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Mauricio Bomfim assegura que vida de chef é transformar alimento em arte

Como atual Gerente de Inovação Culinária na Kerry do Brasil, o chef partilha que ser chef corporativo exige ‘além de status, glamour ou estrelas Michelin’

Foto: Divulgação

 

Transformar alimento em arte. É assim que Mauricio Pereira Bomfim, de 38 anos anos, o atual Gerente de Inovação Culinária na Kerry do Brasil, empresa líder mundial no desenvolvimento de soluções em Taste & Nutrition, assegura que é, realmente, a vida de um chef corporativo como a dele. “Para mim, a vida de chef vai muito além de status, glamour ou estrelas Michelin. Vida de chef tem um propósito simples, que é o de transformar alimento em arte. E essa arte poder ser vista e consumida por todos que tem ‘fome de arte’. Hoje, a minha realidade profissional me permite isso. Pois, com o meu trabalho, eu posso alcançar milhares de pessoas com minhas criações por meio de nossos clientes, mesmo que de maneira indireta. E, quando eu vejo um produto que eu criei sendo consumido por milhares de pessoas através de nossos clientes, é uma honra inigualável de dever cumprido”, afirma em entrevista exclusiva à Rede Food Service.

 

Quem é Mauricio Bomfim?

 

Natural de Campinas, no interior do Estado de São Paulo, casado com a empreendedora Juliana e pai do futuro ‘Dr. Vinnicius Bomfim’, Bomfim “é um cara apaixonado por viagens e futebol, palmeirense roxo, apreciador de uma boa cerveja artesanal, amante de um bom churrasco e que adora cozinhar para os amigos e a família”, se apresenta.

 

Foto: Divulgação

 

Em relação ao seu lado profissional, ele divide que “o chef Mauricio é um apaixonado pela profissão e pelo trabalho que faz e que adora compartilhar suas experiências e conhecimentos para se desenvolver e desenvolver pessoas. Me dedico ao máximo em minhas atribuições e não desisto fácil dos meus objetivos.  Tenho paixão por cozinha e transformar produtos em experiências gastronômicas. A culinária raiz, tropeira ou mineira é uma das minhas preferidas, ainda mais quando feitas no tacho de arado e no fogão de lenha. Mas, como profissional, eu busco sempre estar atento a todos os estilos de culinária, estudando, testando e arriscando na cozinha”, garante.

 

O chef acrescenta que “equilibrar o lado pessoal com o profissional é fundamental para uma boa qualidade de vida, principalmente, quando se tem família e filhos. Evitar ao máximo de levar problemas de trabalho para casa ou de casa para o trabalho deveria ser a receita básica de todos os profissionais. Dedicar tempo de qualidade para sua vida pessoal, aproveitando lazer com a família, praticando alguma atividade física ou algum hobby, é essencial para ter uma mente tranquila e saudável para entregar o seu melhor resultado no trabalho. Essa ‘receita’, eu assino embaixo”, indica.

 

Formação e experiências profissionais

 

Formado em Gastronomia pelo  Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocinio (CEUNSP) e pós-graduado em Gestão de Negócios Empresariais pela Escola Superior de AdministraçãoMarketing e Comunicação de Campinas (ESAMC), as experiências profissionais de Bomfim no ramo da alimentação começaram quando ele ainda era um adolescente. “O meu primeiro contato profissional com o mundo dos alimentos foi em 1997, aos 14 anos de idade, quando comecei a trabalhar na confeitaria de uma padaria de alto padrão em Campinas. Não foi um momento fácil na minha vida, pois, como eu não estava indo bem nos estudos, minha mãe disse ‘já que você não quer estudar, você vai ter que trabalhar’. E foi aí que a minha mãe me colocou para trabalhar nessa confeitaria juntamente com ela. Sei que não foi uma decisão fácil, mas, hoje, agradeço a minha mãe todos os dias por ter feito isso. No início, como todo adolescente, não tinha muitas expectativas. Para mim, era apenas um emprego. Mas, aos poucos, eu fui descobrindo o meu dom pela confeitaria e pela culinária. Assim, me tornei um confeiteiro profissional aos 17 anos. Ao todo, foram 7 anos trabalhando com confeiteiro profissional. Mas, em 2004, eu resolvi arriscar e tentar mudar totalmente a minha vida profissional. Com isso, me mudei para o Rio de Janeiro e fui tentar a vida de ator. Cheguei até a fazer curso de teatro e fiquei um ano realizando figuração em alguns seriados e em uma novela na Globo. Porém, como diz o ditado, ‘o bom filho a casa torna’ e eu voltei. Em 2005, Ezequiel Martins, um grande amigo e propulsor para o mundo corporativo, me apresentou a Kerry e perguntou se eu gostaria de fazer um teste para trabalhar como consultor técnico e desenvolver a linha de confeitaria para o canal de food service. E, desde então, a minha carreira novamente voltava a tomar uma direção”, resume.

 

Foto: Divulgação

 

Como parte da equipe da Kerry, o chef conta que “em 2014, tive a oportunidade de trabalhar um ano em nosso Kerry Center, em Wisconsin, nos Estados Unidos. Nesse período, eu me desenvolvi e pude entender o verdadeiro papel do chef dentro da Kerry, o chamado ‘Way of Working’ do chef junto ao time de R&D, clientes e comercial. Foi um período muito rico e de muito aprendizado, além de ter a oportunidade de trabalhar com excelentes profissionais. Eu pude também explorar a rica culinária norte-americana. Além disso, tive a chance de fazer um tour gastronômico em Londres, Irlanda, Alemanha, Mexico, Chile, Argentina e Peru”, lista.

 

Rotina, desafios e metas

 

Conforme Bomfim, hoje em dia, a sua rotina como Gerente de Inovação Culinária na Kerry do Brasil é bastante corrida, mas, ao mesmo tempo, enriquecedora e o que realmente ele gosta de fazer. “Trabalhar com food service é algo muito dinâmico e, sem sombra de dúvidas, a minha paixão. Hoje, o meu foco principal está ligado à parte de inovação, criação de menu e insights para grandes redes e o mercado de carnes, além, é claro, de ter uma grande abrangência no canal de distribuidores para food service em bebidas e culinários. Nosso departamento de Menú Development, por exemplo, trabalha sempre em conjunto com o time de Marketing e R&D, desenvolvendo propostas de valores para um menu completo para os nossos clientes. Além disso, podemos contar com o nosso time de chefs e mixologistas a nível global para inovações, trazendo para os nossos clientes o que há de mais recente no food service em outras regiões”, afirma.

 

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O chef complementa que a “minha rotina e da minha equipe é sempre muito dinâmica. Para chegar no resultado de um bom prato, sanduíche, molho, bebida etc, gastamos muito tempo com pesquisas, desenvolvimentos, testes e mais testes. Até chegar no resultado final ideal e customizado para cada cliente é bastante trabalhoso. Pois, por trás de um bom prato, sempre temos muitas pessoas e departamentos diferentes trabalhado, o pessoal do Marketing trazendo tendências de mercado, seja a nível local, regional ou global, além dos chefs fazendo pesquisa em campo, degustando cardápios e explorando o mercado.  Com todas essas informações em mãos, chega a hora de testar e conectar o que foi explorado no mercado com as tendências capturadas. Ou seja, materializamos uma ideia em produto e sempre conectado com R&D”, explica.

 

Foto: Divulgação

 

Em relação aos seus atuais desafios e metas, Bomfim revela que o principal deles como chef corporativo hoje em dia “é continuar levando inovação para os nossos clientes por meio de nossas soluções em taste e nutrition e alimentos sustentáveis alinhados com a nossa plataforma plant-based. Afinal, em meio à toda essa pandemia de Covid-19, conseguimos desenvolver soluções para nossos clientes para atender a alta demanda de delivery. Assim como, levamos a experiência de consumo para a casa de cada consumidor”, comemora.

 

Vida de chef premiada

 

Durante a sua carreira, Bomfim também já foi premiado algumas vezes. “Aos 15 anos, recém-profissional de confeitaria, eu fui premiado entre mais de 700 experientes confeiteiros do Brasil e fiquei em 7º lugar em um campeonato da área. Um ano depois, no mesmo campeonato, alcancei o 4º lugar e, um ano mais tarde, enfim, a glória ao ser o primeiro colocado em um concurso de chocolateria. Uma história que começou muito cedo na confeitaria e que me trouxe um grande reconhecimento, em 2009, quando fui convidado pela revista Padaria 2000 a participar de um livro com os 10 melhores chefs confeiteiros do Brasil, o chamado ‘Grandes Chefs da Confeitaria’. E, em meio a milhares de excelentes profissionais que temos no Brasil, estar entre os dez, com certeza, não tem preço”, comemora

 

Visão de mercado e adaptações frente à pandemia de Covid-19

 

Na visão do Gerente de Inovação Culinária na Kerry do Brasil, “o mercado de food service, com certeza, foi um dos mais afetados pelo fechamento dos comércios durante a pandemia de Covid-19 e, agora, com a volta das atividades, os consumidores além de estarem preocupados com sua saúde, estão muito mais exigentes. A alimentação já ganhou outro conceito. O consumidor está muito preocupado com a alimentação diária. Está mais atento a tudo que consome, se preocupando, cada vez mais, com os rótulos de embalagens e com a fonte confiável de quem produz. Ou seja, alimentação saudável e sustentável tem ganhado mais espaço no cardápio dos brasileiros”, avalia.

 

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O chef frisa também que, desde o começo da pandemia de Covid-19, na sua realidade profissional, muitas coisas precisaram ser mudadas e/ou adaptadas, assim como ocorreu com a maioria dos profissionais do segmento de food service.  “A maneira de atuar e apresentar um menu para os nossos clientes foi o principal impacto de mudança para mim. Eu estava acostumado a ter pessoas e clientes tomadores de decisão à minha frente, degustando e avaliando os meus produtos. Mas, quando veio a pandemia de Covid-19 e percebi que isso não iria mais acontecer, pelo menos não tão cedo, aí foi preciso reinventar a maneira de apresentação. No entanto, como fazer com que a experiência de estar ali com o cliente não fosse perdida? Foi então que começamos a fazer nossas degustações e apresentações online, sempre preparando kits de produtos e enviando para os nossos clientes em suas empresas ou mesmo em suas casas. E, no momento da degustação, cada um preparava seu produto com orientação previa do chef. Hoje, vejo que o lado bom de tudo isso foi que aprendemos que podemos atingir um número maior de pessoas e em diferentes localidades para realizar uma apresentação de produtos de maneira virtual. O show não parou! Apenas mudamos a maneira de como fazer o espetáculo”, destaca.

 

Inspirações e vivências inesquecíveis

 

De acordo com Bomfim, a sua grande inspiração como chef “é o Jefferson Rueda. O seu trabalho e a maneira de gerenciar e levar seu produto para todos os públicos, sem sombra de dúvidas, é muito inspirador. Revitalizar o centro de São Paulo por meio da gastronomia não é para qualquer um”, alega.

 

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Já pensando em vivências inesquecíveis, o chef ressalta que, durante a sua carreira, “várias experiências me marcaram. Entretanto, tem dois momentos em minha vida profissional que eu jamais vou me esquecer. O primeiro deles foi uma frase que me marcou muito. Após um jantar que eu realizei para alguns clientes, uma pessoa se dirigiu até mim com os olhos vermelhos, como se tivesse chorado muito, me cumprimentou com um abraço e disse: ‘hoje, depois de mais de 50 anos, eu me senti como se tivesse nos meus 10 anos. A sua comida me levou até o meu passado e me fez lembrar de minha saudosa mãe cozinhando para mim’.  A outra foi em uma ação que fazemos anualmente para pessoas em situação de rua que se chama ‘Natal Sem Fome’. Pois, em uma das edições, enquanto transportávamos eles para um local fechado e preparávamos uma ceia de Natal com mesa farta, roupa limpa, banho, corte de cabelo, unhas e muito mais, um jovem, após comer, veio até a mim e disse: ‘eu não sabia que comida de Natal era tão gostosa, porque eu nunca tive uma ceia na minha vida’.  São momentos como esses que fazem um chef pensar: ‘eu consegui!’. Fazer as pessoas se emocionarem por meio da sua comida não é uma tarefa fácil, mas, quando você consegue, não há nada que pague esse momento”, assinala.

 

Dica do chef

 

Por fim, o Gerente de Inovação Culinária na Kerry do Brasil aconselha que quem quer seguir uma carreira de chef corporativo como a dele precisa “investir, arriscar, escutar, estudar, errar para aceitar, pesquisar e ser ousado. Afinal, cozinhar qualquer pessoa pode. Basta seguir uma receita! Mas, levar sua essência e amor para um prato, ahh… isso só acontece com quem é apaixonado pelo o que faz e é isso que faz com que cada chef seja diferente um do outro: a sua essência”, indica.

 

E aí? Muito inspiradora a vida de chef de Mauricio Bomfim não é mesmo? Então, continue nos acompanhando, pois, toda semana, aqui na Rede Food Service, nós desvendamos para você os bastidores do que, realmente, é um ser chef de cozinha atualmente.

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