A experiência de morar no exterior pode ser vivida de formas distintas. No entanto, uma reclamação é praticamente consenso entre quem sai do Brasil para construir a vida lá fora: a saudade da comida. E não foi diferente com Riki Rocha, natural de Santos, litoral de São Paulo, e Daniel Queiroz, de Patos de Minas, interior de Minas Gerais, quando eles desembarcaram em Perth, na Austrália.
A falta de cortes de churrasco tipicamente brasileiros bateu forte e eles decidiram botar a mão na massa: começaram a produzir as próprias linguiças toscanas. E esse foi o início do que se tornaria o Churras, um açougue e mercado focado em produtos da América do Sul.
Atualmente, o estabelecimento conta com duas lojas em Perth e uma fábrica própria de linguiça na cidade, além de outro ponto de vendas em Gold Coast, no Estado de Queensland. Toda essa estrutura é tocada por uma equipe de 40 pessoas.
Mas, nem sempre foi assim: as vendas para a comunidade brasileira começaram em 2013, em uma estrutura improvisada na garagem de casa. “Levávamos a picanha e as linguiças para os nossos próprios churrascos e os amigos pediam. Então, recebíamos as encomendas e fazíamos mais. Assim, seguimos por um bom tempo. A garagem virou um ponto de encontro. O pessoal ia comprar picanha e mandioca com a gente e ficava horas por lá conversando. Até que crescemos demais e foi saindo do controle”, lembra Queiroz.

Que tal saber como o Churras de transformou em um importante comércio para a comunidade latina na Austrália? É só conferir na sequência:
- COMO O CHURRASCO BRASILEIRO VIROU PLANO DE NEGÓCIOS
- “PERRENGUES” E OPORTUNIDADES COM A PRIMEIRA LOJA FÍSICA DO CHURRAS
- FURANDO A “BOLHA” NA PANDEMIA DE COVID-19: A CONSOLIDAÇÃO COMO MEAT & GROCER
- CONEXÃO CULTURAL E UM ESPAÇO DE ACOLHIMENTO: A VISÃO DO CHURRAS
COMO O CHURRASCO BRASILEIRO VIROU PLANO DE NEGÓCIOS
Queiroz é formado em Direito e construiu sua carreira em Cuiabá, na área de assistência bancária. Mudou-se para a Austrália com a família aos 28 anos, em busca de qualidade de vida, segurança e novas oportunidades. Já Rocha tem histórico como empreendedor, pois antes de imigrar, foi proprietário de um bar na região portuária de Santos.
Eles se conheceram por intermédio de familiares em Perth e, por coincidência, trabalharam juntos em uma empresa de transporte de carnes. Nesse período, identificaram afinidades e uma vontade em comum: encontrar produtos na cidade para reproduzir o churrasco que conhecemos no Brasil, que é bem diferente do conceito australiano – marcado por hambúrgueres e salsichas de cachorro-quente.
A fase de comercializar na garagem de casa foi ficando insustentável. Naquela época, eles ainda conciliavam o empreendimento com seus trabalhos formais durante a semana. Além de cansativo, faltava espaço para armazenar os produtos e foi necessário alugar um armazém. “Virou vida real, afinal, começamos a pagar aluguel e compramos o primeiro lote de produtos brasileiros para revendermos. O fluxo ficou grande e as pessoas queiram visitar o lugar, mas não era um ponto ideal para vendas diretas. Era somente um depósito mesmo. Depois de dois anos nessa situação, inauguramos a primeira loja física em Walcott Street, já em 2017”, conta Rocha.
“PERRENGUES” E OPORTUNIDADES COM A PRIMEIRA LOJA FÍSICA DO CHURRAS
Mesmo com o reconhecimento da comunidade brasileira e o sucesso inicial, os primeiros passos na nova loja não foram fáceis. Rocha se dedicava exclusivamente ao crescimento do negócio, enquanto o sócio continuava conciliando as atividades com outro trabalho, para ‘segurar as pontas’. “A gente chegou a atender dois ou três clientes somente numa segunda-feira. Vendíamos 100 dólares por dia, perdemos muitos produtos e tivemos que aguentar firme nessa época”, afirma Queiroz.
Graças ao trabalho intenso e a presença do Churras em inúmeros eventos e ativações por meio do food truck, a marca cresceu de forma orgânica, conquistou a clientela e se fortaleceu. Com isso, eles passaram a fornecer também para supermercados e restaurantes. “Um grupo formado por uma rede de 28 supermercados nos descobriu e pediu para desenvolvermos a linguiça com uma embalagem exclusiva para eles. Ou seja, embora vá com a marca da empresa, a qualidade é do Churras. E estabelecer essa parceria foi muito relevante para nós”, comenta Rocha.

Com o crescimento da demanda, o negócio teve a sua linha de produtos expandida e carnes marinadas e menus especiais incluídos para datas comemorativas, como o Natal. A operação também evoluiu de um açougue tradicional e mercadinho brasileiro para oferecer uma seleção de produtos Sul-Americanos, atendendo comunidades colombianas, venezuelanas e argentinas. Era início de 2020 quando os donos investiram na mudança para um espaço maior.
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FURANDO A “BOLHA” NA PANDEMIA: CONSOLIDAÇÃO COMO MEAT & GROCER
O cenário de incertezas e restrições da pandemia de Covid-19 na Austrália acabou se mostrando como um momento de grande oportunidade para o Churras. O país atravessou um longo período de fechamento das fronteiras para pessoas e mercadorias, o que levou à falta de abastecimento em grandes supermercados. “Os restaurantes estavam fechados e as pessoas enfrentavam dificuldades para encontrar produtos nas prateleiras. Foi uma época de fortalecimento da nossa marca com a comunidade local, que via no Churras uma opção para encontrar uma comida gostosa e diferente para fazer em casa”, cita Rocha.

Segundo ele, foi nesse período que, oficialmente, o Churras deixou de ser somente açougue para se transformar em um “Meat & Grocer” (carnes e mercearia), com uma oferta diversificada de mercadorias. “Conquistamos a confiança também do público australiano, que vinha provar o produto, gostava e retornava. Hoje, temos uma clientela formada por várias nacionalidades, o que é excelente para a marca”.
CONEXÃO CULTURAL E UM ESPAÇO DE ACOLHIMENTO: A VISÃO DO CHURRAS
A jornada de mais de uma década empreendendo longe de casa rendeu grandes conquistas e aprendizados. A expansão para Gold Coast em 2023, por exemplo, exigiu ainda mais estrutura, organização e presença ativa dos sócios.
No ano seguinte, eles enfrentaram o impacto de um ciclone na região, que deixou a cidade sem energia por dias. Com o uso de geradores, foi possível manter as portas abertas e garantir o abastecimento da comunidade em um momento crítico. “É preciso insistir e acreditar em si mesmo com muita fé e persistência”, avalia Queiroz.
O intuito é expandir ainda mais a presença da marca em outras regiões do país, sempre focados em proporcionar um ambiente de troca e conexão cultural entre a comunidade local e os imigrantes. “O nosso propósito é fazer as pessoas se sentirem em casa, independentemente de onde estejam”, ressaltam os fundadores.
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Márcia Costanti
Jornalista pela UFJF, especialista em comunicação estratégica pela PUC-Minas e certificada em Strategic Marketing Management pela Ohio University (EUA). Tem ampla experiência com a produção de conteúdo institucional e artigos otimizados para SEO, principalmente nos setores de finanças, previdência, educação e tecnologia.
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