in

Gastronomia e Ciência? É com Luci Ikeda!

Formada em Biomedicina e Moda, com pós em Biologia Molecular e Naturopatia, a vida de chef de Ikeda é 80% dentro de um laboratório de pesquisa

Foto: Arquivo Pessoal

 

Gastronomia e Ciência? Tem tudo a ver ou nada a ver? Se, por um instante, não conseguiu associar essas duas áreas, você precisa conhecer a vida de chef de Luci Ikeda, de 51 anos.

 

Formada em Biomedicina e Moda, com pós-graduação em Biologia Molecular e pós-graduanda em Naturopatia, atualmente, Ikeda atua quase integralmente do seu tempo profissional dentro de um laboratório de pesquisa. “Hoje, eu ministro cursos em panificação e confeitaria sem glúten, sem lácteos e presto consultoria para empresas que seguem a mesma linha. O meu trabalho baseia-se em 80% do tempo em laboratório de pesquisa com desenvolvimento de novos produtos para os clientes de consultoria e para novos cursos. Também estou estudando Naturopatia, que engloba Dietologia e medicinas alternativas e gostaria de somar tudo à Gastronomia, ampliando o campo para ajudar mais pessoas”, explica.

 

Casada e mãe de um menino, Ikeda começou o seu contato com o universo food service em 2009 e por meio da confeitaria. No entanto, foi a partir de um problema de saúde do seu filho que surgiu o seu interesse pelo universo da panificação. “Me considero mais como uma cientista do que chef. Penso que o tipo de Gastronomia que pratico é bem específica, em que unimos a parte médica com a cozinha e que devemos tratar o alimento literalmente como remédio, de forma séria e bem pautada. Por isso, não me defino como chef. Chef mesmo é aquele que comanda uma cozinha com vários funcionários e tem que dar conta de tudo. Compras, planejamento, preparo, cardápios, criação, etc, e, raramente, são devidamente remunerados. Existe sim, a compensação de reconhecimento para alguns, mas dou muito, muito valor para os verdadeiros chefs! São guerreiros reais! Em relação a mim, creio que atuo mais como uma Agente de Desenvolvimento de Novos Produtos. Mudei de área por várias vezes, mas sigo na área de pesquisa. O meu estilo de culinária é a saudável, a que faz bem ao coração, ao corpo e alma”, ressalta.

 

Quem é Luci Ikeda?

 

Conforme autodescrição, a “Luci ikeda é mãe do Kenzo, que já está com a sensibilidade ao glúten bem tratada e sem sintomas físicos, graças à Deus! Sou casada com um cabeleireiro, amo cozinhar, costurar, criar os meus próprios uniformes, cuidar da saúde de todos ao redor com a Naturopatia, assistir a filmes e ler e estudar muito sobre diversos assuntos, ir ao teatro, museus, cinema e viajar, experimentar novos sabores e culturas. A chef Luci ikeda ama o que faz, que é compartilhar os conhecimentos adquiridos ao longo do tempo, ajudar aos alunos e as empresas no que for preciso e estar sempre à disposição para qualquer dúvida, o que toma muito tempo, mas é gratificante”, garante.

 

Foto: Arquivo Pessoal

 

Carreira

 

Depois de concluir seus estudos em Biomedicina, Ikeda trabalhou “em laboratórios clínicos. Logo depois, fiz pós-graduação em Biologia Molecular. Na sequência, estudei Moda e trabalhei no Carrefour, onde fui contratada para desenvolver a marca própria da linha têxtil. Lá, fui promovida a Gerente de Desenvolvimento de Produtos, época em que desenvolvia a linha infantil e cuidava do departamento de compras. Trabalhei no Carrefour por quatro anos ao todo. Logo após, prestei consultorias para fábricas e outras redes de varejo. Assim, atuei para a Pernambucanas como Gerente de Desenvolvimento de Produtos Sênior na linha infantil por um ano. Montei uma trading de importação, onde vendia para as principais redes de varejo e, em paralelo, tive uma loja com a minha marca e prestava consultorias de estilo e vendas para algumas fábricas de varejo”, relata.

 

Foto: Arquivo Pessoal

 

Na área especificamente de Gastronomia, a chef conta que já participou de vários e importantes eventos, assim como a atual pandemia de Covid-19 vem lhe ajudando a ampliar as suas experiências food service. “Palestrei em eventos como o 1º e 2º Congresso de Gastronomia Saudável promovido pelo Chef Robson Roberto, Expo Pizzaria, no Anhembi, Congresso Vegegano (Senac Aclimação), COINE (Congresso Internacional de Nutrição Especializada), no Rio de Janeiro, em 2018 e 2019, e Green Nation Festival, no Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo, onde elaborei e executei junto com mais dois chefs o cardápio vegano e sem glúten do evento e participei dos laboratórios das aulas de Gastronomia do Senac Aclimação e do Green Nation. Ministrei ainda cursos nos Estados do Rio de Janeiro (Niterói e Barra), Mato Grosso (Cuiabá e Rondonópolis), Santa Catarina (Florianópolis e Balneário Camboriú), Rio Grande do Sul (Caxias do Sul, Porto Alegre e Flores da Cunha), Curitiba, Brasília, Goiás, Pernambuco, São Paulo e interior. Também já prestei consultorias para empresas em Brasília, Piauí, São Paulo (PANDAN, Santa Luzia e outros) e Rio de Janeiro (DEVAS). Atualmente, por causa da pandemia de Covid-19, só ministro cursos online, o que me vem possibilitando atingir um público de outros Estados do Brasil e até de diferentes países, como Alemanha, Espanha, Portugal, Estados Unidos, Uruguai e Austrália”, revela.

 

Experiência marcante

 

Para Ikeda, até hoje, a experiência no universo de alimentação fora do lar que mais lhe marcou foi sua participação no Green Nation, um festival sustentável realizado com o objetivo de promover a conscientização para o futuro. “Eu amei participar da elaboração e execução dos cardápios para o Green Nation Festival, que tem uma causa tão fantástica de sustentabilidade e saudabilidade. Nosso cardápio foi totalmente sem glúten e vegano, com todos as embalagens sustentáveis (copos e pratos de mandioca, por exemplo). Conseguimos agradar a todas as pessoas com uma comida totalmente sustentável e desperdício zero”, destaca.

 

Foto: Arquivo Pessoal

 

Visão de Mercado

 

Segundo a chef, o atual mercado food service está, cada vez, mais exigente. Por isso, ela enfatiza que é preciso muito estudo e persistência para atuar no ramo. “Na minha área, quando comecei, por exemplo, não existiam muitas literaturas e fontes de pesquisa. Eu tive que estudar por meio de estudos científicos e algumas informações bem soltas, a maioria de fora do país. Sou, praticamente, autodidata. Os meus cursos são baseados nas minhas técnicas e receitas autorais. Atualmente, já existem cursos e pessoas, que, como eu, foram formando técnicas e estudos”, partilha.

 

Foto: Arquivo Pessoal

 

Ikeda complementa ainda que, quando o assunto é saudabilidade, há outras características ligadas ao novo setor de alimentação fora do lar, como preço de alguns produtos, que dificultam, mas também criam oportunidades em relação à atuação seja como chef e/ou cientista. “Ainda temos matérias-primas no mercado com preços caros. Com o aumento da oferta e demanda de produtos dessa linha no mercado, obviamente, a exigência é muito maior, o que eu, particularmente, considero um ponto muito positivo. Afinal, as pessoas já estão com certo preconceito em relação ao trash food e também já existem nichos específicos de alimentação, como os veganos, esportistas, sem glúten, sem leite, cetogênicos, low carb, etc”, avalia.

 

Dica do chef

 

Por fim, como exemplar Agente de Desenvolvimento de Novos Produtos, Ikeda fez questão de deixar a seguinte dica do chef para você leitor (a) da Rede Food Serivice que almeja ser um chef/cientista como ela: “pense em comida como algo que você possa trazer alegria para as pessoas. Fazer com amor, sem pensar no dinheiro, pois ele é consequência e o conjunto de tudo”. 

Escrito por #molongui-disabled-link

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Carregando…

0

Comentários

0 comentários

Goomer: o caminho para consolidar a transformação digital dos negócios food service

Iscas de Carne com Ervilhas e Arroz de Côco