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PAIS NO FOOD SERVICE BRASILEIRO

Histórias de negócios de alimentação fora do lar que são fruto do trabalho conjunto entre pais e filhos (as)

Negócios "De Pais para Filhos" e "De Pais com Filhos" - Fotos: Arquivo Pessoal

 

Você sabia que 90% das empresas ativas no Brasil são familiares e contribuem para o crescimento do país? Pois é! Além disso, a história do empreendedorismo brasileiro está diretamente relacionada com o enredo das empresas familiares, que, em grande maioria, se originaram com os pais transmitindo o seu ofício aos filhos (as). Assim como, pesquisa realizada em 2020 pela PwC Brasil com 69 países, incluindo o Brasil, indica que, desde o advento da atual pandemia de Covid-19, o empreendedorismo familiar cresceu consideravelmente, sendo que 53% dos empreendedores familiares brasileiros estudados nesse levantamento são da segunda geração de parentesco e 72% deles acreditam poder transformar as corporações familiares por meio de ferramentas digitais.

 

No ramo food service, as empresas familiares também são bastante comuns e grande maioria cresceu e vem crescendo a cada dia por meio do espírito visionário e empreendedor do seu fundador em saber deixar um legado aos seus herdeiros (as), assim como conseguir transmitir, de fato, a sua paixão pelo mercado de alimentação fora do lar. Por isso, em comemoração ao Dia dos Pais, celebrado no dia 8 de agosto neste ano de 2021, a Rede Food Service traz nesta edição a história de tradicionais negócios de alimentação fora do lar que são fruto do trabalho conjunto entre pais e filhos (as) e, por isso, ilustram muito bem o tão quanto empreender em família tem suas vantagens e diferenciais no mercado nacional food service.

 

Conheça, a seguir, algumas histórias sobre negócios food service onde as vidas de pais e filhos se misturam:

 

ARMANDO FILHO E A ESFIHARIA EFFENDI

 

Armando Deyrmendjian Filho, de 34 anos, é formado em Comunicação Social, com ênfase em Rádio e TV pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo, capital, mas, atualmente, administra o negócio da sua família: a Esfiharia Effendi, que é localizada no bairro da Luz, na capital paulista. “Meu negócio é um restaurante armênio chamado Esfiharia Effendi, que é especializado em esfihas. Foi fundado em outubro de 1973 pelos meus avós, Pedro Deyrmendjian e Verônica Deyrmendjian, e herdado e continuado pelo meu pai, Armando Deyrmendjian. Hoje em dia, todos já faleceram e sou eu quem estou à frente do empreendimento. Estamos localizados na Rua Dom Antônio de Melo, número 77. No começo, o nosso público era, em sua maioria, composto por descendentes da comunidade armênia. Entretanto, de uns anos para cá, isso vem mudando bastante, principalmente, por causa do alcance que a Internet deu para novas pessoas conhecerem o local e pela curiosidade do público em experimentar comidas tradicionais”, conta.

 

Armando Deyrmendjian Filho – Foto: Arquivo Pessoal

 

Apesar de Filho ainda não ser pai, ele reconhece a importância de ter dado continuidade ao negócio food service de seus avós e pai. “Meu pai sempre me falava que meu nome era igual ao dele porque eu seria o seu sucessor. Era o sonho de vida dele que eu continuasse com o negócio de família. Entretanto, eu tinha a ingenuidade, e não me arrependo, de que eu precisava correr atrás dos meus sonhos. Sendo assim, cursei a faculdade de Rádio e TV com o intuito de trabalhar com cinema. Acabei trabalhando durante anos na área de produção de programas de televisão. Mas, em 2012, quando meu pai começou a ficar doente, resolvi largar tudo e assumir o lugar dele. No começo, eu estava muito nervoso, questionando minha capacidade de estar à altura do desafio. Não foi fácil, porém, peguei isso tudo como um projeto de vida e não me arrependo nem um pouco de ter tomado essa decisão”, partilha.

 

Os avós Pedro Deyrmendjian e Verônica Deyrmendjian, Negócio de pais para filhos- Arquivo Pessoal

 

Para o empresário, o mercado food service é um segmento de pais e filhos, mas também “um segmento muito abrangente e que não se limita somente a pais e filhos (as). Entretanto, fazer comida, para mim, é algo que, se vier vinculado à uma história, melhor fica. Eu tenho muito orgulho de continuar com o legado dos meus avós e do meu pai, pois, além de estar dando continuidade com o projeto de vida deles, eu permaneço colaborando para manter viva a cultura armênia”, afirma.

 

Para saber mais sobre a Esfiharia Effendi, CLIQUE AQUI!

 

ROGÉRIO MARQUES E A FRITTES

 

Rogério Marques, de 57 anos, é formado em Engenharia Elétrica e, depois de se aposentar, resolveu empreender no mercado de alimentação fora do lar juntamente com os seus filhos por meio do negócio Frittes Batata no Cone Ltda, que fica no Shopping Bonsucesso, em Guarulhos, São Paulo. “Eu era Gerente de uma empresa de energia elétrica. Atualmente, estou aposentado e me considero um investidor de empreendedorismo dos meus filhos que trabalham comigo. Tenho dois filhos. Lucas, que é o responsável pela loja, formado em Direito e que trabalhava na área. E o outro é o Gabriel, um estudante de Veterinária que, devido à pandemia de Covid-19, deu uma parada. Mas, o objetivo dele é, ainda no final deste ano, ir para a Europa e continuar os seus estudos por lá. O nosso negócio também é caracterizado por uma loja de passagem em que as pessoas, observando, têm a vontade de comer um petisco, algo que dá lhe traga uma satisfação momentânea. Não chega a ser uma alimentação completa, como um almoço ou jantar, mas oferecemos um lanche intermediário. Essa sempre foi a ideia do projeto. Nós queríamos algo que fosse diferenciado e fora da praça de alimentação, pois não queremos concorrer com quem serve alimentação completa e sim trabalhar com um serviço de lanche rápido. E, hoje em dia, as pessoas não querem mais parar para almoçar e jantar e sim pegar e comer algo que sacie aquela fome e pronto”, afirma.

 

Rogério Marques e os filhos na obra do novo negócio da família – Foto: Arquivo Pessoal

 

Marques relata que decidiu virar um pai do food service por motivação da aposentadoria. “Aposentado, eu queria fazer algo, investir em algo diferente. Assim, nós começamos a procurar ideias, mas dentro dessa linha, até então, surgiu a ideia de batata no cone, que é um trabalho diferenciado e a gente não quer ficar só na batata. Pretendemos trabalhar com outros tipos de alimentos que deem certo nessa mesma linha. Durante o planejamento da Frittes, o objetivo da loja se tornou uma franquia. Então, fizemos todo o todo o preparo dela, desde o desenho da loja toda, até as suas características de marca, para que a gente pudesse franquear no futuro. Essa é a nossa marca, o nosso jeito de trabalhar e fazer negócio. O nome de Frittes é um nome idealizado pelo meu filho Lucas. Eu entrei como investidor, Lucas como o administrador e Gabriel como um apoio. Somos bem mais que um negócio de família. Somos um sonho e uma necessidade. Meu filho Lucas estava indo muito bem na área de Direito, mas ele tinha a vontade de crescer financeiramente de maneira mais rápida. Afinal, liberdade financeira é importante e, para que isso ocorresse, ele precisava ter novas possibilidades. Então, ele se encontrou comigo e o nosso negócio food service se tornou uma oportunidade nessa questão. Eu, como pai e investidor, identifiquei nele também um potencial muito grande de sucesso e começamos a fazer esse trabalho. Inicialmente, o trabalho começou como um empreendimento de família, mas já é algo que a gente enxerga que, futuramente, vai ficar muito profissional”, espera.

 

Foto: Arquivo Pessoal

 

O empresário acredita que o mercado food service é sim também um segmento de pais e filhos, mas alerta que isso exige atenção sobre a melhor forma de conduzir a relação de família e negócio. Eu tenho que me policiar, porque, como pai, a gente sempre acha que pode falar o que quiser, definir as coisas e pronto. E não é bem assim! Tudo é aprendizado e é preciso entender que temos um comércio, que faz parte de um nicho extremamente competitivo e, por isso, precisa de constante renovação e muita criatividade. Mas, isso a gente tem de sobra. Os meus filhos, tanto o Gabriel, quanto o Lucas, são pessoas que são bastante criativas. Temos também o apoio da minha esposa, que faz parte da culinária do negócio, pois é mestre e conhece muito bem essa área. Ela tem o dom da cozinha e isso traz os grandes segredos que a gente tem nos nossos muros, naquilo que, realmente, é dar o toque especial para o produto que a gente vende. E eu fico como um orientador e bastidor, alguém que possa ajudar naqueles momentos de maior incerteza. O que dá uma palavra para alinhar ou até ajustar os caminhos. Hoje, eu sinto um orgulho enorme em ser um empreendedor junto com os meus filhos.  Isso nos trouxe novos relacionamentos e novas comunicações, pois passamos a tratar de vários assuntos os quais todos têm o mesmo objetivo. Então, é realmente uma dádiva. É um presente de Deus e é algo muito interessante por ser uma transformação, uma acolhida muito maior. Eu fico muito orgulhoso mesmo e muito agradecido de estar participando dessa operação e ver meus filhos formados trabalhando junto comigo. Isso, realmente, traz uma grande satisfação para mim”, garante.

 

Para saber mais sobre a Frittes, CLIQUE AQUI!

 

LUIZ EDUARDO E O BAR DO LUIZ FERNANDES

 

Luiz Eduardo Fernandes, de 56 anos, é empresário e atual proprietário do Bar do Luiz Fernandes, fundado em 1970 pelo seu avô e que, hoje, possui três unidades em São Paulo, capital, além de uma empresa de congelados e eventos. No entanto, a história do negócio food service de família, cujo produto carro-chefe são os bolinhos de carne, começou mesmo em 1937, quando o avô de Fernandes abriu um pequeno empório na Rua Augusto Tolle, mesmo local da primeira unidade do Bar do Luiz Fernandes e onde eram comercializados produtos nacionais e importados. No entanto, no decorrer do tempo, a concorrência dos supermercados acabou abalando o empreendimento, que acabou sendo transformado em um bar. “Hoje em dia, a nossa motivação é entreter as pessoas com comida de qualidade e bebidas mais geladas possível. Nosso público é muito diverso, com grande presença das mulheres, o que não acontecia anos atrás”, relata Fernandes que, atualmente, administra o seu empreendimento de família com a ajuda de suas três filhas.

 

Luiz Fernandes e suas filhas no negócio da família – Foto: Arquivo Pessoal

 

Formada em Gastronomia e estudante de Psicologia, Catarina Fernandes, de 28 anos, foi a primeira a se tornar funcionária do pai. Em seguida, Fernandes ganhou o reforço de Carolina Fernandes, de 24 anos, que é nutricionista e a responsável por fazer o gerenciamento dos perfis das mídias sociais do Bar do Luiz Fernandes, e Clara Fernandes, de 19 e estudante de Administração. “Eu comecei a trabalhar com meu pai e avô aos 12 anos de idade e me tornei pai aos 27. Por isso, é quase impossível separar os papeis de pai do food service e pai das minas filhas. Somos uma empresa familiar muito antiga e tudo se entrelaça“, destaca Fernandes.

 

Luiz Fernandes – Foto: Arquivo Pessoal

 

Na visão do empresário e suas três filhas, “o mercado de food service é marcado por empresas familiares, uma vez que a barreira de entrada nessa área é bem baixa. Muitos pensam que não é preciso ter uma formação e/ou conhecimento específico para entrar no ramo de alimentação fora do lar. As pessoas imaginam que é só ter um ‘dinheirinho’ para investir, mas, isso, às vezes, pode atrapalhar por gerar um excesso de confiança que não é seguro. A verdade é que essa área é muito competitiva e já conta com estabelecimentos bem estruturados e tradicionais. Por isso, é preciso ter um diferencial e saber separar negócios e família. No entanto, acreditamos que dá certo sim trabalhar em família, principalmente, se os integrantes mais novos decidem mesmo se entregar e estudar sobre esse ramo. É preciso vestir a camisa e não enxergar a empresa familiar apenas como uma fonte de dinheiro, pois ser pai e filhos (as) do setor food service exige muita dedicação”, aconselha Fernandes.

 

Para saber mais sobre o Bar do Luiz Fernandes, CLIQUE AQUI!

 

SIDEMIR ALTAREJO MUNHOZ E A HAMBURGUI

 

Sidemir Altarejo Munhoz, de 59 anos, é Supervisor Comercial e, juntamente com o seu filho, Guilherme Munhoz, de 34, fundou e administra a Hamburgui, que é localizada  no bairro de Jundiaquara, em Araçoiaba da Serra, município do Estado de São Paulo pertencente a Região Metropolitana de Sorocaba. “Há cinco anos mais ou menos, eu e meu filho já trabalhávamos juntos em nossa fábrica de etiquetas e rótulos que fica em Sorocaba, interior de São Paulo. Mas, com o surgimento da pandemia do Novo Coronavírus e suas restrições, detectamos uma carência na região em que estávamos e foi, assim, que surgiu a Hamburgui. A nossa proposta é oferecer hamburgueres artesanais preparados na churrasqueira, com montagens diferenciadas e que sejam capazes de proporcionar aos nossos clientes uma ‘experiência’ em cada mordida. Qualidade acima de tudo!”, afirma.

 

Sidemir Munhoz e Guilherme com a “equipe” no Hamburgui – Foto: Arquivo Pessoal

 

Segundo Munhoz, o seu negócio food service em conjunto com seu filho funciona “apenas durante os finais de semana, sendo de sexta a domingo, a partir das 18h. Produzimos cerca de 300 unidades por final de semana, dentre as diferentes montagens que oferecemos”, informa.

 

Para o Supervisor Comercial, trabalhar com seu filho é muito importante, além de representar a possibilidade da realização de planos em família. “Não tem como não enaltecer a paixão do Guilherme por esse universo dos hamburgueres, sendo ele o responsável em grande parte pela criação, desde o blend, até as montagens. O negócio envolve também minha esposa Claudete e a nora Patrícia. Juntos, formamos um time empenhado e harmonioso. O maior objetivo na vida de um pai é ver a felicidade dos filhos e ter a oportunidade de empreender juntos, seja em food service ou em qualquer outro segmento, ajudando-os a realizar os sonhos, é, sem dúvida, muito gratificante. Nós quatro, Guilherme, Claudete, Patrícia e eu procuramos nos revezar de forma a não sobrecarregar ninguém e para que todos possam participar. Já os nossos funcionários cada um têm sua função específica e principal, mas incentivamos que colaborem entre si para que todos possam saber e fazer tudo. Até porque o food service é um segmento, como tantos outros, para quem tem vontade de empreender”, ressalta.

 

Para saber mais sobre a Hamburgui, CLIQUE AQUI!

 

E aí? Se identificou com um desses pais do food service e também quer que a sua história no ramo de alimentação fora do lar seja contada por nós? Então, envie e-mail para [email protected]. Afinal, a Rede Food Service foi criada para, a cada dia mais, dar voz para quem, de fato, faz esse segmento acontecer no Brasil e no exterior.

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