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MÃES NO FOOD SERVICE

Conheça a história de dez mulheres que ilustram bem os chamados negócios de família

Foto: Divulgação

 

Levantamento realizado pela Consultoria IDados e produzido com base nos números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que o número de mulheres que são responsáveis financeiramente pelos domicílios no Brasil vem crescendo a cada ano e já chega a 34,4 milhões. Ou seja, atualmente, quase a metade das casas brasileiras são chefiadas por mulheres. Assim como, conforme dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 43% das mulheres que são chefes de domicílio no Brasil vivem em casal; sendo que 30% têm filhos e 13% não. Já o restante entre as 34,4 milhões responsáveis pelo lar é dividido entre mulheres solteiras com filho (32%), mulheres que vivem sozinhas (18%) e mulheres que compartilham a casa com amigos e/ou parentes (7%).

 

Frente à essa nova realidade social e econômica, outra pesquisa feita pelo Ipea, baseada em projeções efetivadas a partir de dados da Pesquisa Pnad Contínua, do IBGE, prevê que, até o ano de 2030, a participação feminina no mercado de trabalho brasileiro deve crescer mais que a masculina. Segundo o estudo, mudanças culturais, a conquista de direitos e um maior investimento em educação pelas mulheres explicam esse movimento. Com isso, ano a ano, o público feminino vem estudando mais e, assim, tornando-se uma mão de obra mais qualificada do que a masculina, conforme avaliam especialistas do mesmo instituto.

 

No mercado nacional food service, não tem sido diferente! A cada dia mais, a presença feminina se fortalece, inclusive, no ramo empreendedor.

 

Confira, a seguir, a história de dez mulheres que ilustram muito bem o cenário dos chamados negócios de famílias no Brasil e o que é ser mãe também no Food Service.

 

ANA SOARES

 

Ana Soares, de 68 anos, é graduada em Arquitetura, mas desde o ano de 1995, é a fundadora e chef do Mesa lll – Pastíficio e Rotisseria, um negócio food service localizado em São Paulo, capital, e que possui diferentes propósitos, como ela mesmo explica: “Trabalho com comidas prontas e semiprontas. São produtos artesanais com forte acento na cozinha italiana e adaptados aos dias de hoje. Ou seja, uma cozinha saudável, leve, saborosa, criativa e com qualidade. Pastíficio refere-se à produção de massas artesanais para varejo e atacado, com padrão moderno e criativo. Rotisseria às comidas prontas para finalizar em casa (entradas, molhos, tortas carnes assadas na lenha, sobremesas e afins). Na Mesa lll Rotisseria, na loja Sumaré, temos um cardápio diferenciado, com produtos de muita qualidade. E, na Mesa lll, loja de Fábrica – V. Romana, temos uma cozinha mais simples e mais econômica, mas com a mesma qualidade Mesa lll. Já na Mesa lll, loja online, desde 2020, oferecemos praticidade no pedido e agilidade na entrega, atendendo, assim, o dinamismo da vida cotidiana. Temos ainda o Mesa lll Atacado, cujo foco são as vendas personalizadas para terceiros (restaurantes, buffets, cafés, empórios, etc) e, Mesa lll Portinhola, que são pratos prontos e quentinhos entregues em casa ou no trabalho para o almoço. De porta a porta. Da nossa mesa pra sua mesa, da nossa porta pra sua porta! A Mesa lll nasceu, originalmente, para ser um serviço terceirizado. Daí, o três de erceirização/Mesa lll, que acabou virando varejo por insistência dos amigos”, detalha a empresária.

 

Ana Soares e sua filha Valentina – Foto: Divulgação

 

Atualmente, Ana revela que a sua produção mensal varia entre 2 mil quilos de massas recheadas e de fio e que conta com a ajuda de sua filha, Valentina Rossi Soares, de 38 anos, também Arquiteta de formação, além de Artista Plástica e Estilista, para administrar seu empreendimento. “Hoje, eu atuo como Chef-Diretora e minha filha começou na Mesa lll na área de Comunicação Visual. Porém, devido à atual pandemia de Covid-19, ela passou a ser a nossa Diretora Assistente Geral, sendo a responsável pelas tarefas de supervisionar os setores de produção, vendas, ‘arquitetura’, design e divulgação”, detalha.

 

Para a empresária, a parceria com a filha é muito importante, uma vez que representa “uma interlocução crítica, com olhar renovado no caso mais perfeccionista e muito criativo. Além do gosto e bom gosto dela, me soma pela sinceridade confiável e muito mais. Ter a presença da filha como ator e interlocutor é um privilégio dos grandes. Um sonho, um presente da vida!”, acredita.

Para saber mais sobre o negócio Mesa III – Pastíficio e Rotisseria, clique aqui!

 

CILENE POLA

 

Cilene Pola, de 60 anos, é aposentada como Analista de Sistemas. No entanto, após ficar desempregada em janeiro de 2014, poucos anos antes da sua aposentadoria, decidiu voltar para a faculdade e cursar Gastronomia e, na sequência, empreender nessa área juntamente com seu filho André Rossi Pola Barbosa, de 32 anos e também formado em Gastronomia.

 

Cilene Paola e o filho – Foto: Divulgação

 

Juntos, mãe e filho criaram o Rusticeria – Lugar de Iguaria, um negócio caseiro de massas e molhos que funciona em São Paulo, capital. “Quando me formei em Gastronomia, recebi um prêmio como uma das melhores alunas da Universidade Anhembi Morumbi e, assim, pude cursar Pós-Graduação em Aperfeiçoamento nos Negócios da Gastronomia. Eu não ingressei no mercado da Gastronomia de imediato por ter me aposentado por invalidez (problemas na visão) e, por essa razão, não posso ter vínculo empregatício, assim como ter uma empresa no meu nome. Dessa forma, só me restou o ‘trabalho caseiro’.  Por isso, mesmo depois de formada, fiquei um bom tempo apenas curtindo a minha aposentadoria até que o meu filho, que obteve 100% de bolsa na Anhembi Morumbi e ganhou um semestre no exterior ficando seis meses estudando no Peru, voltou e tudo mudou. Hoje, ele é o responsável pela panificação do Restaurante Lassù. Nós moramos na Mooca, um bairro tipicamente italiano da cidade de São Paulo e, no início da atual pandemia de Covid-19, em abril de 2020, uma amiga me perguntou se eu vendia um determinado produto que havia fotografado e publicado numa rede social. Daí, pensei: por que não? Assim, criei um logotipo do Rusticeria – Lugar de Iguaria, mas não trabalhei na divulgação da marca. Eu apenas publicava as fotos das minhas produções e, junto com meu marido, fazíamos a entrega sem custo ao cliente. Entretanto, também por causa da pandemia, o Restaurante Lassù onde meu filho trabalha fechou, mas manteve os seus funcionários em casa com salário reduzido. Com isso, na sua primeira semana em casa, meu filho decidiu que venderíamos massas e molhos juntos. A ideia inicial era vender apenas dentro do nosso condomínio. Porém, a aceitação foi tão grande que decidimos ampliar o nosso público e divulgamos também nas redes sociais.  A demanda aumentou ainda mais e já investimos em um cilindro profissional”, divide.

 

Cilene revela que, atualmente, ela e o filho vendem “tudo o que produzimos, pois apenas nós dois participamos de todo o ciclo. Mensalmente, temos vendido uma média de 35 quilos de massa e 12 quilos de molho e, assim, conseguido um lucro de aproximadamente R$ 4.000”, contabiliza.

 

Para a aposentada empreendedora, trabalhar com seu filho tem “total importância, pois trocamos experiências e nos complementamos. Eu acho sensacional estar tendo essa oportunidade de trabalhar com o meu filho. Sempre gostamos de cozinhar juntos, mas mais naqueles típicos almoços de domingo ou ultimamente no dia da sua folga. Agora, cozinhamos juntos e ganhamos dinheiro. É tudo muito interessante! Quando estamos na cozinha, o vínculo mãe e filho desaparece entre nós. Nos respeitamos como profissionais e, dependendo da produção, ele é o chef e eu a sua ajudante de cozinha e vice-versa. Pela minha facilidade com a informática, sou eu quem programo as fichas técnicas, elaboro planilhas de controle de vendas / estoque, etc. O dois divulgam, cuidamos do pós-venda e melhorias no cardápio. Fazemos ainda testes para novas produções e, o principal, nós dois cozinhamos juntos e com muito respeito. Meu filho foi quem me estimulou a continuar e crescer no food service. Inclusive, já planejamos como será a nossa produção quando o restaurante voltar a funcionar e a nossa intenção é crescer muito”, espera.

Para saber mais sobre o negócio Rusticeria – Lugar de Iguaria, clique aqui.

 

EMANUELA NAAS

 

Emanuela Sousa Leonardo Naas, de 39 anos, é graduada em Biologia e Farmâcia. Porém, hoje em dia, é franqueada da N1 Chiken, marca inovadora no mercado de dark kitchen especializada em delivery de frango frito, juntamente com seus filhos Mohamed Tawfik Leonardo Naas, Aisha e Tawfik Leonardo Naas, além do seu marido Tawfik Mohamed Naas. “Meu negócio é um restaurante delivery. Iniciamos em fevereiro deste ano. A nossa motivação é que somos um grupo familiar de empreendedores que adora desafios e acreditamos que, juntos, o sucesso é mais concreto. Nossa unidade N1 Chicken fica em Maracanaú, no Estado do Ceará. O nosso produto é o melhor frango frito do Brasil e Portugal, sendo que o nosso propósito é alcançar grandes resultados. Acreditamos no produto, no serviço, na franquia e no seguimento. Não tem como alcançar grandes resultados se você não acredita no potencial do produto que trabalha”, recomenda.

 

Emanuela Naas e um dos seus filhos – Foto: Divulgação

 

Passados apenas menos de três meses de inauguração do seu empreendimento food service, Emanuela conta que “já chegamos à casa dos 100 pedidos por muitas noites de trabalho. Em março, por exemplo, vendemos na faixa de R$ 7 mil”, comemora a empresária, que associa esse sucesso com a ajuda que tem dos seus filhos para tocar a franquia. “O trabalho em família é um grande desafio, mas também é muito importante. Estamos no convívio todos os dias e com muitos assuntos que requerem atenção. Assim, precisa de respeito e muito profissionalismo para o negócio ser sucesso. Família tem muita emoção envolvida e não podemos deixar os assuntos se chocarem. Somos empreendedores e família e, por isso, temos o cuidado de tratar tudo com o devido respeito, separando os temas, quando forem conflitantes, e cuidando um do outro e do crescimento da empresa. Meus filhos são de extrema importante para o sucesso do negócio. Inclusive, eu e meu marido fomos mais profundos e já colocamos nosso filho Mohamed para ser um dos principais parceiros”, partilha.

 

Para a empresária, trabalhar com o apoio dos filhos é tão importante que ela indica que outras mães tentem essa lógica de trabalho em seus negócios. “Eu indico para todas as mães a aproveitarem a oportunidade de trabalhar com seus filhos. Porém, deixo dou uma dica: o dinheiro não é mais importante do que a família. Os assuntos emocionais precisam ser gerenciados com sabedoria e tranquilidade. O crescimento da empresa é muito importante, mas a família também é extremamente relevante”, alerta.

 

Para saber mais sobre a rede N1 Chiken, clique aqui!

  

ESTER SIMÓN

 

Ester Azcúnaga Simón, de 58 anos, é formada em Secretariado e Gestão de Recursos Humanos, mas, já há alguns anos, é empresária do ramo food service juntamente com a sua filha Mayara Simón, sua irmã Assunção e o marido Eduardo. “Temos uma franquia da Sorveteria e Açaiteria Frutos de Goiás, cujo foco são produtos saudáveis, naturais e com mais de 90% de fruta. A nossa loja foi aberta em 2014 por outros sócios, mas foi comprada por nós em janeiro de 2017, quando tivemos que vir para a cidade de São Vicente, no litoral de São Paulo, para cuidar dos meus pais que precisavam de suporte em tempo integral, já que meu pai tem Alzheimer avançado e minha mãe sofre com problemas de saúde e locomoção. Nessa época, minha filha, que morava na Argentina, voltou ao Brasil para estar com os avós já idosos e com os pais e aproveitar o tempo que lhes restava. E, como todos nós precisávamos trabalhar, pensamos no que poderíamos fazer e, casualmente durante um passeio no calçadão, paramos na sorveteria para provar os sabores diferenciados e soubemos que estavam passando o ponto. Deu tudo certo e conseguimos negociar a sociedade. Hoje, sei que estávamos no lugar certo, na hora certa e tudo se encaixou. Ter um negócio em frente à praia é tudo de bom. Trabalhar em um negócio em que as pessoas estão sempre felizes, em clima de alegria e confraternização, melhor ainda. É uma atividade muito prazerosa”, ressalta.

 

Ester Simón e sua filha Mayara – Foto: Divulgação

 

De acordo com Ester, ter um negócio de alimentação fora do lar em família vale a pena, mesmo apresentando alguns percalços. “Como tudo, tem seus prós e contras. Mas, fazendo um balanço, o saldo é positivo. É muito importante criar um clima de trabalho profissional e trabalhar incansavelmente para separar as relações pessoais das relações profissionais. Muitas vezes, pode-se confundir essa relação e as pessoas acabam melindradas, não entendendo uma cobrança como uma responsabilidade ou tarefa que se deve cumprir, levando para o pessoal. Discussões de cunho pessoal costumam querer fazer parte da rotina e temos que ser muito firmes para evitar essas situações. No entanto, ser uma mãe do food service, é como cuidar da família mesmo. Trabalhar com muito amor e dedicação, porque é muito gratificante ver a satisfação das pessoas ao conhecerem seu negócio, provarem seus produtos e admirarem seus serviços. Enfim, é como cuidar do bem-estar da sua família todos os dias. Hoje, o nosso negócio food service é um lugar onde cuidamos do nosso lado feliz, de prazer, de boa convivência e satisfação”, elenca.

 

A empresária complementa que, na sua visão, contar com a ajuda dos filhos no âmbito profissional, é “uma ótima experiência para toda a família, além de ser uma excelente oportunidade para prepará-los para o futuro profissional, mostrando o empreendedorismo como um dos meios mais eficazes para a realização pessoal, profissional e independência financeira. Quando tudo é feito de maneira profissional, com comprometimento, planejamento, respeito e foco, não há outro resultado se não o sucesso. E, quando colocamos amor, carinho e sentido no que fazemos, tudo é possível”, indica.  

Para saber mais sobre a franquia Frutos de Goiás, clique aqui!

 

HELOISA COLLINS

 

Heloisa Collins, de 71 anos, é professora universitária aposentada, pecuarista, queijeira e proprietária do Capril do Bosque, que fica em Joanópolis, interior de São Paulo, há aproximadamente 12 anos, juntamente com a sua filha Juliana Raposo, de 47, jornalista, chef de cozinha e gestora do Bistrô do Bosque, Victor Collins, de 33, Mestre em Ciências Sociais, fazendeiro e criador de caprinos do Capril do Bosque. “Temos um negócio rural verticalizado chamado Capril do Bosque. Produzimos leite de cabra como matéria-prima, fazemos e distribuímos queijos de cabra artesanais e oferecemos gastronomia temática em nosso restaurante, o Bistrô do Bosque, onde quase tudo é preparado com o toque de um dos nossos quinze tipos de queijos de cabra. Produzimos, aproximadamente, 800 quilos de queijos por mês, cerca de 100 litros de leite por dia e atendemos cerca de 60 pessoas por final de semana. Faturamos o suficiente para pagar as contas e viver em paz”, resume Heloisa.

 

Heloisa Collins e seus filhos Juliana Raposo e Victor Collins – Foto: Divulgação

 

Para a empresária, essa paz citada por ela só é possível devido ao trabalho em conjunto com os filhos que, na sua opinião, “são peças fundamentais no negócio e no seu sucesso. Realmente, somos um negócio familiar e rural. Como uma mãe do food service, me sinto ótima! Produzimos leite e queijo de cabra, alimentos com tradição milenar e que, provavelmente, são os primeiros processados pelo homem há mais de 10 mil anos. Nossa comida temática é feita com métodos muito tradicionais e ingredientes naturais. Somos empreendedores, nos ajudamos mutuamente e convivemos amorosamente. Cada um cuida do seu negócio e todos nós ajudamos mutuamente com ideias, apoio e controle dos processos. É um privilégio poder ver os filhos se desenvolver como profissionais bem debaixo do seu nariz e te dar conselhos sobre como conduzir os negócios”, considera.

Para saber mais sobre o negócio Capril do Bosque, clique aqui!

 

KARLA SOUZA

 

Karla Roberta Pereira de Souza, de 42 anos, é chef de cozinha e, após se ver obrigada a fechar seu próprio buffet em decorrência das dificuldades sociais e econômicas impostas pela atual pandemia de Covid-19, resolveu fazer da crise uma oportunidade e criou a Sra. Donut, uma cafeteria e confeitaria especializada em donuts localizada na Serra da Cantareira, em São Paulo. “A Sra. Donut nasceu na pandemia, em junho de 2020. Precisei fechar meu buffet completamente e, então, eu precisava achar outra fonte de renda. Assim, em conversa com uma amiga na madrugada, nasceu a Sra. Donut, lotada de esperança e nos fundos da casa da minha mãe. Mas, em outubro, conseguimos alugar uma casa na Serra da Cantareira, onde funcionava uma padaria. Com isso, não foi preciso mexer muito na estrutura do imóvel. E, para economizar, usamos serviços especializados apenas em extremas necessidades e toda a decoração, mesas, pinturas, inclusive do chão, foram feitas por mim e minha família.  Dinheiro curto, mas vontade grande”, relata.

 

Karla Souza e seus filhos Maria Raphaela e Carlos Eduardo – Foto: Divulgação

 

Em seu novo negócio food service, Karla conta, diariamente, com a ajuda de seus dois filhos. “A Maria Raphaela de Souza Salvate, de 18 anos, é quem cuida da parte administrativa da empresa. E o Carlos Eduardo de Souza Rangel, de 15, é o responsável pela logística operacional do dia a dia. O nosso produto carro chefe e o donut, sem ou com recheio. Mas, também vendemos cafés, tortas, bolos, cookies e sanduíches caprichados. Temos ainda fondue de donut, pop donut, menu degustação e donut no palito. Todos criados por nós. E, também na loja, oferecemos bolachinhas, mel e café”, detalha.

 

Para Karla, se não fosse seus filhos, a Sra. Donut nem existiria. “Sem eles, seria impossível a concretização da empresa, visto que, literalmente, eles nasceram trabalhando comigo. Desde o buffet, eu sempre os levava comigo para poder trabalhar. Fazia um cantinho, levava colchonete, dormiam, brincavam e comiam ali dentro da cozinha comigo. Se fossemos contratar profissionais para os cargos que eles ocupam atualmente, seria impossível abrir a empresa, uma vez que os nossos recursos eram bem limitados”, explica.

 

A empresária acrescenta também que “é uma delícia poder trabalhar e participar do crescimento dos meus filhos tão de perto. Claro que temos brigas, desentendimentos, mas tudo passa e seguimos trabalhando por algo nosso e gerando a renda, que fica na família. Nos desdobramos para ver a empresa crescer e estamos conseguindo”, comemora.

 

A empresária ressalta ainda que se sente honrada ao ser uma mãe do mercado food service, pois “poder passar para os meus filhos a importância do trabalho e o quanto ele é digno e maravilhoso não tem preço! Food service também é um segmento de mães, pois fazemos os nossos horários, ajudo nas lições dos filhos, trabalhamos e, no fim do dia, voltamos para casa, cansados e felizes”, garante.

Para saber mais sobre o negócio Sra. Donut, clique aqui!

 

LUIGINA PIAZZA

 

Luigina Della Piazza, de 73 anos, e sua filha Anapaula Della Piazza, de 50, são proprietárias do Volare Artezanale, localizado em Salvador, na Bahia. “Eu sou formada em Comunicação e fui professora universitária Master Chef de Cozinha Internacional. Hoje, atuo como sócia proprietária junto com minha mãe do Volare, onde atendemos os clientes há mais de 56 anos. Minha mãe, em 1962, junto com os seus pais imigrantes italianos, foram os responsáveis por inaugurarem o primeiro restaurante italiano na cidade de Salvador. E a minha mãe manteve a tradição com o Volare Ristorante até 2012. Mas, atualmente, continuamos atendendo nossos clientes de décadas por meio do site e entregas em domicílio através de encomendas, além de prestarmos consultoria para empresas de alimentos e bebidas”, apresenta Anapaula.

 

Luigina Della Piazza e sua filha Anapaula Della Piazza – Foto: Divulgação

 

A empresária relata que o cardápio do tradicional negócio food service de sua família “é focado no cardápio que minha nonna criou e mantemos até hoje. São as mesmas receitas e o prato mais vendido é o filé parmegiana, uma receita exclusiva da nossa família. Inclusive, esse filé já viajou para muitas cidades fora do Estado da Bahia e do Brasil. Hoje, sem ‘portas abertas’ para os clientes por causa da pandemia de Covid-19, produzimos em casa, artesanalmente, 200 pratos por mês, que são encomendados. Nós produzimos e entregamos apenas uma vez na semana. O nosso reconhecimento no mercado se deu pela qualidade de nossos pratos e dedicação da família trabalhando em conjunto. Minha mãe aprendeu com minha nonna e eu aprendi com minha mãe e, hoje, ensino os filhos dos meus primos, que também perpetuam nossa tradição. Minha mãe não só ensinou a como preparar os pratos da família, mas, principalmente, a fazer tudo com excelência na qualidade. O papel dela na minha formação como chef e professora de Gastronomia foi o que fez de mim a profissional que sou hoje, premiada e homenageada pelos alunos formandos”, crê.

 

Ainda sobre ser fruto de uma mãe do food service, Anapaula afirma que “me sinto muito feliz e orgulhosa por ter recebido essa carga genética tão maravilhosa que nem sabia que tinha. Trabalhar com a minha mãe sempre foi maravilhoso, nos damos muito bem, somos muito unidas e dividimos tudo. Além disso, tratamos nossa equipe como membros da nossa família. Receber o que nossa mãe tem para nos ensinar é de suma importância”, enfatiza.

Para saber mais sobre o negócio Volare Artezanale, clique aqui!

 

 NALU SAAD

 

Nalu Saad, de 51 anos, é jornalista, escritora e proprietária do negócio food service Bolo Doce Bolo, localizado em Belo Horizonte, Minas Gerais, juntamente com seus três filhos, Igor Saad, de 20, Natália Saad, de 17, e Luísa, de 14, além de sua mãe Conceição Saad, de 82. “Somos uma boleria fundada em 17 de setembro de 2017 para ser o alimento que abraça, que consola, que acarinha pelas memórias afetivas que desperta e também por se configurar como um presente carregado de emoções e lembranças. Desenvolvemos bolos caseiros, doces e chocolates. Nossa missão é fornecer alimentos preparados com responsabilidade, ingredientes selecionados, sem o uso de conservantes, aromatizantes e outros recursos artificiais. Cada bolo e doce procura ser o mais personalizado possível para atender a expectativa do cliente, ir lá no sonho, na lembrança dele. Ser aquele bolo ou doce que desperta receita parecida com as que as avós, tias ou mães dos clientes faziam. Nossa venda, atualmente, é de aproximadamente 1.500 bolos caseiros por mês e 18 mil bolos ano. Para 2021, pretendemos ultrapassar os 20 mil bolos no ano”, espera.

 

Nalu Saad e os filhos – Foto: Divulgação

 

De acordo com Nalu, desde a inauguração de sua boleria, seus filhos trabalham e cooperam com o sustento da família por meio do negócio. “Desde o começo, meus filhos contribuem no atendimento. No começo, a caçula tinha 9 anos e mal alcançava o balcão, mas já ajudava e tinha conhecimento profundo dos nossos produtos. No início, a jornada dela era bem pequena por ser uma criança, mas cumpria horário duas vezes por semana, assim como tinha direito ao pagamento mensal equivalente ao tempo de trabalho. Os dois mais velhos tinham uma jornada maior. Isso me permitiu tê-los sob meus olhos, já que não tinha ninguém em casa para ficar com eles e também ensiná-los a trabalhar e a Saber o que é hierarquia, responsabilidade com horário e, principalmente, cuidado com o cliente. Hoje, eles mesmos fazem a escala e dividem entre eles conforme as demandas escolares de cada um e continuam sendo remunerados e sabem fazer de tudo, desde atendimento, até a produção de bolos. Temos mais dois funcionários e o trabalho da minha mãe, que é a verdadeira dona das receitas ou quem fez a ponte entre as tias e irmãs dela para nos trazer as receitas iguais que eram produzidas na fazenda. A gestão é de minha responsabilidade, que divido com outras funções”, detalha.

 

Com uma verdadeira mãe do ramo de alimentação fora do lar, Nalu confessa que se sente “privilegiada, porque fundei a loja porque gosto da confeitaria, mas também para ajudar a compor o orçamento da família. Por isso, sou muito feliz em poder estar empregada, ter meu próprio negócio funcionando em tempos de pandemia de Covid-19 e ainda poder preparar meus filhos para a vida. Ao trabalhar, uma pessoa não aprende somente um ofício, ela aprende que é preciso lutar para chegar aonde desejamos. Aprende a dar valor ao dinheiro. Hoje, os meus filhos sabem, por exemplo, quantos bolos custam uma calça jeans e sabem escolher os produtos que querem comprar com consciência. Eles não são consumistas, não fazem exigências que a família não pode pagar, são consumidores exigentes de seus direitos e olham os clientes com muito respeito. Eles sabem se colocar no lugar do cliente e o atende como gostariam de ser atendidos. Ao mesmo tempo, enquanto clientes, olham aos atendentes com empatia e cuidado, sabem o quanto é difícil lidar com o público e são extremamente generosos e cuidadosos quando são eles os compradores. Observá-los assim, realmente, me encanta e vejo que se tem um presente que estou dando para eles é ensiná-los a trabalhar. Enquanto trabalham duro, eles percebem também o valor do estudo e do quanto o conhecimento soma em qualquer estação da vida em que estivermos. As pessoas costumam estudar só para mudar de vida no sentido da hierarquia social, enquanto eles estudam para saber. Tenho a certeza de que trabalhar e ajudar a cuidar do nosso negócio tem feito isso com eles. E existem ainda os aspectos práticos. Quantas vezes, eu os vi levando a matemática para dentro da loja e as receitas para dentro do caderno de matemática? Eu não saberia contar as vezes que falamos de português, física, química, geografia e história enquanto trabalhávamos na confeitaria. Sou mesmo privilegiada e grata”, ressalta.

 

Nalu Saad – Foto: Divulgação

 

Para a empresária, o mercado food service é sim um segmento de mães pelo fato de elas serem “uma delícia e conseguirem trazer isso para o mercado de alimentação. Somos capazes de dosar e temperar e esse ramo exige toda a flexibilidade de quem já peregrinou ou peregrina pela maternidade. Existe algo que mais exige resiliência do que a maternidade, do que saber lidar com as surpresas? Existe igual: o mercado de food service, principalmente, em tempos pandêmicos. Tudo muda ao mesmo tempo, lidamos com variações de preços, com novas formas de entregar nosso produto e com muitas novidades que, às vezes, chegam mais rápido aos clientes. Assim, também são os filhos. Todo dia, uma novidade, um desafio e um aprendizado. Então, é sim um local para mães (sejam homens ou mulheres). Mãe no quesito resiliência e competências múltiplas”, endossa.

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 MIRIAN FREDERICO

 

Mirian Frederico, de 52 anos, é formada em Psicologia, mas, há alguns anos, ao pensar em garantir o futuro dos filhos, resolveu mudar de carreira e também virou franqueada da marca N1 Chiken. Atualmente, ela possui três lojas da marca em Sorocaba, interior de São Paulo. “O meu food dervice é um dark itchen com atendimento 100% no delivery no seguimento de frango frito crocante. Iniciamos em agosto de 2019 e eu sempre tive o sonho de empreender. Eu tive um incentivo de um grande amigo, surgindo, assim, a RS2 Prod. Alimentícios na cidade de Sorocaba, no interior de São Paulo. Foi aí que começou a nossa trajetória nesse novo mercado de trabalho, tudo muito novo para nós, mas com o propósito de fazer nosso melhor a cada dia para que o sonho se tornasse real. Na realidade, eu montei esse negócio para que meus filhos tocassem e, assim, eles tivessem um futuro seguro em um ramo de atividade que fosse fácil de tocar e que também gostassem. E eles abraçaram com muito amor o negócio e fazem valer cada sacrifício meu. Até porque, hoje, nossas lojas são comandadas 100% pela família. No começo, minha filha Julia, de 17 anos, trabalhava como caixa e atendente, mas, agora, já iniciou a faculdade de Veterinária e está ausente. Porém, meu filho Rafael, de 21, virou Sócio-Gerente das lojas”, conta.

 

Mirian e o filho Rafael – Foto: Divulgação

 

Segundo a empresária, ser uma mãe do food service é mais do que virar empreendedora. “Como é um ramo que sempre amei, mas só realizei há pouco tempo, eu me sinto como se fosse uma mãe preparando o jantar ou almoço para uma grande família, alimentando várias pessoas, pois cozinhar tem que ser prazeroso e faço com amor e prazer. Além disso, dentro do ambiente de trabalho, eu sempre ensino meus filhos a separar o vínculo familiar. Ou seja, no horário de trabalho, somos parceiros/sócios, discutimos, dividimos funções, fazemos o negócio andar. Fora, sou sempre a mãe que puxa a orelha na hora certa, mas que sempre dá carinho e está presente em todos os momentos bons e ruins. Somos unidos, abertos, temos um vínculo muito forte. Meus filhos sempre pedem minha opinião nas tomadas de decisões, somos uma família unida”, partilha.

 

Miriam divide ainda que “à todas as mães que puderem ter a chance de trabalhar com seus filhos, façam isso, pois vão descobrir o quão capaz eles são, o quanto seus ensinamentos não foram em vão e como o amor entre ambos pode aumentar e se tornar mais forte. Não tenham medo, arrisquem, tornem seus sonhos uma realidade, alcem voos o mais alto que puderem”, aconselha. 

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SIMONE AMARAL

 

Simone de Queiroz Oliveira Amaral, de 56 anos, é graduada em Gestão Ambiental, com Pós-Graduação em Qualidade, Meio Ambiente e Segurança do Trabalho. Entretanto, hoje em dia, é franqueada da Duckbill, a rede de franquias brasileira com receita exclusiva de cookies que faturou cerca de R$ 20 milhões em um ano mesmo com a pandemia de Covid-19, em parceria com seu filho Thiago Mateus de Queiroz Oliveira Amaral, de 29 e Engenheiro Civil.

 

Simone Queiroz e seu filho Thiago Mateus – Foto: Divulgação

 

A franquia de mãe e filho foi inaugurada no dia 7 de janeiro deste ano, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. “A Duckbill possui um portfólio amplo e flexível que consegue agradar a todos os tipos de gostos e regiões do país. No menu, você encontra diversas opções de bebidas geladas e quentes, como os cafés expressos, lattes, sodas, o Frozen e o Frappubill, entre outras. Trabalhamos também com calendário sazonal, agora, por exemplo, acabamos de lançar as bebidas de Outono, que são a base de café e coco e foram pensadas e desenvolvidas com todo cuidado por uma especialista para trazer à tona aquelas sensações degustativas, visuais, etc., que nos lembram esta estação”, apresenta a empresária.

 

Segundo Simone, o seu filho é o responsável pelo suporte no gerenciamento da loja. “Somos, de fato, um negócio de família, pois não temos sócios de fora. Eu me sinto realizada em dividir a vida profissional com o meu filho, porque era um sonho que sempre tive. Meu esposo também nos dar suporte e acaba nós três alinhando as ações estratégicas para a cafeteria. Eu sou a Gerente e o Mateus o Subgerente. Temos ainda três atendentes que ficam direto na operação. Mateus fica mais na área de Marketing e no gerenciamento e eu no gerenciamento total da loja”, elenca.

 

Para a empresária, o mercado food service é um segmento de mães pelo fato “principalmente, de ser um ambiente familiar e que traz harmonia, além de propiciar bom papo e reencontro com os amigos. E não existe nada mais positivo do que trabalhar com pessoas que são partes de nós e que amamos”, recomenda.

Para saber mais sobre o negócio Duckbill, clique aqui!

 

E aí? Se identificou com uma dessas MÃES DO FOOD SERVICE e também quer que a sua história no ramo de alimentação fora do lar seja contada por nós? Então, envie e-mail para [email protected]. Afinal, a Rede Food Service foi criada para, a cada dia mais, dar voz para quem, de fato, faz esse segmento acontecer no Brasil e no exterior.

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