Pipoca é um dos produtos mais democráticos da alimentação brasileira. Presente em cinemas, parques, festas e até nas ruas das grandes cidades, ela costuma disputar mercado, principalmente, pelo fácil preparo, preço acessível e apelo emocional.
Mas, será que é possível transformar um produto tão comum e de baixos custos no geral em uma marca capaz de crescer por meio do modelo de franquias?
Para os empreendedores Maurício Matheus e Andressa Martins, a resposta é SIM e SIM! E isso porque, em 2018, o casal investiu cerca de R$ 3,8 mil — valor formado pela rescisão de trabalho de Maurício e por uma reserva financeira de Andressa — para abrir uma pequena ‘carrocinha’ de pipocas artesanais em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, que, hoje, sete anos depois, virou a BAURUCAS: uma rede de franquias com nada menos que 43 unidades, fábrica própria, cerca de 50 colaboradores e expectativa de faturar R$ 45 milhões até o final deste ano de 2026.
Em entrevista exclusiva à Rede Food Service, Maurício revela que o crescimento da operação não aconteceu apenas porque ele e a Sócia passaram a vender uma pipoca premium, o que, na sua visão, é o maior erro de quem entra nesse ramo do mercado de food service.
Segundo o empreendedor, não adianta de nada acreditar que basta oferecer um produto de qualidade no atual segmento de alimentação fora do lar, sendo que o segredo está em apostar também em marca e não apenas em produto. “Tem muita gente boa fazendo produto bom. Produto de qualidade não é mais diferencial. O que diferencia você do outro hoje em dia, no final, é a marca que você constrói“, afirma.
E foi justamente essa mudança de mentalidade que fez Maurício e Andressa deixarem de pensar apenas no produto pipoca para, juntos, desenvolverem um modelo de negócio capaz de crescer de forma padronizada e sustentável.
Nesse contexto, que tal conhecer um pouco mais sobre A HISTÓRIA E O MODELO DE NEGÓCIO DA BAURUCAS?
É só, na sequência, conferir:
- COMO TUDO COMEÇOU
- QUANDO QUALIDADE DEIXA DE SER DIFERENCIAL
- MARCA NÃO É SÓ LOGOTIPO
- MARGEM É O QUE PERMITE CRESCER
- O QUE FEZ UMA PIPOCA VIRAR UM MODELO DE FRANQUIAS
- COMEÇAR PEQUENO PODE SER UMA VANTAGEM
- O PAPEL DO FRANQUEADO NO CRESCIMENTO DA REDE
- O FUTURO DA BAURUCAS: FAZER A MARCA VIRAR SINÔNIMO DE PIPOCA
COMO TUDO COMEÇOU
Toda grande rede já foi um pequeno negócio, certo? No caso da Baurucas, a história começou em 2018, quando Maurício e Andressa decidiram trocar a estabilidade dos empregos pelo empreendedorismo.
Com apenas R$ 3,8 mil — sendo cerca de R$ 3 mil da rescisão de trabalho de Maurício e R$ 800 de uma reserva financeira de Andressa — o casal investiu em capacitação, desenvolveu receitas próprias e colocou nas ruas de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, uma ‘carrocinha’ de pipocas artesanais.
Nessa época, o objetivo de Maurício e Andressa era simples: transformar um produto tradicional em uma experiência de consumo diferenciada. “A Baurucas nasceu em 2018 como um pequeno negócio de venda de pipocas artesanais em uma ‘carrocinha’ nas ruas de Campo Grande, criado por mim e pela Andressa com o objetivo de oferecer uma experiência diferenciada de consumo. No início, era uma operação familiar, com produção artesanal, venda direta ao consumidor e investimento reduzido”, relembra Maurício.
O empreendedor divide também que “a inspiração veio depois que a Andressa encontrou uma reportagem sobre o mercado de pipocas gourmet e identificou uma oportunidade no segmento”, pontua.
QUANDO QUALIDADE DEIXA DE SER DIFERENCIAL
Durante muito tempo, para Maurício e Andressa, oferecer um bom produto era suficiente para conquistar clientes. Entretanto, em um mercado cada vez mais competitivo, o casal entendeu que qualidade passou a ser apenas o ponto de partida. Afinal, a cada dia, existem mais e mais negócios capazes de entregar bons produtos. “Tem muita gente boa fazendo produto bom. Por isso, hoje em dia, produto de qualidade não é mais diferencial”, assinala Maurício.

Na prática, isso significa que investir apenas na receita deixou de garantir crescimento. Assim, para o casal de empreendedores, a diferença está em construir uma marca capaz de ocupar espaço na memória do consumidor. “O que diferencia você do outro, no final, é a marca que você constrói”, endossa o empresário.
E foi essa percepção que passou a orientar as decisões tomadas por Maurício e Andressa desde os primeiros anos da operação da Baurucas. Dessa forma, em vez de competir apenas pelo produto, eles decidiram investir em posicionamento, experiência e padronização.
Hoje, por meio das unidades da Baurucas, eles atendem um público bastante amplo, mas cerca de 80% dos consumidores são mulheres, principalmente mães e famílias, atraídas por uma experiência de consumo que combina sabores conhecidos, qualidade e memória afetiva.
MARCA NÃO É SÓ LOGOTIPO
Para Maurício, um dos equívocos mais comuns entre empreendedores do ramo de food service é reduzir branding à identidade visual.
Na avaliação dele, construir uma marca envolve muito mais do que desenvolver um nome ou um logotipo. “Marca não é só logo bonita. É proposta de valor, é a forma como você apresenta o produto e a história que você quer contar”, alerta.
Segundo o fundador da Baurucas, é justamente esse processo que permite compreender quem é o consumidor e porque ele escolhe determinado negócio. “Marca é como você se apresenta, como é lembrado e porque alguém volta”, explica.
É válido realçar que essa estratégia também influenciou o desenvolvimento do portfólio da Baurucas, pois, em vez de ampliar continuamente o número de sabores, Maurício e Andressa optaram por um cardápio enxuto e atemporal, formado por receitas construídas em torno de ingredientes familiares ao consumidor brasileiro, como leite em pó, churros, avelã, chocolate drizzle e morango drizzle.
Ao mesmo tempo, o casal investiu em ingredientes premium, como o milho do tipo mushroom, que é muito utilizado em tradicionais marcas norte-americanas, uma inspiração que veio de referências internacionais.
Conforme Maurício, a ideia foi observar empresas consolidadas, como a Garrett Popcorn Shops e operações presentes nos parques da Disney, para adaptar conceitos ao mercado brasileiro, mas sem perder a identidade da marca. “A Baurucas foi inspirada em marcas centenárias dos Estados Unidos, país que é o maior consumidor de pipoca do mundo. Entre as principais referências, estão a Garrett Popcorn Shops, além de marcas presentes nos parques da Disney e outras referências da cidade de Chicago, reconhecida pela tradição no mercado de pipocas”, sinaliza.
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MARGEM É O QUE PERMITE CRESCER
Se construir marca foi essencial para diferenciar a Baurucas, entender margem tornou-se fundamental para garantir a sua sustentabilidade financeira, de acordo com os seus fundadores.
Nesse sentido, Maurício pondera que muitos empreendedores concentram esforços exclusivamente em aumentar as vendas, mas deixam de acompanhar um indicador que, na sua avaliação, determina a saúde de uma operação de food service. “Margem blinda o negócio”, assegura.
O empreendedor alega que trabalhar com margem adequada permite manter o ponto de equilíbrio sob controle mesmo diante das oscilações do mercado. “Ela mantém o ponto de equilíbrio baixo e garante lucratividade”, sinaliza.
Maurício acrescenta que, quando esse indicador não é acompanhado desde o início, a operação passa a depender excessivamente de fatores externos. “Se você não domina isso, vira refém de promoção, aumento de custo, aluguel, sazonalidade. E o negócio vira uma montanha-russa”, alerta.
Atualmente, as unidades da Baurucas operam com lucratividade que varia entre 15% e 25%, enquanto lojas de maior desempenho, instaladas em shopping centers, chegam a faturar cerca de $ 80 mil por mês.

Além disso, Maurício destaca que um dos pilares da estratégia atual da rede de franquias é manter um modelo financeiramente saudável antes de acelerar a expansão. “A estratégia da Baurucas está baseada em dois pilares: consolidar e aumentar a eficiência da gestão do modelo de negócio e expandir a marca de forma sustentável”, resume.
Segundo ele, esse crescimento precisa acontecer sem perder aquilo que sustenta a relação com o consumidor. “Para o consumidor final, o objetivo é entregar uma experiência consistente, mantendo padrões elevados de qualidade e fortalecendo o propósito de transformar o consumo de pipoca no Brasil”, esclarece.
O QUE FEZ UMA PIPOCA VIRAR UM MODELO DE FRANQUIAS
Hoje, a Baurucas conta com 43 unidades em funcionamento, aproximadamente 50 colaboradores e uma fábrica responsável por abastecer toda a rede. No entanto, de acordo com Maurício, a expansão nunca teve como objetivo simplesmente abrir novas lojas, uma vez que o foco sempre foi construir um modelo de negócio financeiramente saudável antes de acelerar o crescimento. “O primeiro passo é construir um modelo de negócio saudável, com margem suficiente para crescer”, indica.
Na avaliação do empresário, muitos empreendedores concentram hoje em dia esforços na venda e deixam de olhar para indicadores que garantem a sustentabilidade da operação. Por isso, ele defende que margem deve ser prioridade desde o primeiro dia. “Margem blinda o negócio. Ela mantém o ponto de equilíbrio baixo e garante lucratividade”, reforça.
Essa lógica também explica o modelo de franquias desenvolvido por Maurício e Andressa para a Baurucas. Hoje, o investimento inicial gira em torno de R$ 144 mil para um quiosque premium de 6 m², enquanto o faturamento médio mensal é de aproximadamente R$ 50 mil, com lucratividade entre 15% e 25% e retorno estimado entre 14 e 24 meses.
Conforme Maurício, o perfil dos investidores mostra que o mercado reconhece essa proposta. “Cerca de 80% da rede é formada por empresários ou profissionais que já possuem ou tiveram outros negócios e enxergam valor em um modelo baseado em simplicidade operacional, eficiência, margem e força de marca”, ressalta.
COMEÇAR PEQUENO PODE SER UMA VANTAGEM
Embora, nos atuais dias, a Baurucas já seja uma rede de franquias consolidada, Maurício afirma que um dos maiores acertos foi não tentar acelerar o crescimento antes de validar o modelo. Ou seja, crescer pequeno para crescer certo vale a pena, na sua opinião e da Sócia. Porém, “começar pequeno é uma vantagem, se você fizer do jeito certo”, alega Maurício.
Ou seja, isso significa testar produto, preço, operação e comportamento do consumidor antes de pensar em expansão. “No começo, o foco precisa estar 100% no cliente. Você não está vendendo pipoca, está descobrindo o que o cliente realmente compra quando escolhe você”, exemplifica.
E esse aprendizado permitiu que Maurício e Andressa ajustassem processos, consolidassem a identidade da marca e, só então, avançassem para o franchising.
O PAPEL DO FRANQUEADO NO CRESCIMENTO DA REDE
Para quem investe em uma unidade da Baurucas atualmente, um dos principais diferenciais apontados é justamente o suporte da franqueadora.
Cidney Fernandes de Jesus, empresário e franqueado da marca desde 2023, divide que a transparência e o acompanhamento da operação fizeram a diferença desde o início. “O suporte do time da franquia, a transparência na condução do negócio e o retorno financeiro, que, no nosso caso, foi bem rápido, são as grandes vantagens da Baurucas”, compartilha.
Por isso, ele afirma que recomenda o investimento. “É um negócio rentável, com a marca já estabelecida no mercado. Pipoca é um produto que agrada a todos os públicos e a nossa é a melhor de todas!”, recomenda.
Maurício adiciona que “a Baurucas reúne características que tornam o modelo atrativo para investidores: margens acima da média do mercado, markup que pode chegar a 300% nos produtos vendidos, alta recorrência de consumo e um diferencial competitivo claro”, realça.
O empreendedor informa ainda que, para se tornar um franqueado (a) Baurucas, o primeiro passo “é entrar em contato com a equipe de expansão da marca para conhecer melhor o modelo de negócio, entender os investimentos necessários e avaliar os melhores pontos para instalação da unidade. A Baurucas busca parceiros que compartilhem da visão de crescimento da marca e que desejem fazer parte da construção da maior rede de pipocas do Brasil”, convida.
Confira, abaixo, o RAIO X da Baurucas:
- Modelo de franquia: quiosque modelo premium (quiosque 3×2 m²)
- Número de unidades total: 43 unidades
- Investimento inicial: valor aproximado: 144 mil (taxa de franquia + construção quiosque + investimento em equipamentos, estoque, capital de giro e marketing inaugural)
- Taxa de franquia: R$ 55.000
- Capital de giro: R$ 10.000,00
- Faturamento médio mensal: R$ 50.000,00
- Lucro médio mensal: 15 a 25%
- Royalties:
*para unidades com faturamento bruto mensal de até R$45.000,00 – R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) nos primeiros anos, a partir do 13º mês de operação os royalties passarão a ter valor fixo de R$ 2.000,00 (dois mil reais) mensais, independentemente do faturamento bruto mensal.
*para unidades com faturamento bruto mensal superior a R$45.000,00 – os royalties corresponderão a 5% (cinco por cento) sobre o faturamento bruto mensal efetivamente apurado pela unidade, com reajuste anual pelo índice IGP-M.
- Taxa de publicidade: Fundo de Propaganda e Publicidade (FPP), contribuição mensal de 2% (dois por cento) do faturamento bruto,
- Área mínima por unidade: 6m² (quiosques de 3×2)
- Nº de funcionários por unidade: mínimo recomendado: 3 funcionários
- Prazo de retorno de investimento: 14 a 24 meses
- Prazo de contrato: 5 anos
- Celular/E-mail comercial: 21 98248-2927 / [email protected]
O FUTURO DA BAURUCAS: FAZER A MARCA VIRAR SINÔNIMO DE PIPOCA
Depois de consolidarem a presença da Baurucas no Rio de Janeiro e iniciarem a expansão para São Paulo, os planos de Maurício e Andressa agora são ainda mais ambiciosos.
Assim, além de encerrar 2026 com faturamento de R$ 45 milhões, o casal planeja ampliar a capacidade da fábrica da rede de franquias e acelerar a presença da marca em novos Estados da região Sudeste do Brasil. No entanto, Maurício afirma que existe ainda um objetivo maior. “O objetivo para a Baurucas é se tornar a maior rede de pipocas do Brasil e, no longo prazo, fazer com que a marca se torne sinônimo de pipoca para os brasileiros”, planeja junto à Sócia.
E, ao olhar para a trajetória iniciada com uma ‘carrocinha’ de rua, o empreendedor deixa a seguinte reflexão para quem também deseja empreender no segmento de food service no modelo de franchising assim como ele e Andressa. “Empreender exige resiliência, porque o crescimento de uma empresa acontece com constância, dedicação e capacidade de adaptação. E, no final das contas, o que você não sabe hoje, com calma e resiliência, você aprende nos negócios, na rotina. É um percurso promissor de conhecimento e aprendizado”, conclui.
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- Tabata Martins