KBAKE: a primeira confeitaria brasileira em Sydney

A KBake foi inaugurada em 2024 e, de lá para cá, conquistou o paladar de clientes de todas as nacionalidades - Foto: Divulgação

 

O que era para ser uma viagem romântica de férias acabou em uma transformação drástica na vida de Karine Vasconcelos Souza, de 42 anos, que ficou ‘presa’ na Austrália devido à pandemia de Covid-19.

 

Natural de Aracaju, ela atuava como Analista Financeiro de uma empresa de construção até 2020. Mas, hoje, é proprietária da Kbake: a primeira confeitaria brasileira de Sydney e que coleciona mais de 15 mil bolos vendidos.

 

Que tal saber a história completa da Kbake?

 

É só conferir na sequência:

  • “PRESA” DO OUTRO LADO DO MUNDO: COMO FOI VIRAR EMPREENDEDORA NO SUSTO
  • VIVENDO ENTRE PANELAS E A PROFISSIONALIZAÇÃO DO NEGÓCIO
  • INÍCIO DESAFIADOR DEU LUGAR A MOMENTOS MARCANTES DE SUCESSO
  • UMA PAUSA NECESSÁRIA E O FUTURO DA KBAKE

 

“PRESA” DO OUTRO LADO DO MUNDO: COMO FOI VIRAR EMPREENDEDORA NO SUSTO

 

Karine desembarcou na Austrália no início de 2020 para visitar o namorado, Fábio, que já vivia no país há muitos anos. O que ela não imaginava, no entanto, era que o aumento dos casos de Covid-19 faria o país fechar as fronteiras.

 

De um dia para o outro, ela ficou presa na Oceania, sem perspectiva imediata de retornar ao Brasil para retomar a sua rotina. “O tempo foi passando e os voos não voltavam. O Governo do Brasil enviou um avião para buscar brasileiros, mas tinham pessoas com mais prioridade do que eu. Eu fiquei num limbo e precisei decidir rápido o que faria”, relembra.

 

KBAKE: a primeira confeitaria brasileira em Sydney
Karine desembarcou na Austrália no início de 2020 para visitar Fábio, que já vivia no país há muitos anos – Foto: Arquivo pessoal

 

E foi assim que a escolha de recomeçar longe de casa aconteceu. Ela usou o valor que recebeu do seu desligamento do antigo emprego no Brasil e aplicou para um visto de estudante. Assim, poderia estudar e trabalhar legalmente. “Não tinha emprego para ninguém porque estava tudo fechado. Eu estava com tempo livre e resolvi fazer um bolo de aniversário para o Fábio. Detalhe: eu nunca tinha feito um bolo. Mas, pensei: se der errado, jogo no lixo”, se diverte.

 

A surpresa deu tão certo que acabou se tornando um passatempo em dias difíceis. “Eu fazia bolo toda semana, mas era para dividir com vizinhos ou com os amigos da escola. Foi então que percebi que tinha potencial para ser um negócio”.

 

Karine anunciou a produção caseira nas redes sociais e, rapidamente, as encomendas cresceram. “Foi tudo muito rápido, afinal, a necessidade faz o homem e eu precisava de dinheiro. Em junho, vendi meu primeiro bolo simples e, em setembro, estava entregando o primeiro decorado de aniversário”.

 

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VIVENDO ENTRE PANELAS E A PROFISSIONALIZAÇÃO DO NEGÓCIO

 

As coisas aconteceram rápido e Karine foi se adaptando conforme as demandas chegavam. Fez cursos online para se especializar e incluiu outros itens brasileiros no cardápio para atrair o público, como coxinhas, empadas, brigadeiro e bolos no pote. O pequeno apartamento do casal tinha panelas por todos os lados. Foi assim que, em 2021, eles se mudaram para um imóvel maior.

 

KBAKE: a primeira confeitaria brasileira em Sydney
Em poucos meses, Karine se adaptou à demanda do público e começou a vender bolos decorados – Foto: Divulgação

 

O quarto extra era o estoque de Karine, que passou a estar presente também em algumas feiras gastronômicas. Até então, ela contava somente com o apoio do marido e de uma ajudante. “Ele me ajudou muito porque tem um histórico muito forte em hospitalidade, além de uma boa rede de contatos em Sydney. Mas, a situação estava ficando insustentável e nós precisávamos de um ponto de venda”, conta.

 

Depois de três anos com a operação dentro de casa e muita pesquisa para encontrar o lugar ideal, ela abriu as portas da primeira confeitaria brasileira de Sydney no dia 1º de julho de 2024, no Centro da cidade. “Nessa época, o público não era mais somente de brasileiros, já estávamos conhecidos. Mas, a loja foi um passo muito importante porque nos trouxe exposição e conquistamos mais autoridade no segmento”, ressalta Karine.

 

INÍCIO DESAFIADOR DEU LUGAR A MOMENTOS MARCANTES DE SUCESSO

 

Mesmo com uma clientela fiel, o início da loja física foi uma verdadeira prova de fogo para a trajetória da empreendedora. Foram necessários cerca de seis meses para que o estabelecimento começasse a dar retorno. “Pagar a equipe era a minha maior preocupação e o que nos segurou nessa época foi o emprego do meu marido. Investimos muito em marketing e conseguimos reverter essa situação”, relembra Karine.

 

Daí para frente, ela seguiu inventando novos produtos e serviços para manter o ritmo de crescimento. Entre as iniciativas, está o Kbake Club, uma forma criativa de reunir grupos de amigas para confeitar bolos; a mentoria profissional aos domingos e o famoso ‘All You Can Eat’, ou seja, um rodízio de salgadinhos e doces no qual o cliente paga um valor fixo para comer o quanto quiser.

 

As incertezas do começo foram substituídas por loja lotada e produtos frequentemente esgotados. Um episódio ficou especialmente guardado na memória da confeiteira: o dia em que venderam 2.650 morangos do amor. “Foi uma loucura tão grande que uma cliente notou o meu desespero e botou a mão na massa. Ela pegou papel e caneta e organizou os pedidos de uma fila enorme”.

 

KBAKE: a primeira confeitaria brasileira em Sydney
Em um dos momentos mais marcantes, a Kbake produziu e vendeu 2.650 morangos do amor – Foto: Divulgação

 

Outro momento marcante foi ser convidada pela Le Cordon Bleu, maior rede de escolas de culinária e hospitalidade do mundo. “É um grande orgulho conseguir ser notada por uma marca grande como essa”, frisa Karine.

 

UMA PAUSA NECESSÁRIA E O FUTURO DA KBAKE

 

Há cerca de cinco meses, a história da Kbake ganhou mais um capítulo inesperado. Karine e o marido receberam a notícia de que o prédio onde a loja está será demolido. Diante da notícia, eles já planejam o recomeço em outro ponto, mas, antes, farão uma pausa estratégica com destino decidido: o Brasil. Já são quatro anos longe da família, sendo os últimos dois totalmente dedicados à consolidação da marca.

 

Karine aproveitará a viagem para investir em novos cursos de gestão e confeitaria, de olho nos próximos passos do negócio. “Serão 40 dias de viagem para recarregar as baterias antes de recomeçarmos as atividades a todo vapor. Sabemos que o ritmo será intenso novamente”, afirma.

 

O futuro da confeitaria ainda guarda muitas surpresas e novidades, segundo Karine. “Eu ainda tenho muitos planos. Penso em ter uma cozinha de produção grande e vários pontos de distribuição dos produtos, além de produzir um curso online a partir da minha experiência. Para ser bem-sucedido, o empreendedor precisa sonhar grande e não desistir no primeiro embate. É assim que eu pretendo seguir”, garante.

 

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Márcia Costanti
Márcia Costanti
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Jornalista pela UFJF, especialista em comunicação estratégica pela PUC-Minas e certificada em Strategic Marketing Management pela Ohio University (EUA). Tem ampla experiência com a produção de conteúdo institucional e artigos otimizados para SEO, principalmente nos setores de finanças, previdência, educação e tecnologia.

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