Rua Jairo Gois, número 126, bairro Brás, em São Paulo. Esse é o endereço da Castelões Cantina e Pizzaria, um negócio food service de origem familiar que, no dia 1º de outubro deste ano, completa nada menos que 100 anos de existência, sendo por isso considerado a casa mais antiga da capital paulista.
O estabelecimento, que já está na sua terceira geração, oferece até hoje pizzas assadas em um forno que funciona a lenha e não tem medidor de temperatura. Ou seja, é uma prova viva de que tradicionalidade também nunca saiu de moda no mercado de alimentação fora do lar, que, atualmente, “não é para amadores, exigindo se profissionalizar cada vez mais. Hoje em dia, existe uma necessidade cada vez maior de alimentação para adular e isso cria um nicho de mercado único. Além disso, também há a demanda de servir como entretenimento, em muitos casos”, alerta Fábio Donato, de 51 anos, formado em Engenharia Automobilística e em Direito, o atual proprietário e Maestro da Castelões Cantina e Pizzaria.

Em entrevista exclusiva à Rede Food Service, Fábio Donato revela que o que mais caracteriza a Castelões Cantina e Pizzaria e toda a sua quase centenária história são as “portas adentro. A Castelões oferece, há anos, uma verdadeira viagem no tempo, seja pelos objetos antigos, as linguiças penduradas, as paredes amareladas e repletas de fotografias, ou mesmo o letreiro neon, compondo uma espécie de ambiente nostálgico característico de um restaurante antigo que completará 100 anos no dia 1° de outubro deste ano. As nossas mesinhas são cobertas por toalhas xadrez, nas quais já passaram diversas personalidades, como o Ex-Presidente Getúlio Vargas, o pugilista Éder Jofre, o cantor e compositor Adoniran Barbosa, além de Luiz Gonzaga, mais conhecido como o Rei do Baião. E, no nosso Livro de Ouro, onde estão registradas as principais delas, também estão nomes como o de Hebe Camargo, o Ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, Juan Fangio, Tito Schipa e muitos outros políticos e jogadores de futebol que ilustram o centenário da Castelões. Nós vendemos cerca de 1.500 pizzas por mês”, destaca.
QUE TAL CONHECER MAIS SOBRE A CASTELÕES CANTINA E PIZZARIA?
É só, na sequência, conferir:
- O QUE É O NEGÓCIO CASTELÕES CANTINA E PIZZARIA?
- COMO SURGIU A IDEIA DA CASTELÕES CANTINA E PIZZARIA?
- EQUIPE E FUNCIONAMENTO DA CASTELÕES CANTINA E PIZZARIA
- CARDÁPIO DIFERENCIADO E PERFIL DE CLIENTE DA CASTELÕES CANTINA E PIZZARIA
- QUEM JÁ TEVE A OPORTUNIDADE DE IR À CASTELÕES CANTINA E PIZZARIA, RECOMENDA!
- PLANOS PARA A CASTELÕES CANTINA E PIZZARIA
- DICAS PARA TER SUCESSO NO ATUAL MERCADO FOOD SERVICE
O QUE É O NEGÓCIO CASTELÕES CANTINA E PIZZARIA?
Como já adiantado, a Castelões Cantina e Pizzaria é um negócio familiar “fundado em 1924, por Vicente Donato e Ettore Siniscalchi. A Castelões Cantina e Pizzaria é considerada a casa mais antiga de São Paulo. E, perto de completar 100 anos de existência neste ano de 2024, a pizzaria de origem familiar chega a sua terceira geração sob o meu comando. No nosso cardápio, estão os sabores fiéis da culinária italiana, como massas, drinks, sobremesas e as tradicionais pizzas produzidas artesanalmente, no forno centenário, construído pelo primeiro pizzaiolo da Castelões e que funciona desde a inauguração do restaurante. Estamos localizados no bairro do Brás, berço da imigração italiana no Brasil e, até hoje, a Castelões Cantina e Pizzaria se mantém como um espaço familiar e que remete às antigas cantinas de origem italiana no país, somando à sua história centenária presenças ilustres de grandes nomes das artes, políticas e do futebol brasileiro”, resume Fábio Donato.
COMO SURGIU A IDEIA DA CASTELÕES CANTINA E PIZZARIA?
Sobre como surgiu a ideia da Castelões Cantina e Pizzaria, o empresário frisa que tudo começou em 1924, “a partir de uma paixão nacional: o futebol. Quando os amigos Vicente Donato e Ettore Siniscalchi, de origem italiana, respectivamente de Calábria e Nápoles, se reuniam após as partidas de futebol amadoras junto a um grupo de funcionários de uma indústria da região para comerem alguma coisa. De petisco em petisco, as reuniões passaram a dar vez às pizzas, que a dupla de amigos começou a usar de inspiração a base da pizza napolitana. Mas, devido à inexistência de ingrediente aqui no Brasil, eles ousaram nas criações, adaptando e inovando com insumos locais, muitas vezes, feitos por eles próprios ou sob encomenda e segundo as suas especificações. Com isso, eles acabaram criando uma outra vertente, que, hoje, é conhecida como paulistana, um estilo de pizza que ganhou força com uma cobertura diferenciada, além de outros sabores, como muçarela e aliche. Foi então que, ao servir as massas, o grupo de amigos cresceu, com novos integrantes que vinham saborear esse sucesso que começava a nascer”, relata Fábio Donato.

O empresário acrescenta que, “na década de 1950, Ettore Siniscalchi fez uma viagem ao Rio de Janeiro para assistir a um jogo de futebol do Palmeiras e, naquele mesmo ano também, ele assistiu a marcante derrota do Brasil no Maracanã durante a Copa do Mundo. E, em poucos dias, se apaixonou pela cidade e não quis mais sair de lá, resolvendo vender a sua parte na pizzaria para o sócio e mudar para a capital fluminense. Foi então que o comando da Castelões ficou nas mãos de Vicente Donato, que, posteriormente, a repassou para o seu filho, João Donato, meu pai. E, com a morte dele, em 2014, a Castelões ficou sob o meu comando. E, como o meu progenitor, eu mantive as receitas, o endereço e o amor pela tradicional pizza italiana. E, para manter o alto padrão de qualidade das massas, realizamos uma busca incessante, de quase 15 anos, pela importação da melhor máquina da Itália para bater a massa das pizzas, que chegou ao Brasil há pouco tempo, em setembro de 2023”, compartilha.
EQUIPE E FUNCIONAMENTO DA CASTELÕES CANTINA E PIZZARIA
Atualmente, a equipe da Castelões Cantina e Pizzaria, que funciona de terça a domingo, das 18h às 23h30, é formada por 12 colaboradores, “sendo que quem está à frente dos preparos das massas é Claudia Pinho, a minha companheira. Ela é formada em Gastronomia pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial – Senac (SENAC) Campos do Jordão, no interior de São Paulo, e tem mais de uma década de experiência no ramo, além de ser uma especialista em pizza e em culinária italiana. É ela quem toca a cozinha do restaurante e, aos fins de semana, quando o movimento é maior, eu mesmo assumo o posto no forno, que funciona a lenha e não tem medidor de temperatura”, explica Fábio Donato.
CARDÁPIO DIFERENCIADO E PERFIL DE CLIENTE DA CASTELÕES CANTINA E PIZZARIA
Compatível com a sua fama centenária, o cardápio da Castelões Cantina e Pizzaria é realmente diferenciado, sendo que “os sabores de pizzas mais vendidos também são os que compunham o cardápio de 100 anos atrás, como calabresa, muçarela, marguerita, napolitana e a Castelões. Essa última, em específico, leva no recheio uma linguiça especial preparada artesanalmente por nós. E, embora seja a especialidade e carro-chefe da casa, o sabor já chegou a outras pizzarias de São Paulo, inclusive, por meio de parcerias e homenagens que trouxeram para o centro da cidade um cantinho especial da Itália. E um exemplo disso é a recente collab realizada com a Bráz Pizzaria, que, para celebrar o Dia Nacional da Pizza, comemorado anualmente em todo o dia 10 de julho, homenageou a Castelões Cantina e Pizzaria com edição especial de receita comemorativa que leva o nome da casa, a pizza Castelões Centenária. A versão, em edição limitada do sabor, está disponível em todas as casas Bráz (pizzarias, trattorias e Casa Bráz) até o dia 11 de agosto. A novidade, que foi produzida a quatro mãos, é composta por queijo Caccio Cavalo Roni, molho de tomate Mutti e uma combinação de duas calabresas artesanais da casa produzidas pelo Frigor Cinque, podendo ser encontrada por R$ 125. Como símbolo da identidade da Castelões, a nossa pizza ‘à moda da casa’ é conhecida por perpetuar as memórias da culinária italiana, com o toque brasileiro de produzir pizza. Esse nosso sabor é feito a partir de uma massa de longa fermentação, que leva, em média, 48 horas para ser preparada. E, para a cobertura, a receita segue o rito de incluir a muçarela escolhida a dedo antes do molho de tomate fresco, que é incorporado à uma linguiça artesanal especial, feita na casa, com um toque apimentado a partir de um mix de temperos incorporados à carne”, detalha Fábio Donato.

Sobre o perfil de cliente da Castelões Cantina e Pizzaria, o empresário partilha que “somos ecléticos, servimos duplo simples, uma menção ao Presidente da República. Atendemos de jornaleiro ao dono do jornal”, garante.
QUEM JÁ TEVE A OPORTUNIDADE DE IR À CASTELÕES CANTINA E PIZZARIA, RECOMENDA!
E aí? Já ficou interessado (a) em conhecer pessoalmente a Castelões Cantina e Pizzaria, né?
Então, saiba que, quem já foi, recomenda, como é o caso de Henrique Marin Munhoz Junior, de 82 anos, cliente fiel da casa centenária. “Eu frequento a Castelões desde os 5 anos de idade e, isso já vai fazer 78 anos, quando meu pai me levava e, ano a ano, eu continuei a frequentar. Levei o meu amigo de faculdade para conhecer, Olavo Ozzetti, quando tínhamos 18 anos, celebramos a nossa formatura lá, o avó do Fábio Donato nos cedeu a pizza e nós pagamos as bebidas. Também levei a minha namorada na época, que, depois, veio a ser minha esposa. De lá, gosto muito de duas pizzas: a Castelões e a de Alici. Na Castelões, é mantida a forma tradicional de preparar uma pizza, como é na Itália. E, para mim, pizza é pizza e a Castelões faz isso muito bem. O restaurante é um ambiente acolhedor, conheço todos por ali, vou ao menos uma vez por mês agora por conta da distância, mas sempre levo alguém. E, no caminho, ainda passo pela casa do meu amigo Olavo para irmos juntos”, relata.

Olavo Ozzetti, de 81 anos, por sua vez, compartilha que, “há mais de 60 anos, eu conheço a Castelões, desde 1963, quando meu amigo Henrique Marin Munhoz Junior me levou para conhecer durante a faculdade e, desde então, sempre levei amigos do trabalho. Íamos várias vezes, além de levar a minha família também. Primeiro, foi a minha esposa e, depois, meus filhos e, agora, os meus netos. Nos agrada o ambiente de cantina italiana, que é muito parecida com uma. A minha pizza favorita é a de muçarela, mas gosto muito das entradas também. Tento ir uma vez por mês, no mínimo e, neste mês de agosto, já fomos, mas acho que vamos mais uma vez, pois a pizzaria Castelões faz parte da minha vida”, afirma.
Stefano Capuzzi Lapietra, de 36 anos, e o irmão Filippo Capuzzi Lapietra, de 34, também são clientes cativos da Castelões Cantina e Pizzaria e dividem que “somos de descendência italiana e meu bisavô frequentava a Castelões. O meu avô também ia lá com a família e isso virou uma tradição da nossa família, que, na época, morava toda por ali na região do Brás. E, assim, passou de geração para geração. Toda vez que a gente vai lá e olhamos para as fotos na parede, com o meu bisavó, desperta uma memória afetiva bem forte. Já comemoramos aniversários lá e, além da pizza ser maravilhosa, tem essa questão da memória afetiva. Durante a pandemia de Covid-19, naquele momento de isolamento social, chegamos a pedir a pizza pelo delivery para manter essa sensação de estar perto dos nossos familiares que passaram por lá e até o entregador brincou com a gente ‘não tinha uma pizzaria mais perto, não? (risos)’ por causa da distância do Brás ao Brooklin. Mas, além dessa conexão afetiva, ficamos ainda mais próximos do Fábio Donato, uma vez que com um tempo, descobrirmos que as nossas famílias eram da mesma região lá na Itália e isso nos aproximou ainda mais. Inclusive, fizemos alguns vídeos com ele em nosso canal no YouTube, o Walk in Brothers, pois somos cineastas de formação e mostramos os bastidores de algumas produções que fazemos e a Castelões entrou nessa com a gente. A pizza favorita da nossa família inteira é a Castelões mesmo, mas também gostamos da Porchetta e da Panacota”, explica Stefano.
PLANOS PARA A CASTELÕES CANTINA E PIZZARIA
Visionário, Fábio Donato desvenda ainda que possui planos para o futuro da Castelões Cantina e Pizzaria, como “um retrofit que levará o nosso cliente aos primeiros anos da Castelões, com itens de decoração que remetem ao período de fundação. Hoje, a nossa meta é entregar a melhor pizza, com ingredientes selecionados e bem temperada. E, assim como novos sabores surgiram durante esse centenário, eu me mantenho aberto às novidades, desde que siga um padrão de qualidade. Afinal, como bom bisneto de italiano, eu sigo, com fervor, a máxima que aprendi de que não importa o lugar em que esteja na Itália, eles irão sempre servir o que há de melhor. E é o que a Castelões vem fazendo. E o que continuará, no que depender de mim. Além disso, após a comemoração do nosso aniversário de 100 anos, temos planos de expandir a marca, bem como de termos alguns outros projetos com influência italiana, sendo todos na área da gastronomia”, realça.
DICAS PARA TER SUCESSO NO ATUAL MERCADO FOOD SERVICE
Por fim, Fábio Donato dá a seguinte dica para quem almeja ter um duradouro sucesso no atual mercado food service assim como ele e a família: “estude muito, procure entender o seu público-alvo e quais são os seus anseios. Também procure ajuda de um profissional capacitado para a implantação do seu empreendimento food service. Esses cuidados mitigam problemas futuros”, recomenda.
Na Rede Food Service é assim! Sempre te contamos, com exclusividade, as histórias de negócios de alimentação fora do lar que deram certo como inspiração. Por isso, fica aqui o convite para continuar nos acompanhando e CLICAR AQUI para também conhecer a Dona Celina: a casa de pães de queijo criada por advogada mineira em São Paulo que vende em média R$ 170 mil por mês.

- Tabata Martins
