Vodka, cerveja de gengibre picante e suco de limão. Esses são os ingredientes originais do Moscow Mule, um clássico cocktail estrangeiro que, cada vez mais, vem ganhando espaço no mercado brasileiro de food service, mas de uma maneira, digamos, ‘abrasileirada de ser’. Afinal, foi a partir de uma releitura do bartender e mixologista Marcelo Serrano devido à falta de cerveja de gengibre picante no Brasil que o drink vem sendo uma grande aposta para os empresários do ramo de alimentação fora do lar, inclusive, com a abertura de negócios especializados nesse ‘aperitivo’.
Por isso, hoje, nós da Rede Food Service vamos te contar um pouco da história desse drink, bem como dar dicas de como trabalhar com Moscow Mule no cardápio do seu bar, restaurante e afins pode ser vantajoso neste ano de 2023.
O QUE É MOSCOW MULE?
Ok. Até aqui, já deu para entender que Moscow Mule é um drink que ganhou o coração dos brasileiros, certo? Mas, se algum cliente te pedir para explicar o que é Moscow Mule, você consegue?
Não?
Então, saiba que, de acordo com Thays Paiva, bartender parceira da Kalvelage, produtora de vodka premium e gin premium mundialmente premiados, “o Moscow Mule é um cocktail que leva em sua receita vodka, cerveja de gengibre picante e suco de limão. A bebida é servida em uma tradicional caneca de cobre e, em alguns casos, leva uma fatia de limão em sua borda como parte da decoração do drink. Como no Brasil é difícil achar a cerveja de gengibre, os bartenders utilizam a espuma de gengibre na receita”, relata.

Rafael Câmara, bartender parceiro da Cachaçaria Weber Haus, produtora das cachaças mais premiadas do Brasil, complementa que “o Moscow Mule é um clássico da coquetelaria criado por volta de 1941, após o período da lei seca americana que, por motivos inesperados, ganhou uma releitura no Brasil. A famosa caneca de cobre é uma menção aos copos mais resistentes que os viajantes levavam em suas longas viagens no lombo das mulas. Acontece que esse imenso país chamado Brasil historicamente não possui um fornecedor de ginger beer, o que fez com que o experiente bartender Marcelo Serrano tenha adaptado a falta do refrigerante de gengibre para uma espuma de gengibre”, explica.
QUAL É A ORIGEM DO MOSCOW MULE?
Em relação à origem do Moscow Mule, Paiva, da Kalvelage, revela que “ao contrário do que muitos pensam, o Moscow Mule não é um drink típico da Rússia. Ele foi criado nos Estados Unidos, em 1941, e ganhou esse nome por causa da caneca, que era típica na Rússia, e por causa da vodka, bebida clássica da Rússia”, ressalta.

William Rodrigo Lopes Kelm, Instrutor do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC PR) para as áreas de Turismo e Gastronomia, bem como Instrutor dos cursos de Coquetelaria, Barista, Sommelier, Produção de Cervejas, Garçom e Gestão de Empreendimentos em Alimentos e Bebidas, detalha que “o drink Moscow Mule surgiu ainda na época de estudos e descobertas dos coquetéis internacionais, reforçando que o preparo consta na lista dos coquetéis clássicos da I.B.A (Internaciona Bartenders Association), sendo parte dos quase cem coquetéis que todo bom bartender deve conhecer e servir. Mas, o principal empecilho para criar o Moscow Mule tradicional é o seu ingrediente principal, a cerveja de gengibre. Mesmo com um forte e diversificado mercado cervejeiro no Brasil, a produção e venda desse tipo de cerveja sempre foi muito limitada. Ou seja, foi preciso ‘tropicalizar’ a receita para o nosso público. Buscando a origem desse cocktail, as principais literaturas dizem que o Moscow Mule é uma suposta criação de John G Martin, pelos anos de 1940. Na época, John teria adquirido a distribuição da marca Smirnoff nos EUA, mas estaria enfrentando dificuldades em vender o seu produto, a vodka, em um mercado que preferia cervejas e whiskey. E, ao conversar com o dono do PUB Cock”n”Bull de Los Angeles, Jack Morgam, eles decidiram criar uma receita e, para isso, usaram um estoque de cervejas de gengibre que estavam paradas no Pub de Jack. Soma-se a essa história ao fato de que a namorada de Jack Morgam tinha uma pequena empresa de canecas de cobre. Mas, existe outra história que o inventor real do Moscow Mule seria o barman chef do Cock”n”Bull Wes Price. E, como muitas das histórias que nasceram dentro de bares, elas podem ter sofrido alterações para aumentar o poder de venda dos produtos. Na receita tradicional e aplicada pela I.B.A, o Moscow Mule é composto por 45 ml de vodka,120 ml de cerveja e gengibre e10 ml de suco de limão fresco, sendo servido usando um copo de cobre ou similar. Para prepará-lo, é só juntar todos os ingredientes no copo com pedras de gelo e servir com uma fatia de limão na borda do copo. Aí você me pergunta: mas, cadê a espuma do Moscow Mule? Isso nos faz lembrar do período anterior a Copa da Rússia de Futebol em 2018. Muitos bares no Brasil buscaram pesquisar e elaborar comidas e bebidas com sabores e referências a futura sede da copa. E nisso, volta a questão o (re)surgimento do Moscow Mule, mas onde achar essa cerveja de gengibre? Nesse momento, o bartender Marcelo Serrano, conhecido como o bartender de São Paulo, resolveu criar a famosa espuma de gengibre para saborizar o Moscow Mule, sem utilizar a cerveja. Desse modo, surgiu ao estilo brasileiro um dos cocktails mais consumidos nos últimos anos e, com certeza, um novo clássico dos bares”, realça.
POR QUE TER MOSCOW MULE NO CARDÁPIO DO SEU NEGÓCIO FOOD SERVICE?
Quanta história interessante sobre o Moscow Mule, não é mesmo? Entretanto, será que são essas curiosidades que fazem com que esse drink desperte tanto interesse dos brasileiros?
Conforme os entrevistados, não só isso! Pois, para eles, ter Moscow Mule no cardápio de um negócio food service hoje em dia se justifica por várias outras razões, como o fato de “o Moscow Mule como conhecemos no Brasil ter se tornado realmente um dos drinks mais consumidos nos bares de coquetelaria do país. Em 2011-2012 com a falta do ginger beer, que é utilizado na receita original, o bartender Marcelo Serrano adaptou com a espuma de gengibre e, a partir dessa releitura aqui no Brasil, a espuma se tornou uma assinatura da receita. E, desde 2016, pelo menos na capital Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, esse coquetel ganhou muito espaço nos bares, se tornando rapidamente uma febre entre os consumidores. Além disso, considerando o impacto do Moscow Mule no mercado de bebidas, ele segue sendo um importante aliado para o desenvolvimento do setor de bebidas, se tornando uma porta de entrada para novas experiências ao consumidor final. Por meio do seu baixo-médio custo (CMV) e também pela praticidade de prepará-lo, esse drink é uma receita curinga em rentabilidade e atendimento da demanda do negócio”, aponta Câmara, da Weber Haus.

Paiva, da Kalvelage, argumenta que “o Moscow Mule é um drink clássico da coquetelaria e que nunca sai de moda. Então, investir nessa receita é sucesso garantido, já que clássicos sempre são consumidos, independentemente da estação do ano ou do lugar. É um drink saboroso, simples, que agrada diferentes tipos de perfis e que veio para ficar. Ele foi tão bem aceito por ser um drink com cara tropicana, um cítrico muito refrescante, que ele dispara na frente do Mojito em vendas. Além disso, os consumidores gostam da espuma que vai no drink, já que, no Brasil, ela pode ser trabalhada de diferentes formas”, assinala.
Já Kelm, do SENAC PR, divide que “o Moscow Mule é um cocktail de baixo custo dos insumos e que, mesmo colocando os custos da compra das canecas e dos materiais para a produção da espuma, tem grande margem de contribuição. Ou seja, é muito rentável. A sua base e insumos já estão disponíveis nos bares e o seu sabor leve e refrescante permite o consumo durante todo o ano. Como exemplo, uma ficha de produção do Moscow Mule não vai passar dos R$ 4 reais, com venda unitária acima dos R$ 20. Além disso, um bom empresário food service deve estar antenado aos novos hábitos e gostos dos consumidores, que estão mais ligados aos que o mercado oferece, seja no Brasil ou no exterior, o que mostra a capacidade de desenvolvimento de uma empresa. E o Moscow Mule é um exemplo de tendência que veio para ficar, principalmente, quando foi adaptado a realidade de consumo brasileiro. Assim como, a capacidade técnica de desenvolver essa ou outras variações dos mais famosos cocktail´s mostra que as empresas e seus colaboradores têm estudado e observado o mercado, andando lado a lado com as tendências”, reforça.
MOSCOW MULE COMO NEGÓCIO FOOD SERVICE
Ainda não possui Moscow Mule no cardápio do seu negócio food service, mas já está mudando de ideia? Portanto, que tal, agora, aprender ainda mais sobre esse promissor drink por meio de exemplos práticos que já deram certo, como é o caso da Only Mule Muleria.
A Only Mule Muleria é uma “rede de franquia de drinks e coquetéis exclusivos idealizados para múltiplas harmonizações. São drinks coloridos, leves e refrescantes, com inspiração “hollywoodiana”, cobertos por uma espuma consistente e saborosa feita com aromas de especiarias. E o melhor é que você não precisa de bartender ou qualquer mão de obra especializada. Em apenas dois dias, você e sua equipe já se sentirão aptos a iniciar as atividades de preparo das 16 receitas de drinks já disponíveis da marca. Isso porque as bebidas são disponibilizadas nas dosagens padronizadas e isso, inclusive, potencializa os preparos, mantém a qualidade e evita desperdícios. Não tem experiência na área? Fique tranquilo! Esse é o perfil da maioria dos nossos franqueados. A nossa franquia sabe exatamente o que funciona e o que não funciona e irá te entregar um modelo pronto a ser seguido a partir da expertise de 1.435 franqueados no Brasil e no mundo, além de 144 especialistas que te auxiliarão”, informa a assessoria de imprensa da marca.

Atualmente, a taxa de franquia da Only Mule Muleria é de R$ 20.000,00 até R$ 40.000,00; capital de instalação de R$ 29.500,00 até R$ 80.900,00; capital de giro de R$ 4.000,00 até R$ 10.000,00; investimento total de R$ 53.500,00 até R$ 130.900,00; faturamento médio mensal de R$ 100.000,00; e previsão de retorno de investimento de 12 a 24 meses.
DICAS DE COMO TRABALHAR COM MOSCOW MULE NO SEU NEGÓCIO FOOD SERVICE
E aí? Moscow Mule é ou não é um bom investimento no atual setor brasileiro de food service?
Por isso, confira, na sequência, algumas dicas de como trabalhar com esse drink que os nossos entrevistados fizeram questão de deixar para você!
Para Câmara, da Weber Haus, “como bartender consultor para negócios de alimentos e bebidas (A&B), busco ter uma visão ampliada do nosso setor. Dessa forma, acredito que cada negócio tem o seu conceito e objetivo. Portanto, considero que o Moscow Mule tem espaço em diferentes estilos de projeto, mas não necessariamente em todos. O Moscow Mule é um coquetel que consideramos ‘animado e divertido’. Então, se essa for a premissa do seu negócio, ele, com certeza, fará sentido nesse menu. O primeiro passo do empresário food service é identificar o posicionamento do seu negócio no mercado, quais são os seus objetivos e caminhos a serem seguidos. Se você optar por criar ou renovar o seu menu de coquetéis, contrate um profissional qualificado e com referências em consultoria de bar. O Moscow Mule, assim como outras diversas receitas, pode alavancar o seu negócio, gerando maior engajamento e retorno do seu cliente. Outra questão importante é que não basta um produto incrível, se você não souber como comunicá-lo. Sendo assim, considere também no seu investimento em uma consultoria de Marketing. O Moscow Mule é um drink tendência ou que veio para ficar no Brasil! Eu, particularmente, acredito que o Moscow Mule seguirá por bons anos nas cartas dos bares de coquetelaria no Brasil. E eu gosto da releitura criada pelo mixologista Marcelo Serrano, como também gosto da receita clássica, com ginger beer. Por isso, sugiro conhecer essas duas estruturas para testar outras diferentes. Mas, deixo uma observação quanto à espuma, que é o principal elemento dessa receita. Normalmente quando produzida de forma artesanal, ela leva em sua composição a clara de ovo (albumina). Portanto, atenção ao controle da etiquetagem e validade nos bares, além de sugerir que se faça espumas com ingredientes veganos, tornando assim mais inclusivas, de maior durabilidade e rentabilidade”, aconselha.
Paiva, da Kalvelage partilha que “é importante sempre estar atento às novidades do setor da coquetelaria e se atualizar constantemente. Porém, o empresário precisa saber que sempre irá existir público que prefere drinks mais tradicionais. Ou seja, ter o Moscow Mule no cardápio garante que o estabelecimento consiga atender desde aquele consumidor que gosta de novidades, como aquele que não abre mão dos clássicos. Outra característica muito importante de pontuar em relação ao Moscow Mule brasileiro é que, apesar do clássico ter vindo com a receita feita com a cerveja picante à base de gengibre, a possibilidade brasileira de recriar a espuma de outras formas, que veio da ideia do bartender Marcelo Serrano, trouxe a possibilidade de recriar outras maneiras de fazer o Moscow Mule, com diferenças de localidade, por exemplo. Então, é possível encontrar em alguns lugares versões com mel e laranja e outros ingredientes”, indica.
Kelm, do SENAC PR, sugere que “para os empresários que tem receio ou dúvidas de como trabalhar com bebidas e seus preparos, a dica é simples: capacitação pessoal e de seus colaboradores. Entidades de ensino como o SENAC trazem diversos tipos de cursos e suportes para o desenvolvimento dos empresários e a sua equipe. A padronização das receitas, uma compra correta e controles dos estoques permitem um controle dos custos de forma adequada. Outra dica é investir na apresentação dos produtos, com copos e decorações que destaquem as qualidades dos cocktail´s. O Moscow Mule é um cocktail já clássico, que ganhou uma nova roupagem para se adaptar às necessidades do empresário e o paladar do consumidor. E isso vai acontecer constantemente com outros tipos de cocktails. O Gin, nos últimos anos, por exemplo, ganhou as mais diversas variações com o seu famoso Gin Tonica, Gin It e Gin Fizz. Todas as releituras dos clássicos, adaptadas ao novo perfil de consumidor, são sim uma tendência de mercado”, assegura.
Na Rede Food Service é assim! Tem algo ‘bombando’ no nicho de Goró? Então, a gente te conta e ainda orienta sobre, sempre por meio de entrevistas exclusivas com especialistas no nicho de alimentação e bebidas fora do lar.
Por isso, continue nos acompanhando e, a seguir, confira uma ‘receita abrasileirada’ de Moscow Mule compartilhada por Kelm, do SENAC PR.
RECEITA DE MOSCOW MULE
INGREDIENTES:
Para o drink:
- 50 ml de vodka
- 20 ml de suco de limão
- 20 ml de xarope de açúcar
- 5 gotas de Angostura bitter (Aromatizante cítrico)
Para a espuma de gengibre:
- 100 ml de suco de limão
- 100 ml de xarope de açúcar
- 100 ml de suco de gengibre fresco
- 100 ml de clara de ovo
*A legislação sanitária brasileira não permite uso de bases de origem animal, sem haver um processo de cozimento. Mas, pode ser usado clara de ovo em pó.
MODO DE PREPARO
Misture todos os ingredientes para o drink com gelo em uma caneca de cobre e cubra com a espuma. E, para fazer a espuma de gengibre, é preciso de um equipamento chamado garrafa sifão para chantilly, que tem um custo entre R$ 250 a R$ 500 reais os profissionais, além da capsula de CO2. Porém, é possível criar uma espuma usando uma cremadeira de leite ou coqueteleira, mas os resultados são bem diferentes dos profissionais.
Confira outra matéria exclusiva Rede Food Service na editoria Goró.

- Tabata Martinshttps://redefoodservice.com.br/author/tabata/
- Tabata Martinshttps://redefoodservice.com.br/author/tabata/
- Tabata Martinshttps://redefoodservice.com.br/author/tabata/
- Tabata Martinshttps://redefoodservice.com.br/author/tabata/


