Políticas cage-free: hotéis e restaurantes eliminam ovos de galinhas em gaiolas e atraem mais clientes ao investirem em sustentabilidade

Grandes empresas já assumiram esse compromisso, incluindo Accor, McDonald’s, Grupo Pão de Açúcar, Carrefour, Bauducco, Forno de Minas, Unilever, Sodexo, Vigor, Cacau Show, Barilla, Club Med e Atlantica

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Políticas cage-free: hotéis e restaurantes eliminam ovos de galinhas em gaiolas - Foto: Getty Images - RFS

 

Você sabia que 49% dos viajantes hoje em dia afirmam que acomodações com certificações sustentáveis são mais atraentes e que 74% dos clientes de bares e restaurantes consideram muito importante que esse tipo de estabelecimento tenha práticas que minimizem ou reduzam o impacto do negócio no meio ambiente?

 

Pois é! Esses dados são, respectivamente, fruto do 10º Relatório de Viagens e Sustentabilidade da Booking.com que aborda o atual comportamento e a intenção dos consumidores em relação ao impacto social e ecológico das viagens e de uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), sendo ambas bases para nós da Rede Food Service te apresentarmos as chamadas políticas cage-free.

 

Afinal, por meio da sua prática a partir da eliminação da compra de ovos de galinhas presas em gaiolas nas cadeias de suprimentos de hotéis, restaurantes e indústrias de alimentos, muitos gestores de negócios relacionados à hospitalidade e serviços de alimentação estão atraindo, cada vez mais, clientes. Ou seja, trata-se de uma boa aposta de investimento neste ano de 2025.

 

E prova disso é que grandes empresas já assumiram esse compromisso, incluindo a Accor, McDonald’s, Grupo Pão de Açúcar, Carrefour, Bauducco, Forno de Minas, Unilever, Sodexo, Vigor, Cacau Show, Barilla, Club Med e Atlantica.

 

Por isso, te convidamos a saber mais sobre:

 

  • O QUE SÃO POLÍTICAS CAGE-FREE?
  • CAMPANHA BRASIL SEM GAIOLAS
  • POR QUE ADOTAR POLÍTICAS CAGE-FREE NO SEU NEGÓCIO DE HOSPITALIDADE E SERVIÇOS DE ALIMENTAÇÃO?
  • ADOÇÃO DE POLÍTICAS CAGE-FREE NA PRÁTICA
  • RESULTADOS JÁ ALCANÇADOS POR MEIO DA ADOÇÃO DE POLÍTICAS CAGE-FREE
  • POLÍTICAS CAGE-FREE TAMBÉM SÃO QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA

 

O QUE SÃO POLÍTICAS CAGE-FREE?

 

Primeiramente, é importante saber o que são as políticas cage-free em si, certo? Até porque esse termo ainda é pouco difundido. Porém, te esclarecemos que as políticas cage-free “são compromissos assumidos por empresas, Governos ou instituições para eliminar o uso de ovos provenientes de galinhas criadas em gaiolas, adotando apenas ovos de sistemas livres de gaiolas. E a principal diferença entre a criação de galinhas em gaiolas e em sistemas livres de gaiolas (cage-free) está no espaço por ave e no bem-estar animal. No sistema de gaiolas, cada ave vive em um espaço menor que uma folha de caderno. Dessa forma, elas não conseguem expressar comportamentos naturais, como ciscar, bater as asas ou empoleirar-se. E, com isso, sofrem com altos níveis de estresse, além de problemas físicos, como deformações e fragilidade óssea. Já nos sistemas livres de gaiolas, as galinhas têm mais liberdade para se movimentar dentro de galpões, podendo ciscar, empoleirar-se e botar ovos em ninhos”, informa a assessoria de imprensa da Animal Equality Brasil, uma organização internacional sem fins lucrativos que defende os animais criados para consumo humano.

 

A Animal Equality Brasil trabalha com a sociedade, Governos e empresas para acabar com a crueldade praticada nesses animais e expõe também que “algumas variações do sistema cage-free incluem o free-range e caipira, em que as aves têm acesso às áreas externas, e o orgânico, que segue padrões ainda mais rigorosos de bem-estar animal. Estudos mostram que as galinhas possuem habilidades cognitivas, emocionais e sociais complexas. Elas têm noção de quantidade, realizam cálculos simples, demonstram autocontrole e autoavaliação – indícios de autoconsciência. Além disso, a sua comunicação é sofisticada, incluindo sinais referenciais semelhantes aos de primatas, e são capazes de fazer inferências lógicas, uma habilidade que os humanos desenvolvem por volta dos sete anos. Essas evidências reforçam a necessidade de proporcionar um ambiente que respeite as suas necessidades físicas e psicológicas, garantindo um mínimo de bem-estar a esses animais”, complementa a assessoria de imprensa da ONG.

 

Julia Almeida é Gerente de Relações Corporativas da Animal Equality Brasil, por sua vez, acrescenta que “nós trabalhamos negociando com as empresas para que elas assumam o compromisso de banir ovos de gaiolas dos seus sistemas de fornecimento, comprando apenas de fornecedores que criem galinhas em sistema livre de gaiolas. Essa estratégia tem um impacto direto e significativo na redução do sofrimento dos animais e a Animal Equality Brasil já firmou esse compromisso com 128 empresas, gerando um impacto em mais 24 milhões de galinhas”, realça.

 

CAMPANHA BRASIL SEM GAIOLAS

 

Outra informação importante sobre as políticas cage-free é que, aqui no Brasil, a Animal Equality, em parceria com o Fórum de Proteção e Defesa Animal e a Proteção Animal Mundial, lidera a campanha intitulada de Brasil Sem Gaiolas, que já reuniu mais de 83 mil assinaturas em sua petição. Essa iniciativa resultou ainda na criação do Projeto de Lei 5092/2023 de autoria da Deputada Federal Luciene Cavalcante (PSOL/SP), que propõe a proibição do uso de gaiolas em fazendas no país.

 

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Julia Almeida, Ger. Relações Corporativas da Animal Equality Brasil – Foto: Divulgação

 

Assim como, é válido sinalizar que “vários países já proibiram o uso de gaiolas convencionais para galinhas, como, por exemplo, todos os países membros da União Europeia, onde uma eliminação legislativa começou em 1999 e foi concluída em 2012. Além disso, o Canadá, Nova Zelândia e vários Estados dos EUA também já proibiram as gaiolas convencionais por entenderem que elas causam danos ao bem-estar animal. Assim, com cada vez mais empresas assumindo compromissos cage-free e o avanço de regulamentações nesse sentido, o futuro do setor de ovos caminha para um modelo livre de gaiolas – um processo que já se tornou irreversível”, endossa a assessoria de imprensa da ONG.

 

POR QUE ADOTAR POLÍTICAS CAGE-FREE NO SEU NEGÓCIO DE HOSPITALIDADE E SERVIÇOS DE ALIMENTAÇÃO?

 

Após entender, detalhadamente, o que as são as políticas cage-free, ainda está se perguntando: por que adotá-las no seu negócio de alimentação e/ou serviços de alimentação?

 

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Marie Tarrisse, Ger.de Impacto Social e Desenvolvimento Sustentável – Foto: Divulgação

 

Logo, compreenda que “a eliminação dos ovos de galinhas confinadas em gaiolas é uma medida crucial para reduzir o sofrimento animal. Essa escolha não se limita a uma mudança no fornecimento, mas representa uma ação concreta para melhorar as condições de vida dessas aves”, garante Almeida, Gerente de Relações Corporativas da Animal Equality.

 

Marie Tarrisse, Gerente Sênior de Impacto Social e Desenvolvimento Sustentável na Divisão Brasil da Arcos Dorados, a maior franquia do McDonald’s no mundo em termos de vendas e número de todo o sistema de restaurantes, frisa que, “hoje em dia, os consumidores exigem transparência e responsabilidade e grandes players já entenderam que o bem-estar animal não é só um diferencial, mas uma demanda crescente e necessária. Por isso, quanto antes o mercado fizer essa transição, mais responsável, competitivo e preparado estará para o futuro. O sistema, conhecido como cage-free, visa enaltecer o bem-estar das aves por meio do enriquecimento ambiental para que os animais possam expressar os seus comportamentos naturais em condições favoráveis para que sejam mantidas protegidas e saudáveis. A adoção de políticas que priorizam ovos de galinhas livres de gaiolas por grandes empresas, como a Arcos Dorados, contribui para impulsionar uma mudança na produção em larga escala e esperamos que, no futuro, esse se torne o modelo padrão no Brasil. Afinal, esse movimento cria um novo padrão no mercado, tornando a transição para o cage-free uma questão de ética e sustentabilidade, mas também comercialmente estratégica. Atualmente, além da responsabilidade inerente à atividade econômica das empresas, o consumidor está muito mais consciente e valoriza aquelas organizações que impactam positivamente a sociedade. Ou seja, negócios de alimentação que adotam ovos cage-free não apenas atendem a essa demanda do mercado, mas também fortalecem o relacionamento com os seus clientes. Sendo assim, além de consolidar a reputação da marca, essa escolha também reduz riscos sanitários e se alinha às práticas ESG, atraindo parceiros estratégicos”, argumenta.

 

ADOÇÃO DE POLÍTICAS CAGE-FREE NA PRÁTICA

 

A Arcos Dorados trabalha com políticas cage-free desde 2019, sendo que essa iniciativa “faz parte do compromisso global do McDonald’s com o bem-estar animal e a sustentabilidade. Atualmente, 100% dos ovos oferecidos na rede no Brasil são de galinhas livres de gaiola. Esse compromisso também faz parte da Receita do Futuro, a plataforma de estratégias socioambientais da Arcos Dorados, que busca evoluir continuamente os padrões de qualidade e responsabilidade em toda a cadeia de suprimentos. Esse movimento reforça também o alinhamento da marca com padrões internacionais de produção responsável e a construção de uma cadeia de suprimentos mais sustentável até 2030. Dessa forma, a adoção de uma política de ovos de galinhas livres de gaiolas foi um movimento natural frente ao nosso compromisso com o bem-estar animal e a sustentabilidade. E mais do que isso, como líderes no setor de restaurantes, entendemos a magnitude do impacto positivo ao adotar essas práticas em nossa cadeia de suprimentos e inspiramos o mercado a avançar”, acredita Tarrisse.

 

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Antonietta Varlese, SVP de Sustentabilidade e Comunicação da Accor Américas na Divisão Premium, Midscale & Economy

 

 

A Gerente Sênior de Impacto Social e Desenvolvimento Sustentável na Divisão Brasil da Arcos Dorados, divide ainda que “a implementação das políticas de compra de ovos cage-free foi um processo estruturado, baseado em estudos detalhados e pesquisas de mercado que nos permitiram entender os desafios e oportunidades dessa transição. Todos os investimentos foram planejados estrategicamente, levando em conta a viabilidade operacional, a parceria com fornecedores comprometidos com o bem-estar animal e a adaptação da cadeia de suprimentos. A nossa prioridade sempre foi garantir que cada passo fosse sustentado por insights sólidos, alinhando o nosso compromisso com a sustentabilidade às melhores práticas globais do setor. A Arcos Dorados mantém uma rígida política de escolha dos seus parceiros e fornecedores. E, em relação ao uso de ovos 100% cage-free, essa iniciativa foi possível graças ao trabalho conjunto com a Granja Mantiqueira, a maior produtora de ovos da América do Sul e a primeira do mercado brasileiro com produção em larga escala de ovos de aves livres de gaiolas. E todos os nossos fornecedores passam por auditorias constantes para garantir os mais rigorosos padrões de bem-estar animal e contam com certificação da Certified Humane Raised & Handled. O nosso foco é manter essa nossa estratégia de compra de ovos cage-free e garantir que o compromisso siga sendo parte essencial da nossa operação. Ainda que a transição já tenha sido concluída no Brasil, seguimos trabalhando para fortalecer a qualidade dos produtos e a sustentabilidade da cadeia de suprimentos, sempre alinhados à nossa Receita do Futuro”, detalha.

 

Já a Accor, uma das maiores redes do setor hoteleiro de todo o mundo, também pratica políticas cage-free e, inclusive, está comprometida a eliminar os ovos de galinhas confinadas em gaiolas até o final deste ano 2025 nas suas operações das Américas. E é válido enfatizar que, atualmente, 98% dos hotéis da rede nos Estados Unidos e Canadá já utilizam ovos de galinhas livres de gaiolas, assim como 87% na América Central e Caribe e 59% na América do Sul. “O nosso objetivo é garantir que a nossa cadeia de suprimentos reflita o nosso compromisso ético e sustentável, priorizando fornecedores que compartilhem desses valores e garantam a criação de galinhas livres de gaiolas”, alega Antonietta Varlese, SVP de Sustentabilidade e Comunicação da Accor Américas na Divisão Premium, Midscale & Economy.

 

Também na Accor, além da transição na cadeia de suprimentos, os seus gestores têm o hábito de comunicar as iniciativas relacionadas às políticas cage-free diretamente aos hóspedes por meio dos seus perfis nas mídias sociais, imprensa e sinalizações nos buffets de café da manhã dos seus hotéis e resorts. “O feedback tem sido positivo, especialmente por parte dos clientes que valorizam práticas responsáveis. Essa mudança reforça a confiança na marca e no compromisso da Accor com a sustentabilidade”, pontua Varlese.

 

RESULTADOS JÁ ALCANÇADOS POR MEIO DA ADOÇÃO DE POLÍTICAS CAGE-FREE

 

Como resultados já alcançados por meio a adoção de políticas cage-free, Tarrisse, da Arcos Dorados, revela que “entre os países em que a Arcos Dorados está presente, atingimos 100% de aquisição de ovos cage-free no Brasil, Costa Rica, Colômbia, Peru, Porto Rico e Uruguai, o que representa quase 40% do volume total. No Brasil, essa conquista foi celebrada no ano passado e os ovos estão presentes nos sanduíches Egg Cheese Bacon, Duplo Egg Cheese Bacon e Egg Burguer, que fazem parte do cardápio de café da manhã do McDonald’s. Mas, nós vamos continuar avançando e o compromisso da Arcos Dorados com o desenvolvimento sustentável envolve iniciativas contínuas para aprimorar as práticas de bem-estar animal ao longo de toda a cadeia de suprimentos. Além disso, a Humane Society International (HSI), uma das maiores organizações globais de proteção animal, reconhece o impacto positivo dessa política e reforça que o futuro da produção de ovos está cada vez mais livre do sistema de gaiolas. Com essa conquista, a Arcos Dorados reafirma o seu papel como referência na região e continua evoluindo em direção a um modelo de fornecimento mais responsável e alinhado às melhores práticas globais”, comemora.

 

POLÍTICAS CAGE-FREE TAMBÉM SÃO QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA

 

Para além da questão da sustentabilidade em si ligada à vertente do sofrimento animal, as políticas cafe-free também são questão de saúde pública, uma vez que “o estresse pode comprometer o sistema imunológico dos animais, tornando-os mais vulneráveis às doenças. Quando um animal enfrenta situações estressantes, o seu corpo ativa uma resposta que pode enfraquecer as suas defesas contra patógenos, aumentando o risco de enfermidades durante a criação. E o sistema em gaiolas têm mais chance de ocorrer contaminação do ovo por salmonela do que em sistemas livres de gaiolas, sendo válido ressaltar que a salmonela é a responsável por um terço dos surtos de doenças transmitidas por alimentos no Brasil e o ovo é o principal causador desses surtos”, alerta a assessoria de imprensa da ONG.Animal Equality Brasil.

 

Por fim, saiba também que um dos estudos mais completos sobre salmonela e ovos é da European Food Safety Authority (EFSA), em que foram avaliadas 5.310 granjas, distribuídas em 24 países, e mais de 30.000 amostras de fezes foram coletadas. “A conclusão desse relatório afirma que galinhas criadas em gaiolas têm maior probabilidade de estarem contaminadas por salmonela. E a Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu, recentemente, que o Novo Coronavírus não será a última pandemia e lembrou que os avanços sanitários serão insuficientes, se não houver mudanças com relação à questão climática e ao bem-estar animal”, alerta a assessoria de imprensa da ONG.

 

Sustentabilidade no Food Service: o que especialistas pensam sobre o tema em 2025

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