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Tipos de Cervejas: variedade de sabores e estilos chama a atenção no Brasil

A Pilsen é um dos tipos mais preferidos dos consumidores brasileiros

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O sommelier de cervejas, Luís Celso Júnior - Foto: Divulgação

 

A cerveja é uma das bebidas mais antigas e universalmente apreciadas em todo o mundo. Com uma origem que remonta a culturas antigas, como a suméria e a egípcia, a cerveja evoluiu ao longo dos séculos, resultando em uma vasta diversidade de estilos e sabores. Desde as suaves e refrescantes, como a Lager, até as complexas e encorpadas, tipo a Ale, cada estilo de cerveja oferece uma experiência única para os apreciadores.

 

Seja para os momentos de calor ou até no frio intenso, a gama de opções de cervejas disponíveis no mercado é imensa. São mais de 100 estilos comercializados no mundo, segundo a Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva). As variações vão desde a forma de fabricação até o método de uso dos ingredientes. Na prática, tem cerveja para todos os gostos, climas e temperaturas.

 

Por isso, explorar a riqueza e a diversidade das cervejas é uma jornada que fascina e convida os apreciadores a descobrir novos sabores, aprender sobre a sua história da fabricação e, acima de tudo, desfrutar de bons momentos enquanto aprecia um copo, ou caneca, de cerveja.

 

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Conhecendo o mercado cervejeiro nacional

 

Anualmente, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realiza o “O Anuário da Cerveja no Brasil”, onde são publicados dados e estatísticas de estabelecimentos, produtos, importação e exportação da bebida. Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva) e presidente da Câmara Setorial da Cerveja do Ministério da Agricultura, comenta sobre o levantamento mais recente realizado pelo órgão.

 

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Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva) – Foto: Divulgação

 

“Os números do estudo de 2023 indicam que existem 1.729 cervejarias no Brasil. Se a gente pegar números de 2010 eram 100, 114 cervejarias. Em apenas 12 anos, de 114 cervejarias pulou para 1.729 isso é um crescimento sobretudo das pequenas cervejarias, que estão espalhadas nas cinco regiões do Brasil e essa variedade, essa curiosidade do cervejeiro ou do povo brasileiro demonstram que apesar do elevado número de cervejarias a gente tem um mercado gigante para crescer”, fala Gilberto.

 

Quando comparamos o desenvolvimento da cultura cervejeira do Brasil com a de outros países, Gilberto analisa que houveram mudanças significativas. “Se a gente pegar a América do Sul, por exemplo, ou até na Europa, o Brasil tá muito na frente dos outros países em número de fábricas de cervejarias. O nosso país é referência da cerveja aqui na América Latina”.

 

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Ivan Tozzi, Sommelier de Cervejas – Foto: Divulgação

 

Já segundo Ivan Tozzi, que é Sommelier de Cervejas, Mestre Cervejeiro da SacraMalte, Vencedor do Reality Show Eisenbahn Mestre Cervejeiro 2017, Especialista em Harmonização e Juiz de concurso cervejeiros, a cultura cervejeira do Brasil ainda precisa avançar muito em relação a outros países.

 

“O conhecimento sobre outros estilos (alguns deles históricos fora do Brasil) e a apresentação para o público geral é muito recente, algo que começou a ser comentado para valer apenas a partir dos anos 2000. Já nos últimos 5 anos percebemos uma evolução na cultura cervejeira muito proporcionada pela criatividade e persistência das cervejarias independentes que estão trazendo para o Brasil muitos eventos e festas nos moldes do que é visto no exterior. Mas ainda estamos de fato engatinhando. Um fato que comprova isso é que, apenas 2% do share do consumo cervejeiro no Brasil é proveniente de cervejas especiais”, observa Ivan.

 

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Bia Amorim, Sommelier de cervejas e consultora no setor de Bebidas – Foto: Divulgação

 

O sommelier de cervejas, Luís Celso Júnior, faz uma avaliação sobre o cenário nacional. “Hoje o mundo todo vive um pouco desse movimento de renovação na cerveja, mesmo países tradicionais da cerveja. O Brasil teve um bom crescimento. Sempre gostamos de nos comparar com os Estados Unidos, dizendo que aqui estávamos uns 20 atrás no desenvolvimento do mercado, mas que aconteceria o mesmo que houve por lá. No entanto, o Brasil tem particularidades que nos distanciam desse desenvolvimento, como a alta carga tributária — hoje cerca de 60% do preço final da cerveja é imposto por aqui. Por lá, um dos motivos que fez o mercado se desenvolver foi justamente uma alíquota fiscal diferenciada para micro-cervejarias até um determinado volume de produção”.

 

Mas, à medida que a cultura cervejeira do Brasil se desenvolve, surgem oportunidades para explorar a diversidade do cenário cervejeiro nacional. De acordo com a profissional do setor de gastronomia, Sommelier de cervejas e consultora no setor de Bebidas, Bia Amorim, “somos um país que tem cada vez mais levado a sério a cerveja. Ela está em pesquisas, livros, prateleiras, cada vez mais e melhor. Estamos discutindo a construção de uma escola cervejeira brasileira com muitos atributos que possam levar a termos uma cerveja com personalidade brasileira”.

 

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A queridinha dos brasileiros

 

É unanimidade entre os especialistas: a cerveja Lager, ou Pilsen como é popularmente conhecida, é a mais vendida e consumida no Brasil. “Esse estilo de cerveja é a grande maioria da produção nacional, com seguramente mais de 95% do mercado. São todas aquelas grandes marcas que conhecemos, aquela cerveja leve, dourada, com aromas e sabores sutis”, esclarece Luís Celso Júnior, sommelier de cervejas.

 

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Tipos de Cervejas: variedade de sabores e estilos chama a atenção no Brasil – Getty Images – RFS

 

Mas, para ele, existe uma “confusão” histórica na definição das nomenclaturas das cervejas. Na prática, os tipos American Lager e Pilsen são a mesma coisa. “Devem ser nomes diferentes para a mesma cerveja. Esses estilos estão, de fato, historicamente relacionados”, ressalta Luís.

 

A Pilsen, também conhecida como Pilsner, teve origem na cidade de Plzen (Pilsen), na atual República Tcheca, no século 19. Em resposta à insatisfação dos cidadãos com a qualidade das cervejas locais, um grupo de cervejeiros e moradores decidiu criar uma cerveja clara, de baixa fermentação e sabor refrescante. O resultado foi a primeira cerveja Pilsen, que rapidamente ganhou popularidade e foi responsável por influenciar o surgimento de diversos estilos similares em todo o mundo.

 

Já a American Lager, de acordo com Luís, é uma adaptação desse estilo desenvolvida nos Estado Unidos entre o final do século 19 e começo do 20. “[Ela] se consolidou após a Lei Seca e a Segunda Guerra Mundial como uma opção inspirada na Pilsen, mas muito mais suave em aromas e sabores, que utilizava adjuntos na receita para diminuir a quantidade de malte, gerando mais leveza e diminuindo o custo, bem como pouca quantidade de lúpulo, que também impacta em menor amargor e menor rejeição da bebida”, explica o sommelier de cervejas.

 

Sobre a popularidade da cerveja Pilsen entre os brasileiros, há uma explicação histórica e geográfica para isso. Por muito tempo, até por uma questão econômica, esse foi o único estilo de cerveja disponível para a grande maioria da população. O consumo dela não era uma escolha, e sim o que tinha para beber. Mas, com o passar dos anos, outros tipos de cervejas foram se popularizando. No entanto, a Pilsen já estava consolidada com a queridinha da população brasileira.

 

Além de ser mais barata, a cerveja Pilsen foi feita para ser consumida bem gelada, o que se encaixa perfeitamente com o clima tropical na maioria das regiões do país. Nada como uma boa cerveja geladinha para apreciar o calor de uma praia, não é mesmo?

 

Cervejas artesanais brasileiras

 

A expansão das cervejarias artesanais pelo Brasil é responsável por contribuir para a diversidade de estilos e sabores disponíveis no mercado. Diferentemente das cervejas produzidas em larga escala por grandes companhias, as cervejas artesanais costumam explorar uma variedade mais ampla de estilos e experimentações, valorizando a diversidade e a individualidade.

 

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Bia Amorim, Sommelier de cervejas e consultora no setor de Bebidas – Foto: Divulgação

 

No Brasil, cada região conta com suas próprias influências culturais e ingredientes locais, o que se reflete nas cervejas produzidas. “Nos lugares com mais pessoas de descendência alemã, por exemplo, vai ter cervejas que têm essas receitas de famílias alemãs como Helles, Kölsh, Altbier, Weizenbier, etc”, explica Bia Amorim, sommelier de cervejas.

 

Segundo o sommelier Ivan Tozzi, as cervejarias brasileiras demonstram ser bastante criativas quando se trata de produção e estão em busca de uma identidade própria brasileira. “Percebo que os consumidores, cada vez mais, estão “comprando” essa ideia, talvez pela própria cultura da criatividade e da curiosidade nossa. O uso de frutas frescas locais, lúpulos nacionais, envelhecimento em barris e microrganismos brasileiros alternativos para fermentação são tendências que podem agradar nossos consumidores”, aponta.

 

A busca por uma identidade cervejeira no país, inclusive, reflete nos ingredientes utilizados. “O Brasil está começando a aprender como se planta lúpulo para poder ter a nossa variedade feita com um valor melhor e para ter a planta mais fresca”, explica Gilberto Tarantino, da Abracerva.

 

O sommelier Luís Celso Júnior destaca ainda que, “o maior número de cervejas artesanais está no Sul e Sudeste do Brasil, e por isso essas tendências começam antes nessas regiões, mas se espalham relativamente rápido. Há algum regionalismo pequeno, como é o caso da Catharina Sour, considerado o primeiro estilo de cerveja brasileiro. É muito forte onde surgiu, em Santa Catarina, mas hoje é discreto em outras regiões”.

 

Explorando sabores e tendências

 

No vasto universo das cervejas, em que a criatividade e a diversidade reinam, cada gole é uma jornada sensorial. Do amargor intenso das India Pale Ales (IPAs) aos aromas frutados das Weissbiers, cada estilo carrega consigo uma história, e refletem as técnicas de produção, mas também influências culturais e regionais.

 

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Tipos de Cervejas: variedade de sabores e estilos chama a atenção no Brasil – Getty Images – RFS

 

Com o uso de produtos regionais, como frutas tropicais e a manipueira (líquido extraído da mandioca), os cervejeiros brasileiros estão criando bebidas que refletem as características e os sabores do país. A diversidade de ingredientes contribui para a ampliação das opções de sabores disponíveis para os consumidores, além, é claro, do desenvolvimento do setor.

 

Mas quais são os sabores preferidos dos consumidores? Segundo o sommelier Luís Celso Junior, a preferência dos brasileiros por cervejas artesanais tem sido marcada pela busca por sabores mais intensos e experiências sensoriais distintas.

 

Enquanto a American Lager e suas variações ocupam a maior fatia do mercado nacional, representando a maioria das escolhas entre os consumidores menos familiarizados com o mundo das cervejas artesanais, as IPAs são protagonistas entre os apreciadores mais ávidos por novidades. A pesquisa “Retrato dos Consumidores de Cerveja 2023”, divulgada pelo hub de conteúdo Surra de Lúpulo, com apoio do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), corrobora essa tendência, destacando a IPA, Pilsen, American Lager, APA e Weissbier como os estilos preferidos.

 

Para o sommelier Ivan Tozzi, o sucesso desses estilos se deve à diversidade de sabores que oferecem. “As American Lagers são refrescantes e leves, ideais para o clima quente do país, enquanto as Weissbiers, com seus aromas complexos, são a porta de entrada para quem deseja explorar novas experiências. As IPAs, por sua vez, atraem aqueles que buscam um amargor mais pronunciado”, explica Tozzi.

 

As tendências atuais no mercado de cerveja artesanal brasileira refletem a busca por uma identidade própria. Luís Celso Júnior destaca ainda que o Brasil tem absorvido tendências do mercado norte-americano, especialmente no que diz respeito às IPAs, mas também tem se destacado pela criatividade das cervejarias locais. “O uso de frutas frescas locais, lúpulos nacionais e técnicas inovadoras de produção têm conquistado os consumidores, que valorizam a autenticidade e a originalidade dos produtos”, afirma.

 

Essa busca por diferenciação e autenticidade também se reflete na diversidade de estilos de cerveja produzidos em diferentes regiões do país. Embora haja uma tendência à uniformização de estilos, as cervejarias brasileiras têm procurado imprimir características regionais em suas criações, seja através do uso de ingredientes locais ou de técnicas tradicionais de produção.

 

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A arte da apreciação

 

Se você se interessou em apreciar uma boa cerveja, mesmo sem entender muito sobre os diferentes estilos, então fique atento. Os especialistas entrevistados pela Rede Food Service sugerem começar a apreciação com uma abordagem sensorial e exploratória. Observar a aparência da cerveja, avaliar o aroma e sabor, e perceber as sensações que ela provoca no paladar são passos essenciais para uma experiência completa.

 

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Tipos de Cervejas: variedade de sabores e estilos chama a atenção no Brasil – Getty Images – RFS

 

O sommelier Ivan Tozzi ressalta que não há regras rígidas quando se trata de escolher uma cerveja para apreciar. “Comece por aquilo que você se identifica mais. Seja frutado, ácido, encorpado ou extremo, há um estilo de cerveja para cada preferência”, destaca.

 

Para aqueles que desejam iniciar sua jornada de apreciação de cervejas artesanais, é válido algumas dicas valiosas. Além de experimentar diferentes estilos e explorar os sabores, é importante prestar atenção aos detalhes da cerveja, desde sua aparência até seu sabor residual. “Cada cerveja é única, e a melhor maneira de apreciá-la é dedicar tempo para entender suas características e nuances”, aconselha Ivan Tozzi.

 

Nesse processo de apreciação também é importante entender suas preferências e explorar diferentes estilos, como explica a sommelier Bia Amorim. “O primeiro passo é entender o que você gosta e o que você quer, porque tem cerveja para todos os momentos”. Com a diversidade disponível, é possível experimentar desde cervejas leves e refrescantes até opções mais complexas e intensas em sabor. Além disso, buscar por cervejarias locais pode proporcionar experiências ainda mais enriquecedoras. “Minha dica como sommelier é sempre procurar pela cerveja que fabrica mais perto de você, fresquinha, em chope, sem viajar de lugar nenhum”, sugere Bia.

 

O recado do sommelier Luís Celso Junior para quem deseja apreciar uma boa cerveja é prestar atenção ao que você bebe. “Olhe a aparência, avalie a cor, o brilho e a espuma. Cheire a cerveja e se pergunte: ela lembra o quê? Deguste e veja se é amarga, doce, ácida ou até salgada, se é leve ou pesada, se tem muito ou pouco gás. Depois, avalie o sabor que fica na boca após engolir a bebida, por quanto tempo fica e qual é. Enfim, avalie cada detalhe e aprecie a experiência”.

 

Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva, acredita que a experimentação e o consumo responsável podem tornar a cerveja um mundo de informações muito prazeroso. “Convido a todos a procurar sua cervejaria local. Um a cada oito municípios no Brasil tem uma cervejaria, então a gente tem uma oferta bem bacana aí para atender todos curiosos de plantão”, conclui.

 

A jornada da descoberta no mundo das cervejas é uma experiência enriquecedora. Com uma mente aberta e um paladar curioso, qualquer pessoa pode se tornar apreciadora de cervejas, mergulhando em um universo de sabores, aromas e histórias.

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