Quando fiz minha escolha pela Engenharia de Alimentos, com a visão de que essa profissão poderia um dia ajudar a acabar com a fome, foi paixão à primeira vista! Lembro de ir a uma banca de jornal e comprar um daqueles guias do estudante para olhar as profissões. Eu sempre fui mais de exatas e estava lá: engenharia de alimentos, que era uma profissão muito nova para todos, praticamente não existia ainda, ninguém sabia do que se tratava, quem contratava esse tipo de profissional e por aí vai. Minha turma foi a quinta da história desse curso no Brasil.
Vocês podem imaginar quantas mulheres haviam em uma faculdade de engenharia há quase 30 anos? Então, em um ambiente dominado pelo masculino escolhi trazer comigo toda graça e coragem.
Com isso, sempre mostrei ter uma posição. Uma posição é um lugar de onde se tem uma visão. Uma posição engloba, permite e respeita todos os pontos de vista. Liderar com uma visão traz inspiração, onde vários pontos de vistas são sempre considerados.
E olhando hoje, quantas e quantas soluções foram criadas ao longo desses últimos anos através de muitos pontos de vista associados? Mas com sempre com posicionamento. Busque sempre se posicionar, com graça e coragem!
A partir daí, fui descobrindo, como cientista, viver sentindo meu olho brilhar. Após 8 anos como técnica, engenheira em P&D, comecei a ter contato com pesquisas de consumidores e profissionais de padarias. Eu desenhava os protótipos, encaminhava ao marketing e comecei a participar do focus group, um tipo de pesquisa com consumidor, onde a habilidade principal era ouvir sobre o produto e alinhar as expectativas para lançamentos de novos produtos. Foi encantador!!
Assim fui mudando de área, levando meus conhecimentos técnicos para Vendas e Marketing, e em alguns meses lá estava eu, iniciando na Nestlé, a maior empresa de alimentos do mundo! De fato, um sonho realizado.
Ao longo de alguns anos me tornei gerente de desenvolvimento de novos clientes/negócios, categorias de produtos, comunicação em FoodService. Ainda lembro como se fosse hoje das palavras do Bruno, meu chefe, quando sinalizei que não tinha experiência com vendas: “você fará exatamente do seu jeito e, com a sua visão de produtos, saberá tocar esse canal”. E comecei a me desenvolver somando técnicas de vendas, negociações com conhecimento técnico. Essa combinação deu muito certo e me sinto sempre grata pelo meu gestor e mentor da época por ter me confiado tamanha responsabilidade. Ter mentores nos dá força para seguir!
Muitas competências “femininas” de que hoje falamos tanto foram colocadas em prática, como confiança, gentileza, empatia e inclusão. Nessa época também me tornei mãe, potencializando essas competências. Verdade seja dita, nessa época eram meio negligenciadas, mas hoje estamos buscando trazê-las de volta, cada vez mais com o equilíbrio com as competências masculinas.
Fui abençoada com dois talentos: um é gostar de ensinar times sobre produtos e aplicações, o outro é que não consigo ficar em uma sala fechada e sem gente por perto. Eu preciso tomar cafés e me relacionar para atuar! Meu propósito é criar pontes entre pessoas, empresas, produtos e serviços gerando novos negócios sustentáveis, com visão de futuro.
Confira outro artigo exclusivo do Especial MULHERES NO FOOD SERVICE da RFS.

- Redaçãohttps://redefoodservice.com.br/author/bernard/
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