Há 20 anos, o casal de namorados Mariana Pilon e Samuel Morales compartilhava o sonho de partir para uma temporada na Europa. Mas, o destino tinha outros planos. E o que era para ser um intercâmbio solo de Mariana por seis meses para estudar inglês, se tornou o início de uma jornada juntos que já dura duas décadas na Austrália e resultou na abertura do Do Canto Café, um empreendimento que chega a receber cerca de 300 pessoas por dia e que conquistou o público com doces, salgados e pratos típicos do Brasil na cidade de Perth.
Pilon é graduada em Hotelaria e Morales concluiu o curso de Gastronomia pelo Senac, em São Paulo. Na época, ela foi incentivada pelo padrasto a escolher a Austrália como destino para aprimorar a sua fluência em inglês. Ficar no país, no entanto, nem passava pela cabeça dela. “O Samuel já trabalhava como Chef em São Paulo e o grande boom para as nossas carreiras era a Europa. Portanto, o planejamento era que eu voltaria e partiríamos para lá”, conta.
Em pouco tempo, no entanto, as oportunidades começaram a surgir e Morales desembarcou no país cerca de três meses depois da então namorada. De lá para cá, foram muitos desafios, recomeços e um espaço que se transformou em um verdadeiro ponto de encontro e acolhimento para a comunidade brasileira.
Quer saber mais sobre a trajetória do Do Canto Café? Então, é só conferir na sequência:
- O INTERCÂMBIO QUE VIROU PROJETO DE VIDA: COMO TUDO COMEÇOU
- OS PRIMEIROS PASSOS COMO EMPREENDEDORES
- MAIS SURPRESAS PELO CAMINHO E O NASCIMENTO DO DO CANTO CAFÉ
- UM GRAMADO E A VONTADE DE REUNIR A COMUNIDADE BRASILEIRA
- CRESCER, MAS SEM PERDER A ESSÊNCIA: PLANOS PARA O FUTURO
O INTERCÂMBIO QUE VIROU PROJETO DE VIDA: COMO TUDO COMEÇOU
As coisas começaram a mudar quando uma recrutadora brasileira descobriu que o namorado de Pilon já atuava como Chef no Brasil. Na época, a Austrália tinha uma alta demanda por profissionais qualificados na cozinha. Ainda hoje, a profissão é escolhida por muitos como o caminho para imigrar de forma definitiva. “Foi tudo muito rápido. Ele veio como estudante, mas com a promessa de que teria um empregador para patrocinar o visto de trabalho. E assim foi: chegou numa quarta-feira, fez a entrevista no dia seguinte e, no domingo, já estava trabalhando”, relembra Pilon.

Dali em diante, as coisas continuaram acontecendo e eles foram descobrindo as possibilidades que a nova vida trazia. Cerca de cinco anos depois, já tinham o passaporte australiano em mãos e começaram a amadurecer a ideia de trabalharem por conta própria. “Quando tínhamos uns oito anos de Austrália, começamos a oferecer o serviço de bufê privativo. Continuávamos com os nossos empregos formais e, nas folgas, fazíamos pequenos eventos como festas de aniversário e noivado, por exemplo”.
OS PRIMEIROS PASSOS COMO EMPREENDEDORES
Depois de algum tempo conciliando os trabalhos, eles oficializaram o caminho como autônomos com o lançamento de um food truck de tapioca, o Tap Truck. “Foi um sucesso. As pessoas amavam e, frequentemente, estávamos presentes em eventos com o público brasileiro. Era maravilhoso, mas também muito cansativo”.
Enquanto a vida como empreendedores deslanchava, a família também crescia e o primeiro filho do casal nasceu neste mesmo período. Com um bebê pequeno, ficou inviável para Pilon continuar ao lado do marido nas vendas. Foi nesse momento que surgiu a chance de abrir o primeiro café: “Um brasileiro que tinha um café pequeno na cidade, chamado Sussa. Ele estava indo embora para Portugal e nos ofereceu o ponto. Eu assumi o espaço e o Samuel continuou com o food truck”.
O primeiro ambiente ainda era pequeno e o casal vendia itens básicos para um café rápido, mas já com lanches bem conhecidos dos brasileiros: pão de queijo, esfirra, bolos e até mesmo brigadeiro.
MAIS SURPRESAS PELO CAMINHO E O NASCIMENTO DO DU CANTO CAFÉ
Com a chegada da Pandemia de Covid-19 e a impossibilidade de seguir com o food truck, o café ganhou a atenção total do casal. “Focamos 100% no Sussa e ampliamos o horário de funcionamento para funcionarmos também aos sábados. O movimento cresceu muito e o lugar já estava pequeno”, explica Pilon.
Foi então que a vida surpreendeu novamente com a solução perfeita. O proprietário de um café localizado a poucos metros dali – maior e mais adequado às necessidades de expansão do casal, – decidiu passar o ponto. “O nome Do Canto veio justamente da forma como a gente costumava se referir ao lugar. Eu dizia sempre: aquele café ali do canto da rua ainda vai ser nosso. E assim realmente aconteceu”.
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UM GRAMADO E A VONTADE DE REUNIR A COMUNIDADE BRASILEIRA
A nova fase viabilizou mudanças para o cardápio do negócio, que passou a contar com pratos como a feijoada e o tradicional PF com arroz com feijão. Mas, ter um ambiente maior também representou o nascimento de um projeto afetivo: o gramado nos fundos da loja virou palco de eventos que celebram a cultura brasileira. “A gente adora receber as pessoas aqui e promover atividades pensadas para o público do Brasil e, especialmente, para as crianças. É uma forma de recriar um pouco do nosso país fora de casa”, ressalta Pilon.
Segundo ela, a clientela atualmente é mista: de segunda a sexta-feira, predomina o público local, tendo em vista que o café está localizado em uma região de grande concentração de escritórios. Já aos finais de semana, o Do Canto é lotado pelos brasileiros.

Independentemente da nacionalidade, no entanto, Pilon se orgulha da relação que eles têm construído com as pessoas. “A maior conquista é esse acolhimento que a gente percebe das pessoas que vêm aqui diariamente. Fomos abraçados pelos clientes, que viraram nossos amigos”.
CRESCER, SEM PERDER A ESSÊNCIA: PLANOS PARA O FUTURO
Mesmo com a experiência de quem já “navega” muito bem pelo empreendedorismo do outro lado do mundo, ela cita que manter um negócio de food service significa lidar com a necessidade diária de se reinventar. “Temos que inovar sempre. Você não pode relaxar ou se acomodar, porque as pessoas estão sempre esperando mais. O público brasileiro, principalmente, é muito exigente não somente com a comida, mas com o atendimento”, afirma.
A alta carga tributária do país e a burocracia também são dificuldades que o casal precisa enfrentar para seguir em frente. “Mesmo com o inglês fluente, é complexo ler um documento formal, que tem vocabulários mais específicos ou rebuscados. É preciso ter muita atenção para se manter em dia com as regras locais”, destaca Pilon.
Mas, nada disso desanima os dois diante das perspectivas para o futuro: o projeto de curto prazo é abrir uma segunda unidade, para que seja possível proporcionar mais experiências de interação e diversão. “O objetivo é abrir outra loja fora de uma área muito residencial, para que a gente consiga organizar ações para as famílias, com mais atividades e música. Não tem nada melhor do que ver as pessoas se sentindo em casa conosco. É isso que abraça o nosso coração. Afinal, o Do Canto não é somente um meio para pagar as contas, mas é um trabalho que amamos”, finaliza.
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Márcia Costanti
Jornalista pela UFJF, especialista em comunicação estratégica pela PUC-Minas e certificada em Strategic Marketing Management pela Ohio University (EUA). Tem ampla experiência com a produção de conteúdo institucional e artigos otimizados para SEO, principalmente nos setores de finanças, previdência, educação e tecnologia.
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