Curiosidade, respeito e perseverança. Esses são os três ingredientes ‘secretos’ que ditam o dia a dia de Pedro Henrique Pinto de Attayde, o charcuteiro Pedro Attayde, que garante que vida de chef é lidar com todo tipo de adversidade.
Atualmente, o chef é proprietário de uma pequena charcutaria autoral de inspiração francesa chamada Cochon Rouge e localizada no Rio de Janeiro, capital. E, em entrevista exclusiva à nossa reportagem, ele revela que “vida de chef nunca foi glamour. E, se for, tem alguma coisa errada. Vida de chef é lidar com todo tipo de adversidade. Eu, por exemplo, ainda lavo chão, tiro lixo, faço todo tipo de ‘corre’ no meu negócio e faço feliz. Curiosidade, respeito e perseverança. Essas são as minhas principais características tanto como ‘artista’, quanto como gestor de pessoas na área da gastronomia”, divide.
Quem é Pedro Attayde?
Casado e pai de Joaquim, de 12 anos, Attayde alega que “sou uma pessoa só tanto como Pedro, como o chef Pedro Attayde. Independente de chef ou de Pedro, eu sou pai, marido, filho e cozinheiro. A minha cozinha é a charcutaria, principalmente, a francesa. É o que me inspira, me move e provoca a continuar estudando e aplicando os meus conhecimentos tanto nos produtos, quanto nos pratos. Eu busco muita inspiração em chefs franceses clássicos, como Paul Bocuse, Pierre Troisgrois, Gilles Verot e Alain Ducasse”, se apresenta.

O chef compartilha também que “conciliar a minha vida profissional e pessoal foi um dos grandes motivos para eu abandonar empregos em restaurantes e seguir os meus projetos. Hoje, eu tenho um horário mais flexível na minha cozinha, não trabalho em datas importantes e fim de semana só quando tenho eventos. Ser pai é uma parte enorme de quem eu sou e decidi ter tempo para isso”, explica.
Formação e experiência profissionais
Attayde é formado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) como Chef Executivo desde 2011. No entanto, revela que o seu interesse e experiência pela área de alimentação é um caso de infância. “Eu comecei a cozinhar com apenas oito anos de idade. De lá para cá, eu nunca parei. Mas, a verdade mesmo é que eu escolhi fazer Gastronomia porque não queria mais cinco anos de estudando coisas que não me interessavam na faculdade”, confessa.

Em relação às suas experiências profissionais, o chef diz que “eu comecei a minha vida profissional no Outback, onde trabalhei com atendimento. Fui também estagiário e ajudante de cozinha na Rede Troisgros, chefiei o Rio Scenarium, o restaurante de um albergue e alguns bares. Cheguei a voltar para o Outback. Enfim, eu fiz de tudo um pouco, salão, cozinha, gerência, bar. Afinal, ter filho é uma correria (risos)”, sinaliza.
Rotina como Chef de Cozinha charcuteiro
Sobre a sua atual rotina como Chef de Cozinha charcuteiro, Attayde assegura que “eu amo o meu trabalho por muitas razões. Primeiro, eu tive a oportunidade de criar um ambiente saudável para trabalhar. Na Cochon Rouge, ninguém quer ‘ferrar’ com ninguém. Nos divertimos fazendo o que fazemos e eu posso expressar a minha criatividade, correr riscos, testar novas ideias. O meu negócio é meu laboratório. Eu vivo o meu sonho hoje em dia em vários níveis. Eu tenho TDAH, sou dinâmico, tenho ideias fora da caixa, um jeito peculiar de aprender e isso me fez passar muitas dificuldades nos restaurantes. E essa, sem dúvida, foi uma das razões que me fez buscar empreender e criar o meu ambiente. E, hoje, eu acho que encontrei o meu caminho, um jeito de pensar cozinha, de traduzir as minhas ideias em produtos que as pessoas amam, sem precisar viver aquela pressão dos restaurantes. Vida de chef é correria, responsabilidade e o mais importante, na minha opinião, é feita de escolhas”, ressalta.

Em contrapartida, o chef complementa que o seu dia a dia também é “uma correria. Como a empresa é pequena, eu preciso fazer de tudo, compras, desenvolver ideias, redes sociais, comerciais, feiras nos fins de semana, etc.”, pondera.
Adaptações na rotina como Chef de Cozinha devido à pandemia de Covid-19
Assim como a maioria dos profissionais que atuam no ramo da gastronomia, Attayde também sentiu na pele os impactos sociais e econômicos decorrentes da pandemia de Covid-19. No entanto, o chef alega que, ao mesmo tempo, foi um importante período de adaptação, descobertas, testes e aprendizados como empreendedor. “Desde o começo da pandemia de Covid-19, muita coisa mudou na minha vida. Até eu decidir por empreender, foi tudo muito difícil para mim. Eu cheguei até a pensar em desistir muitas vezes, já que o ambiente me fazia muito mal, me sentia incapaz. Mas, quando eu comecei a charcutaria, encontrei o meu lugar, pois é onde eu posso fazer meus projetos, desenvolver meus produtos, buscar novas técnicas e ingredientes e colocar isso tudo a prova. E os feedbacks são incríveis. Hoje, eu tenho um sócio na Cochon Rouge e já tive outras duas marcas food service durante um tempo. Vivemos a pandemia de Covid-19 fazendo a charcutaria e um delivery de sanduíches de Nova Orleans, chamado Poboys Soul food, que fechei em junho de 2022 para me dedicar exclusivamente a Cochon Rouge”, conta.
Atuais desafios, metas e sonhos como Chef de Cozinha charcuteiro
Quando questionado sobre quais são os seus atuais desafios como Chef de Cozinha charcuteiro, Attayde afirma que “eu acho que, atualmente, é dar conta de tudo (risos). Além disso, estudar, pois não existe praticamente nada de referências em charcuteria em português. Existem algumas coisas em inglês, mas a maioria está em francês, que eu não falo. E, como fazemos produtos novos todas as semanas, eu preciso manter a qualidade lá no alto em todos os produtos, buscar novas referências, técnicas novas. Porém, isso é um desafio superdivertido”, avalia.

Já sobre as suas metas e sonhos, o chef alega que é “continuar mantendo a empresa crescendo e pagar um salário decente para as pessoas, com uma carga horária justa e confortável. Eu sonho ainda ter a minha fábrica com uma lojinha em algum momento, assim como ir para França fazer uma imersão de charcutaria, o que seria incrível”, almeja.
Visão de mercado como Chef de Cozinha charcuteiro
Para Attayde, o atual mercado de alimentação fora do lar hoje em dia já ganhou outro conceito. “Nos atuais dias, na verdade, o conceito de alimentação está sempre mudando. De um tempo para cá, por exemplo, a busca pelo artesanal, origem e qualidade começou a surgir com mais força, desde bebidas, como vinhos e cervejas artesanais, até queijos, pães e charcutaria também. Eu percebo ainda uma curiosidade bem maior em saber de onde vem o que se come”, pontua.

O chef complementa que, na sua visão, “cozinha é sempre um desafio, pois tem muita gente boa chegando aí, com cozinheiros jovens fazendo um trabalho incrível. Por isso, eu acredito muito nessa veia independente que também está chegando aí. O mercado é difícil, né? Mas, boa parte desse desafio vem de uma ideia tóxica de espremer as pessoas até que não sobre nada. Dá para ter resultados sem pirar a cabeça de ninguém e isso cliente nenhum quer, uma vez que comida boa não tem nada a ver com isso”, alerta.
Dica de Chef de Cozinha charcuteiro
Por fim, generoso, Attayde aconselha para quem quer seguir a vida de chef empreendedor assim como ele que “se puder, estude bastante, junte dinheiro e, ao invés de pagar um curso, vá trabalhar fora do Brasil. Nem todo mundo consegue, ok. Eu mesmo não consegui e demorei muito para me encontrar. Mas, se não puder ter essa experiência internacional, escolha, com sabedoria, os lugares onde irá trabalhar aqui no Brasil. Não priorize o dinheiro enquanto puder. No entanto, não deixe de estudar nunca! Seja legal com as pessoas, forme boas conexões e ‘segure a onda’! O começo é o horrível, mas, depois, pode melhorar”, assegura.
Muito inspiradora a vida de chef de Pedro Attayde, não é mesmo? Na Rede Food Service é assim! Toda semana, te apresentamos o que, realmente, é a vida de chef. Conheça também aqui na RFS a Vida de Chef do premiado chef Onildo Rocha.

- Tabata Martins

