Você é um ‘food truck lover’ de carteirinha e, por isso, anda pensando em empreender nessa área do food service neste ano de 2023?
Se sim, nós da Rede Food Service temos uma boa e má notícia para você!
Mas, calma, pois, é claro que vamos começar com a boa notícia, que é a de que o nicho de food truck é sim um mercado que ainda vale o investimento, uma vez que, inclusive, conseguiu sobreviver aos efeitos sociais e econômicos da pandemia de Covid-19. No entanto, temos que te informar também que esse investimento só é válido para quem tem um necessário preparo.
Por essa razão, hoje, fazemos questão de compartilhar com você dicas de especialistas na área das populares ‘cozinhas sobre rodas’ de como alcançar o sucesso nesse segmento que possui algumas peculiaridades que devem ser respeitadas. Porém, antes disso, que tal saber como está o atual mercado de food truck no Brasil?
É só conferir isso e muito mais abaixo!
- Como está o atual mercado de food truck no brasil?
- Por que vale a pena investir em food truck?
- Quem já atua com food truck, indica!
- Como alcançar o sucesso no atual mercado de food truck no brasil?
COMO ESTÁ O ATUAL MERCADO DE FOOD TRUCK NO BRASIL?
De acordo com Ana Vecchi, especialista em expansão de negócios e CEO da Ana Vecchi Business Consulting, “no geral, aqui no Brasil, esse ramo começou muito forte com o truck sendo o verdadeiro estímulo de se ter um modelo de negócio desses e, quanto mais caro, mais charmoso parecia ser. Em seguida, vieram as bicicletas com propostas individuais como doces, cafés e chás ou com um mix que se completa, oferecendo sanduíches naturais ou diferenciados e bebidas que combinam, por exemplo. As de flores acabaram não rendendo, pois o calor afeta demais o produto, mesmo que em baldes climatizados e embalagens que as protejam por mais tempo. No entanto, hoje em dia, o mercado de food truck volta a estar em ascensão para os segmentos que estão inovando nas propostas que envolvem capricho na apresentação visual, no segmento e, principalmente, na forma de engajar o consumidor oferecendo novas formas de experiências. Trazer novas propostas para esse canal faz toda a diferença, pois o ‘novo’ gera curiosidade e precisa estar aliado à uma comunicação que faça sentido para a categoria e para consumidores que se identificam e buscam a experimentação. Ao oferecer um serviço e um ambiente que propiciem a seus clientes se identificarem à marca, o food truck tem mais que um cliente, pois passa a ter um divulgador da marca, da comida, do negócio e da experiência acima de tudo. Desde sempre, havia os ‘carrinhos que vendem cachorro-quente e hambúrguer’ na praia. Lembram-se? Pareciam muito mais gostosos do que dos que existiam perto de nossas casas. Segmentos como pizza, hambúrguer, cachorro-quente, pastéis, salgados estarão em declínio, se as marcas estiverem entregando mais do mesmo, pois, hoje, vivemos em um mercado em que as pessoas querem compartilhar bons momentos e ninguém será defensor de uma marca, caso você for apenas mais um food truck que vende hambúrguer ou paella. E parece que todas as marcas de hamburguerias vendem hamburgueres goumertizados com blends exclusivos hoje em dia. As pizzarias são tradicionais e criam recheios diferenciados e exclusivos, mas até você ler em um outro cardápio. Além disso, comer embaixo de chuva, enfrentando uma fila deixou de ser um programa diferente e ‘da hora’ e voltou a ser um mico. Da mesma forma, um sol escaldante, refletido no asfalto em um estacionamento feio, cujo local é difícil de estacionar ou ter acesso por transporte público, faz com que não tenha paella que valha esse sacrifício. O delivery chegou forte para gerar conforto e resolver essas questões e experiências. Por isso, cuidado! Estamos vivendo de experiências de consumo e não apenas do sabor e qualidade de um prato de comida. Isso é o mínimo que qualquer estabelecimento de food service deve oferecer. O que agrega valor ao seu consumidor target quando se trata de um food truck? Se não souber responder, com certeza absoluta via pesquisa de mercado, não invista dinheiro nesse canal e tire um ano sabático”, alerta.

Vecchi, que, como consultora de negócios e especialista em mercado, já estruturou vários conceitos de food trucks antes mesmo desse modelo de negócio food service vir a ser considerado moda no Brasil, acrescenta que “food truck ainda é um bom investimento. Mas, acredito ser um segmento que está mais consolidado em mercados com mente mais aberta para o novo. São Paulo, por exemplo, requer, exige novos modelos, novos segmentos, porque temos uma maior concentração de gerações, de públicos, de etnias, de estrangeiros expatriados, muitos eventos, feiras acontecem em São Paulo. São Paulo vive de negócios e um tanto de turismo em função do que a cidade e o Estado oferecem. Porém, é fundamental observar que cada bairro tem suas características, cultura e estrutura. Então, qual bairro melhor acomoda uma operação de food truck? Essa resposta vale milhões! E, assim como bairros, municípios, o que requer para que funcione em outros Estados? Antes de abrir qualquer negócio, é preciso identificar se faz sentido para aquela região aquele tipo de operação, fornecedores, logística, frete, validade, legislação, sazonalidade, clima. O modelo food truck tem uma vantagem, que é a de poder se deslocar. Portanto, pode-se testar diferentes lugares e públicos, eventos, além de os investimentos e negociações, atualmente, serem mais baratos do que abrir uma loja em um shopping. Esse, inclusive, já foi um ponto cruel na história das primeiras operações de food truck. Houve estacionamentos que cobravam de R$ 1.000,00 a R$ 1.500,00 por dia de locação do espaço usado. Ou ainda R$ 30.000,00 de locação para ficar embaixo de sol e chuva, com lama. Quanto tempo para retornar o investimento com custos tão altos e abusivos? Além disso, o emocional, o sonho e o fazer diferente dos outros podem causar verdadeiros desastres. O problema não está no mercado de food truck, mas no desconhecimento, na euforia e, possivelmente, na busca de mudar de vida sem o planejamento devido e necessário. Quantas vezes ouvi executivos e executivas dizerem que estão cansados da vida corporativa e pensam em montar um food truck?! Será que esses pensaram que vão trocar toda uma estrutura de pessoas e salas com ar-condicionado por esperar clientes embaixo de sol e chuva, com vento ou o abafado de uma cozinha? Vale a reflexão!”, ressalta.
Felipe Corrêa Borba, Publicitário, Designer, Food Trucker e Chef de Cozinha, além de Presidente da Associação Mineira de Food Trucks (AMOFT), alega que a atual situação do mercado de food truck no Brasil “depende do Estado em que se atua. O ‘boom’ dos food trucks foi de 2015 a 2017, quando surgiram muitos e a pandemia de Covid-19 fez com que muitos deixassem o ramo. Já outros não tiveram êxito por não ter aptidão e habilidade necessária para se manter no ramo. Hoje, em Belo Horizonte, Minas Gerais, e outras cidades, pelo que vemos, é que somente os mais perseverantes ainda se mantém no ramo, com ganhos muito menores aos do período que antecede a pandemia de Covid-19. Entretanto, sempre tem gente que nos procura para obter informação sobre a nossa atividade, sendo que uma minoria dá seguimento e entra para o ramo”, partilha.
POR QUE VALE A PENA INVESTIR EM FOOD TRUCK?
Em relação aos motivos pelos quais vale a pena investir em food truck hoje em dia, Vecchi explica que se trata de um segmento que “veio para ficar, sem dúvida. Existiu uma explosão anos atrás, depois, houve uma massificação, que acredito que gerou uma certa estagnação e desvalorização do segmento. Além disso, após e claramente, veio um declínio com a pandemia de Covid-19. Mas, eu acredito que os novos designers e segmentos que estão surgindo trouxeram o segmento novamente para o jogo, com mais profissionalismo e estrutura”, avalia.

Borba, por sua vez, considera que “é um bom investimento se você tiver garra, conhecimento de culinária, boa comida e, principalmente, bom atendimento. No exterior, é outra cultura, pois estão acostumados a comer comida de rua. No Brasil, tudo é bom quando é novidade. Depois, há um grande desinteresse. No meu caso, por exemplo, eu sou um dos pioneiros desse nicho na minha região, que é Belo Horizonte, Minas Gerais. Eu já acompanhava a evolução dos food trucks nos Estados Unidos, a chegada dos trucks em São Paulo e quando iniciou o movimento na capital mineira, com o mesmo estilo de comida de rua dos americanos. Ou seja, cardápios elaborados por chefs se cozinha e, na época, 100% artesanais. Alguns, hoje em dia, ainda trabalham dentro desse conceito. Eu, nessa época, tinha uma hamburgueria artesanal em loja fixa e resolvi fechar para abrir um food truck. O projetei e esse, que ainda trabalho com ele, foi o primeiro grande food truck de Belo Horizonte, que se chama Dip’s Burger. Me unimos com colegas e partimos para as ruas, criando pontos em praças. Cada dia da semana, de terça a sexta, estávamos em um local diferente, tudo divulgado em mídias sociais. Foi aquele boom! Muita gente nos acompanhando, não importando em qual local da cidade estávamos. Nós sempre tínhamos os nossos clientes fiéis. O sucesso estava tanto que criei o Food Truck BH Oficial, onde reunimos os melhores food trucks, os melhores cardápios e começamos a fazer parcerias com produtores de eventos na capital mineira. E, até hoje, fazemos 90 a 95% dos melhores eventos de Belo Horizonte, regiões de Minas Gerais e também fora do Estado. Somos convidados para festas particulares, como formaturas, aniversários, casamentos, eventos esportivos, dentre outros. Eu e meus colegas fundamos também, em 2015, a AMOFT para ajudar os novatos a entrarem no mercado. Atualmente, o nosso grupo tem dois tipos de food trucks: os que trabalham com produtos 100% industrializados e os que se mantém fieis a comida elaborada e artesanal”, exemplifica.
QUEM JÁ ATUA COM FOOD TRUCK, INDICA!
Ainda em dúvidas se empreender no ramo de food truck nos atuais sias no Brasil é uma boa estratégia de Gestão e Mercado?
Se sim, confira, a seguir, depoimentos de quem já atua há anos nessa área e a elege como um bom investimento food service a se fazer.
Joao Paulo Rocha é proprietário de food truck desde 2018, “quando ainda éramos carrinhos de lanche. Hoje, eu tenho ponto fixo e trabalho todos os dias em horário noturno com o Daspu, a melhor lasanha de Belo Horizonte, Minas Gerais. E, com o surgimento dos food truck, também surgiram outras oportunidades, como eventos. Por isso, montei outro carro para atender essa demanda do mercado. Hoje em dia, o mercado de food truck no Brasil está voltando a expandir novamente, após o declínio, principalmente, por causa da pandemia de Covid-19. Porém, de maneira mais lenta do que o ‘boom’ de 2014. Food truck ainda é um bom investimento, mas depende muito do esforço e persistência de quem for encarar a jornada, que não é fácil. Entretanto, dá para ganhar bem e ter mais flexibilidade de trabalho”, afirma.

Tatianna Tenório, empresária pernambucana que já teve agência de publicidade, é outro exemplo de que atuar no Brasil com food truck é um bom investimento food service. “Depois de fechar a agência, eu atuava há dois anos com harmonização de queijos e charcutaria artesanal com entrega em domicílio, mas resolvi abrir esse novo canal, o Vicino Al Cuore. Ninguém faz o que me propus a fazer e é bom ser pioneira. Porém, envolve muitos riscos também. A primeira coisa que é preciso é você ter muito claro qual o cerne do seu negócio. O meu é trabalhar com produtos artesanais e isso eu não abriria mão. E, independente do segmento, é a minha principal entrega. Eu tinha isso muito claro antes de começar. Depois, montei um plano de negócio com a Ana Vecchi, que me fez pensar e entender se o meu produto faz sentido para esse canal, não só na questão rentabilidade, mas como proposta de valor da marca. Aprendi a gerar diferenciação podendo ser o mesmo produto, mas visualmente apresentá-lo de forma única. Isso traz novos clientes e os que já são não perderão identificação com a sua marca, porque eles entenderão que você continua entregando todo valor da sua marca, mas apenas de uma forma diferente”, compartilha.

Rosanna Alves de Andrade, aposentada, também é proprietária de um food truck, o Fornatta Foodtruck, e conta que “comecei no ramo alimentício em 2015, com uma pequena mesinha de doces nas praças onde se reuniam os food trucks na minha cidade. E, com o passar do tempo, decidi investir em um food truck para melhorar os nossos serviços e atendimento. O Dolce Fornatta, primeiro nome do meu food truck de doces, foi para as ruas em fevereiro de 2016 e, eventualmente, fomos introduzindo outros pratos além de doces, como massas, tortas salgadas e frango no balde. Esse período de experimentação resultou na mudança para o atual Fornatta Foodtruck, no final de 2017, agora, focado na venda de hot dogs artesanais. Hoje, eu tenho o privilégio de trabalhar em grandes eventos ao lado de vários outros food trucks parceiros. O mercado brasileiro de food truck sofreu um declínio muito grande durante a pandemia de Covid-19 pela impossibilidade de trabalharmos em eventos presenciais, como shows e festas. Vi trucks pioneiros fechando as portas, buscando outros meios de sobrevivência. Inclusive, muitos deles acabaram deixando o ramo completamente. Porém, no ano passado, com a abertura dos espaços de trabalhos, os food trucks que restaram viram uma reação do mercado de trabalho, com o retorno de shows e eventos em maior frequência. Por outro lado, as pessoas parecem ter perdido o hábito de visitar as praças nos horários ativos de food truck por causa do delivery. Mas, mesmo assim, esse segmento continua valendo a pena, principalmente, por causa do custo de negócio. Um truck é relativamente mais barato de manter do que uma lanchonete fixa, por exemplo. Além disso, a própria mobilidade faz com que possamos buscar melhores negócios em lugares diferentes”, alega.
COMO ALCANÇAR O SUCESSO NO ATUAL MERCADO DE FOOD TRUCK NO BRASIL?
E aí? O seu coração de ‘food truck lover’ de carteirinha já está batendo forte, bem como a sua vontade de empreender nessa área do segmento de alimentação fora do lar?
Então, agora, é a hora de aprender como alcançar o sucesso no atual mercado de food truck no Brasil?
Vamos lá?
Conforme Vecchi, da Ana Vecchi Business Consulting, para ter um bom resultado como proprietário de food truck, é essencial “entender se o seu negócio faz sentido para o modelo food truck. Não pense no charme que é ter um food truck. As pessoas tendem a ter esse pensamento e sensação em relação a esse canal, mas não suportam a ideia de ter um fast-food. Em contrapartida, no frigir dos ovos, é praticamente a mesma coisa, pois vai vender comida, vai desenvolver fornecedores, produtos, cardápio, projetar vendas, comprar matéria-prima e os pré-prontos, além de enfrentar dias muito movimentados e também momentos às moscas. Vai ainda fazer a gestão financeira, contratar, treinar e dispensar funcionários, bem como acertar o ponto de vendas, mandar equipamentos para manutenção e contratar uniformes e embalagens. É preciso gostar de food truck e não de restaurante, lanchonete, fast-food, cafeteria, loja de shopping ou de rua. Definir o delivery como um canal muito impessoal significa que a pessoa gosta de carros exóticos ou antigos e não de food service. Para ter o melhor food truck, precisa de um conjunto de fatores, que deverão ser estudados em um Planejamento Estratégico (Business Plan): qual é o mix de produtos?; diferenciais; público-alvo; comportamento de mercado e do público-alvo; fornecedores de tudo, incluindo embalagem, insumos e, dependendo do público, não gosta de comer em prato de plástico; objetivo desse canal de vendas, por que este e não outro?; quais riscos está disposto a correr e sabe que irá enfrentar?; se qualquer outro food truck puder fazer igual ao seu, você será apenas mais um. Ainda que o básico, faça o melhor básico que qualquer pessoa no mundo! Gerir um food truck faz empresários acompanharem o clima, da mesma forma que os de agronegócios devem fazer também. O segredo é não aceitar o ‘mais ou menos’ nem o ‘talvez’. Foco, atitude, conhecimento, planejamento, desenvolvimento, acompanhamento, ajustes e contas, que é igual DRE. Pelo menos isso!”, aconselha.

Borba, Presidente da AMOFT, indica que para ter bons resultados atuando com food truck hoje em dia é necessário apresentar “bom atendimento, cardápio bom, saber cozinhar e garra. Afinal, sem essas qualidades, não vai conseguir fazer seu food truck ‘pegar’. Por isso, faça a sua marca correr nos melhores locais da sua cidade. Não fique em local fixo esperando os clientes, vá atrás deles. Ou melhor, se quiser continuar com a sua loja fixa, faça um cardápio reduzido do seu estabelecimento e divulgue a sua marca. Tenha o melhor truck! A melhor plotagem! Os melhores equipamentos! Forme a melhor equipe! Tente ter a melhor comida! A melhor mídia social! Com tudo isso, será sempre lembrado e convidado para todos os tipos de eventos”, recomenda.
Forno combinado: qual o equipamento ideal para pequenos espaços? – Rede Food Service
Rocha, do food truck Daspu, assinala que para trabalhar com food truck atualmente precisa de “um bom produto, ter um diferencial, como aquele molho marcante, um treinamento para quem não tem costume com a cozinha e muita disposição para o dia a dia. Não tenha medo do sucesso, pois ele só acontece se você tentar. Faça sempre o seu melhor como se fosse para você mesmo. Pesquise, estude, teste e bora trabalhar”, convida.
Por fim, Andrade, do Fornatta Foodtruck, ressalta que “como todo negócio, para atuar com food truck, é necessário um nível de planejamento adequado ao seu objetivo. Capriche no seu produto, trabalhe, pesquise, crie a sua marca pessoal para que todos saibam que aquele é o seu produto. Faça do seu negócio o melhor e mais atraente possível. Trabalhe tanto o produto, quanto o próprio food truck para se destacar em meio a tantos outros. Não se trata apenas de ter uma comida boa, o ambiente deve ser confortável e convidativo, bem como o atendimento deve ser de primeira”, lista.
Na Rede Food Service é assim! Sempre procuramos te atualizar sobre todos os nichos que formam o setor de alimentação fora do lar para que tenha mais chances de tomar as melhores decisões de Gestão e Mercado. Por isso, continue nos acompanhando!

- Tabata Martins


Respostas de 2
Adorei as informações, sentir falta de mais informações, como admintrar um food truck, como conseguir a autorização e quais os documentos necessários e em média os valores de um equipamento?
Oi Gilmar, obrigado por acompanhar a RFS. Faremos uma matéria a respeito com base na sua solicitação 🙂