Uma jornada improvável e multicultural, que contou com a sorte e uma boa dose de resiliência. Assim, é possível resumir o enredo da vida do Chef poliglota Sei Shiroma. Nova-iorquino, filho de pai japonês e mãe chinesa, ele é fluente em inglês, japonês, mandarim, português e italiano. Desembarcou no Brasil em 2012 com poucos planos e muita vontade de empreender. Hoje, está à frente da Ferro e Farinha, a primeira pizzaria do Rio de Janeiro a entrar para a lista das 100 melhores do mundo.
Um sucesso que começou de forma artesanal e improvisada nas ruas da capital carioca. Ele construiu um forno à lenha feito de ferro que, acoplado ao carro, se tornou uma espécie de pizza-móvel. Rapidamente, conquistou a atenção e o paladar do público brasileiro. Em 2014, a primeira unidade física foi aberta no bairro do Catete. “Eu precisava de um material leve para rodar, por isso não fiz o forno de alvenaria. E tinha mais um detalhe: eu não sabia fazer pizza e não falava português. Então, as minhas fontes de pesquisa eram todas americanas e as receitas não se adequavam ao clima daqui. Foram seis meses de muitos testes até chegar na proposta ideal”, conta.
Atualmente, são cinco casas espalhadas pela cidade. E não para por aí: em 2023, inaugurou o Suibi, restaurante japonês inspirado na memória afetiva do Suibi original, comandado por seus pais em Nova Iorque. “Cresci vendo o meu pai transformar ingredientes simples em experiências únicas. É uma alegria tê-lo de volta comigo, aqui, no balcão”.
De vendedor ambulante à Chef internacionalmente reconhecido, o caminho de Sei Shiroma mescla descobertas, reviravoltas e muita dedicação. Então, que tal saber mais sobre a história dele?
É só conferir a seguir:
- A IMERSÃO NA GASTRONOMIA DE MANHATTAN NA INFÂNCIA
- MÚSICA, PUBLICIDADE E OUTRAS SURPRESAS DA CARREIRA ANTES DA VIDA DE CHEF
- RECOMEÇO COMO IMIGRANTE NO BRASIL E A “AVENTURA” DA PIZZA SOBRE RODAS
- O RETORNO ÀS ORIGENS COM O SUIBI E OS PLANOS FUTUROS DO CHEF POLIGLOTA
A IMERSÃO NA GASTRONOMIA DE MANHATTAN NA INFÂNCIA
Sei Shiroma é filho único de pais imigrantes. Estudou na Saint David´s School, uma das instituições mais tradicionais de Nova Iorque. Saía de lá direto para o lugar que considera sua “segunda casa”: o restaurante da família, espaço que contribuiu para o multiculturalismo tão presente em sua formação. “Eu ouvia japonês, inglês e espanhol na cozinha, tudo ao mesmo tempo, e era um ambiente natural pra mim”.
Ao olhar para trás, Sei Shiroma reconhece que o contato desde cedo com a gastronomia fez toda a diferença em suas escolhas. Além de observar a execução dos pratos e a coordenação entre equipe, logística, equipamentos e atendimento, Sei Shiroma também acompanhava o pai em degustações por outros estabelecimentos da cidade. “Foi uma grande escola de formação de paladar, que me trouxe uma importante bagagem e referências de sabor”, comenta.
Após o atentado de 11 de setembro de 2001 e o divórcio dos pais, ele passou a trabalhar para se sustentar. Sei Shiroma foi Garçom, Bartender e Cozinheiro em restaurantes de alto volume e confessa que o atendimento no salão nunca foi seu forte. “Fui um péssimo Garçom e um Bartender ainda pior. Com certeza, eu sou melhor na cozinha com um bloco de manteiga”, brinca.
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MÚSICA, PUBLICIDADE, OUTRAS SURPRESAS DA CARREIRA ANTES DA VIDA DE CHEF
A versatilidade que marca o estilo do Chef em seus pratos também esteve presente em sua carreira. Estudou piano clássico na Juilliard School e formou-se em Literatura Inglesa pela Universidade de Tampa.
A crise econômica de 2009 bateu forte e o sonho de juventude de se tornar Jornalista de viagens precisou dar espaço para as garantias de um emprego fixo. “Consegui uma vaga para atuar como Redator em uma grande empresa farmacêutica. Depois disso, segui na Publicidade e me saí bem. Conquistei certa estabilidade financeira e ainda alugava meu apartamento no Brooklyn pelo Airbnb. Mas, eu queria mesmo era conhecer outras culturas e explorar o mundo”.
A plataforma que garantia sua renda extra ainda proporcionou mais uma das experiências inusitadas de Shiroma. “Eu conheci a namorada de um dos fundadores do Airbnb e ela me propôs escrever sobre uma nova funcionalidade do site. E, assim, fui eu que redigi a descrição do que é um Superhost”, relata. Além disso, foi um de seus hóspedes que motivou a primeira viagem dele ao Brasil anos antes de tomar a decisão que mudaria o curso de sua história.
RECOMEÇO COMO IMIGRANTE NO BRASIL E A “AVENTURA” DA PIZZA SOBRE RODAS
Embora nunca tenha se distanciado totalmente do food service, foi somente no Brasil que Sei Shiroma finalmente deu espaço para a vocação que já era perceptível por quem estava a sua volta. “A gastronomia sempre foi uma carta na manga que nem eu sabia que existia dentro de mim. Era tão natural que eu não identificava este talento como algo diferente. As pessoas sempre me falavam que eu era bom nisso e eu, finalmente, tive esse despertar”, explica.

Assim, cozinhar se tornou a saída ideal para driblar as dificuldades financeiras típicas de um imigrante. Sei Shiroma investiu as suas economias no que imaginou ser mais um projeto diferente. “Como bom novaiorquino, eu adoro pizza. Encarei como algo divertido e tive essa ideia maluca de vender a pizza sobre rodas, mas não imaginei que chegaria até aqui”.

O que começou quase como uma aventura do jovem Chef vem ganhando cada vez mais renome internacional a cada ano. Em 2024, a Ferro e Farinha estreou no prestigiado ranking da 50 Top Pizza na 89ª posição. Já em 2025, o salto foi grande: conquistou o 31º lugar na lista das melhores do mundo.
O RETORNO ÀS ORIGENS COM O SUIBI E OS PLANOS FUTUROS DO CHEF POLIGLOTA
Assim como as pizzas que o levaram ao topo, o Suibi, restaurante japonês que carrega o legado familiar, também está em ascensão. Recentemente, o estabelecimento mudou de endereço. Localizado em Ipanema, o novo espaço tem 200m² e um menu com releituras quentes e intimistas da culinária oriental.
O pai do Chef, Mike “Atsuo” Shiroma, comanda o negócio ao lado do filho. “Essa nova fase é como trazer a cozinha de casa para dentro do Suibi. Estar ao lado do meu pai nesse projeto me conecta de volta às minhas origens e fortalece o propósito do restaurante”, afirma.

Pai de uma menina pequena, Sei Shiroma acompanha as tendências do mercado e cita as transformações nas preferências alimentares de crianças e adolescentes. “Os jovens de 5 a 15 anos não consome mais o que nós consumíamos. Eles gostam de sushi e de pizza, têm outro paladar. E o meu sonho é que as próximas gerações sejam clientes dos meus restaurantes.”
Questionado sobre a “receita” para o sucesso, ele avalia que a determinação e uma profunda conexão com seus empreendimentos fizeram toda a diferença. “Minhas marcas não são somente negócios, são como meus filhos. Eu me envolvo não somente emocionalmente, mas culturalmente. Por isso, fui estudar italiano, por exemplo. Não imaginava quanto trabalho teria e acho que, justamente por isso, segui em frente. Às vezes, você precisa somente acreditar cegamente no que está fazendo para dar certo”.
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Márcia Costanti
Jornalista pela UFJF, especialista em comunicação estratégica pela PUC-Minas e certificada em Strategic Marketing Management pela Ohio University (EUA). Tem ampla experiência com a produção de conteúdo institucional e artigos otimizados para SEO, principalmente nos setores de finanças, previdência, educação e tecnologia.
- Márcia Costanti


