SUA OPERAÇÃO PRECISA DE MAIS PESSOAS OU DE MELHORES PROCESSOS?

Artigo exclusivo de Alexandre Martins Alves para a Rede Food Service

SUA OPERAÇÃO PRECISA DE MAIS PESSOAS OU DE MELHORES PROCESSOS? - Foto: Rede Food Service
SUA OPERAÇÃO PRECISA DE MAIS PESSOAS OU DE MELHORES PROCESSOS? - Foto: Rede Food Service

 

SUA OPERAÇÃO PRECISA DE MAIS PESSOAS OU DE MELHORES PROCESSOS?

 

Uma das reclamações mais frequentes entre donos e gestores do food service é a falta de mão de obra. Encontrar profissionais qualificados, manter equipes completas e reduzir a rotatividade tornou-se um dos maiores desafios do setor. Diante dessa realidade, é natural que muitos gestores cheguem sempre à mesma conclusão: “precisamos contratar mais pessoas”, mas será que essa é realmente a solução?

 

Embora existam situações em que ampliar a equipe seja inevitável, a experiência mostra que muitos problemas operacionais não estão relacionados à quantidade de colaboradores, mas à forma como o trabalho foi organizado. Em outras palavras, antes de pensar em aumentar a equipe, talvez seja mais importante avaliar se os processos existentes são realmente eficientes.

 

Essa reflexão pode parecer simples, mas tem um impacto enorme na produtividade, nos custos e na qualidade da operação. É comum encontrar restaurantes onde a equipe trabalha intensamente durante todo o expediente, mas a sensação de atraso permanece constante. Pedidos demoram, clientes aguardam mais do que deveriam, a cozinha vive sob pressão e o gestor termina o dia convencido de que faltam funcionários.

 

Entretanto, ao analisar a operação com mais profundidade, percebe-se que boa parte desse tempo é desperdiçada em atividades que não agregam valor. Colaboradores caminham desnecessariamente pela cozinha, procuram utensílios, aguardam ingredientes que não estão preparados, repetem tarefas ou interrompem constantemente o trabalho para esclarecer dúvidas.

 

Nenhum desses problemas será resolvido apenas com novas contratações.

 

Na verdade, equipes maiores podem até aumentar a complexidade da operação quando os processos não estão bem definidos. Quanto mais pessoas envolvidas, maior a necessidade de comunicação, alinhamento e coordenação. Se cada colaborador executa uma atividade de forma diferente, o resultado costuma ser mais retrabalho, mais desperdício e maior dependência da supervisão constante do gestor.

 

É justamente por isso que operações altamente eficientes costumam chamar atenção não pelo tamanho das equipes, mas pela simplicidade dos seus processos. Basta observar algumas redes de alimentação que conseguem atender centenas de clientes diariamente mantendo equipes relativamente enxutas. O segredo dificilmente está apenas na tecnologia ou no investimento financeiro. Está na forma como cada atividade foi pensada, organizada e padronizada. Cada deslocamento possui um motivo. Cada equipamento ocupa uma posição estratégica. Cada colaborador conhece exatamente sua responsabilidade. Os procedimentos são claros, repetitivos e fáceis de ensinar.

 

Quando isso acontece, a operação deixa de depender da experiência individual de cada funcionário e passa a depender da qualidade do processo.

 

Essa é uma mudança importante de mentalidade. Muitos gestores acreditam que pessoas extraordinárias resolvem operações desorganizadas. Na prática, acontece exatamente o contrário. Processos bem construídos permitem que pessoas comuns entreguem resultados extraordinários. Isso não significa diminuir a importância da equipe. Pelo contrário! Significa criar um ambiente onde as pessoas consigam trabalhar melhor, com menos desgaste e mais previsibilidade.

 

Um benefício frequentemente ignorado é a facilidade de treinamento.

 

Em um setor marcado pela alta rotatividade, processos simples reduzem significativamente o tempo necessário para integrar novos colaboradores. Quando existe padronização, o conhecimento deixa de ficar concentrado em poucos funcionários e passa a fazer parte da cultura da empresa. Essa característica torna a operação muito menos vulnerável às inevitáveis mudanças de equipe.

 

 

Além disso, processos claros reduzem conflitos internos. Quando cada pessoa sabe exatamente o que fazer, quando fazer e como fazer, diminuem as interpretações individuais, as discussões sobre responsabilidades e a necessidade constante de intervenção da liderança.

A comunicação também se torna mais objetiva. Isso permite que o gestor dedique menos tempo apagando incêndios e mais tempo analisando indicadores, acompanhando resultados e planejando o crescimento do negócio.

 

Outro aspecto importante diz respeito aos custos. Sempre que um restaurante decide aumentar sua equipe, aumenta também sua folha de pagamento, encargos, benefícios, uniformes, treinamento e custos indiretos. Se a origem do problema estiver na desorganização dos processos, essas novas contratações apenas elevarão o custo operacional sem produzir ganhos proporcionais de produtividade.

 

Antes de abrir novas vagas, vale a pena fazer algumas perguntas simples:

  • Os colaboradores estão perdendo tempo procurando materiais?
  • Existe excesso de deslocamentos dentro da cozinha?
  • As fichas técnicas são realmente seguidas?
  • Os processos são executados da mesma maneira por todos?
  • As responsabilidades estão claramente definidas?

 

Muitas vezes, responder honestamente a essas perguntas produz resultados mais relevantes do que contratar novos funcionários.

 

Isso não significa defender operações enxutas a qualquer custo ou sobrecarregar equipes. Existe um limite saudável para qualquer estrutura operacional. O objetivo não é fazer mais com menos pessoas indiscriminadamente, mas eliminar desperdícios para que o trabalho das pessoas seja melhor aproveitado.

 

No cenário atual do food service, onde encontrar bons profissionais tornou-se um desafio cada vez maior, empresas que investem em organização saem na frente. Elas compreendem que processos bem desenhados reduzem erros, aumentam produtividade, facilitam treinamentos e tornam a operação mais previsível.

 

A escassez de mão de obra certamente continuará sendo um dos grandes desafios do setor. Porém, talvez a primeira pergunta que todo gestor deva fazer não seja “quantas pessoas ainda preciso contratar?”, mas sim “o quanto meus processos podem melhorar?”. Porque, no final das contas, equipes competentes fazem diferença, mas são os processos bem construídos que permitem que essas equipes entreguem todo o seu potencial.

 

Pense nisso!

Bom trabalho a todos!

 

Alexandre Alves
Alexandre Alves
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Bacharel em Ciências Econômicas, Pós Graduado em Gestão de Negócios em Alimentação e com MBA em Supply Chain, com mais de 30 anos de experiência nas áreas de Supply Chain, Compras e Logística em empresas multinacionais e nacionais de grande, médio e pequeno porte.
Autor dos livros “Gestão de Processos e Fluxo de Mercadorias”, “Engenharia de Cardápio” e os volumes 1 e 2 do “Gestão de Negócios de Alimentação: Casos e Soluções”, todos editados pela Editora Senac. Docente no Centro Universitário Senac e na Universidade São Camilo.
Consultor no setor de alimentação e entretenimento, especializado em soluções para a área financeira e administração de compras, estoque, produção e na implantação de sistemas informatizados de gestão.

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