Você sabia que, das 20,6 milhões de empresas ativas no Brasil, 8,4 milhões têm mulheres como donas ou sócias majoritárias, o que é equivalente a 40,5%?
E que, desse total de empresas de mulheres, 84,7% possuem uma única sócia?
Pois é! Esses dados são parte do resultado do levantamento ‘Perfil da Empreendedora Brasileira’, que foi realizado pela Serasa Experian, divulgado em novembro do ano passado e que dialoga muito bem com a história da Carol Coxinhas: uma marca food service criada por mulher que começou como uma pequena loja de finger food no interior de Minas Gerais e que, hoje, já tem 74 lojas espalhadas em 13 estados brasileiros.
Fruto do trabalho árduo da Técnica Química Caroline Martineli, casada há 14 anos e mãe de dois filhos, a rede de franquias nasceu depois da virada de uma lanchonete falida e dívida de R$ 30 mil adquirida por ela e o marido, Alexandre Martineli. No entanto, atualmente, a empresa conta ainda com mais duas marcas de delivery desenvolvidas durante a pandemia de Covid-19, sendo a Chicken, Yeah!, e a Pró Açaí. “Não somos uma lanchonete tradicional. Somos uma empresa que preza pela experiência, mesmo sendo um produto de consumo rápido. A nossa expansão também se deu pelo fato de termos uma operação simples, pois tudo chega praticamente pronto e isso dá ao franqueado a possibilidade de focar no cliente, na experiência do nosso público-alvo”, destaca Caroline, atual fundadora e CEO do Grupo Carol Coxinhas, em entrevista exclusiva à Rede Food Service.
O que é a Carol Coxinhas?
De acordo com Caroline, “a Carol Coxinhas começou como uma pequena loja de finger food e, atualmente, é uma das maiores franquias de salgados do Brasil. Hoje, somos o Grupo Carol Coxinhas, uma empresa consolidada no mercado alimentício, com 74 lojas em implantação e operando espalhadas pelos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Distrito Federal, Piauí, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Roraima”, ressalta.

A empresária revela também que “hoje em dia, uma loja nossa fatura, em média, 80 mil reais e algumas lojas têm faturamento ainda maior, chegando na média de 1 milhão de reais de faturamento anual”, partilha.
Como surgiu a ideia de criação da Carol Coxinhas?
Em relação a como surgiu a ideia de criação da Carol Coxinhas, Caroline conta que “eu cresci vendo a minha mãe fazendo vários produtos em casa, pois ela era uma grande empreendedora e gostava de fazer tudo com perfeição para superar as expectativas dos clientes. E ela sempre conseguia. Além disso, a minha sogra também é uma mulher que sempre trouxe o sustento da casa por meio do empreendedorismo. Ou seja, eu cresci vendo esses exemplos, que me deu uma boa base para iniciar, junto com o meu marido, a Carol Coxinhas. No nosso caso, não começamos do zero. Começamos do menos R$ 30 mil. Afinal, fizemos um empréstimo de R$ 30 mil no banco para investir no nosso negócio. Assim, em 2010, nós adquirimos uma lanchonete falida na cidade de Andradas, no interior de Minas Gerais. Lembro que, na primeira noite em que abrimos, nós choramos porque não tínhamos vendido nem R$ 20 para pagar o motoboy, mas não podíamos desistir. Afinal, nós tínhamos um empréstimo de R$ 30 mil que adquirimos para comprar o negócio e precisávamos de dinheiro para pagar as parcelas. Nessa época, nós estávamos dispostos a mudar o cenário do local. Então, começamos a trabalhar de domingo a domingo e, em apenas um ano, a lanchonete transformou-se em uma conceituada hamburgueria, conquistando o prêmio de Melhor do Ramo na cidade. E, após cinco anos de sucesso da lanchonete, em 2015, tivemos a ideia de abrir uma loja de finger food, tendo a coxinha como carro-chefe, com quitutes feitos artesanalmente em um processo familiar, sempre servidos em copos de diversos volumes, com sabores diferenciados. Seis meses depois da inauguração da primeira loja, nós abrimos a primeira franquia em Poços de Caldas, também no interior de Minas Gerais”, relembra.

Equipe e funcionamento da Carol Coxinhas
Hoje em dia, a equipe da Carol Coxinhas, ou Grupo Carol Coxinhas, é composta por “entre loja própria e indústria, 60 colaboradores diretos. E, indiretos, trabalhando nas franquias, são em torno de 250 atualmente”, contabiliza Caroline.
Já sobre o funcionamento da marca food service, a empresária explica que “a Carol Coxinhas é dividida em vertentes, a indústria, o franchising e as lojas. Na indústria, fabricamos todos os produtos e distribuímos para as unidades, seja por meio da logística própria ou terceirizada. O franchising é onde trabalhamos todo o estrutural da marca, como osuporte ao franqueado, marketing e a implantação de novas unidades. E as lojas são nossos pontos de vendas, onde, por meio do franqueado, conseguimos expandir e fazer a Carol Coxinhas referência no território nacional”, esclarece.
Caroline acrescenta que “o meu único sócio é o meu marido, que é o meu braço direito, o Alexandre Martineli. Ele é o Diretor Financeiro e Operações do nosso grupo. Nós começamos com a cara e coragem, mas, logo, entendemos que, se quiséssemos ser grandes e referência, teríamos que buscar conhecimento com quem entende. Por isso, várias pessoas nos ajudaram ao longo do caminho, inclusive, várias ainda chegarão para encurtar o caminho e crescermos mais rápido”, acredita.
Cardápio e perfil de cliente da Carol Coxinhas
Como o próprio nome da marca já diz, o produto carro-chefe da Carol Coxinhas é “a coxinha tradicional. Porém, nós temos um cardápio extenso, com produtos deliciosos, como o bolinho de bacalhau; baconxinha cremosa; filezinho de frango; batatitas, coxinha vegana; bolinha de queijo; bolinho de pizza; bolinho de calabresa; quibe; croquete; pão de queijo mineirinho; churros de doce de leite e chocolate; churritos e churros gourmet; morangoxinha (massa crocante de coxinha com recheio de morango); chocoxinha (massa crocante de coxinha com recheio de chocolate); e coxibe (mistura inusitada de dois tradicionais quitutes: quibe e coxinha)”, divulga Caroline.

Quando questionada qual é o atual perfil de cliente do seu negócio food service, a empresária alega que “costumamos dizer que a coxinha, por ser um produto popular, abrange vários públicos. Mas, a Carol Coxinhas tem um branding e comunicação voltados para crianças e jovens. Com isso, conseguimos atingir os adultos por meio dos filhos. Além disso, acreditamos que o filho não tem o poder de compra, mas tem o poder de decisão e ele sempre pede Carol Coxinhas. Qual mãe não faz a vontade do filho?”, questiona.
Crescimento da Carol Coxinhas na contramão dos efeitos da pandemia de Covid-19 no mercado food service
Assim com a maioria dos empresários do ramo de alimentação fora do lar, Caroline também sofreu com os impactos sociais e econômicos decorrentes da pandemia de Covid-19. Entretanto, na contramão do que aconteceu com grande parte desses empreendedores, ela conseguiu crescer a marca Carol Coxinhas exatamente nesse período tão crítico. “Em 2020, todas as nossas unidades ficaram de portas fechadas e atendendo apenas delivery. No entanto, nós já tínhamos, em todas as lojas, esse tipo de entrega muito bem formatado. Com isso, encontramos uma maneira bem ousada de sanar a ociosidade dos nossos franqueados. E, quando percebemos que a pandemia era real, que estava ali, não tivemos tempo nem de deixar o desespero bater. Não era só a nossa vida, eram muitos empregos diretos e indiretos. A família de muita gente dependia disso e não podíamos deixar essas pessoas na mão. Era uma questão de honra, porque todos aqueles franqueados acreditaram no nosso modelo de negócio. Então, depois de muito estudo e dias intermináveis, debruçados em pesquisas, balanços e números, até entendermos que era o momento de apresentar ao consumidor novos produtos que não competissem com o nosso negócio, mas que pudessem fomentar muito o fluxo de pedidos direcionado apenas para o delivery. Dessa maneira, chegamos a conclusão de que, com toda a estrutura já disponível nas lojas, poderíamos ampliar o nosso cardápio. E, para que os produtos não competissem com os nossos finger foods, decidimos não usar o nome Carol Coxinhas e sim abrir novas empresas, mas apenas no delivery. Os segmentos escolhidos foram o frango no balde e açaí, produtos esses que não empatam com os nossos e que podem ser produzidos em nossas lojas com pouquíssimo investimento extra. Assim, nasceu a marca Chicken, Yeah!, frangos fritos servidos no balde extremamente crocantes e suculentos, com receita exclusiva. Já a Pró Açaí traz o melhor da fruta que virou sensação no Brasil todo, com sabor único e opção de montar do jeito que o cliente preferir”, compartilha Caroline.

A empresária acrescenta que “no início, a nossa intenção era apenas garantir a segurança financeira dos nossos franqueados e colaboradores. Porém, para a nossa surpresa, o negócio que chegamos até a considerar arriscado, foi o maior sucesso. Alavancamos nossas vendas em 45% e crescemos muito. Na época, eram 40 lojas e, hoje, quase que dobramos. Acho que esse é o segredo do nosso negócio, o suporte que proporcionamos para todos os franqueados”, comemora.
Planos para a Carol Coxinhas
Frente a esses resultados tão positivos mesmo em meio a um período de crise, Caroline divide ainda que possui mais planos de crescimento para a Carol Coxinhas. Isso porque, conforme a empresária, “a nossa meta principal hoje é internacionalizar a marca, mas para isso temos que conquistar boa parte do território nacional, um passo de cada vez”, assinala.
Segredo para alcançar o sucesso no atual mercado food service
Ainda segundo Caroline, na sua concepção ao ser abordada sobre qual é o segredo para alcançar o sucesso no atual mercado food services, “três grandes diferenciais foram determinantes para o sucesso do nosso negócio. Primeiro, os quitutes, pois são feitos artesanalmente em um processo familiar, bem como são servidos em copos de diversos volumes, de acordo com a fome do cliente, e o terceiro é que eles possuem tamanhos personalizados e sabores diferenciados”, realça.

A empresária acredita também que outro segredo é “aprender o padrão de consumo do cliente. Hoje, se não atendermos as expectativas dele, ele tem várias outras opções para consumo. Aprendemos também que a agilidade e flexibilidade são fatores determinantes para superar e crescer em momentos de crise. Assim como, uma boa gestão, um suporte eficaz para os colaboradores e franqueados também são imprescindíveis para o sucesso. Ah! E um produto de ótima qualidade, mas isso não é diferencial e sim uma obrigação”, alerta.
Dica para empreender no atual mercado food service
Por fim, generosamente e em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, Caroline indica para quem também é mulher e almeja empreender no mercado food service que “em primeiro lugar, procure entender de precificação, saber o custo do que está fabricando e quanto ele custa até chegar às mãos do cliente. Segundo, foque no marketing. Hoje, quem cresce e se destaca são aqueles empreendedores que sabem vender bem o seu produto. E, em terceiro, seja incansável! Persista! Só atinge o sucesso quem não desiste”, aconselha.
Na Rede Food Service é assim! Toda semana, te apresentamos a história de um negócio de alimentação fora do lar bem-sucedido como inspiração a também trabalhar nesse ramo tão promissor e que, em muitos casos, é o meio pelo qual as mulheres brasileiras veem conseguindo a sua independência financeira. Por isso, continue nos acompanhando!
Confira AQUI mais uma matéria exclusiva da Editoria NUDES da REDE FOOD SERVICE.

- Tabata Martins