GUILHERME CARDADEIRO: o Chef que transforma alimentação em impacto social

Atualmente GUILHERME CARDADEIRO é Chef de Cozinha, Professor e Gerente de Gastronomia e Negócios de Impacto do Projeto Chef Aprendiz, Guilherme Cardadeiro une gastronomia, ensino e responsabilidade social em um trabalho que inspira a nova geração de profissionais do food service

GUILHERME CARDADEIRO: o Chef que transforma alimentação em impacto social - Foto: Divulgação

 

GASTRONOMIA + ENSINO + RESPONSABILIDADE SOCIAL. Essa é a atual tríade que guia a vida profissional de Guilherme Cardadeiro e Silva, de 36 anos, o Chef Guilherme Cardadeiro.

 

Atualmente como Chef de Cozinha, Professor e Gerente de Gastronomia e Negócios de Impacto do Projeto Chef Aprendiz, Guilherme Cardadeiro conta, por meio de entrevista exclusiva à Rede Food Service, como consegue unir gastronomia, ensino e responsabilidade social em um trabalho que inspira a nova geração de profissionais do food service. “Hoje, estou à frente do Chef Aprendiz como um todo e isso é muito! A fundadora e idealizadora Beatriz Mansberguer fez e faz um baita trabalho. Lá, eu estruturei e montei os nossos dois serviços de catering e sigo à frente deles, além de cuidar de todo o conteúdo didático das formações, parcerias, Chefs e eventos que realizamos. É muita coisa”, sinaliza.

 

Para Guilherme Cardadeiro, a vida de Chef “NÃO é glamour. O que é glamouroso é uma ideia falsa que é vendida. Costumo dizer que não há Chef, somos todos cozinheiros, o título de Chef deve ser é conquistado, ganhado a partir do reconhecimento dos outros perante você. Para ser Chef é preciso estar disposto a trabalhar muitas horas, em muitos momentos e lugares que não são os que as demais pessoas estão”, afirma.

 

Ele divide também que “ser Chef é abrir mão de coisas e pessoas pelo trabalho e dedicação a ele. Ser Chef é pensar e cuidar da sua equipe, como se fosse sua família, segurando a pressão e problemas para que eles não sofram com isso. Ser Chef é como ser capitão de um time de futebol, você não nasce capitão, se torna”, assinala.

 

Nesse contexto, QUE TAL CONHECER MAIS SOBRE A VIDA DE CHEF DE TRANSFORMAR ALIMENTAÇÃO EM IMPACTO SOCIAL DE GUILHERME CARDADEIRO?

 

É só conferir abaixo:

  • QUEM É GUILHERME CARDADEIROA?
  • FORMAÇÃO E EXPERIÊNCIAS PROFISSIONAIS DE GUILHERME CARDADEIRO
  • O CAMINHO ATÉ A ÁREA DE ENSINO E RESPONSABILIDADE SOCIAL
  • ROTINA E DESAFIOS DE GUILHERME CARDADEIRO
  • VIVÊNCIAS MARCANTES E PLANOS DE GUILHERME CARDADEIRO PARA O FUTURO
  • VISÃO DE MERCADO DE GUILHERME CARDADEIRO
  • DICA DE GUILHERME CARDADEIRO PARA QUEM DESEJA SEGUIR CARREIRA NA GASTRONOMIA

 

QUEM É GUILHERME CARDADEIRO?

 

Casado e pai de uma menina de 3 anos chamada Maitê, Gui Cardadeiro se apresenta como “pai, marido, amigo e sonhador. Sou uma pessoa acelerada, sempre atenta ao que está acontecendo no Brasil e no mundo. Estou sempre buscando uma informação nova, uma história interessante sobre algo que está fazendo, sempre buscando uma aventura nova dentro da cozinha, seja usando algo que ninguém usa ou questionando o porquê de ninguém estar usando aquilo. Mas, acima de tudo, sou uma pessoa que está em busca de um setor mais humano e mais justo para todos”, detalha.

 

GUILHERME CARDADEIRO: o Chef que transforma alimentação em impacto social
Guilherme Cardadeiro e a filha Maitê – Foto: Arquivo pessoal

 

Sobre a sua versão profissional, o Chef sinaliza que “eu ainda tenho muito para aprender, fazer e construir dentro do food service. Dentro dos meus questionamentos internos, encontro nesse momento a sala de aula como ferramenta para multiplicar o meu pensamento e trabalho. As minhas inspirações, hoje, são as mesmas de antes. Eu admiro muitos Chefs, pessoas e profissionais da área, nos quais me inspiro como profissional e como pessoa, além da minha própria equipe e alunos, que vivem me ensinando muito, todo dia”, diz.

 

FORMAÇÃO E EXPERIÊNCIAS PROFISSIONAIS DE GUILHERME CARDADEIRO

 

Formado em Gastronomia pela Faculdade São Camilo, Gui Cardadeiro também buscou aperfeiçoamento em docência e realizou MBA em Gestão Pública Estratégica. “Eu também estudei no SENAC, onde fiz uma pós-graduação, não finalizada, em docência para Hotelaria, Gastronomia e Turismo, relata.

 

Em relação à sua estreia no mercado de food service, o Chef relembra que “o meu primeiro contato profissional nessa área foi em redes hoteleiras, na época em que as faculdades de Gastronomia ainda engatinhavam. Havia poucos profissionais formados tecnicamente no mercado”, lembra.

 

GUILHERME CARDADEIRO: o Chef que transforma alimentação em impacto social
Guilherme Cardadeiro – Foto: Divulgação

 

Ademais sobre o seu percurso profissional, Gui Cardadeiro realça que acumulou experiências em restaurantes e hotéis de São Paulo e no Pará, onde chefiou operações por três anos e aprimorou a sua visão sobre gestão e formação de equipes. “Em São Paulo, eu destaco o meu período de mais de cinco anos à frente da extinta Enoteca Saint Vinsaint, um restaurante 100% orgânico e sazonal que ficava no Itaim”, complementa.

 

Além disso, cabe ainda o destaque de que, em 2025, Gui Cardadeiro recebeu o prêmio de ‘Salva de Prata da Câmara Municipal de São Paulo‘, no 28º Prêmio São Paulo, Capital Mundial da Gastronomia, pelo que foi considerado “expressiva contribuição para a gastronomia da cidade”.

 

O CAMINHO ATÉ A ÁREA DE ENSINO E RESPONSABILIDADE SOCIAL

 

Também foi em São Paulo que Gui Cardadeiro deu os pontapés iniciais na área de ensino e responsabilidade social. “Eu comecei a atuar no terceiro setor, ligado à Gastronomia, no Projeto Chef Aprendiz, fundado pela Beatriz Mansberguer, em 2015, em Paraisópolis, que é um dos projetos do Instituto Fadaris, também fundado pela Beatriz”, relata.

 

GUILHERME CARDADEIRO: o Chef que transforma alimentação em impacto social
Um olhar diferente sobre a Gastronomia do Chef Guilherme Cardadeiro – Foto:

 

Vale realçar que o Chef Aprendiz é um projeto social por meio do qual são formadas mão-de-obra para o setor de food service a partir da oferta de encaminhamento a restaurantes e hotéis parceiros, além da manutenção de serviços de catering, como o Catering Chef Aprendiz e o duLocal, 100% vegetal. “Nós empregamos ex-alunos, trabalhamos com gastronomia responsável, sazonal e de baixo impacto ambiental”, resume o Chef.

 

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ROTINA E DESAFIOS DE GUILHERME CARDADEIRO

 

Gui Cardadeiro alega que, hoje em dia, a sua rotina “é muito mais voltada para a gestão de pessoas, processos e demandas do que dentro da cozinha em si. Os principais momentos que estou dentro da cozinha são ligados às oficinas do Chef Aprendiz, que eu ministro a grande maioria, ou em eventos e palestras/aulas show que realizo também.  Mas, para chegar aqui, foram muitos e muitos finais de semana, feriados e noites trabalhadas, sem descanso”, garante.

 

Com esse histórico, o Chef considera que o seu atual desafio “é fazer o público geral entender que uma ONG, projeto social, pode ter uma gastronomia tão boa quanto qualquer outro serviço de alimentação. Não é porque somos sociais que não temos qualidade, ou que, por sermos sociais, temos um preço mais baixo. O grande público ainda associa a imagem do terceiro setor ao ‘coitadismo’ e não é nada disso, é exatamente o contrário. No Chef Aprendiz, descobrimos talentos e desenvolvemos pessoas. Isso tem GRANDE valor”, assegura.

 

VIVÊNCIAS MARCANTES E PLANOS DE GUILHERME CARDADEIRO PARA O FUTURO

 

Entre as muitas experiências que marcaram a trajetória de Guilherme Cardadeiro na gastronomia, uma, em especial, mudou completamente a sua forma ele enxergava a profissão. No início da sua carreira como Cozinheiro, ele partilha que o seu foco estava em conquistar reconhecimento, prêmios e visibilidade. E, foi nesse período, enquanto morava no Pará, que o Chef participou de um concurso gastronômico promovido pelo extinto Jornal Metro, distribuído em todo o Brasil, e acabou vencendo a competição.

 

GUILHERME CARDADEIRO: o Chef que transforma alimentação em impacto social
Gui Cardadeiro em uma das turmas do projeto Chef Aprendiz – Foto: Divulgação

 

Como prêmio, o Chef ganhou uma viagem para Lima, no Peru, onde cozinhou ao lado de participantes de outros países e teve a oportunidade de conhecer o renomado Chef peruano Gastón Acurio.  “No dia em que nos encontramos, em uma conversa, Gaston nos falou uma frase que me marcou profundamente: ‘gastronomia não pode ser só sobre competir, mas sim sobre compartilhar’. Essa pequena fala dele me fez pensar muito e, quando voltei ao Brasil, ainda em Belém, tudo mudou. Nessa época, a Beatriz fundou o projeto e, a distância, eu ajudei no que me coube. Em Belém, eu comecei a trabalhar com pequenos produtores, mudei a minha cabeça e comecei a desenvolver melhor minha equipe. O resto é história”, assinala.

 

Com esse foco, hoje, os planos de futuro de Guilherme Cardadeiro englobam, principalmente, garantir a continuidade do projeto Chef Aprendiz. “Eu quero que o Chef Aprendiz seja perene, financeiramente saudável e que continue formando centenas de pessoas, dentro e fora da cozinha”, almeja.

 

VISÃO DE MERCADO DE GUILHERME CARDADEIRO

 

Guilherme Cardadeiro, com forte ligação à culinária brasileira, valoriza ingredientes locais, pequenos produtores e sazonalidade. Assim, na sua visão de mercado, “alimentação não é só o ato fisiológico de colocar combustível no corpo para que ele funcione. A alimentação começa em escolher bem o que irá servir e, além disso, o porquê disso. Para além dos modismos, saber escolher o que cozinhar e comer é algo importantíssimo e, hoje em dia, cada vez mais, e com a ajuda da Internet e da tecnologia, as pessoas estão recebendo essas informações e conteúdo. E é claro que muita gente ainda consome o ‘hype’, o lugar famoso e nem sabem o que estão fazendo lá, mas há sim uma grande parcela de pessoas que consome com consciência e inteligência”, acredita.

 

Já quando questionado como classifica o atual mercado food service, o Chef alega que se trata de uma tarefa “difícil neste momento”. E isso porquê, segundo ele, “de um lado, temos cada vez mais tecnologia aplicada à cozinha, atendimento, vendas, marketing, assim como do outro lado temos cada vez menos mão-de-obra, cada vez menos pessoas interessadas em construir uma carreira dentro da cozinha”, esclarece.

 

Nesse sentido, Guilherme Cardadeiro sinaliza que a melhor classificação para o atual nicho de alimentação fora do lar seria então “desafiador”. “Estamos em um momento de enfrentar muitas decisões complexas e delicadas. Precisamos melhorar as condições de trabalho do setor, aumentando salários, melhorando estruturas físicas, benefícios; assim também como precisamos lutar por melhorias nos impostos, prestação de serviços e encargos. Acredito que uma pessoa que está ingressando no mercado neste momento não precisa nem de mais nem de menos conhecimento do que antigamente, mas, com certeza, ela precisa estar muito mais antenada e disposta a aprender com as novas ferramentas tecnológicas, sejam de equipamentos ou serviços”, divide.

 

DICAS DE GUILHERME CARDADEIRO PARA QUEM DESEJA SEGUIR CARREIRA NA GASTRONOMIA

 

Como reforço, Guilherme Cardadeiro sinaliza que vida de Chef “é saber escutar. Escutar a sua equipe, se está trabalhando bem, feliz e acolhida. É ouvir o cliente, saber o que ele quer, como e quanto, além de servir a experiência que ele veio buscar com você. É escutar os seus fornecedores e a natureza, pensando e consumindo com responsabilidade social, ambiental e financeira, claro. Mas, o mais importante é ouvir o seu próprio corpo e entender os limites dele. Em pleno 2026, continuamos a ouvir histórias terríveis, de amigos e colegas, que por ‘n’ razões, não ‘se escutaram’ e sofreram consequências terríveis”, alerta.

 

Logo, para quem deseja seguir carreira na área de Gastronomia, o Chef deixa as seguintes dicas: “trabalhe, não tenha medo de trabalhar. Pergunte, seja curioso e pesquise muito! Ouça quem veio antes de você, aprenda com os seus erros e esteja pronto para errar, pois todos erramos, e muito!  E o mais importante, COMA MUITO DE TUDO!”, indica.

 

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