Quando você ouve falar sobre brigadeiro, o que passa na sua mente?
Provavelmente, antes de pensar, te dá aquela vontade de degustar um, não é mesmo?
Pois é, mas não se julgue por isso! Afinal, quando o assunto é brigadeiro, não existe quem não deseje essa receita 100% nacional que também é uma atemporal aposta de atuação no food service brasileiro.
Por isso, hoje, nós da Rede Food Service fazemos questão de te contar um pouco da história dessa iguaria, que, apesar de ser um produto já extremamente popular no nosso país, empresários garantem que trabalhar com o tradicional doce continua gerando retornos bastante positivos. “Ao longo dos últimos anos, são muitos os cases de sucesso envolvendo essa iguaria. Muitos empreendedores descobriram o potencial do brigadeiro e, hoje, é possível ver lojas com padrões mais altos, onde cada porção ou caixa traz sabores únicos e exclusivos, como é o caso, por exemplo, da Maria Brigadeiro e a Brigaderia, ambas de São Paulo, capital. A primeira foi pioneira no ramo, surgiu em 2007 e expandiu suas receitas trazendo novos sabores e formas de apresentação. Já a Brigaderia surgiu alguns anos mais tarde e, logo, se tornou referência por trazer vários doces com combinações envolvendo o brigadeiro. Atualmente, são inúmeras as empresas e lojas especializadas nessa preparação, sendo que cada uma tem seu diferencial e sua forma de conquistar. Hoje em dia, o brigadeiro deixou de ser artigo exclusivo das mesas de festas infantis e se tornou artigo de luxo como forma de presentear com sabores e embalagens personalizadas”, explica Rafael Perim dos Santos, graduado em Gastronomia, Confeiteiro e Especialista em Gestão de Negócios, sendo que, atualmente, é Instrutor dos Cursos de Gastronomia do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) EAD do Paraná.
A origem do brigadeiro
Que o brigadeiro é uma receita 100% brasileira e que, inclusive, não possui tradução em outros idiomas não é uma novidade. No entanto, você sabe qual é a origem desse tradicional doce?

De acordo com Santos, “uma das histórias mais aceitas sobre a origem do brigadeiro é de que ele foi criado em 1945 pelas mãos da doceira Heloísa Nabuco de Oliveira, sendo que, na época, a receita surgiu como forma de ajudar na campanha do então candidato a presidente Brigadeiro Eduardo Gomes. Nesse período, eram realizados comitês com senhoras e donas de casa que elaboravam quitutes e se reuniam em uma espécie de café da tarde para ajudar na campanha. E, quando Dona Heloísa apareceu com aquele docinho singelo, estava feita a grande revolução culinária. De fato, o Brigadeiro Eduardo Gomes perdeu as eleições. Porém, o grande vencedor foi o doce que, logo, se tornou tão popular e caiu no gosto de todos os brasileiros”, relata.
Júlia Figueiredo Junqueira, advogada de 27 anos que, desde fevereiro de 2021, atua como confeiteira/empresária por meio do seu negócio especializado em brigadeiro chamado Dia Doce, conta que “pelo que eu sei, o brigadeiro surgiu na época da escravidão e, enquanto os senhorios consumiam doces finos, os escravos inventaram o brigadeiro por ser mais barato e fácil de fazer. Para mim, brigadeiro é o melhor doce do mundo! Feito com leite condensado, chocolate e uma fonte de gordura, ele tem uma textura aveludada e derrete na boca”, ressalta.

Já Luiza Lemos, arquiteta e urbanista de 30 anos que, desde 2012, também possui um negócio especializado em brigadeiro chamado Brigaderia da Luiza, juntamente com os seus sócios Anagilda Lemos e Otávio Lemos, complementa que “o brigadeiro é um doce tradicional brasileiro que sempre existiu na infância de todos os brasileiros. Por isso, eu diria que é uma das maiores memórias afetivas do brasileiro”, classifica.
Por que investir em produzir e comercializar brigadeiro no food service brasileiro?
Em relação ao porquê investir em produzir e comercializar brigadeiro no food service brasileiro, Santos, Instrutor dos Cursos de Gastronomia do Senac EAD/PR, partilha que “como confeiteiro há mais de 10 anos, eu tenho experimentado, testado e elaborado diversas receitas desse doce tão tradicional e clássico, mas nada se compara ao original, com chocolate e leite condensado. Desde criança, ele tem se tornado constante nas minhas produções, que variam de coberturas, recheios e caldas. Não existe doce mais singelo, gostoso, simples, versátil e maravilhoso que um brigadeiro na minha opinião, é claro (risos). Mas, é sim impossível imaginar uma festa, seja ela qual for, sem a presença desse ilustre convidado. Não importa o sabor, ou confeito, ele está sempre presente, reinando nas mesas e no gosto de todos. Com isso, ele atravessa gerações, festividades e se torna único e atemporal. É um doce que vale a pena investir, desde que se saiba qual o seu público-alvo e de que forma você quer chegar até ele. O brigadeiro é versátil, sendo possível adaptar a sua receita, seu tamanho e seu custo de acordo com aquilo que se pretende alcançar. Por isso, vale sempre a criatividade. Podemos considerar ainda que esse doce existe desde 1945 e, desde então, nunca caiu de moda. Logo, podemos imaginar que ele continuará reinando por muitas décadas. Assim, cabe às confeiteiras e confeiteiros a responsabilidade de não o deixarem morrer”, alerta.

Junqueira, da Dia Doce, justifica que “embora seja relativamente fácil fazer um brigadeiro, há muitas técnicas e formas de fazê-lo. E, embora muitos saibam fazer brigadeiros, as pessoas hoje em dia estão cada vez mais ocupadas e querem tudo na mão. Além disso, dificilmente um brigadeiro feito em casa com achocolatado será tão bom quanto um brigadeiro feito por um profissional. E é nessa hora que entramos. Seja para consumo próprio, seja como forma de presentear os brigadeiros por serem produtos de fácil aceitação, eles são excelentes opções. E eu acredito que o brigadeiro pode se adaptar ao tempo e melhorar sempre, mantendo a sua essência de forma atemporal”, realça.

Lemos, da Brigaderia da Luiza, argumenta que “eu acho que uma boa receita de brigadeiro é aquela que chega com a prática. Assim, quem tem experiência com doces tem os brigadeiros mais gostosos do mercado. Eu acredito que, hoje em dia, o ramo do brigadeiro já está bem saturado, embora a demanda nunca acabe. Por isso, vale o investimento, pois faz parte de um ramo do comércio que não sofre por grandes crises, que é o setor de alimentos”, considera.
Como é na prática produzir e comercializar brigadeiro?
Já sobre a prática de como é produzir e comercializar brigadeiro no food service brasileiro, Santos, Instrutor dos Cursos de Gastronomia do Senac EAD/PR, contextualiza que “com a criação da Maria Brigadeiro, em 2007, uma nova onda se instalou e as pessoas começaram a entender que esse quitute pode ser reinventado de várias formas. E eu chamo esse momento de ‘gourmetização’ e que, com isso, o brigadeiro ficou mais encorpado, com ingredientes mais selecionados e mais nobres. No entanto, é claro, que tudo isso requer conhecimento e técnica, pois, mesmo sendo um doce simples e singelo, querer complicar demais pode ser prejudicial. Mas, não há pelo que ter medo! Até porque é incrível o número de pessoas que já descobriram no brigadeiro uma forma de renda extra e o mais legal de tudo é que essa renda extra, logo, se torna em renda fixa”, assegura.

Junqueira, da Dia Doce, compartilha que a sua prática com o brigadeiro começou bem cedo, pois, “desde criança, eu sempre amei brigadeiro tanto para comer, quanto fazer. E, durante a pandemia de Covid-19, eu comecei a me perguntar o que eu poderia fazer para aumentar a minha renda e, quem sabe, largar a advocacia. Assim, em novembro de 2020, a minha avó fez aniversário e me deixou comprar chocolates da Callebaut para fazer seus doces, sendo um sucesso absoluto. Dessa maneira, a partir daquela data, eu comecei a pensar nos brigadeiros como fonte de renda, pois era algo que eu gostava de fazer e que as pessoas gostavam de consumir. E, em fevereiro de 2021, eu criei o Instagram da Dia Doce com foco nos brigadeiros, mas também com mousse, pudim e bolo de cenoura. Eu iniciei em fevereiro de 2021 e, até hoje, já vendi mais de 2.000 caixinhas de brigadeiros, totalizando mais de 11.000 brigadeiros unitários, fora os demais produtos que utilizam caldas e recheios de brigadeiros. Ainda produzo na cozinha da minha casa, mas, em breve, irei para um ateliê. Hoje em dia, reinvisto tudo o que eu ganho na Dia Doce para fortalecer a marca e os diferenciais dos meus brigadeiros são os seus ingredientes. A utilização do chocolate belga na sua preparação faz toda a diferença no resultado final, trazendo mais cremosidade e sabor. Além disso, eles são extremamente bonitos e apresentáveis, sendo uma excelente opção para quem quer presentear. No entanto, a sua desvantagem é o preço. Por utilizar um subproduto caro, o meu brigadeiro acaba tendo um valor maior do que o de outras confeitarias que utilizam apenas o granulado belga em sua composição”, detalha.

Lemos, da Brigaderia da Luiza, divide que “eu sempre fiz brigadeiros para ter uma renda extra desde muito novinha e, digamos, que a principal motivação para criar a Brigaderia foi o meu desejo de comprar uma bicicleta aos 18 anos de idade. Hoje, os nossos produtos são feitos com muito cuidado, em um rigoroso processo de produção, embalagem e apresentação. Nosso diferencial também está no atendimento personalizado e na qualidade da matéria-prima, além de muitos anos de experiência. A gente trabalha com uma margem ideal de 300%, com variações. Hoje em dia, os negócios de brigadeiro que chegam com um bom conceito, missão e valores, além de muita organização e perseverança, são sim negócios que permanecem. Quando o intuito é apenas ganhar dinheiro e não existe uma conexão da marca com o cliente, dificilmente, passa dos três anos iniciais de um novo negócio. Mas, o mercado mudou e as necessidades do público durante a pandemia de Covid-19 também. Hoje em dia, as necessidades não são as mesmas que durante a pandemia, mas é nítido como o período de isolamento social mudou bastante os hábitos de consumo. Por exemplo, as pessoas estão mais habituadas a fazer encomendas com entrega/retirada do que, de fato, sair para consumir no local”, afirma.
Dicas para começar a produzir e comercializar brigadeiro
E aí? Já querendo incluir o brigadeiro no cardápio do seu negócio de alimentação fora do lar ou criar um estabelecimento especializado na iguaria?
Então, saiba que, conforme Santos, Instrutor dos Cursos de Gastronomia do Senac EAD/PR, “não existe ao certo uma fórmula mágica para fazer isso acontecer. Porém, o que todos os gestores, chef’s e especialistas na área indicam é que procure ter conhecimento, coragem, não ter vergonha, planejar e buscar feedback. Conhecimento digo no sentido de buscar receitas e de testar, estudar e analisar. Seja expert no que você se propõe a fazer. Tenha coragem para assumir riscos, não se intimide pelo ‘não’ e não tenha medo de experimentar. Não tenha vergonha de vender brigadeiros, pois não é só produzir brigadeiros, tem que vender. E não tenha medo de oferecer o seu produto, de convencer às pessoas que ele é o melhor brigadeiro de todos. Faça um bom planejamento financeiro e estipule metas, pois elas são extremamente importantes. Sem metas, não sabemos qual caminho seguir e qualquer venda se torna ilusória. Além disso, ouça e busque a opinião do seu cliente, uma vez que isso trará ele mais perto de você e fará com que, cada vez mais, ele se fidelize ao seu produto. E utilize esse feedback como forma de melhoria constante. O momento de pandemia de Covid-19 em que passamos nos trouxe vários ensinamentos em diversas esferas e um deles foi a aceleração dos mecanismos digitais como auxílio de gestão e atendimento. Não por coincidência, segundo a Abrasel, se antes da pandemia a taxa aproximada de pessoas que consumiam alimentos pelo método delivery era de 40%, atualmente, ultrapassa 66%. Ou seja, cada vez mais, os brasileiros estão conectados e adeptos aos aplicativos de vendas. E isso traz como lição a importância da tecnologia no auxílio de alavancar as vendas, independentemente do tipo de negócio ou produto gastronômico. Mas, no caso das brigaderias ou confeitarias, cabe aos empreendedores saberem utilizar as ferramentas como forma de comunicação e de despertar interesse por meio de uma linguagem direta e clara. Nesse sentido, trabalhar com fotos profissionais, anúncios claros e bem descritos, preços justos – sim preços justos, pois ainda estamos numa crise financeira -, chamam atenção e conquistam clientes. Não à toa, os negócios que se preocupam com esses quesitos permanecem ativos e, além disso, nota-se um aumento muito significativo da quantidade de pequenos empreendedores e microempresas que passaram a fazer parte das plataformas como Ifood”, indica.
Junqueira, da Dia Doce, aconselha que “para começar você só precisa de uma panela, uma espátula, fogão, os ingredientes e disposição. Hoje em dia, é possível encontrar em lojas de confeitaria quantidades menores de chocolates a venda, o que facilita muito para quem está começando. Abuse do Google e do Instagram, sendo que, nesse último, existem professoras online que ensinam muitos conteúdos gratuitos. Recomendo muito o da Ci, da DocisSP, por exemplo. Além disso, eu acredito que a pandemia de Covid-19 influenciou de forma muito positiva todo o ramo de alimentação, principalmente, voltada para o delivery. As pessoas passaram a apoiar mais os pequenos produtos e a valorizar mais a qualidade. E, mesmo com o fim da pandemia, ainda há espaço para novos empreendedores”, sinaliza.
Lemos, da Brigaderia da Luiza, por sua vez, aconselha que “o melhor é começar com uma boa receita, bons materiais e com amigos como clientes. O melhor marketing continua sendo o boca-a-boca e, se seu produto for realmente bom e despertar memórias afetivas em seus consumidores, certeza que será um sucesso”, atesta.
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- Tabata Martins


