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O futuro da alimentação em três dias: FiSA 2023 mostra tendências aos profissionais do setor

Hamburguer
Hamburguer

 

Após três dias de muito aprendizado e conteúdo, chega ao fim mais uma edição da Food ingredientes South America (FiSA). Entre os dias 8 e 10 de agosto, profissionais do setor de ingredientes para a indústria de alimentos e bebidas puderam conhecer novidades, fazer networking e fechar negócios no principal evento do setor na América do Sul.

 

Passeando pelas diversas atrações, os visitantes puderam ter experiências práticas e teóricas para formar uma visão do que vem pela frente no setor e, assim, programar seus próximos passos nesse mercado tão importante, que continua sendo estudado e debatido durante todo o ano na plataforma online da FiSA.

 

Innovation Hub: um tour por cores, aromas, sabores e tendências

 

O espaço Innovation Hub reuniu, nesses últimos três dias, diversas atividades em torno de inovação e tendências do mercado de ingredientes.

 

Realizado há mais de nove edições na FiSA, em parceria com a Food Brasil, o Innovation Tour apresentou aos visitantes um universo de cores, aromas e sabores. Uma experiência única para os profissionais do setor que quiseram conhecer as tendências de mercado e as inovações de ingredientes com sessões de conteúdo, seguidas de tour guiado aos estandes.

 

Comandado por Augusto Ichisato, diretor da Food Brasil – comunidade que tem a missão de conectar a indústria de alimentos através de empresas, profissionais, universidades e o consumidor final – o programa foi um sucesso. No primeiro dia, passou por estandes de empresas que oferecem soluções inovadoras para suplementos nutricionais, alimentos funcionais e produtos voltados ao bem-estar geral: AQIA Nutrition, Aunare, Genu-in, SL Alimentos, Sooro Renner e Yosen Nanotechnology.

 

No segundo, teve visita em estandes de empresas que oferecem uma ampla variedade de ingredientes que conferem sabor, cor, textura e aroma aos alimentos: LifeSpice, Matrix, McCormick, Metalloys e Tasty Aromas e Sabores LTDA.

 

E, para encerrar o evento, os visitantes tiveram a oportunidade de conhecer as mais recentes inovações em ingredientes naturais e sustentáveis, passando por estandes de empresas que oferecem soluções baseadas em ingredientes de origem natural, como extratos de plantas, adoçantes naturais, corantes e conservantes naturais, entre outros. CP Kelco, Avante Food Systems e MTB – Mate Tea Brasil foram alguma delas.

 

A Avante, por exemplo, apresentou o “pão de feijo”, 100% à base de plantas (entre elas feijão e ervilha), uma deliciosa opção sem ingredientes de origem animal, rico em sabor e com textura macia. Não deixa nada a desejar ao pão de queijo tradicional. Na Mate Tea, uma enorme variedade de produtos saborosos com o chá verde em pó foi conquistou o paladar dos visitantes.

 

Já a atração Plant-Based Experience, também parte integrante do Innovation Hub, propiciou aos visitantes uma maior compreensão dos benefícios de oferecer opções veganas nos cardápios. Michele Letran, gerente de Campanhas da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), ONG que promove a alimentação vegetariana como escolha ética e saudável, compartilhou a importância de alternativas veganas como redução de barreiras de consumo. A SVB conduziu uma pesquisa que constatou um aumento de 75% na população vegetariana em áreas metropolitanas. Segundo Michele, se um grupo de cinco pessoas frequenta um restaurante e uma delas é vegana, a falta de opções para esse cliente resultará na perda de todos cinco clientes. Considerando essa perspectiva, é importante fazer um esforço para diversificar os cardápios de forma a atender esse segmento crescente.

 

O Tasting Experience, atração que traz conteúdo e degustação dentro do Innovation Hub, levou o público a uma imersão nas tendências de consumo do mercado alimentício. Maria Amélia Rodrigues, da LifeSpice, apresentou os processos para a descoberta de tendências, revelando que o mapeamento de inovações passa pelas etapas de descoberta, introdução, adoção, dominação e consolidação – com destaque para o trabalho da indústria nas duas primeiras fases, que contam com a atuação de conselhos culinários, chefs, profissionais de P&D e de outras áreas. Chegando na parte prática, Maria Amélia explicou as seguintes tendências para 2023/2024:

  • Autenticidade global: o público quer conhecer de fato as culinárias e culturas das outras regiões/países. Esse ponto é exemplificado pelo sucesso dos restaurantes criados por filhos e netos de imigrantes.
  • Doces picantes complexos: combinação que resulta no sabor chamado de “swicy” (Sweet + spicy).
  • Retrô: formada pela nostalgia de produtos, sabores da infância e interesse por produtos de gerações anteriores.

 

Enquanto isso, quem passou pelo New Product Zone teve a oportunidade de conhecer e compreender o funcionamento do Uplab Senai, ecossistema de empreendedorismo industrial desenvolvido pelo SENAI-SP. Natacha Conde, especialista em Tecnologia, compartilhou os três pilares desse ecossistema – Business, Tech e Corp –, que que tem como premissa “conectar mentes brilhantes para transformar ideias audaciosas em negócios extraordinários”. O Uplab promove a conexão de startups e indústrias de acordo com a maturidade dos projetos e oferece suporte no desenvolvimento até que as empresas estejam aptas a receber investimentos. A palestra contou ainda com a participação de três convidados representando três startups que se desenvolveram com apoio do Uplab Senai.

 

Uma delas foi a Singularity Extraction Technologies, que atua no desenvolvimento de soluções para produção de extratos naturais e bioativos. Fundada em 2021 como resultado de uma experiência acadêmica, a empresa está incubada no Parque Tecnológico de Campinas, uma das unidades do Uplab, e atualmente já fornece equipamentos industriais para países como Uruguai e Peru. O CEO Pedro Ivo falou sobre o retorno positivo que esses projetos oferecem ao Brasil: “O país vem se desindustrializando. Precisamos de investimentos nessa área para que as empresas de equipamentos industriais se desenvolvam e a gente não precise mais importar esses serviços.”

 

Sustentabilidade como pilar fundamental

 

No último dia da FiSA 2023 foram revelados os vencedores do Prêmio Estande Sustentável, tradicional reconhecimento alinhado às diretrizes de sustentabilidade dos eventos da Informa Markets. Divididos em quatro categorias, os expositores têm seus estandes avaliados por diversos critérios.

 

Camilla Marques, gerente de Marketing Latam da Univar Solutions, marca vencedora na categoria Branca (estandes acima de 100m²) junto com a montadora Ellas Marketing, conta que “o prêmio tem muito valor por alguns motivos: é a segunda FiSA que participamos com a nossa nova marca, a Foodology, responsável por mostrar ao setor como nós focamos no mercado de alimentos, bebidas e suplementos. Além disso, globalmente, a Univar tem metas de sustentabilidade, com redução de pegadas, emissão de CO2 e outros tópicos. Esses fatores tornam o momento e o reconhecimento especiais. No estande em si, trabalhamos com a política de não trazer muito material impresso e não ter muitas paredes, a fim de gerar menos lixo, além de reutilizarmos materiais de outros eventos. A premiação é um importante reconhecimento de um esforço de anos”.

 

Compondo a lista de vencedores, na categoria Verde (até 20m²) a ganhadora foi a Pronutrition, junto à montadora Oxigênio. Já na categoria Amarela (21 a 49m²), o primeiro lugar ficou com a Podium Alimentos e a montadora GL Events, e a categoria Azul (50 a 99m²) ficou com o Escritório Comercial da República da Indonésia em SP (ITPC), junto à montadora Ciaset.

 

Keli Consoli, da área de P&D da Podium Alimentos, que ofereceu no seu estande um lápis-semente como brinde, também reforçou a relevância do prêmio no contexto da atuação geral da companhia: “Entendemos que a empresa tem um papel além de produzir e entregar produtos com qualidade, então sempre pensamos na questão da sustentabilidade e do meio ambiente. Em relação ao estande, trouxemos nossos catálogos no formato digital para evitar papéis, nosso brinde foi ecológico e a estrutura, reutilizável”, explicou, reiterando a relevância do prêmio para comprovar as ações de ESG.

 

Outra grande atração da FiSA 2023 na área da sustentabilidade foi o espaço Azelis Vogler, realizado em conjunto com AAK, Kerry, Innophos e Givaudan. Régis Inácio, gerente de Marketing da Azelis Vogler, reforça o alinhamento entre promover o espaço e a busca da empresa por negócios de impacto positivo para a agenda ESG.

 

Expondo soluções inovadoras em sustentabilidade, que importam requisitos internacionais da área, a atração também ofereceu conteúdo, degustação e apresentação de ingredientes. Na construção do estande, foram utilizadas paredes em compensado paricá, árvore que possibilita um melhor rendimento, levando a um menor desmatamento, piso integralmente reutilizável, iluminação de led e lonas e napas que são transformadas em solas de sapato.

 

Essa é uma das iniciativas que a Informa Markets promove alinhada com o programa FasterForward, sua abordagem global para negócios sustentáveis. Com isso, a multinacional também visa contribuir para que seus clientes e mercados caminhem na direção da sustentabilidade.

 

Dentre as novidades apresentadas pelas companhias parceiras do espaço, a Kerry destacou suas soluções em alimentos, bebidas e lácteos, incluindo lançamentos que atuam para reduzir gorduras saturadas, e a AAK, trouxe seu porftólio de óleos vegetais voltados para as indústrias de panificação e chocolates.

 

Expositores apontam possibilidades de expansão dos negócios

 

“Esse é o nosso primeiro ano na FiSA e o saldo foi muito positivo. Nosso foco era o branding, fazer as pessoas conhecerem a nossa marca de colágeno Gelco PEP®, e foi excelente do primeiro ao último dia de feira no sentido de coletarmos clientes e futuramente aumentarmos o nosso faturamento.” – Heloísa Moraes, analista de Marketing da Gelco Brasil.

 

“Estamos na FiSA há muitos anos e desenhamos nosso portfólio de protótipos, voltado principalmente para soluções plant, especialmente para a feira deste ano. Recebemos muitas pessoas em nosso estande e atingimos as métricas de clientes target e prospects, tanto que já assinamos contrato para o ano que vem.” – Marina Boldrini, gerente Sênior de Marketing das Américas da CP Kelco.

 

“Estar presente na feira que é a plataforma mais completa de conexão, exposição de produtos e expansão de conhecimento do setor de ingredientes é uma grande oportunidade para divulgar o conhecimento e soluções em tecnologia que a Kerry aporta à indústria. Foi uma aposta assertiva e uma alegria para a Kerry estar na FiSA 2023.” – Marina Avelar, analista de marketing sênior da Kerry.

 

Entre os visitantes, superação de expectativas

 

“Sou engenheira de alimentos e, atualmente, coordeno o marketing de uma fábrica de latinhas de alumínio. Como já atuei no mercado de ingredientes, o interesse pela área permanece, me interessa muito conhecer as novidades e também encontrar colegas engenheiros para conversar sobre tendências. A FiSA é um ótimo espaço para isso. Achei bastante interessante o espaço para degustação de produtos e lançamentos” – Flávia Gouvêa, coordenadora de Marketing da Ball do Brasil.

 

“Atuo na área de consultoria e treinamento para excelência operacional e melhoria contínua de processos. Visitar a FiSA me permite estar em contato com expositores que já são clientes e também fazer novos contatos com aqueles que podem vir a se interessar pelo nosso serviço. É um local onde encontro muitos profissionais das áreas de qualidade, produção e excelência operacional, seja entre expositores ou visitantes” – Caio Coutinho, consultor em Lean Six Sigma na VF Consultoria.

 

Summit Future of Nutrition mostra importância de um olhar sustentável durante toda a cadeia de alimentos

 

O Summit Future of Nutrition encerrou nesta quinta-feira (10/08) o Congresso da FiSA 2023. No painel “Conheça os superalimentos que nutrem mantendo a floresta em pé”, a plateia teve a oportunidade de aprofundar o conhecimento sobre os superalimentos, que desempenham, simultaneamente, um importante papel na nutrição e na preservação das florestas. Essa relação foi apresentada em um debate mediado por Julia Coutinho, CEO da consultoria Regularium, e enriquecido com a presença de Marcelo Salazar, CEO da Mazô Maná; Emerson Lima, fundador da Terramazônia Superplant; Max Petrucci, CEO da Mahta.bio; Paulo Simonetti, Líder de Captação e Relacionamento com o Investidor da Idesam; e Pricila Almeida, CEO da Amazônia Smart Food.

 

Os palestrantes abordaram a extração de alimentos e princípios ativos, discutindo o processo envolvido tanto na Amazônia quanto nas operações de suas empresas. Emerson Lima destacou a complexidade desse processo e observou que ele começa com as comunidades locais, pontuando que, dado o vasto território da Amazônia, que muitas vezes resulta em dias para a coleta de materiais, é essencial contar com uma equipe ampla e capacitada para garantir que o produto seja retirado e chegue à fábrica em boas condições. “É importante também o envolvimento das comunidades locais na coleta de alimentos e princípios ativos, pois, além de ajudar na extração em si, auxiliam também na preservação ambiental e na sustentabilidade das práticas de coleta”, completou.

 

Na sequência, o painel se desdobrou para apresentações sobre a diversidade de alimentos disponíveis na Amazônia e os métodos empregados para preservar a floresta. Pricila Almeida compartilhou informações sobre uma proteína vegana altamente funcional desenvolvida pela Amazônia Smart Food. “Esta proteína é transformada em hambúrguer de tucumã e almôndega de açaí, ambos considerados superalimentos devido à riqueza de ômega 3, 6 e 9, ferro e fibras. Fora isso, são produtos que possuem a mesma quantidade de proteína dos similares feitos com carne animal”. Max Petrucci complementou revelando descobertas obtidas por meio de pesquisas dedicadas à biodiversidade amazônica, que permitiram o desenvolvimento de produtos prontos para consumo. Ele mencionou o super food mix, uma mistura composta por 15 superalimentos amazônicos e leite de castanha em pó.

 

Finalizando o painel, os palestrantes discutiram a conexão entre a cadeia produtiva e o bioma da Amazônia, enfatizando a importância de investimentos em novos negócios, tecnologia e políticas públicas.

 

Paulo Simonetti enfatizou que a implementação bem-sucedida envolve não apenas o cultivo, mas também a capacitação das comunidades locais. Marcelo Salazar reforçou a necessidade de apoiar as comunidades ribeirinhas para melhorar sua qualidade de vida, destacando que conectar o mercado, a nutrição e a preservação da floresta representam um grande desafio. “Muito se fala da nutrição saindo da Amazônia e indo para os mercados, mas essa é uma visão colonialista e exige cuidado, porque, antes de pensar na comercialização desses produtos, é preciso lembrar dos povos locais que os consomem. É entender a nutrição como algo ligado a quem está comprando e também a quem está manejando.”

 

Abrindo o tema “Caminhos para Desenvolver Produtos com Colágeno Sustentável”, os participantes exploraram as oportunidades de inovação por meio do uso sustentável de matérias-primas provenientes do pescado, a cadeia do colágeno, os desafios de integração entre a aquicultura e a indústria, e os avanços realizados por meio de pesquisas no setor. Lisandro Inakake, coordenador de Projetos da Imaflora, participou como mediador, enquanto as convidadas Fernanda Procópio, pesquisadora Científica da Embrapa Pecuária Sudeste, e Fabiola Fogaça, pesquisadora Científica da Embrapa Agroindústria, compartilharam suas perspectivas.

 

Fernanda explicou a cadeia do colágeno, suas distintas origens e importância: “É uma proteína estruturante que está presente na pele, ossos e cartilagem, e que possui múltiplas aplicações num mercado que engloba diferentes denominações de venda. Hoje, produzido principalmente em países asiáticos, o colágeno, no pescado, utiliza a pele, os espinhos e as escamas, que representam um volume de resíduo muito grande na cadeia. Mas é um mercado que precisa de uma estruturação para crescer”.

 

Fabiola comentou que existem linhas de indústrias de transformação que convertem resíduos em farinha e óleo de peixe. Ela ainda reforçou que, considerando o volume de matéria prima, é uma grande oportunidade de negócio, mas existe um grande desafio, que é fazer a integração da aquicultura com as indústrias transformadoras de alimentos.

 

Finalizando, Fernanda afirmou que as pesquisas sobre as atividades envolvendo o colágeno de pescado têm crescido. “Esse tipo da substância está sendo explorado tanto para aplicações na regeneração de tecidos quanto na forma de suplementos. Além disso, estudos têm demonstrado que o colágeno proveniente de fontes marinhas possui uma biodisponibilidade mais elevada. Isso significa que é mais facilmente absorvido pelo organismo, tornando-o mais eficaz quando comparado a outras fontes de colágeno”.

 

A Rede Food Service é parceira oficial de Mídia da FISA 2023.

 

Sobre a FiSA

A Food ingredients South America (FiSA) é uma das maiores feiras do setor de alimentos e bebidas da América Latina, que reúne os principais players do mercado e promove a inovação, desenvolvimento e sustentabilidade no setor.

 

Sobre a Informa Markets   

A Informa Markets cria plataformas para indústrias e mercados especializados em fazer negócios, inovar e crescer. Seu portfólio global é composto por mais de 550 eventos e marcas internacionais, sendo mais de 30 no Brasil, em mercados como Indústria, Saúde e Nutrição, Infraestrutura, Construção, Alimentos e Bebidas, Agronegócio, Tecnologia e Telecom, entre outros.

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