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Restaurante Xapuri: 33 anos contribuindo com a boa fama da gastronomia mineira

Flávio Trombino, proprietário e chef, conta com exclusividade o segredo de tanto sucesso e solidez

Chef Flávio Trombino (Foto: Nereu Jr)

 

Já dizia os versos da famosa música “Oh, Minas Gerais! Quem te conhece não esquece jamais.” As belezas das montanhas mineiras são, realmente, inesquecíveis. Não é à toa que a sua capital leva o nome de Belo Horizonte. Mas, se tem uma coisa que conquista os olhos, o coração e o estômago de quem passa pelo Estado é a sua gastronomia. Afinal, ninguém resiste ao frango com quiabo, ao tutu de feijão e ao doce de leite feito no fogão a lenha.

 

Famosa Gastronomia Mineira do Xapuri (Foto: Divulgação)

 

“É uma comida afetiva, que abraça”, define o chef de um dos restaurantes mais famosos do Estado. Flávio Trombino, de 51 anos, está à frente do Xapuri, localizado no bairro Trevo, região da Pampulha, em Belo Horizonte, há oito anos. O restaurante surgiu há 33 do desejo do pai de Trombino, Fábio Gomes, em compartilhar a comida de casa que já fazia sucesso entre a família e os amigos. “Nossa cozinha sofre influências italianas porque minha mãe tem descendência, mas é uma culinária com a essência mineira. Minha mãe já está há 54 anos em Minas. Nós temos a influência do meu pai, que idealizou o restaurante. Ele tinha uma mineiridade muito forte, porque era aquele mineiro apaixonado com o Estado e que se orgulhava da sua cultura, das suas tradições, da sua fé”, lembra o chef ao definir as referências do Xapuri.

 

Sucesso herdado

 

Após a morte de Fábio Gomes, Nelsa Josefina, sua esposa, ficou à frente do restaurante até passar o bastão para o filho.

 

Chef Flávio e sua mãe Nelsa Josefina (Foto: Divulgação)

 

Desde que assumiu o Xapuri, o chef  Trombino sente a responsabilidade de ser exemplo em honrar as tradições da culinária mineira e valorizar os produtores locais.“Nosso Estado é do tamanho da França. A comida mineira tem várias facetas. A gente carrega o Estado todo com essa responsabilidade de ser referência. Quantas famílias, quantas histórias vivem dessa gastronomia. Porque ela vai muito além do restaurante. Ela começa na produção, no produtor de queijo, de vinho, de cachaça”, diz o empresário.

 

Premiações que se acumulam

 

Em 33 anos de história, o Xapuri coleciona incontáveis premiações. No entanto, para Trombino, o reconhecimento mais importante foi a eleição como o melhor restaurante do ano de 1996 pela revista Quatro Rodas, na época o principal meio de comunicação sobre o segmento. Desde lá, além dos clientes da capital mineira, o local caiu no gosto dos turistas e até famosos que visitam a cidade. A dupla Simone e Simaria, os cantores Zélia Duncan, Lulu Santos, Jorge Ben Jor, Gal Costa, e o apresentador Ratinho, são alguns dos nomes que figuram nessa lista estrelada.

 

Xapuri ou Atrás da moita?

 

Uma história curiosa sobre o restaurante é a escolha do nome. O fundador Fábio Gomes pediu que os membros da família sugerissem opções e os clientes definiriam qual seria a melhor. Porém, foi exatamente dele a sugestão de Xapuri, pois gostava de como o tio-avô chamava sua fazenda. A palavra, na língua Tupi Guarani, significa lugar onde o rio se acalma e também é o nome de uma cidade do Acre. A definição parecia cair como uma luva para nomear a estrutura do local, que é afastada do Centro da cidade e um verdadeiro refúgio em meio à natureza.

 

Restaurante Xapuri (Foto: Divulgação)

 

A sugestão de Flávio Trombino também foi inspirada na localização do empreendimento e seu conceito rural. Segundo o chef, a expressão “Atrás da moita” foi um sucesso entre os clientes. “Eu indiquei esse nome, porque na frente do restaurante tinha uma moita. Era bem escondido, porque éramos um sítio. As pessoas acharam engraçado”, relembra o empresário.

 

Por fim, os dois nomes foram registrados até a morte do sindicalista Chico Mendes ser amplamente divulgada pela imprensa. Conhecido pela luta pela sua classe e contra o desmatamento, o seringueiro foi assassinado em Xapuri, no Acre, sua cidade natal. Com a repercussão na mídia, o município ganhou relevância e passou a ser reconhecido entre os clientes do restaurante de Belo Horizonte. Assim, era escolhido o nome do empreendimento.

 

Pandemia

 

Tal como a maioria das empresas brasileiras, o Xapuri também foi afetado pelos impactos financeiros causados pela pandemia do Novo Coronavírus. No dia 18 de março deste ano, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, anunciou o fechamento do comércio da cidade a partir do dia 20 do mesmo mês.

 

Com o cenário de incertezas, Flávio Trombino se viu em uma situação complicada. “Nosso prefeito anunciou na quarta-feira que ia fechar na sexta. Eu passei um dia chorando. No dia seguinte, eu acordei e falei para a minha esposa: vamos enfrentar e começamos com o delivery”, recorda o chef em entrevista à Rede Food Service.

 

Delicias do Xapuri agora também pelo Delivery (Foto: Divulgação)

 

Foi assim que a pandemia fez com que o restaurante desse o pontapé inicial nas entregas por telefone e via aplicativos com um cardápio específico. A nova modalidade ajudou no faturamento, mas não impediu a crise e as demissões. Com a baixa no caixa, Trombino precisou demitir cerca de 40% dos funcionários. Mesmo com a reabertura em agosto e com o retorno das visitas dos clientes, ainda não foi possível realizar contratações no quadro de colaboradores. Atualmente, o restaurante fatura 70% em relação ao período anterior à pandemia e o delivery contribui com mais 12% na receita.

 

Sobre o futuro, a única certeza do empresário é manter o delivery. “Eu tenho certeza que as entregas vieram para ficar. Porém, a previsão é não ter previsão. Não temos a menor ideia do que pode acontecer. Por isso, a gente não contratou e definimos que, antes de janeiro, não fazemos nada. Um dia de cada vez.  Precisamos ver como vai evoluir a vacinação e o número de casos”, finaliza Trombino sobre os planos para 2021.

 

Quer saber mais sobre a história de negócios food service de sucesso como o Xapuri? Então, continue acompanhando a Rede Food Service!

Escrito por #molongui-disabled-link

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