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Massas frescas caem no gosto do consumidor e ganham destaque no mercado

A Rede FS conversou com três empresas do segmento para entender a evolução do produto no mercado brasileiro

Mercado de massas frescas cresceu aproximadamente 20% durante a pandemia Foto: Pixabay

 

Muitos consideram a cozinha como a alma e o coração da casa. É o cômodo em que famílias compartilham momentos e criam memórias sensoriais. Afinal, quem não se recorda do aroma do bolo recém-tirado do forno ou do frango assado do almoço de domingo? Em tempos de isolamento social, este espaço ganhou ainda mais destaque e virou o passatempo preferido daqueles que resolveram se arriscar na culinária. De amadores a chefs, não teve quem não começasse a se dedicar à gastronomia.

 

Nessa aventura pelo mundo dos alimentos e descoberta de novos ingredientes, um ganhou atenção especial nos pratos: a massa fresca. Do típico pastel de feira ao requintado ravióli, ela caiu no gosto dos brasileiros. Tanto é que o segmento aponta um crescimento relevante nos últimos anos. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (ABIMAPI), este mercado cresceu em torno de 5% entre 2018 e 2019. Agora, com a pandemia, empresas do ramo indicam que o aumento de vendas é ainda maior e pode chegar até 20%.

 

Foto: Pixabay

 

As principais diferenças entre as massas fresca e seca é a umidade, o processo de resfriamento e de secagem. A primeira possui uma umidade que varia de 30% a 35%, enquanto a seca tem uma máxima de 13%. Por não passar por uma secagem intensa, o produto fresco precisa ser resfriado e possui uma validade menor que os demais. Graças a este processo, ele tem preservadas suas propriedades organolépticas, aquelas que podem ser facilmente percebidas pelos nossos sentidos, mantendo um sabor mais acentuado e uma textura de massa artesanal.

 

Outra diferença notável entre as duas massas é o preço. Por ter um processo de produção mais complexo e precisar ser mantida sob refrigeração, a fresca é vendida por um valor mais alto em comparação à seca, que é facilmente encontrada pelo consumidor em diversos estabelecimentos e apresenta um rendimento maior.

 

A Rede Food Service conversou com três empresas em destaque no mercado para entender o sucesso deste ingrediente na mesa dos brasileiros.

 

Mercado de Massas Frescas no Brasil

 

Quando se fala neste mercado no território nacional, quem ganha destaque é a Massa Leve. Fundada em 1980, a empresa iniciou suas atividades na cidade de São Bernardo do Campo, em São Paulo, e, atualmente, a sua fábrica está instalada no município paulista de Rio Grande da Serra. Com 40 anos de história e integrante do grupo JBS, a marca conquistou a liderança no mercado de massas frescas e é uma das mais vendidas, com distribuição nas principais redes de supermercados do país.

 

Ivanor Clasen, Diretor de Negócio Massa Leve. Foto:Divulgação

 

De acordo com o diretor de negócio da Massa Leve, Ivanor Cleasen, o crescimento relevante nas vendas nos últimos anos tem motivado o mercado a buscar por inovações. “A Massa Leve possui um portfólio diversificado, com opções de produtos para serem consumidos em todas as refeições do dia, do café da manhã ao jantar. Ela atua com mais de 80 itens nas Linhas Tradicional, Premium e Equilíbrio”, ressalta Cleasen à Rede Food Service.

 

Outra empresa com abrangência nacional é a Mondiale. A marca nasceu em 1994, em São Roque, cidade do interior de São Paulo, como uma pequena fábrica de macarrão. A partir de 2006, o chef Ailton Piovan assumiu o comando do empreendimento e diversificou a cartela de produtos, oferecendo também antepastos, molhos e conservas, além de massas frescas, secas e recheadas.

 

Chef Ailton Piovan, Foto: Divulgação

 

Um dos focos da Mondiale é o fornecimento dos seus produtos à restaurantes. Segundo Piovan, a empresa já atendeu uma rede de 100 estabelecimentos de gastronomia e realiza a distribuição para as regiões Sudeste, Nordeste, Centro-Oeste e Sul do Brasil. Atualmente, a marca chega a produzir 10 toneladas de massa fresca por mês. “A procura maior é referente a restaurantes. Eles estão nos procurando pela praticidade. Eu distribuo a porção individual de massas frescas para vários estabelecimentos e facilito o trabalho deles. Vai tudo quase pré-pronto: o molho, a massa. Não precisa de um chef de cozinha para montar o prato”, afirma Ailton Piovan.

 

No Sul do país, uma das líderes regionais deste mercado é a Romanha. Localizada em Pinhais, no Paraná, a empresa atua no ramo de alimentos desde 1973. A marca já está presente no Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, interior de São Paulo, Santa Catarina, além do Estado paranaense. Com o objetivo de se posicionar cada vez mais no mercado nacional, a marca conta com uma diversa gama de produtos, que inclui massas frescas, secas, tipo caseira, recheadas e congelados.

 

Foto: Pixabay

 

O diretor comercial da Romanha, César Kulpa, aponta um crescimento da venda do produto e atribui à mudança de comportamento do consumidor. “Ano a ano, de forma gradativa, eu vejo que a massa fresca vem crescendo. O que eu percebo é que as pessoas estão dando um pouco mais de valor para a alimentação”, acrescenta Kulpa.

 

Impacto da Pandemia

 

Em contramão à crise financeira motivada pela pandemia do novo coronavírus, empresas de massas frescas apresentaram crescimento nas vendas durante o período. A Romanha, por exemplo, registrou alta de 20%. “Este ano, em função da pandemia, a gente sentiu que teve um aumento considerável, porque as pessoas ficaram mais em casa. Ela acabaram inventando mais na culinária e buscando produtos que são diferenciados.”, acrescenta César Kulpa, diretor comercial da empresa.

 

Foto: Pixabay

 

O grupo Massa Leve também observou este crescimento na quarentena. Segundo o diretor de negócio da empresa, Ivanor Cleasen, o aumento pode ser explicado pelo “novo normal”. “Notamos um aumento no consumo doméstico de massas frescas com o fechamento temporário dos restaurantes e feiras livres, em função da pandemia. O consumidor migrou para o consumo no lar, passando a preparar as próprias refeições com mais frequência. E se o preparo da refeição se tornou algo ainda mais especial, queremos oferecer as melhores opções para que as pessoas possam criar grandes momentos com as suas melhores receitas.”, diz Cleasen em entrevista à Rede Food Service.

 

Quando questionado sobre as prospecções de futuro para a Romanha, Kulpa afirma que acredita no fortalecimento do produto no mercado, mesmo após o fim do isolamento social. “Eu acredito que a demanda talvez retroceda um pouco, mas acho que ela não vai voltar como era. A massa fresca por ser prática é um dos itens que acaba agregando bem nesse momento. As pessoas que conheceram o produto, vão acabar tendo um hábito diferente. Eu acredito sim que vai crescer mais esse mercado”, finaliza o diretor comercial.

Escrito por #molongui-disabled-link

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