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Comida chinesa na “contramão” da pandemia

Empresários relatam como aproveitaram o momento de crescimento do canal delivery para incrementar os seus negócios

Bowl Frango Crispy, um dos pratos mais vendidos na rede China In Box - Foto: Divulgação

 

Com o abre e fecha de bares e restaurantes nas principais capitais do Brasil devido aos efeitos da atual pandemia da Covid-19, os gastos com os principais aplicativos de entregas de comidas cresceram 149% em 2020, conforme aponta estudo da Mobills, startup de gestão de finanças pessoais. A pesquisa analisou as despesas de mais de 46 mil usuários entre os meses de janeiro e dezembro do ano passado.

 

Ainda de acordo com o mesmo estudo, dezembro foi o mês que registrou o número mais alto de despesas, somando R$ 2.184.752,54 em gastos com aplicativos delivery. Comparado com o mês de março, pico da pandemia e de maior queda nas despesas por aplicativo no Brasil, o aumento foi de 187%.

 

De olho no mercado

 

De olho no aumento do mercado de delivery, donos de restaurantes e de redes de comida chinesa, escolheram investir no canal, como forma de buscar crescimento mesmo em período de crise. O grupo TrendFoods, formado pelas redes China in Box e Gendai, com quase 30 anos de mercado, é um destes exemplos.

 

Carlos Sadaki, presidente do Grupo TrendFoods – Foto: Divulgação

 

Por causa especificamente dos efeitos da pandemia no mercado food service, a empresa ampliou o cardápio de entregas, além de aperfeiçoar o tempo e elevar o número de equipes para o atendimento. “Alcançamos uma alta de 30% nas entregas durante o período”, detalha o presidente do Grupo TrendFoods, Carlos Sadaki.

 

O tradicional Frango Xadrez do China In Box – Foto: Divulgação

 

Sadaki explica que, durante esse período de pandemia, houve uma aceleração no planejamento para o crescimento das unidades. “Houve uma expansão. Desde 2020, uma unidade física China in Box pode comportar até cinco dark kitchens de cozinhas diversas. A princípio, foram lançadas as dark kitchens Gokei e Owan de comida asiática”, conta.

 

Dark Kitchen é uma estrutura de cozinha, equipe e logística de uma marca já estabelecida e utilizada para outras novas marcas apenas para o serviço delivery e com pedidos feitos via marketplace. Uma unidade física China in Box pode ter até cinco dark kitchens de cozinhas diversas. A princípio (no grupo), foram lançadas as dark kitchens Gokei e Owan de comida asiática.

 

Crescimento e tradição

 

Pioneiro no sistema delivery no Brasil, o presidente do grupo TrendFood acredita que a gastronomia chinesa é uma alternativa para o consumidor e o delivery uma facilitação. “A pandemia, com certeza, reafirmou o papel do consumo ‘em casa’, mas acreditamos em uma realidade equilibrada entre vendas presenciais e digitais para o futuro”, ressalta Sadaki.

 

O famoso Rolinho Primavera da rede China In Box – Foto: Divulgação

 

Apesar do cenário atual, o grupo TrendFood espera um crescimento médio de 5% para a marca China in Box, e de 50% para o conglomerado de dark kitchens. Sobre o China in Box, o faturamento de 2020, por exemplo, foi de aproximadamente R$ 340 milhões, enquanto as dark kitchens movimentaram R$ 32 milhões. “Também consolidamos 144 lojas físicas da rede chinesa, imersas entre as 208 dark kitchens de nosso grupo”, completa o presidente do grupo.

 

Os pratos de maior saída do China in Box também são os itens mais tradicionais do restaurante, de acordo com Sadaki. Hoje, os pratos mais populares são: Rolinhos Primavera, Yakissoba Clássico, Frango Xadrez e Bowl Frango Crispy.

 

Tradição familiar x tecnologia

 

Localizado em um dos pontos mais tradicionais do Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca, o Restaurante China Town, há 29 anos, mantém a tradição e o sabor da comida chinesa. Com a pandemia da Covid-19, o espaço teve que passar por várias adaptações para não ter que fechar as portas de vez.

 

Helena Chen, proprietária do restaurante China Town no RJ – Foto: Divulgação

 

A proprietária do empreendimento, Helena Chen, conta que a tradição teve que dar lugar a tecnologia. “Priorizamos a tradição. Toda a comida é feita conforme a nossa origem chinesa e, com a pandemia, tivemos que adotar um novo atendimento para que pudéssemos atender a nossa clientela”, conta.

 

No início, a empresária chegou a pensar em cortar funcionários, mas, com a implementação do delivery e com o aumento das vendas, teve que aumentar o número de colaboradores. “Além de me cadastrar em um aplicativo especializado em entrega de comida, tive que contratar alguns motoboys para ajudar na demanda, que está ficando cada vez maior”, detalha Chen.

 

Foto: Divulgação

 

A empresária relembra que, além de atender os cariocas, muitos clientes eram turistas e que, com a pandemia, ocorreu uma queda de 30% na receita. No entanto, com a chegada do delivery, houve um acréscimo de 80% dos lucros. “Não posso reclamar. Conseguir manter meus funcionários e o meu estabelecimento. Tem muita gente aqui no Rio e em outros lugares do país que, infelizmente, tiveram que fechar as portas”, desabafa.

 

Os pratos favoritos do China Town, de acordo com a empresária Chen, é o porco no vapor à moda chinesa e o pão chinês. “Todos são feitos de forma artesanal e manual como manda a nossa tradição”, finaliza a empresária.

 

Aplicativo próprio e WhatsApp

 

Há 24 anos na Zona Oeste de São Paulo, capital, o tradicional restaurante Sun China é outro estabelecimento food service que deu a volta por cima na crise provocada pela pandemia por meio do serviço de entrega em domicílio, mas de forma independente. Enquanto alguns donos de restaurantes tiveram que ‘rebolar’ se adaptarem ao delivery por meio dos conhecidos marketplaces, o empresário Elidio Biazini divide que optou por investir ainda mais no próprio aplicativo para fazer a entrega dos seus produtos. “Antes da pandemia, eu já tinha meu próprio aplicativo, mas resolvi investir mais. Assim, aumentamos o número de funcionários e entrei em uma empresa terceirizada de aplicativo de comida para expandir a área de atendimento”, partilha.

 

Biazini, dono do Restaurante Sun China – Foto: Divulgação

 

Além dos aplicativos, as vendas pelo WhatsApp também cresceram no Sun China, o que estimulou ainda mais contratações. “Mesmo de portas fechadas para os clientes presenciais, tivemos que reforçar a equipe da cozinha porque a demanda de pedidos aumentou muito e, para atender mantendo a qualidade, fizemos esse reforço”, explica o empresário.

 

Biazini acrescenta ainda que, neste período de pandemia, o crescimento registrado no seu restaurante foi de 30%, mesmo nessa fase de abre e fecha. “Estamos localizados em uma zona mista da cidade de São Paulo, onde há muitos escritórios e residências e a demanda é muito grande”, avalia.

 

Frango Xadrex do Sun China – Foto: Divulgação

 

Por fim, Biazini revela que, para manter o padrão de qualidade, alguns pratos pouco pedidos no Sun China foram retirados do cardápio. “Principalmente, aqueles mais caros ou de pouca saída até menos para economizar”.

 

E você? Como anda fazendo para superar a crise social e econômica provada pela atual pandemia de Covid-19 em relação ao seu negócio food service? Caso queira contar a sua história, mande e-mail para [email protected]

 

Por: Gabriela Sales

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