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Delivery é adaptado nas periferias brasileiras por meio do uso do WhatsApp

Na falta de cobertura por parte dos principais apps de entregas de comida no Brasil, a venda pela mídia social tem sido a aposta da vez para empresários food service que possuem negócios dentro de comunidades

Maria Amparo, proprietária do Bar Amparo, no Complexo da Maré - RJ - Foto: Douglas Lopes

 

Desde o advento da atual pandemia de Covid-19, a venda em formato delivery ganhou expressiva força no mercado nacional de alimentação fora do lar. Prova disso é que pesquisa feita pela Mobills, startup de gestão de finanças pessoais, por meio de análise das despesas dos usuários nos três principais aplicativos de entregas de comida operantes hoje em dia no Brasil – Rappi, Ifood e Uber Eats – apontou que os gastos com delivery cresceram 187% em 2020 no país. No entanto, apesar da popularização dos apps de entrega, ainda existem muitas regiões nas cidades brasileiras em que eles ainda não possuem cobertura, com ênfase nas periferias.

 

Em meio a esse cenário de desigualdade, levantamento realizado pelos Institutos Locomotiva e Data Favela, chamado “Economia das Favelas – Renda e Consumo nas Favelas Brasileiras”, serviu de base para a descoberta de que a população que vive em favelas brasileiras movimenta R$ 119,8 bilhões por ano. Ou seja, é um público que também merece atenção em relação à nova forma de consumir alimentos e bebidas proveniente junto com a atual pandemia. E é isso que tem feito muitos empresários do ramo food service que possuem negócios dentro de comunidades espalhadas pelo Brasil a fora. Afinal, na falta de cobertura por parte dos principais apps de entregas de comida no país, alguns estão fazendo da venda por meio do WhatsApp a aposta da vez.

 

Restaurante Borelleto 

 

Arnaldo Rebello de Andrade Junior, de 45 anos, é o proprietário do Borelleto, um restaurante de massas que funciona no Morro do Borel, que é uma favela localizada no bairro da Tijuca, na zona Norte da cidade do Rio de Janeiro.

 

Arnaldo Rebello, proprietário do Borelleto – Foto: Divulgação

 

Em entrevista exclusiva à reportagem da Rede Food Service, o empresário, que trabalhou como motorista de caminhão por muitos anos e possui apenas o Ensino Médio incompleto, conta que, atualmente, a venda pelo WhatsApp representa 90% em seu negócio. “É por meio do WhatsApp que enviamos o nosso cardápio, promoções e, diariamente, atualizamos o nosso status. Hoje, para nós empresários atuantes em periferias, essa mídia social é uma ferramenta essencial para as vendas, pois traz comodidade ao cliente, entre outras várias vantagens”, explica.

 

 

Para Junior, hoje em dia, a venda pelo WhatsApp é a melhor saída quando o negócio de alimentação fora do lar está localizado em áreas de periferia. “O WhatsApp é a uma ferramenta fundamental para o fast food nessas áreas pela praticidade e comodidade que oferece também aos empresários. Por isso, hoje, a demanda é considerável por esse meio de comunicação, que é prático, econômico e nos dá independência, o que, muitas vezes, os apps não nos oferecem”, afirma.

 

Um dos pratos do delivery do Restaurante Borelleto – Foto: Divulgação

 

O empresário acrescenta também que, sem o uso do WhatsApp para vender no formato delivery, o seu restaurante não tinha sobrevivido por causa da crise social e econômica desencadeada pela pandemia. “O Borelleto foi criado primeiramente pela opção de trabalhar como autônomo e colocar em prática um sonho idealizado. Um dia, jantando com a minha irmã, eu tive a ideia de colocar na Tijuca esse tipo de serviço italiano. Eu sempre trabalhei como motorista, porém com muito apreço pela culinária. Assim, com a ajuda da minha esposa, coloquei o sonho em prática. E, com o tempo, o Borelleto, inaugurado em janeiro de 2020, foi crescendo, mesmo em plena pandemia e as dificuldades relacionados aos serviços de balcão e delivery. Dia após dia, a nossa carteira de clientes foi aumentando. Por isso, sempre usamos bastante as redes sociais para fazer postagens e publicações favorecendo e admirando o nosso trabalho. Além disso, no começo deste ano, criamos um site de atendimento, apesar de que continuamos fiéis aos clientes que conquistamos por meio do WhatsApp. Hoje, o nosso carro chefe são as nossas massas italianas feitas na hora, escolhidas e montadas pelo cliente. Temos ainda uma ampla variedade de produtos com padrão Borelleto, como o baião de dois, pastéis recheados, pizzas salgadas e doces, sucos naturais da fruta, sobremesas, etc”, detalha.

 

Sucos entregues pelo delivery do Restaurante Borelleto – Foto: Divulgação

 

Bar Amparo

 

O uso do WhatsApp também tem sido a forma de adaptar o serviço delivery em tempos de pandemia para Maria Amparo Bezerra, de 56 anos, proprietária do Bar Amparo, localizado no Complexo da Maré, na zona Norte do Rio de Janeiro.

 

Maria Amparo no Bar Amparo – Foto: Douglas Lopes

 

Conforme a empresária, que se autointitula como microempreendedora e cozinheira, ela iniciou a venda pelo WhatsApp “há um ano mais ou menos. Desde o início da pandemia de Covid-19, eu me vi desamparada com todas as mudanças que foram acontecendo, como o fechamento de estabelecimentos, queda no número de vendas, dificuldades de manter o meu negócio, pagamentos das contas e, a cada semana e ida ao supermercado, vendo o preço dos alimentos básicos subindo absurdamente. Tudo isso me deixou desesperada! Foi, então, que eu tentei criar o sistema de entrega por aplicativos, mas descobri que não atendem restaurantes aqui na Maré, pois denominam como área de risco. Assim, com a ajuda de muita gente boa que cruzou o meu caminho, montei o meu próprio delivery em caráter emergencial para ajudar o Bar Amparo e amigos próximos que estavam precisando de trabalho e pensando em fortalecer os nossos amigos mototaxistas da Maré. Dessa forma, começamos a atender as amigas e amigos da zona Sul e Centro aos sábados e pedir que todas e todos repassem o nosso contato para pessoas próximas para que, assim, mais pessoas conhecessem o sabor do Bar Amparo. E deu certo! A nossa taxa de entrega é integral do entregador e acreditamos que #OCertoÉQuandoaGenteTáJunto!”, revela.

 

Feijoada Delivery do Bar Amparo – Foto: Douglas Lopes

 

Ainda segundo Bezerra, “o WhatsApp veio como um facilitador na forma de me comunicar e me aproximar dos meus clientes e fornecedores desde antes da pandemia. Eu sempre fui uma mulher empreendedora e, como toda microempreendedora, os afazeres para manter o negócio são muitos. E, por meio do WhatsApp, eu consigo enviar áudios e estreitar os laços com meus clientes para atender as especificidades de seus pedidos e manter de forma ágil a nossa conversa. Atualmente, as minhas vendas pelo WhatsApp representam 15% do total de rendimento do meu restaurante. Por isso, eu divulgo pelas redes sociais o número do meu WhatsApp para que as pessoas entrem em contato e, quando solicitam, também as insiro em minha lista de transmissão por meio da qual envio, semanalmente, o cardápio disponível para pedido e peço que os pedidos sejam feitos até às 18h do dia anterior à entrega para eu conseguir dimensionar a quantidade de comida que tenho que preparar e criar a rota de entregas, agilizando, assim, todo o processo. O WhatsApp me ajudou muito em relação à otimização do meu tempo, pois me permite entregar com mais qualidade e informações dos pratos disponíveis no meu cardápio, já que, por ele, eu posso enviar também fotos e vídeos do que tenho preparado da minha família para a mesa de meus clientes”, avalia.

 

Famosos pasteizinhos do Bar Amparo- Foto: Douglas Lopes

 

A empresária reforça ainda que a venda pelo WhatsApp tem sido sim a melhor saída quando o negócio de alimentação fora do lar está localizado em áreas de periferia, uma vez que “neste momento de pandemia, é uma boa alternativa para fugir das taxas cobradas pelos aplicativos de delivery. Além disso, é por meio do WhatsApp que eu me comunico diretamente com o meu público e consigo enviar cardápio e manter as pessoas informadas das novidades do meu restaurante. Os grandes aplicativos de entrega, hoje em dia, cobram taxas do empreendedor e do estabelecimento. Assim como, há uma enorme sobrecarga de trabalho e má remuneração de pessoas que se cadastram para trabalhar na entrega, além de reforçar estereótipos da grande mídia ao reproduzirem o conceito preconceituoso de que favelas e periferias são locais de risco dentro da cidade”, argumenta.

 

 

Por fim, para não perder a oportunidade de divulgação, como boa empresária que é, Bezerra informa que “o Bar Amparo é um restaurante de comida brasileira localizado na Rua Luiz Ferreira, esquina com a Rua Flavia Farnese, no Conjunto de Favelas da Maré (a rua fica próxima à Passarela 07 da Avenida Brasil). O produto carro chefe do Bar Amparo é a carne assada, que leva, ao todo, mais de 12 horas para ser preparada. Ofereço também a feijoada da família, que tem todos os ingredientes que uma tradicional feijoada brasileira deve conter; o croquete de carne assada que já me disseram que bate o croquete da Casa do Alemão; e as panquecas feitas uma a uma com massa fina, leve e saborosa. Atualmente, tenho a esperança de conseguir equipar melhor o meu estabelecimento para atender clientes com porções embaladas à vácuo e, se tivesse um preço mais acessível, gostaria ainda de adquirir embalagens de material orgânico e biodegradável, além de fazer com que mais pessoas conheçam o meu restaurante e delivery”, convida.

 

Para conhecer melhor o trabalho desenvolvido por Bezerra, no Bar Amparo, clique aqui! Já para ficar por dentro da atuação no mercado de alimentação fora do lar de Junior, do Restaurante Borelleto, aqui!

 

Na Rede Food Service é assim, sempre te apresentamos histórias de sucesso no delivery, assim como trazemos informações, orientações e dicas importantes para quem está começando a trabalhar com venda em domicílio ou pretende se atualizar nesse ramo que só tende a crescer. Continue nos acompanhando!

Escrito por #molongui-disabled-link

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