Produzir e comercializar comida árabe no Brasil dá certo? Sim e com certeza, conforme Bassem Koussa, sírio de 33 anos, formado em Arquitetura, mas que, atualmente, trabalha como Chefe de Cozinha Árabe, sendo o proprietário do restaurante Zingo & Ringo.
Em entrevista exclusiva à Rede Food Service, Koussa divide que, hoje instalado em uma casa de dois andares do bairro de Pinheiros, em São Paulo, capital, o estabelecimento food service conta com uma equipe de oito árabes refugiados e três brasileiros. “Ao todo, são onze funcionários, sendo oito árabes refugiados e três brasileiros. O primeiro endereço do restaurante do Zingo & Ringo foi idealizado de maneira supersimples. Eu e meu sócio na época construímos ele com a própria mão. Então, foi um capital de apenas R$ 30 mil como investimento inicial. Mas, hoje, instalados em uma casa de dois andares, com teto retrátil na área externa do primeiro piso, seguido por um amplo salão com bar, uma área intermediária e um espaço privado também a céu aberto para grupos e festas, além de, no segundo piso, termos a cozinha e toda a área de serviços, o nosso faturamento médio é de R$ 150 mil por mês”, revela o empresário.
O que é o Zingo & Ringo?
De acordo com Koussa, o Zingo & Ringo é mais do que um restaurante de comida árabe no Brasil. “É uma terra síria no brasil onde você sente o sabor e o cheiro verdadeiro da cultura árabe, além de conseguir ver a realidade dos árabes em uma equipe formada por sírios, palestinos e libaneses. No Zingo & Ringo, você não come somente os pratos famosos árabes que são conhecidos no Brasil. A nossa proposta é apresentar a nossa comida caseira que comemos no dia a dia. É simplesmente onde você pode fazer uma viagem árabe verdadeira. E, gradualmente, o Zingo & Ringzingo está subindo a escada, tendo começado muito pequeno, mas, hoje em dia, está cada dia crescendo mais e mais, comemora.

O empresário acrescenta que “o que mais caracteriza o Zingo & Ringo hoje é a pegada de origem, onde você vai ser atendido por árabes de verdade, comendo a comida verdadeira árabe, que possui um sabor e um tempero marcante para a vida toda. A nossa equipe é acolhedora e o ambiente moderno árabe traduz a ‘cara moderna’ dos atuais árabes. Hoje, nós funcionamos todos os dias da semana, menos segunda-feira, das 11h30 às 22h30, tendo dois sistemas de operação: o rodízio ou à la carte”, destaca.
Como surgiu a ideia do Zingo & Ringo?
No Brasil desde 2015, Koussa relata que a ideia do Zingo & Ringo surgiu enquanto ele ainda morava em sua terra natal. “A ideia do restaurante começou ainda na Síria, onde eu já tinha uma paixão pela cozinha e a culinária. Mas, infelizmente, o meu sonho de ser um Chefe de cozinha foi super desvalorizado no meu país. Porém, quando eu decidi fugir da Guerra da Síria e vir para o Brasil em 2015, eu vi que essa profissão era bem valorizada aqui. Com isso, a minha mente abriu para voltar a sonhar e, assim, comecei a trabalhar para tudo acontecer. E, em 2019, eu me encontrei com o meu antigo sócio e, por meio da união de talento e vontade de empreender, abrimos o restaurante em fevereiro 2019”, partilha.

O empresário complementa que “eu tive um sócio nos primeiros seis meses de funcionamento do Zingo & Ringo. Então, de fevereiro de 2019 até agosto do mesmo ano. Ele também é sírio e entrou com 50% do capital. Mas, em agosto de 2019, eu comprei a parte dele e continuei a luta sozinho até o momento atual. Mas, é claro que eu tive muito apoio da equipe que trabalha comigo, principalmente, no período da pandemia de Covid-19, em que eles tiveram muita paciência comigo”, ressalta.
Perfil de cliente e cardápio do Zingo & Ringo
Hoje em dia, na concepção de Koussa, o perfil de cliente do Zingo & Ringo é composto por “aquela pessoa que não está só procurando comida. O nosso cliente é aquela pessoa que está correndo atrás de uma viagem completa na cultura (comida, sabor, música e informações) sobre o Oriente Médio, a Síria e as artes árabes”, afirma.

Em relação ao cardápio do restaurante, o empresário divulga que “subiu a escada junto com o restaurante gradualmente. Hoje, trabalhamos com um cardápio completo formado por dois pratos principais, sendo um deles o vegetariano, o Falafel com Pastas, e o outro de carne, o Kibe Assado na Brasa. A minha família é a minha maior inspiração. Para um árabe, comida significa família, reuniões, festas. Inclusive, o prato carro-chefe da nossa casa foi aprendido com a minha mãe, que ficou seis horas comigo em uma videoconferência acompanhando a preparação do nosso Kibe Assado na Brasa, desde colocar o trigo no molho até assar a receita”, relembra.

A assessoria de imprensa do restaurante endossa ainda que “totalmente dedicado à gastronomia árabe, o Zingo & Ringo traz no seu DNA o estilo tradicional e familiar de cozinhar. Com um cardápio generoso, o Zingo & Ringo tem como carro-chefe o Fattah em três opções – carne, frango e falafel; um prato tradicional da cozinha árabe para ocasiões festivas que mistura castanhas, grão de bico, coalhada, tahine, zaatar e pão sírio (R$ 49,90). Outros destaques são o Kebab de Shawarma – peito de frango assado na chapa, cortado em cubos e enrolado no pão sírio com alface, tomate, picles e molho de alho (R$ 27,99); e o Kebab de Falafel – bolinhas de falafel, alface, tomate, pepino, picles e molho de tahine enrolados no pão sírio – vegano (R$ 24,99). Outra opção tradicional bem executada é o Kibe Assado na Brasa, que é recheado com carne, nozes e temperos sírios que, de proporção generosa, é servido com batata rustica e tabule (R$ 49,99). Com tudo feito no capricho, a casa ainda oferece saborosas porções de hummos, falafel, baba ghanush e coalhada seca, além de uma generosa variedade de esfihas (R$ 9,99). Fechando o cardápio, o restaurante apresenta um irresistível menu de sobremesas com ingredientes delicadamente manuseados. Entre as opções imperdíveis estão: Atayef de Nata – pequenas panquecas recheadas de nata e umedecidas com calda de açucar, limão e água de rosas (R$ 17,99); Noites do Líbano – pudim de sêmola coberto com nata, chantilly e castanhas (R$ 17,99); Halawi de Queijo – charuto de semolina, mozarela e água de flor de laranjeira com recheio de creme de leite, castanhas e calda de açúcar (R$ 16,99)”, detalha.
Adaptações no Zingo & Ringo devido à pandemia de Covid-19
Assim como a maioria dos empresários do ramo de alimentação fora do lar, Koussa também sentiu os efeitos sociais e econômicos da pandemia de Covid-19 no seu negócio. No entanto, o empresário avalia que, realmente, toda crise também pode ser uma oportunidade e garante que assim agiu para que conseguisse crescer o restaurante mesmo em meio aos percalços ocasionados pelo necessário distanciamento social. “Para nós do Zingo & Ringo, a pandemia de Covid-19 não foi tão ruim assim. Mas, é claro que sofremos a crise financeira igual todo mundo. Entretanto, a pandemia de Covid-19 também nos forçou a entrar no mundo de delivery, que, inclusive, deu super certo. Prova disso é que, desde que começamos a comercializar os nossos pratos em domicílio, aumentamos o cardápio, adicionando muitos tipos de comidas diferentes e que combinam muito com o mundo de delivery. Além disso, atuar no delivery nos proporcionou uma maior propaganda para o restaurante, já que conseguimos chegar na casa do cliente por meio dos aplicativos de delivery. E, agora, nesta fase mais controlada da pandemia de Colvid-19, estamos recebendo muitos clientes que nos conheceram por meio do serviço delivery”, enfatiza.

Planos para o Zingo & Ringo
Koussa compartilha ainda que possui alguns planos para o crescimento do Zingo & Ringo. “O meu sonho é que o restaurante vire a maior rede de restaurante e centro cultural árabe na América Latina e no mundo. E eu acredito que estamos subindo essa escada gradualmente. Além disso, queremos apoiar financeiramente outros projetos e ONGS que cuidam dos refugiados no Brasil. Hoje, por exemplo, estamos trabalhando em um projeto de apoiar aulas de português gratuitas para os refugiados”, divulga.
Dica para alcançar o sucesso no mercado food service
Para Koussa, o segredo para alcançar o sucesso no atual mercado food service está em “amar o que faz. Está na sinceridade do seu trabalho, em aguentar os momentos difíceis, uma vez que eles são portas para os momentos bons. Além disso, é preciso escolher a pessoa certa para o lugar certo, trabalhar em equipe e em família, além de focar no marketing”, indica.
Por fim, o empresário aconselha para quem também quer investir na produção e comercialização de comida árabe, entre outras culinárias estrangeiras no Brasil, que “entre nesse ramo somente se você gosta mesmo de cozinha e não porque você tem dinheiro e quer investir. Afinal, trabalhar no ramo food service é bem sensível! É uma arte, é um talento! Então, somente desse jeito que você vai conseguir trabalhar com amor e conseguir o sucesso que almeja”, assegura.
E aí? Gostou de conhecer a história de Zingo & Ringo e do Koussa, não é mesmo? Então, continue nos acompanhando! Pois, aqui na Rede Food Service, toda semana, te inspirar a também empreender no ramo de alimentação fora do lar por meio de exemplos reais é o que nos move!


