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ERICK JACQUIN: o chef francês multiface que conquistou o Brasil com o seu ‘tompêro’

Em entrevista exclusiva à Rede Food Service, o chef, que prefere ser chamado de cozinheiro e já possui cinco negócios food service em São Paulo, capital, revela que o seu atual plano é aposentar e criar seus filhos

Foto: Denis Sonoda

 

‘Tompêro’, essa é a marca registrada de Erick Jacquin, o chef francês multiface que conquistou o Brasil, principalmente, após ser convidado para ser jurado do MasterChef Brasil, o famoso reality culinário atualmente transmitido no país pela Rede Bandeirantes e pelo Discovery Home & Health. Mas, muito se engana quem pensa que a vida de chef de Jacquin se resume a ser um astro de televisão. Pelo contrário! Atualmente, o Jacquin atrás das câmeras é um verdadeiro empreendedor, já possuindo, inclusive, cinco negócios food service em São Paulo, capital.

 

Em entrevista exclusiva à Rede Food Service, o chef, que prefere ser chamado de cozinheiro, revela as suas várias outras faces profissionais e pessoais, além de partilhar que o seu atual plano de vida é aposentar e criar os seus filhos. “Agora, quero ganhar dinheiro com os restaurantes para poder pensar no meu maior projeto no momento, que é a aposentadoria e criar os bebês”, afirma.

 

QUEM É ERICK JACQUIN?

 

Pelo fato de ter se tornado uma figura pública muito amada não só pelos brasileiros, mas por quase todo o mundo quando o assunto é gastronomia de verdade, não é difícil encontrar muitas definições de quem seja Erick Jacquin nos atuais meios de comunicação. No entanto, o próprio chef afirma que “antes de tudo, eu sou e sempre fui cozinheiro, um homem da cozinha. Faço o meu trabalho porque gosto e amo. Minha profissão é ser cozinheiro. O homem que cozinha, que recebe, que vende prazer pela gastronomia. Eu não gosto de comer no café da manhã, almoço muito pouco e, às vezes, nem como nada, mas adoro jantar”, divide.

 

Foto: Estruc Fotografia

 

Natural de Dun-sur-Auron, uma região central da França, próxima ao Vale do Loire, Jacquin tem 57 anos e já é naturalizado brasileiro. Casado desde 2015 com Rosangela Menezes Jacquin, é pai de Edouard Jacquin, de 24 anos, fruto do seu primeiro casamento, e dos gêmeos Elise e Antoine Menezes Jacquin, de 3 anos, filhos do casamento com Rosângela que, carinhosamente, ele chama de Rô. “A minha maior inspiração para cozinhar é a simplicidade, sempre! Por isso, a minha culinária é muito simples e boa, porque, quando é bom, não tem melhor. Eu adoro cozinhar em casa. Hoje, eu prefiro cozinhar até mais em casa do que no restaurante. Amo chegar na minha cozinha, em casa, e preparar algo para mim, para minha mulher. Gosto muito também de ficar na praia, no sítio cozinhando, ficar sozinho de vez em quando. Eu adoro!”, conta.

 

UM TALENTO QUE VEM DE BERÇO

 

Outra forte característica de Jacquin que pouca gente ainda conhece é que o seu talento como cozinheiro vem de berço. Afinal, ele relata que a sua vida “sempre foi perto da cozinha. Talvez eu tenha começado a gostar de cozinhar quando eu chegava da escola e sentia aquele cheiro gostoso da comida de minha mãe. Eu ia para escola de bicicleta e, em casa, no almoço e jantar, estávamos sempre juntos à mesa. Mas, eu sempre quis ser cozinheiro, sempre brinquei com panela. Nunca imaginei ser outra coisa e comecei a mexer com as panelas ainda menino. Eu tinha três, quatro anos e pegava as panelas da minha mãe, colocava um pano dentro. Com 13 anos, eu falei para o meu pai que queria ser cozinheiro. E meu pai falou: tem certeza? Você vai trabalhar sábado, domingo, o dia que as pessoas vão se divertir. Quando os outros forem se divertir, você vai ganhar dinheiro. Dia dos Namorados, você vai namorar com as panelas? E eu disse que tinha certeza do que queria. Então, o meu pai arrumou um emprego em uma confeitaria que tinha na minha cidade e falou: você não vai trabalhar por dinheiro, vai trabalhar para ver se você quer ser mesmo cozinheiro”, relembra.

 

Foto: Renan Foto Gastro

 

Saudoso em meio às suas lembranças, o chef acrescenta que, depois dessa sua primeira experiência na confeitaria, ele começou “a trabalhar em buffet de casamento. À noite, eu trabalhava de garçom e, de dia, de cozinheiro. E, mesmo trabalhando, o meu pai sempre me exigiu que eu continuasse os estudos. E, com 18 anos, eu tive a oportunidade de ir trabalhar pela primeira vez em um restaurante em Paris”, partilha.

 

ESTUDIOSO E EXPERIENTE

 

Jacquin é formado como cozinheiro pela École Hôtelière e relata que “estudei dentro de uma escola na minha própria cidade, em Dun-sur-Auron. Mas, eu continuo estudando, porque a gente nunca sabe tudo, sempre podemos aprender mais. A cozinha sempre tem coisas novas. Não tem um dia que a gente não aprende. É muito bom quando encerro um dia e vejo que hoje sei mais do que ontem”, considera.

 

Foto: Renan Foto Gastro

 

Sobre as suas experiências profissionais, o chef explica que “antes de chegar no Brasil, eu trabalhei em vários restaurantes em Paris, sendo que o último foi o Au Comte de Gascogne. Eu vim para o Brasil em 1995, para ser chef no Le Coq Hardy, em São Paulo, que já foi eleito o melhor restaurante do Brasil. Nesse período, eu fui eleito por diversas vezes o chef do ano. E, em 1999, eu inaugurei o Café Antique, também na capital paulista e que foi considerado naquele ano o melhor restaurante francês de São Paulo. Em 2004, eu inaugurei o restaurante La Brasserie Erick Jacquin, em São Paulo, também eleito várias vezes o melhor restaurante francês da capital paulista e do país”, ressalta.

 

COLECIONADOR DE PRÊMIOS

 

Durante toda a sua carreira, Jacquin sempre conseguiu se destacar e fazer a diferença sendo o cozinheiro que gosta de ser. Prova disso é que, hoje, ele é um verdadeiro colecionar de prêmios. Em contrapartida, ele assegura que “o meu melhor e maior prêmio é ver cada um dos meus clientes que frequentam meus restaurantes todos os dias e ver meus funcionários virem trabalhar com prazer, com paixão pelo que fazem. Eu já fui reconhecido pela Revista Forbes como uma das 25 personalidades mais importantes do país e conhecido por muitos como o ‘Chef dos Chefs’. Em dezembro de 1998, fui nomeado Maître Cuisinier de France, que é a mais alta honraria da Gastronomia Francesa, sendo o primeiro chef francês a receber esse título no Brasil e na América do Sul. E também recebi as honrarias Chevalier du Mérite Agricole e Chevalier de la Légion d´Honneur, que são prêmios concebidos pelo Governo francês”, se orgulha.

 

VISIONÁRIO E EMPREENDEDOR

 

Mais uma relevante face de Jacquin é o seu perfil visionário e empreendedor. Atualmente, inclusive, ele é “sócio com a minha esposa Rosângela Menezes Jacquin e o casal Orlando e Silvinha Leone nos restaurantes Président, de alta gastronomia francesa; Ça-Va Erick Jacquin, de comida de família, de bistrô; Buteco do Jacquin, comida de boteco com o ‘tompêro’ do chef; e o Lvtetia, restaurante italiano com o propósito de trazer uma gastronomia italiana mais leve, com menos molho, menos queijo, com toque francês. E temos ainda a marca própria de delivery chamada Jojo Gastrô”, divulga.

 

Foto: Renan Foto Gastro

 

É válido ressaltar que todos esses cinco empreendimentos de alimentação fora do lar do chef fazem parte de um projeto chamado ‘Roteiro Gastronômico do Chef Erick Jacquin’, “que oferece experiências diferentes para todos os perfis e bolsos. Tem o restaurante Président, que é alta gastronomia francesa. O Ça-Va Erick Jacquin, que é uma comida mais simples, aquela que as famílias francesas comem quando estão em casa e que é servida nos bistrôs franceses. O Buteco do Jacquin, que é a comida de boteco mesmo, aquela bem brasileira, mas com o meu ‘tompêro’. No Buteco, por exemplo, eu faço a verdadeira feijoada. E tem o Lvtetia, que, como os romanos chamavam Paris, lê-se Lutécia, que é um restaurante italiano onde eu apresento uma gastronomia italiana mais leve, com menos molho, menos queijo, com o toque francês. E tem ainda a marca própria de delivery, a Jojo Gastrô, que a pessoa pode levar para casa a minha comida e compartilhar com a família e amigos. E, em breve, vamos abrir uma steakhouse”, anuncia.

 

ATUALIZADO E INFLUENCER DIGITAL

 

Apesar de ter 57 anos e, obviamente, não ser fruto da era digital, Jacquin dá show em atualização quando trabalha com os meios digitais, principalmente, em relação às populares mídias sociais, em que, inclusive, é considerado um influencer digital.

 

Foto: Denis Sonoda

 

Hoje em dia, o chef possui uma loja online (www.erickjacquin.com.br), em que comercializa de tudo um pouco, mas sempre com o foco na gastronomia, como roupas, acessórios, casa e decoração, presentes e, claro, ‘tômperos’. Além disso, possui um perfil no Instagram (@erickjacquin) com nada menos que 2,8 milhões de seguidores, uma página no Facebook (@erickjacquintompero) com mais de um milhão de curtidas e um canal no YouTube (@ErickJacquin) com 1, 92 milhões de inscritos. Assim como, também está no Twitter (@erickjacquin) com uma audiência de 668,4 mil seguidores.

 

Para Jacquin, hoje em dia, “as mídias sociais têm um lado muito bom e muito ruim, porque, ao mesmo que a gente pode compartilhar experiências, a gente vê muita gente que é especialista em tudo. Mas, eu gosto de usar os meus perfis nas redes sociais para compartilhar com meus seguidores um pouco da minha rotina, dos meus restaurantes, da cozinha da minha casa, da minha família e também quero muito ensinar para as pessoas que elas podem cozinhar com prazer em casa, que é fácil, é possível. E é isso que eu procuro fazer com o meu canal do YouTube”, assegura.

 

TRANSFORMADO PELA PATERNIDADE

 

Com foco mais na sua vida pessoal, outra face de Jacquin é o fato de ele ser um homem e um profissional transformado pela paternidade. No entanto, ele avalia que essa característica ele só conseguiu mesmo adquirir na sua segunda experiência como pai. “O meu primeiro filho, Edouard Jacquin, que hoje tem 24 anos, quando nasceu, eu deixei o trabalho passar na frente e quase não o vi crescer. Mas, até mesmo aqui no Brasil, ele sempre estava nos restaurantes comigo. Ainda pequeno, ia na cozinha, ficava junto. E, atualmente, o Dudu sempre que pode, vem ao Brasil ou nos encontramos na França, sendo que já está formado, trabalhando. Nos falamos quase todos os dias. Os meus bebês gêmeos têm três anos e, agora, estou em uma fase que trabalho bastante também, mas consigo participar um pouco mais do que eu podia no início da minha carreira. Consigo ter um pouco mais de tempo em casa. Porém, vamos dizer que você tem menos tempo para criar os filhos quando você é pai aos 54 anos. De qualquer maneira, eu estou gostando muito e acho que vou ficar mais jovem com isso e, consequentemente, viver mais tempo. Eu aproveitei a quarentena para cozinhar mais para eles e a Rô. Ajudei-a um pouco a dar mamadeira para os bebês, dar banho. Mas, ainda assim, eu só consigo ver os gêmeos entre um compromisso e outro. Por isso, agora, eu quero ganhar dinheiro com os restaurantes para poder pensar no meu maior projeto no momento, que é a aposentadoria e criar os bebês”, reforça.

 

Reprodução Instagram

 

COZINHEIRO ACIMA DE TUDO

 

Por fim, Jacquin confirma que a sua face número um é ser um cozinheiro acima de tudo, o que, conforme ele, exige muito trabalho, esforço e, principalmente, dedicação e abdicação. “A vida de chef, na verdade o que eu vou falar não vale para o chef, porque a profissão é cozinheiro. Então, vale para todo cozinheiro. Enfim, o trabalho de cozinheiro, normalmente, passa na frente de tudo, da família, de tudo. Se você gosta, ama, quer fazer bem-feito, o sacrifício passa na frente de tudo, mas o prazer é gigante com o resultado. Tudo que você for fazer, você vai pensar em restaurante, comida, cliente. É muito gostoso. Mas, precisa ser perfeccionista, olhar todos os detalhes. Porém, quando você ama o que faz, nada disso é um problema”, conclui.

 

Esse é, realmente, ERICK JACQUIN, o chef francês que, por meio desta entrevista exclusiva à Rede Food Service, provou, mais uma vez, o porquê conquistou o Brasil com o seu ‘tompêro’ incomparável.

Escrito por https://redefoodservice.com.br/author/tabata/

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