Você já ouviu falar na cozinha chifa? Desde a pandemia, o Brasil conta com um representante de peso dessa culinária. Trata-se do Cantón Peruvian & Chinese Food, o primeiro restaurante chifa em funcionamento no Brasil, comandado pelo chef peruano Marco Espinoza. A marca, que atualmente possui seis unidades – duas em São Paulo, três no Rio de Janeiro e uma em Brasília –, tem como diferenciais os pratos fartos, bem temperados e os preços acessíveis.
Afinal, o que é chifa?
O nome é atribuído à maneira peruana de preparar comida chinesa, com pratos que utilizam técnicas e ingredientes dessas duas culturas, que tiveram seus processos gastronômicos misturados desde que os chineses começaram a migrar para o Peru, ainda nas primeiras décadas de 1900, trabalhando como operários e comerciantes no país andino. Com o tempo, a cultura alimentar dos dois povos se fundiu, originando a gastronomia chifa, cheia de comidas tradicionais chinesas infundidas com ingredientes ou condimentos da culinária peruana.
O estilo gastronômico, abraçado pela população como parte de sua cultura, logo se tornou um dos mais servidos no Peru, especialmente em Lima, que abriga a Calle Capon, uma pequena China dentro da capital peruana, funcionando como um importante reduto da culinária chifa.
Conheça o Cantón
Tudo começou quando o chef e empresário Marco Espinoza, natural de Lima, no Peru, decidiu, há dois anos, em plena pandemia, investir no resgate da cozinha chifa. Ele, que vive no Brasil há mais de dez anos e está à frente de um grupo gastronômico com 13 anos de mercado, ao desenvolver o projeto do Cantón tinha em mente oferecer uma comida gostosa, farta e com preços convidativos, primeiro apenas através de delivery. Mas a aposta se mostrou tão certeira que logo o negócio evoluiu para oferecer aos clientes também uma experiência presencial.

Com uma estética bastante atrativa, assinada pelo arquiteto peruano Cesar Lee e branding da Exebio Team, a marca logo expandiu. O que começou com uma única casa no Rio de Janeiro, hoje tem seis unidades em funcionamento, sendo três no Rio de Janeiro, duas em São Paulo e uma em Brasília. Juntas, as casas empregam, aproximadamente, 130 colaboradores, entre brasileiros e peruanos, e atendem cerca de 15 mil pessoas por mês.

“No início da pandemia criamos algumas marcas para trabalhar em formato de delivery. O Cantón surgiu nessa época e a aceitação do público foi muito rápida e positiva. No ano de 2021, ainda em meio ao problema mundial da Covid-19, entendemos que se tratava de um produto que o público gostava. Assim decidimos abrir nossa primeira unidade, em Copacabana. O êxito foi imediato. Inclusive, ganhamos alguns prêmios já no primeiro ano de abertura”, conta Espinoza em entrevista para a Rede Food Service. Entre os prêmios conquistados, o título de restaurante com o melhor custo-benefício, de acordo com a Veja Rio Comer&Beber 2021. Com preços acessíveis, receitas repletas de molhos e especiarias, itens clássicos da culinária chinesa e peruana, atendimento afinado e decoração que sozinha é um espetáculo à parte, não é difícil perceber que a casa é uma perfeita representação do que a categoria valoriza.
Cardápio
De acordo com o chef, o restaurante Cantón, em sua essência, traz o conceito de fast casual dining, com pratos de fusão entre a culinária chinesa e a peruana, ou seja, com cozinha chifa. “A culinária chinesa é muito importante na gastronomia peruana, agregou muito ao nosso crescimento. No cardápio os clientes vão encontrar pratos fartos e cheios de sabor. Nas receitas procuramos usar muitos vegetais e proteínas, como carne de porco, frango, pato, carne de boi e diversos tipos de peixes e frutos do mar. Os pratos agridoces e apimentados, sem dúvida, são os destaques”, explica Marco, ressaltando que muitas receitas são executadas na hora, em fogões de alta pressão.

No menu, assinado por Espinoza, as criações são dividias entre entradas e petiscos, pratos principais, sopas (com os famosos lámen), arroz frito, macarrão e sobremesas, além de um menu kids. “Para trazer ao Brasil essa fusão da comida chinesa com a peruana, tivemos que incluir alguns insumos locais para poder desenvolver pratos mais saborosos e que provocassem uma identificação nos brasileiros. No Cantón, as comidas seguem a linha do comfort food, geralmente leves, mas com sabores intensos”, conta o chef.
Entre os vários destaques do menu, pode-se ressaltar os “Wontons fritos”, recheados com frango e porco com toque cantonês e molho de tamarindo, servido em porções. A entradinha costuma ter uma boa saída nas casas. Destaque ainda para os ceviches e rolinhos primavera, pratos também disponíveis entre os petiscos.

No quesito Chaufas – o clássico arroz frito –, cinco opções preparadas na wok aparecem no menu, com destaque para o “Chaufa Diabo”, arroz frito com frango, camarão, ovo, legumes e um toque de pimenta.
No restaurante também é possível desfrutar de uma carta com coquetéis exclusivos, doses, digestivos, cervejas e soft drinks.
Mercado brasileiro
Como um empresário de visão comercial, o chef Marco Espinoza enxerga a receptividade dos brasileiros com a cozinha chifa como algo bastante positivo. Com base nos resultados atuais do Cantón, é possível vislumbrar um cenário promissor para o futuro desse estilo de gastronomia no país. Crescimento e popularização são vistos no horizonte. “O produto tem sido bem aceito pelo paladar brasileiro. Em dois anos conseguimos nos posicionar nas três cidades mais importantes para a gastronomia nacional, sempre com ótimas avaliações vindas dos nossos clientes e especialistas gastronômicos”, diz.
O sucesso é tanto que já estão sendo avaliados alguns planos para a expansão da marca para novas cidades e estados. “Nosso grupo está se organizando para que isso vire uma realidade em breve”, revela Marco.
Ao que parece, a cozinha chifa apenas começou a fazer história no Brasil e já é um segmento que merece ser acompanhado.

Anna Katia Cavalcanti
Jornalista formada em Comunicação Digital, com habilitação em Jornalismo, e pós-graduada em Marketing Digital e Mídias Sociais. Atua como repórter, assessora de imprensa e social media. Tem passagens pelas editorias de Cultura, Cidades e Online do jornal Diario de Pernambuco e acumula participações em projetos editoriais e institucionais.
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