GUIA MICHELIN 2026: Brasil conquista as primeiras três estrelas da história e reforça protagonismo na América Latina

Com dois restaurantes no topo do guia, país lidera avanço da alta gastronomia Latino-Americana e amplia a presença entre os estrelados

Os nomes por trás dos primeiros três estrelas do Guia Michelin no Brasil - Foto: Divulgação

 

A edição 2026 do Guia Michelin marca um ponto de virada para o food service brasileiro e para toda a América Latina. Isso porque, pela primeira vez, a região passa a ter restaurantes com três estrelas Michelin, a mais alta distinção da gastronomia mundial. E o protagonismo é 100% brasileiro, com as casas Evvai e Tuju, ambas localizadas em São Paulo, capital.

 

A premiação ocorreu durante cerimônia no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, capital, no último dia 13 de abril. Na data, Chefs e profissionais do setor de alimentação fora do lar se reuniram para o anúncio oficial das estrelas, do Bib Gourmand – distinção do Guia Michelin voltada a restaurantes que oferecem excelente relação entre qualidade e preço – e dos restaurantes recomendados da nova edição.

 

UM NOVO PATAMAR PARA O BRASIL

 

É válido realçar que essa conquista coloca o Brasil em um novo nível no cenário global. Afinal, pela primeira vez, a América Latina entrou no grupo mais restrito da gastronomia mundial, com menos de 160 restaurantes com três estrelas em todo o mundo, deixando de ser vista apenas como mercado emergente para assumir certo protagonismo.

 

Além disso, o contexto geográfico também chama bastante atenção, uma vez que o Evvai está em Pinheiros, um dos principais polos gastronômicos de São Paulo e que é conhecido pela concentração de restaurantes autorais e contemporâneos. Já o Tuju fica no Jardim Paulistano, em um espaço projetado para a experiência completa, incluindo áreas dedicadas à pesquisa e desenvolvimento. Ou seja, na prática, os dois endereços reforçam o papel de São Paulo como o epicentro da alta gastronomia nacional.

 

MAS, QUEM SÃO OS CHEFS POR TRÁS DESSE FEITO HISTÓRICO?

 

Por trás da conquista inédita das três estrelas Michelin estão dois nomes que representam bem o momento da gastronomia brasileira: Luiz Filipe Souza e Ivan Ralston.

 

No Evvai, Luiz Filipe Souza construiu uma trajetória pouco convencional. Formado em Administração, ele deixou o mercado financeiro para seguir na cozinha e, em menos de uma década, transformou o restaurante em um dos mais premiados do país.

 

A sua cozinha parte do conceito ‘Oriundi’, que conecta raízes da imigração italiana com ingredientes brasileiros, uma síntese que ajuda a explicar a identidade forte da casa. E, ao seu lado, está a confeiteira Bianca Mirabili que é reconhecida como uma das grandes referências da confeitaria na América Latina.

 

Já no Tuju, Ivan Ralston segue um caminho mais ligado à pesquisa e ao território. O restaurante se destaca por trabalhar menus baseados nos biomas brasileiros e nos ciclos da natureza, com uma estrutura que inclui até um núcleo próprio de pesquisa gastronômica.

 

A trajetória da casa também reflete maturidade empresarial, já que o Tuju chegou a ser fechado durante a pandemia de Covid-19, mas foi completamente reposicionado e reaberto em 2023.

 

GUIA MICHELIN 2026: Brasil conquista as primeiras três estrelas da história e reforça protagonismo na América Latina
Chefs durante cerimônia Guia Michelin Rio e SP 2026 – Foto: Divulgação

 

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CLASSIFICAÇÃO GERAL: QUAIS SÃO OS ATUAIS RESTAURANTES BRASILEIROS COM ESTRELAS MICHELIN?

 

Atualmente, ao todo, o Brasil soma:

 

  • 2 restaurantes com três estrelas
  • 3 restaurantes com duas estrelas
  • 19 restaurantes com uma estrela

 

Confira, a seguir, quais são esses restaurantes, seus Chefs e respectivas localizações:

 

TRÊS ESTRELAS

 

Evvai — Chef Luiz Filipe Souza — Pinheiros, São Paulo

Tuju — Chef Ivan Ralston — Jardim Paulistano, São Paulo

 

DUAS ESTRELAS

 

D.O.M. — Chef Alex Atala — Jardins, São Paulo

Oro — Chef Felipe Bronze — Leblon, Rio de Janeiro

Lasai — Chef Rafa Costa e Silva — Botafogo, Rio de Janeiro

 

UMA ESTRELA

 

Oteque — Chef Alberto Landgraf — Botafogo, Rio de Janeiro

Mee — Chef Kazuo Harada — Copacabana, Rio de Janeiro

Casa 201 — Chef João Paulo Frankenfeld — Jardim Botânico, Rio de Janeiro

Oseille — Chef Thomas Troisgros — Ipanema, Rio de Janeiro

San Omakase — Chef Anderson Haruo — Ipanema, Rio de Janeiro

Madame Olympe — Chef Claude Troisgros — Leblon, Rio de Janeiro

Maní — Chef Helena Rizzo e Daniel Redondo — Jardim Paulistano, São Paulo

Murakami — Chef Tsuyoshi Murakami — Jardins, São Paulo

Kinoshita — Chef Tsuyoshi Murakami — Vila Nova Conceição, São Paulo

Jun Sakamoto — Chef Jun Sakamoto — Cerqueira César, São Paulo

Kazuo — Chef Kazuo Harada — Jardins, São Paulo

Tangará Jean-Georges — Chef Jean-Georges Vongerichten — Panamby, São Paulo

Picchi — Chef Pier Paolo Picchi — Jardins, São Paulo

Ryo Gastronomia — Chef Edson Yamashita — Jardins, São Paulo

 

 

E LEMBRE-SE: mais do que uma lista, o Michelin 2026 reposiciona o papel do Brasil no cenário global. E, com a conquista das primeiras três estrelas da história da América Latina, o país passa a ocupar espaço entre os destinos consolidados da alta gastronomia.

 

Além disso, esse avanço também reflete uma mudança no perfil dos Chefs brasileiros, que passam a reunir:

 

  • formação internacional com identidade local
  • domínio técnico aliado à narrativa autoral
  • visão de negócio mais estruturada

 

MAS, O QUE ISSO SINALIZA PARA O FOOD SERVICE?

 

Em resumo, esse movimento vai além do fine dining – termo usado para descrever o segmento mais alto da gastronomia – e impacta toda a cadeia brasileira de alimentação fora do lar, pois, na prática, o setor entra em uma nova fase em que:

 

  • projetos já nascem com padrão global
  • identidade é tão importante quanto técnica
  • consistência operacional se torna decisiva
  • experiência passa a ser elemento central de valor

 

Com isso, o Brasil deixa de apenas absorver tendências e passa a exportar referência. Portanto, o Michelin 2026 não apenas premiou restaurantes brasileiros, mas também confirmou uma mudança de eixo no food service global, o que nós da Rede Food Service estamos acompanhando de perto.

 

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