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Os efeitos da crescente demanda por alimentos orgânicos no food service brasileiro

ChefCozinha
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Houve um período em que o mercado de produtos naturais era um tema debatido de forma discreta, localizado em um discurso remoto de que a maneira como produzimos, armazenamos e consumimos em sociedade afeta diretamente a manutenção de nossos biomas e contribui para a saúde humana. Esses tempos de projeção e perspectiva futura estão ficando para trás, uma vez que já observamos um crescimento significativo da procura por produtos orgânicos – sobretudo, alimentos – por grande parte dos consumidores brasileiros. Trata-se de um fenômeno que requer estudo e planejamento estratégico para absorver a crescente demanda.

 

De acordo com a pesquisa “Panorama do Consumo de Orgânicos no Brasil 2023”, conduzida pela Associação de Promoção dos Orgânicos (Organis), quase 46% dos brasileiros afirmam que utilizaram alimentos orgânicos nos últimos seis meses (a partir da publicação do estudo) – número que é acompanhado por um aumento de 16% no consumo entre os anos de 2021 e 2023. A alimentação orgânica traz uma série de benefícios à saúde humana por apresentar maior valor nutricional e menores índices de toxicidade.

 

Quando nos debruçamos sobre as atividades e o bom desempenho do setor de food service no país, precisamos vislumbrar algumas movimentações importantes, que vão ao encontro dessa mudança de comportamento do consumidor. A Pesquisa Setorial de Food Service 2023, conduzida pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) em parceria com a consultoria Galunion, aponta que o segmento de franquias de alimentação faturou mais de R$ 51 bilhões no ano passado – 18% a mais do que foi registrado em 2021.

 

Entre as principais tendências de menu e ingredientes monitorados pelas redes no food service, o mesmo estudo aponta que 44% dos respondentes buscam por tendências veganas ou vegetarianas e 39% investem em tendências de saúde e bem-estar. Quando observamos esse crescimento setorial em linha com a busca dos consumidores por uma alimentação mais saudável, há espaço para estimular as oportunidades de mercado aos fornecedores de produtos naturais e, sobretudo, que contenham origem orgânica.

 

Para atender a esses sinais de mercado, alguns empreendedores já abrem estabelecimentos que valorizam a jornada sustentável dos alimentos (da horta para a mesa) com cardápios vegetarianos, veganos e sazonais. Parte dos donos de bares, restaurantes e hotéis também busca fornecedores de insumos originados de práticas sustentáveis e alinhadas com a agenda ambiental. Esse cenário sugere a opção por produtos que apresentem selos de certificação orgânica para que a origem natural seja assegurada e comunicada de forma transparente aos consumidores.

 

O aumento na demanda e, consequentemente, na difusão desses produtos gera um impacto relevante na cadeia produtiva do agronegócio, sobre o qual devemos lançar um olhar cuidadoso e estratégico. Afinal, uma refeição mais saudável requer um cultivo ecologicamente e igualmente saudável para as lavouras por meio de soluções e aplicações de origem biológica para adubação do solo e proteção contra pragas e patógenos.

 

Por fim, é muito importante destacar que o apoio e a atenção despendidos no cronograma de alimentação orgânica não representam (e não devem representar) uma ameaça ao papel desempenhado historicamente pela indústria alimentícia. Aqui, a reflexão está concentrada na união de esforços e na capacidade de sinergia entre todos esses setores com o objetivo de impulsionar o papel do Brasil na direção de um protagonismo robusto e simultâneo, nos âmbitos econômico, social e ambiental.

 

Confira AQUI na Rede Food Service outro artigo de André Gasparini.

 

Sobre o autor

André Gasparini é diretor Comercial da Agropalma, maior produtora de óleo de palma sustentável da América Latina. O executivo atua há 20 anos na companhia, tendo passagens por várias áreas,  incluindo a gerência responsável pelo segmento de food service e distribuição para os mercados nacional e internacional. É engenheiro de alimentos, graduado pela Fundação Educacional de Barretos (UNIFEB), especialista em Trade Internacional de Óleos e Gorduras pela FOSFA (Federation of Oils, Fats and Seeds Association) de Londres; com MBA em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

 

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