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‘Hey, amigão!’, ‘Oh, camarada!’, ‘E aí, campeão?’, ‘Chefia!’… Hoje é o dia do Garçom!

Nesta quarta-feira, 11 de agosto, a Rede Food Service desvenda como é e está o mercado de trabalho desta importante e emblemática profissão

Foto: Getty Images

 

‘Hey, amigão!’, ‘Oh, camarada!’, ‘E aí, campeão?’, ‘Guerreiro’, ‘Chefia’ e por aí vai. Esses são alguns dos vários chamamentos que mais escutamos quando vamos em algum bar, restaurante e/ou lanchonete, não é mesmo? Pois é! Tratam-se de apelidos carinhosos e extrovertidos comumente dados pelos brasileiros a um dos profissionais mais essenciais para o funcionamento do mercado food service: o garçom.

 

Nesta quarta-feira, dia 11 de agosto de 2021, é comemorado o Dia do Garçom. Por isso, em celebração à uma data tão importante, nós da Rede Food Service trazemos um aparato do que é preciso para tornar-se um garçom, além, é claro, de desvendarmos como anda a profissão e o seu mercado no Brasil.

 

Regulamentação da profissão de garçom

 

Apesar de ser uma atividade profissional bastante antiga, a profissão de garçom só foi regulamentada há apenas quatro anos.

 

No texto aprovado pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados, no dia 7 de agosto de 2017 e oriundo do Projeto de Lei 6227/13, do deputado Wilson Filho (PMDB-PB), garçom é aquele que, em estabelecimentos do ramo de hotéis, restaurantes, bares e similares, exerce a função de servir alimentos e bebidas a clientes. Assim como, tem o direito a um piso salarial no valor de R$ 2.811,00 para uma jornada de 8 horas diárias, devendo as horas extraordinárias serem pagas com 50% de acréscimo sobre o salário legal ou contratual. Além disso, desde a regulamentação da profissão de garçom, os serviços prestados por esse profissional entre 19hs e 6hs devem ser remunerados com 30% de acréscimo sobre o salário legal ou contratual e a conhecida ‘gorjeta’ foi institucionaliza como um adicional nunca inferior a 10% do valor da conta dos clientes, devendo ser distribuído entre os empregados que trabalham no mesmo horário.

 

Dep. Wilson Filho – Foto: Divulgação

 

No Brasil, atualmente, um dos órgãos defensores da categoria de garçons é o Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis, Apart-Hotéis, Motéis, Flats, Pensões, Hospedarias, Pousadas, Restaurantes, Churrascarias, Cantinas, Pizzarias, Bares, Lanchonetes, Sorveterias, Confeitarias, Docerias, Buffets, Fast-Foods e Assemelhados de São Paulo e Região (SINTHORESP). No site da entidade, consta que “ser garçom é mais que uma profissão, é uma vocação! O Sinthoresp se orgulha de ser o representante desses profissionais que são apaixonados pela arte de bem servir e essenciais para o funcionamento dos restaurantes e pela satisfação dos clientes”.

 

Origem do Dia do Garçom

 

Dia 11 de agosto também é celebrado o Dia do Advogado. No entanto, segundo dados divulgados pelo SINTHORESP, “a comemoração no mesmo dia não é uma coincidência. O Dia do Advogado veio primeiro, em homenagem à fundação do Centro Acadêmico XI de Agosto, órgão representativo dos estudantes de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, e a entidade estudantil mais antiga e tradicional do país. A exemplo de muitos companheiros, nosso presidente Francisco Calasans Lacerda trabalhou na categoria como garçom. Ele, que também é advogado, formado na Velha Academia, fundada em 11 de agosto de 1903, no Largo de São Francisco, conta a origem dessa comemoração, que tem relação com o Dia da Pendura. Ele conta: ‘Nessa data, os estudantes de Direito frequentavam restaurantes e, depois, não pagavam a conta. Diante disso, muitos empresários fechavam as portas e os garçons ficavam sem ter o que fazer. Daí, nasceu a data que nos homenageia. Conta-se que, no Dia da Pendura, muitos estudantes de Direito, embora não pagassem a conta nos restaurantes, faziam questão de garantir o pagamento da gorjeta aos garçons, demonstrando, assim, o reconhecimento e respeito ao trabalho desses profissionais. É aí que as duas celebrações se misturam. No SINTHORESP, nós representamos os garçons, nossa diretoria é composta por muitos deles e também nos dedicamos a defender esses profissionais por meio da atuação do nosso departamento jurídico”, explica.

 

Francisco Calasans Lacerda, presidente do Sinthoresp – Foto: Divulgação

 

Outra curiosidade sobre o Dia do Garçom é que a origem da palavra garçom vem do francês garçon, que significa rapaz ou garoto. Entretanto, em português, o termo quer dizer ‘funcionário de estabelecimento de restaurante ou de hotelaria que serve os clientes nas mesas ou no balcão’. Por isso, acredita-se que, a partir de tais significados, os brasileiros começaram a associar a palavra garçom como profissão à medida que vivenciavam os franceses chamando de garçon os jovens atendentes de bares e restaurantes.

 

Sabe-se ainda que, antigamente, ainda nas tabernas, ou seja, comércios ou casas de famílias que atendiam os forasteiros e os pousos de passagem, as meretrizes e taberneiros já utilizam o serviço de atendentes para servirem porções de alimentos e bebidas aos seus clientes. Porém, a profissão só foi sendo definida e reconhecida no Brasil juntamente com a evolução do mercado de alimentação fora do lar.

 

Para trabalhar como Garçom

 

Como toda profissão regulamentada, a maneira mais indicada e eficaz de tornar-se um garçom é se preparando para tal, incluindo estudo e prática.

 

Atualmente, várias instituições de ensino ofertam diferentes cursos de garçom no Brasil, inclusive de maneira virtual, como é o caso do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Tyelle Panatta Wiggers, de 36 anos, é uma das docentes dos cursos do Eixo Turismo\Hospitalidade na modalidade EAD da entidade e partilha que “trabalho no Senac há 12 anos e, no EAD especificamente, cerca de 8 anos. Oferecemos o Curso de Garçom na plataforma virtual desde 2013, contribuindo para o acesso de muitas pessoas à qualificação profissional. Entre 2015 e 2020, por exemplo, 211 pessoas concluíram o curso e foram certificadas. Nosso curso tem durabilidade de 240 horas e contempla as seguintes unidades curriculares: UC1: Organizar o ambiente e os processos de trabalho do Garçom  – 48 horas; UC2: Recepcionar e atender clientes no setor de alimentos e bebidas – 84 horas; e UC3: Servir alimentos e bebidas – 84 horas. Nosso curso, por ser virtual, é composto por atividades e simuladores que os permitem ter uma maior aproximação com a realidade do mercado de trabalho. Além disso, a equipe está disponível todos os dias úteis para sanar dúvidas, fazer explanações, tecer comentários e auxiliar na aprendizagem do nosso aluno. O custo do nosso curso é de 504,00 reais e temos vouchers de desconto, que chegam até 20% do valor total. O investimento no curso é facilmente retornável com o trabalho. Podemos dizer que a média de um ‘extra’ para garçons oscila entre 150 e 250 reais, por exemplo. Claro, se paga mais, quando o serviço exige maior qualificação. Mas, vejo como diferencial do nosso curso termos as marcas formativas do Senac e cultivarmos no nosso aluno a capacidade de desenvolver habilidades, atitudes e valores que contribuam para o seu desenvolvimento pessoal e profissional. Além de um material de estudos atualizado frequentemente, ter à sua disposição a equipe e um professor com qualificação e know how na área de formação dos alunos nos faz importante no segmento de educação Ead. Também vejo que nosso curso virtual busca aproximar o aluno do professor para que ele não seja apenas um número ou estatística. Gostamos de humanizar o atendimento on-line para que criemos vínculos e nos aproximemos ao máximo da sensação de acolhimento que nos é tão importante no ensino presencial”, divide.

 

Tyelle Panatta Wiggers, Docente do Senac – Foto: Divulgação

 

A docente partilha também que, além da formação acadêmica, quem deseja tornar-se um garçom precisa, antes de tudo, “gostar de gente, gostar de servir, de interagir e não medir esforços para que o cliente tenha uma experiência positiva. A técnica se adquire, mas o prazer em servir é pessoal e intransferível”, garante.

 

Atual mercado de trabalho para os garçons

 

Na compreensão de Wiggers, “o mercado de trabalho para garçons sempre foi muito amplo, cheio de possibilidades e muita oferta de trabalho. Porém, com a pandemia de Covid-19, em 2020, essa realidade foi drasticamente ceifada, deixando muitos profissionais da área desempregados. Com a pandemia, o mercado de trabalho, para todo o setor de turismo e gastronomia, sofreu um declínio na oferta de empregos e oportunidades para freelancers. E, com isso, a qualificação torna-se ainda mais importante, pois há muitos trabalhadores disponíveis e o mercado escolhe os melhores, os mais qualificados. Vejo que há menos chances para os ‘oportunistas’ que, nem sempre, tem vocação ou capacidade para execução do trabalho. No entanto, para o verdadeiro profissional, motivado, interessado, proativo e qualificado, sempre há espaço e oportunidades. Mas, sem dúvida, a formação profissional é essencial para a colocação do garçom no mercado de food service, que, a cada dia, é mais exigente. Porém, como sempre digo aos alunos, só o certificado não ganha o jogo! É, na prática, que o garçom demonstra sua qualidade e capacidade. A formação é decisiva na contratação do profissional, mas ele precisa fazer jus a ela, colocando em prática a higiene, honestidade, boa vontade, determinação, adaptação, técnicas e muito amor pelo ofício”, orienta.

 

Foto: Divulgação

 

Já sobre as perspectivas para este ano, a docente afirma que “2021 começou com ares mais positivos e, novamente, o mercado dos garçons começa a expandir. As oportunidades são tantas neste segmento que o garçom pode trabalhar fixo ou como freelancer e há vagas de diversos formatos, em restaurantes, bares, boates, praia, hotéis, navio de cruzeiro, casas de família, eventos de todo tipo, de coquetéis intimistas a jantares de gala. Em algumas cidades, até em velórios há garçons! Pois, afinal de contas, em praticamente toda reunião há algo para comer ou beber e é preciso de alguém para realizar o serviço, seja ele simples ou complexo”, acredita.

 

Tendências

 

Ainda conforme Wiggers, a atual tendência é que o perfil de quem queira tornar-se um garçom varie a cada dia. Além disso, ela revela que uma nova atuação relacionada que surgiu nos últimos tempos é uma boa aposta para quem tem esse propósito de vida. “Hoje, o nosso público no Curso de Garçom é bem variado, pois atendemos desde alunos que não tem nenhuma experiência até profissionais que contabilizam vários anos no mercado de trabalho, assim como alguns empreendedores do ramo da gastronomia e outros imigrantes que tentam uma nova profissão. Mas, recentemente, temos tido bastante procura de ‘concurseiros’ pleiteando vagas como Taifeiros da Aeronáutica”, aponta.

 

Caio Rodrigues da Cunha, de 24 anos, é um dos alunos do Senac que procurou o Curso de Garçom com o intuito de prestar tal concurso. “Eu nunca trabalhei como garçom. O ponto específico da minha história como garçom refere-se a um concurso de Taifeiro para a Aeronáutica que prestei e passei. Dentro do escopo das atividades de Taifeiro, que é um profissional responsável por cuidar da manutenção e limpeza de camarotes e áreas comuns em uma embarcação/plataforma, está o serviço de garçom. Portanto, até agora, eu não entrei em prática, por mais que o curso tenha me ajudado a entender certas chaves que auxiliam a gente no exercício dessa profissão. Na minha família, sempre houve o sonho de seguir a carreira militar e surgiu a oportunidade de ingresso na Aeronáutica. Mas, como tenho apenas 24 anos, a única prova que eu tinha possibilidade de fazer para a área militar era a de Taifeiro. Sendo válido ressaltar que o concurso militar exigi um diploma de arrumador/garçom e o Curso de Garçom do Senac EAD concede as horas necessárias. Ou seja, o Senac EAD me capacitou de modo a poder fazer a prova e entrar como Taifeiro da Aeronáutica. E eu posso, inclusive, chegar até suboficial ao longo da carreira”, pontua.

 

Caio Rodrigues da Cunha, aluno do Senac – Foto: Arquivo Pessoal

 

Por fim, na avaliação de Cunha, “o Curso de Garçom do Senac EAD me mostrou que, muitas vezes, a pessoa não quer só ser servida, mas ela quer desabafar. E é muito interessante ter o discernimento para entender o que a pessoa precisa naquele momento e fazer de cada cliente um cliente especial, fazer com que ele se sinta o único daquele lugar e não só mais um. Então, existe algo poderoso em servir, em ser garçom. Não sou um garçom em si, mas, uma vez, me disseram que o que torna o homem digno é o trabalho e, como disse, existe um lado especial nesta profissão. Você pode ser só mais um garçom ou você pode ser o garçom que faz a pessoa sentir algo que ela não sente em outro lugar. Talvez especial, talvez cuidada, talvez única”, propõe uma reflexão.

 

E aí? Viu como a profissão de garçom é antiga e, cada vez mais, importante para o crescimento do ramo de alimentação fora do lar? Pois é! E, na Rede Food Service, você sempre será lembrado disso e orientado sobre como é a melhor forma de atuar nessa área. Por isso, continue nos acompanhando e não deixe de dar aquele parabéns nesta Dia do Garçom para o seu ‘Hey, amigão!’, ‘Oh, camarada!’, ‘E aí, campeão?’, ‘Guerreiro’, ‘Chefia’ predileto.

 

E, se você é garçom ou garçonete e quer contar a sua história para nós, envie e-mail para [email protected]. Por ter certeza de que você terá vez e voz conosco!

Escrito por https://redefoodservice.com.br/author/tabata/

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