mil coisas ao mesmo tempo, eu sempre estou pensando em algo novo, com alguma ideia maluca para o futuro. Essa é a parte que mais gosto do meu trabalho, poder criar coisas novas. Dentre os próximos planos, quero lançar um livro de receitas! Tenho como meta também profissionalizar mais as minhas casas e me dedicar sempre para trazer coisas novas e manter o padrão”, finaliza.

 

 

Cultura brasileira por Morena

 

Quando se fala em livros de gastronomia nacionais, chegamos ao nome Morena Leite. A chef baiana de 40 anos coleciona oito obras, entre elas, a premiada “Brasil, sons e sabores”, eleita na Suécia como a melhor publicação de cozinha do mundo, no quesito “inovação”.

 

Morena cresceu em Quadrado de Trancoso em meio às panelas do restaurante Capim Santo. Mais tarde abriu as filiais em São Paulo e no Rio de Janeiro. Atualmente, também está à frente do Santinho, na capital paulista, e, a partir de dezembro, passa a assinar os cardápios dos restaurantes do hotel Janeiro, na orla carioca. Ela também é curadora do festival gastronômico Fartura, em Belo Horizonte.

 

A Chef Morena Leite (Foto: Mário Rodrigues)

 

A chef imprime em seus pratos a ideia de “pensar global e agir local”. Com fortes traços dos ingredientes típicos brasileiros, ela traz a tropicalidade mesclando com técnicas internacionais. Segundo Morena, que se diz apaixonada por pessoas, a gastronomia é uma forma de comunicação e de relacionamento. “Primeiro, a minha relação com a comida era entender que eu podia me comunicar com as pessoas através dela. Então, era uma maneira de entender a cultura baiana, mineira, francesa, italiana, através da forma que as pessoas comiam. Era usar comida como um passaporte para um estudo cultural, antropológico. No segundo momento também virou a minha maneira de me relacionar com o mundo. Cuidar das pessoas. Fazer um carinho nelas com a comida.”, conta sobre o seu processo de construção e descobertas na cozinha.

 

Além dos restaurantes e dos livros, Morena está à frente do Instituto Capim Santo, um dos projetos que mais a orgulha. Fundado em 1999 pela chef, a escola oferece curso de capacitação gastronômica e comportamental para jovens de baixa renda. Pensando no futuro, ela reforça o desejo de continuar contribuindo para a educação e também com a saúde das pessoas.  “Eu quero poder contribuir cada vez mais com o mundo,  com educação, com capacitação. Um dos projetos que mais me emociona é o Instituto Capim Santo. A gente há anos tem uma escola que forma pessoas em gastronomia, que gera mobilidade social. Este é um projeto que cada vez eu quero expandir. Além disso, eu quero trabalhar muito com comida e saúde. Mais do que gastronomia e sabor, eu quero contribuir para que as pessoas tenham uma saúde melhor”, finaliza a chef.

 

 

Machismo na cozinha

 

Quando questionadas sobre o machismo na gastronomia, as três chefs foram unânimes  ao reconhecer que ele está enraizado na cultura brasileira, assim como na cozinha, mas que não sofreram preconceito neste meio por serem mulheres. Morena explica que a cultura latino-americana pode ser um impulso para este empoderamento.  “Eu acho que no Brasil é super comum a gente ter muitas mulheres à frente da cozinha. Que é um reflexo da cultura latino-americana. Eu nunca senti machismo na cozinha. Eu sei que existe. Seria hipocrisia falar que não, mas eu pessoalmente nunca tive problema por ser mulher”, relata.

 

Renata Vanzetto conta que sofreu outro tipo de preconceito no mercado culinário. “Enfrentei preconceito apenas por ser jovem, mas por ser mulher nunca, apesar de saber que isso é uma realidade, infelizmente. Agora por ser nova e já estar à frente de empreendimentos com sucesso, eu já ouvi e senti preconceito sim, mas não deixava isso me abalar porque sei o quanto batalhei por cada um e também pelo amor que tenho em fazer o que faço”, relembra a chef que comanda nove empreendimentos.

 

Manoella Buffara reforça o poder feminino dentro da cozinha e o seu desejo das mulheres se projetarem nesta área. ”A mulher vem tomando o seu espaço, vem crescendo. Vem fazendo seu caminho no Brasil. Eu vejo um grande crescimento de últimos anos pra cá, espero que a gente cresça cada vez mais e traga bons frutos pro Brasil “, diz a paranaense.

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