Proprietário do Restaurante Così, localizado em São Paulo, capital, professor na renomada Escola Laurent Suaudeau, consultor e produtor de eventos externos. Essa é a atual rotina profissional de Renato Herzmann Carioni, de 47 anos, o premiado chef Renato Carioni, que, em entrevista exclusiva à Rede Food Service, aponta que, hoje em dia, a vida de chef está cada vez “mais burocrática e menos divertida”, afirma.
Mas, por quê?
Natural de Florianópolis, em Santa Catarina, o chef explica que “mais burocrática e menos divertida porque o cara quando é cozinheiro de alma, ele gosta de cozinhar. E, quando você vai gerenciando outras pessoas, a cozinha em si, os eventos e coisas e tal, você vai fazendo muita mais coisa, muito mais papel, muito mais conta, muito mais organização do que cozinhar propriamente falando, que é onde eu, realmente, me divirto. Mas, isso é a evolução da profissão na verdade, né? É sempre assim e em toda profissão! Quanto mais uma pessoa evoluiu, menos braçal ela fica e mais mental é a sua atuação. E eu, particularmente, gosto mais da parte braçal, que o que eu, inclusive, acho muito divertido”, assinala.
Ficou curioso (a) em saber mais sobre a vida de chef e visão do mercado food service de Carioni, certo?
Então, é só conferir abaixo:
- QUEM É RENATO CARIONI?
- FORMAÇÃO E EXPERIÊNCIAS PROFISSIONAIS
- PRÊMIOS CONQUISTADOS
- ATUAIS ROTINA, DESAFIOS E METAS
- VISÃO DO MERCADO FOOD SERVICE
- DICA DE CHEF PREMIADO
QUEM É RENATO CARIONI?
Divorciado e pai de três meninos de 17, 22 e 24 anos, Carioni é “charuteiro, motociclista, amante da boa mesa e de boas bebidas”, se apresenta de maneira resumida.

Especificamente sobre o seu perfil profissional, o chef se considera “um cara inquieto e que gosta de experimentar coisas e técnicas novas. O meu estilo culinário é um mix das minhas experiências, mas sempre utilizando uma base francesa”, destaca.
FORMAÇÃO E EXPERIÊNCIAS PROFISSIONAIS
Formado em Gastronomia Internacional pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) de Águas de São Pedro, no interior de São Paulo, Carioni possui vasta experiência profissional. Afinal, desde que começou a sua carreira, em 1995, estagiou e trabalhou em diferentes negócios food service nacionais e até internacionais antes de decidir abrir o seu próprio negócio de alimentação fora do lar, o Restaurante Così. “Eu entrei no mundo do food service em 1995, quando fui estudar Gastronomia, mas, quando criança, sempre gostei do ambiente da cozinha”, relata o chef que, inclusive, precisou de um ‘empurrãozinho’ da família para escolher a sua atual vida de chef.

Conforme Carioni, “do lado do meu pai, a minha bisavó fazia marmitas para vender em Florianópolis, a terra natal da minha família, depois que o seu marido saiu de casa e a deixou com três filhos para criar. O meu pai, advogado de formação, era o cozinheiro oficial dos encontros com os colegas da OAB de Santa Catarina, da qual fazia parte. E, nesses almoços, ele sempre contava com a minha ajuda. Lembro que saíamos para fazer as compras e, geralmente, eu finalizava os pratos. Inclusive, o meu pai chegou a ter um restaurante em Florianópolis, mas acabou fechando. Já a minha mãe trabalhou por anos em uma churrascaria, além de fazer doces, bolos e outras gostosuras sob encomenda. Recordo que, quando eu acordava, estava aquele cheiro delicioso pela casa toda. E eu sempre ficava no pé dela para raspar o pote de suspiro. Foi nesse ambiente que eu cresci, mas, ao terminar o Ensino Médio, eu não tinha a menor ideia de que profissão seguir. Nesa época, eu tinha um carrinho, adorava praia, sair para tomar uma cerveja com os amigos. Enfim, tinha a vida que pedi a Deus. No entanto, um dia, o meu pai me chamou para uma conversa séria e disse que não dava para continuar daquele jeito. Foi, então, que eu cheguei até a fazer um estágio no escritório de advocacia do meu pai, mas, em uma semana, eu já estava querendo me enforcar com o fio do telefone. (risos). Assim, depois de algumas conversas com o meu pai, combinamos que eu iria para a Europa, mas, desde que eu estivesse apto a exercer alguma profissão que me ajudasse a sobreviver no exterior. Dessa forma, um dia, o meu pai me mostrou um folheto sobre um curso de Cozinheiro Chef Internacional, que era uma parceria da Escola Americana e do Senac de Águas de São Pedro. E, quando eu li, devolvi para ele e disse: você não leu direito? São apenas 32 vagas para o Brasil inteiro. Entretanto, apesar de não estar lá muito confiante, eu aproveitei uma viagem já programada para São Paulo, fiz a prova e fui aprovado. Com isso, em maio de 1995, eu iniciei a minha vida no mercado food service”, detalha.

O chef acrescenta que “depois de estudar no Senac de Águas de São Pedro, eu embarquei para a Europa, onde fiquei por dez anos divididos entre França, Itália e Inglaterra. Lá, eu trabalhei no Ritz de Londres, Hotel Majestic, de Cannes, Enoteca Pincchiorri, em Florença, e no Chateau de lá Chevre d’or, em Eze Village. Eu voltei para o Brasil em 2006, onde, antes de empreender, ainda fui Chef do Restaurante Cantaloup. E, em 2009, eu abri o Così”, relembra.
PRÊMIOS CONQUISTADOS
Em decorrência do seu DNA inspirador, talento próprio e tamanha experiência em diferentes negócios de alimentação fora do lar, Carioni também se tornou um verdadeiro colecionar de prêmios. Sendo que, entre eles, está “o de Melhor Almoço Executivo com o meu Restaurante Così pela Revista Época, em 2012, assim como conquistei os prêmios de Melhor Italiano Veja São Paulo por meio de voto popular em 2013 e, em 2019, ganhei como Chef Internacional do Ano pelo Le Toque Blanche Lyonais, que é a associação mais antiga de cozinheiros da França, em Lyon”, partilha o chef, que garante que é impossível escolher quais desses momentos foi o mais marcante da sua vida profissional, uma vez que avalia que “toda a minha carreira me marcou muito. Por isso, eu não consigo citar algo em particular”, diz.
ATUAIS ROTINA, DESAFIOS E METAS
Hoje em dia, Carioni esclarece que “a minha rotina está dividida entre às atividades de ser chef do meu restaurante, lecionar na Escola Laurent Suaudeau, dar consultorias e fazer eventos externos. Ou seja, nada de glamour. (risos)”, divide.

Sobre os seus sonhos e metas, o chef compartilha que “o meu atual sonho é abrir um restaurante de fine dining, que, talvez, tome forma no ano que vem. E, durante a pandemia de Covid-19, eu percebi como o mercado de restaurante é frágil. Com isso, aprendi que não dá pra colocar todos os ovos na mesma cesta”, alerta.
VISÃO DO MERCADO FOOD SERVICE
Para Carioni, o atual mercado food service “está, cada dia mais, competitivo e, por isso, exige que estejamos, cada vez mais, preparados e atentos aos detalhes, principalmente, com relação aos custos. A vida de chef é cada vez mais burocrática e menos divertida”, reforça.
O chef complementa ainda que, nos últimos anos, “a alimentação evoluiu e os clientes estão mais atentos às propriedades nutricionais. Além disso, a qualidade dos produtos nacionais melhorou muito”, avalia.
DICA DE CHEF PREMIADO
E aí? Ficou interessado (a) em tornar-se um chef experiente e premiado assim como Carioni?
Então, saiba que, conforme o próprio chef, para seguir carreira na área da Gastronomia nos atuais dias assim como ele, é preciso “que não conte horas de trabalho. Ouça, observe e absorva o máximo de tudo”, aconselha.
Na Rede Food Service é assim! Toda semana, te contamos como verdadeiramente é a vida do profissional chef de cozinha por meio de entrevistas exclusivas com grandes nomes do mercado de alimentação fora do lar, como Renato Herzmann Carioni, o chef Renato Carioni.
Por isso, continue nos acompanhando e aproveite para CLICAR AQUI e também conhecer Marcelo Milani, que considera que vida de chef não é nada glamourosa, mas muito gratificante.

- Tabata Martins
