DE ITEM DE CARDÁPIO A PATRIMÔNIO CULTURAL: conheça o MUSEU DO HAMBÚRGUER localizado em São Paulo

Acervo criado pelo fundador do Patties Burger reúne relíquias históricas do fast-food e ajuda a entender como o hambúrguer se transformou em um dos produtos mais estratégicos da alimentação fora do lar

Foto: Divulgação

 

O que faz um alimento merecer um museu?

 

No caso do hambúrguer, a resposta vai muito além da sua popularidade mundial. Afinal, presente em bilhões de refeições em diferentes países, a tradicional receita ajudou a moldar hábitos de consumo, impulsionou a expansão do ramo de fast-food e se consolidou como uma das categorias mais estratégicas do ramo de alimentação fora do lar. Existindo, inclusive, o Dia Mundial do Hambúrguer, que é comemorado anualmente em 28 de maio.

 

Em São Paulo, capital, essa trajetória já ganhou até um espaço dedicado à sua preservação, que é o MUSEU DO HAMBÚRGUER localizado no andar superior da primeira unidade do Patties Burger – a rede que vende mais de 200 mil burgers por mês a partir da estratégia de se portar como CPF e não como CNPJ-, no bairro do Brooklin, tendo nada menos que o maior acervo de fast-food da América Latina e um dos maiores do mundo.

 

O museu, idealizado por Henrique Azeredo, fundador da rede de hamburguerias, reúne equipamentos históricos, uniformes, brinquedos colecionáveis e peças raras ligadas à evolução do hambúrguer e do próprio setor de food service. Ou seja, o museu, mais do que concentrar curiosidades, é uma oportunidade de compreender porque o hambúrguer deixou de ser apenas um item de cardápio para se tornar um fenômeno cultural e uma categoria que vale a aposta para negócios de alimentação fora do lar hoje em dia.

 

DE ITEM DE CARDÁPIO A PATRIMÔNIO CULTURAL: conheça o MUSEU DO HAMBÚRGUER localizado em São Paulo
Henrique Azeredo, CEO e fundador da rede Patties – Foto: Divulgação

 

“Em um país em desenvolvimento e com inflação alta igual o nosso, o mercado de hambúrguer artesanal só tende a crescer. Mas, o dono de hamburgueria deve entender que precisa sair da commodity e trazer mais autenticidade e personalidade ao produto, pois o mercado ainda sofre muito com a ‘mesmice’”, destaca Henrique, CEO e fundador do Patties Burger, em entrevista exclusiva à Rede Food Service.

 

Sendo assim, que tal conhecer a história do MUSEU DO HAMBÚRGUER DA PATTIES BURGER E A SUA IMPORTÂNCIA PARA O MERCADO BRASILEIRO DE FOOD SERVICE?

 

É só conferir na sequência:

 

  • UMA COLEÇÃO QUE COMEÇOU COM BRINQUEDOS
  • RELÍQUIAS QUE AJUDAM A ENTENDER A HISTÓRIA DO SETOR
  • QUANDO UM HAMBÚRGUER SE TORNA UM FENÔMENO CULTURAL
  • O FUTURO DA CATEGORIA PASSA PELA DIFERENCIAÇÃO
  • O QUE O FOOD SERVICE PODE APRENDER COM ESSA HISTÓRIA
  • COMO VISITAR O MUSEU DO HAMBÚRGUER?

 

UMA COLEÇÃO QUE COMEÇOU COM BRINQUEDOS

 

A história do MUSEU DO HAMBÚRGUER começou muito antes da criação da rede Patties Burger. E isso porque, na verdade, ela remonta à infância de Henrique, que sempre teve uma relação muito próxima e afetiva com o universo do hambúrguer. “Desde que eu me conheço por gente, o hambúrguer é a minha comida favorita. E eu como pelo menos umas quatro vezes por semana, sem exagero (risos)”, conta.

 

O primeiro contato do empresário com o ato de colecionismo relacionado à tradicional receita aconteceu por meio dos brinquedos do McLanche Feliz. Mas, com o passar dos anos, a coleção foi amadurecendo junto com o seu criador. “Eu comecei colecionando as surpresas do McLanche Feliz quando era criança e, conforme fui crescendo e me tornando adulto, fui fazendo uma transição de brinquedos infantis para artigos mais raros, como letreiros, embalagens… Mas, eu não tinha o desejo de montar um museu, era apenas uma coleção”, relembra.

 

DE ITEM DE CARDÁPIO A PATRIMÔNIO CULTURAL: conheça o MUSEU DO HAMBÚRGUER localizado em São Paulo
Foto: Divulgação

 

Já a ideia de abrir o acervo ao público surgiu apenas após a fundação da rede Patties Burger, em 2019. “O desejo surgiu quando eu abri a Patties e a marca começou a crescer. Aí, comecei a ter mais contato com pessoas desse universo e pensei em ter uma sala especial para abrir a minha coleção para quem curte burger também”, explica o empresário.

 

O resultado é um espaço que, atualmente, reúne centenas de itens ligados à trajetória do fast-food e do hambúrguer, o que transforma a visita à hamburgueria em uma verdadeira viagem pela história do universo da alimentação fora do lar. “Eu sou um grande amante e respeitador da história. Se algo é grande hoje, foi porque alguém no passado criou algo poderoso e deixou esse legado para quem chegou. Então, nada mais justo para um amante de hambúrguer como eu do que trazer esse ‘culto ao passado’. E eu me sinto muito neste papel de historiador ao reverberar a história do hambúrguer, falar sempre das referências do passado e manter na Patties quase que uma bolha do tempo para quem quer sentir como o hambúrguer era em seu início”, acrescenta Henrique.

 

RELÍQUIAS QUE AJUDAM A ENTENDER A HISTÓRIA DO SETOR

 

Mais do que curiosidades, as peças presentes no MUSEU DO HAMBÚRGUER idealizado por Henrique ajudam a compreender como o modelo de fast-food evoluiu ao longo das décadas e influenciou profundamente o food service mundial.

 

Entre os destaques do acervo, está uma espátula original do White Castle da década de 1920. Fundada em 1921, a rede é considerada por muitos historiadores a primeira grande operação de fast-food do mundo. “É a espátula usada pela primeira rede de fast-food do mundo. Uma ferramenta que, ao bater em uma almôndega e a transformar em um hambúrguer, mudou o destino da humanidade”, realça o empresário.

 

Outra peça considerada uma das joias do museu é um Multimixer da Prince Castle fabricado em 1954. “O burger virou o alimento que mais moldou a sociedade moderna por causa deste equipamento, que era vendido pelo Ray Kroc. Quando ele foi ao McDonald’s para fazer uma entrega, ficou encantado e o resto a gente já sabe. Virou a maior rede de hambúrgueres do mundo e ajudou a difundir como ninguém a cultura deste alimento pelo mundo”, esclarece Azeredo.

 

O CEO e fundador do Patties Burger também chama atenção para uma cabrita de Crinkle Fries da década de 1930, que era utilizada para o corte das tradicionais batatas onduladas. “Este cortador de batata frita foi o primeiro que o Nathan’s Famous usou para cortar suas batatas e o White Castle também utilizou, por exemplo. Ele praticamente deu início ao hambúrguer moderno, que era o combo com burger acompanhado de batatas fritas e Coca-Cola”, enaltece.

 

O acervo do MUSEU DO HAMBÚRGUER ainda conta com uniformes antigos, embalagens históricas, brinquedos raros e até um chapéu original do McDonald’s dos anos 1950, época em que a rede ainda era comandada pelos irmãos McDonald.

 

QUANDO UM HAMBÚRGUER SE TORNA UM FENÔMENO CULTURAL

 

Para Henrique, o MUSEU DO HAMBÚRGUER também ajuda a demonstrar como o hambúrguer ultrapassou os limites da gastronomia para se tornar um dos maiores fenômenos culturais da sociedade moderna. “Para mim, eu sempre achei que o burger era a comida favorita de todo o mundo por viver nessa bolha dos amantes de burger. Mas, com o tempo e assistindo documentários e programas, fui criando esse entendimento de forma mais técnica”, relata.

 

Segundo o empresário, os números também ajudam a dimensionar esse impacto. “Hoje, estima-se que são consumidos mais de 90 bilhões de hambúrgueres por ano no mundo. E a maioria dos historiadores de comida crava que o hambúrguer foi o alimento que mais moldou a sociedade moderna”, sinaliza.

 

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Museu do Hamburguer – Foto: Patties – Divulgação

 

Vale o reforço de que a importância do hambúrguer também está diretamente ligada à memória afetiva construída ao longo de décadas. “Desde a sua concepção, o burger não nasceu nos lares americanos. Ele nasceu fora dos lares. Então, a ida das famílias para comer hambúrguer já estava ligada a um momento feliz, um momento de prazer, de programa em família. Essa cultura atravessou gerações e consolidou esse lugar especial em nossas mentes”, afirma Henrique.

 

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O FUTURO DA CATEGORIA PASSA PELA DIFERENCIAÇÃO

 

Embora o hambúrguer siga entre os produtos mais consumidos do planeta, Henrique acredita que os operadores precisam estar atentos às transformações do atual mercado food service.

 

Na visão do experiente empresário, o crescimento da categoria continuará acontecendo, especialmente em países como o Brasil. Porém, só irá sobreviver quem conseguir oferecer diferenciação.

 

Além disso, Henrique reforça que o hambúrguer já virou um símbolo da cultura pop mundial. “E não digo como opinião, isso é historicamente um fato. E isso graças a sua concepção com o White Castle e a sua pulverização global com o McDonalds e, claro, tudo isso potencializado pelo nascimento da potência americana que viraria o país mais influente do mundo no pós-guerra. Tudo isso fez com que o hambúrguer virasse a comida que mais moldou a sociedade moderna”, ressalta.

 

As observações do CEO e fundador da Patties Burger vão ao encontro ainda de uma tendência cada vez mais presente no food service, que é a dos consumidores não buscarem mais apenas produtos, mas também propósito, identidade e conexão com as marcas food service. Sendo assim, não por acaso, por meio da Patties, Henrique construiu boa parte do seu posicionamento ao valorizar a história do hambúrguer e as referências que ajudaram a moldar a categoria.

 

O QUE O FOOD SERVICE PODE APRENDER COM ESSA HISTÓRIA

 

Mas, o que o food service e quem atua nesse segmento pode aprender com o MUSEU DO HAMBÚRGUER criado por Henrique?

 

Muitas coisas, pois, ao preservar equipamentos, uniformes e objetos que ajudaram a construir uma das categorias mais importantes da alimentação fora do lar, que é o hambúrguer, o acervo criado, organizado e disponibilizado pelo empresário vai além do valor nostálgico. O museu, em suma, mostra como receitas podem transcender a sua função original e se transformar em símbolos culturais capazes de atravessar gerações.

 

DE ITEM DE CARDÁPIO A PATRIMÔNIO CULTURAL: conheça o MUSEU DO HAMBÚRGUER localizado em São Paulo
Museu do Hamburguer – Foto: Patties – Divulgação

 

Assim como, o museu em si endossa uma importante lição para empresários e gestores do setor de alimentação foram do lar que é a de que, em um mercado cada vez mais competitivo como o atual, criar conexão emocional com o consumidor pode ser tão importante quanto oferecer um bom produto. “Quem não oferecer algo a mais, não só experiência, mas valor agregado, não sobreviverá. Hoje, é preciso oferecer a chamada experiência transicional. Pegar fila, pedir, pagar e comer acabou e, quem não oferecer algo a mais, não só experiência, mas valor agregado, não sobreviverá”, alerta Henrique.

 

COMO VISITAR O MUSEU DO HAMBÚRGUER?

 

Para visitar o MUSEU DO HAMBÚRGUER basta ir até a primeira loja da rede Patties Burger, que é localizada na Rua Flórida, 1420, bairro Brooklin, São Paulo, capital, de segunda a quinta, de 12h às 22h, e, de sexta a domingo, de 12h às 23h. “Gente, se vocês quiserem fazer um programa que não tem em nenhum lugar na América Latina, vão até a primeira loja da Patties e vão no andar de cima. Lá, até as mesas para sentar são peças de museu de hamburguerias antigas. Ali, é praticamente uma cápsula do tempo. Sério, vocês não vão se arrepender!”, convida Henrique.

 

O empresário complementa que “eu quero que as pessoas ao irem até o museu possam sentir de onde tudo começou e entender melhor a história do hambúrguer, pois, aqui no Brasil, o fast- food virou sinônimo de ‘veneno’ por não termos a bagagem histórica necessária. Para se ter uma ideia, quando o McDonald’s chegou ao Brasil, o hambúrguer já tinha mais de 60 anos de história. Então, sabemos muito pouco e desmistificar um pouco isso é o meu grande desejo”, partilha.

 

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