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Eudes Assis e sua importante descoberta de que vida de chef também é valorizar as raízes

Após vastas experiências internacionais, chef comanda o Taioba Gastronomia, o seu restaurante de cozinha caiçara que faz o maior sucesso em todo país

Chef Eudes no Taioba Gastronomia, cozinha caiçara em meio à Mata Atlântica (Foto: Divulgação)

 

Chef de cozinha é aquele que sempre descobre novos e diferentes ingredientes, não é mesmo? Que faz questão de aprender e exaltar os pratos estrangeiros? E que está em busca constante de novos sabores e texturas? Não exatamente para Eudes Amorim Assis, o conhecido chef Eudes Assis.

 

Natural de São Sebastião, litoral Norte de São Paulo, após vastas experiências internacionais, Assis descobriu que vida de chef também pode e deve ser valorizar as raízes. Por isso, atualmente, ele comanda o Taioba Gastronomia, o seu restaurante de cozinha caiçara localizado em meio à Mata Atlântica e que faz o maior sucesso em todo país.

 

O Taioba Gastronomia

 

O Taioba Gastronomia foi fundado pelo chef há seis anos. Na época, ele, que se declara como “um caiçara apaixonado pela minha região, pela minha origem e a cultura do meu povo” percebeu que, na sua terra natal, “sempre existiu bons restaurantes, mas os proprietários tinham certa vergonha de se assumirem caiçaras. Eles se denominavam contemporâneos e mediterrâneos para falar que não era caiçara, que era algo ainda visto de forma pejorativa por esse nome fazer referência ao pobre da praia. Então, eu, a partir do momento que eu abri meu restaurante, fiz questão de divulgar que era um restaurante de comida caiçara. Isso despertou curiosidade em jornalistas, blogueiros e críticos gastronômicos e, assim, eu comecei a ser um chef conhecido”, conta.

 

O famoso PF Caiçara: Posta de peixe, arroz de taioba, pirão e banana assada (Foto: Divulgação)

 

No Taioba Gastronomia, diariamente, são servidos pratos típicos da culinária caiçara, como o arroz lambe-lambe, casquinha de siri, bolinhos de taioba e o famoso PF Caiçara, que é composto por posta de peixe empanado, arroz de taioba, pirão e banana assada. Além disso, os clientes também podem experimentar deliciosas e regionais sobremesas, como manjar branco com calda de ameixa ao vinho e mousse de manga com praliné de pistache, e diárias sugestões do próprio chef, englobando bobó de camarão, frutos do mar à provençal e lula a vinagrete para quem gosta de peixe. Já para quem não gosta, tem ainda as opões de arroz zuchini de abóbora com carne seca desfiada e chips de inhame. “Hoje, eu defino a minha cozinha como uma cozinha de raízes. Uma cozinha verdadeira. Até porque cozinha moderna já tem muita gente fazendo e muito bem. Mas, cozinha tradicional, a cozinha de raiz, como a caiçara, caiu no esquecimento. Assim, eu quero é só dar um toque para resgatar a minha cultura. Hoje, eu quero, cada vez mais, fazer uma cozinha de raiz”, afirma.

 

Inspirações

 

Conforme Assis, as suas principais inspirações “são os produtos em si. Eu sou apaixonado por produto fresco, produto da minha região, que sai da terra. Eu sou aquele chef que se inspira no produto fresco e regional. Para mim, levantar a bandeira com orgulho da regionalidade e destacar os produtos da minha terra é primordial. Assim como, servir um pescado da minha terra, sem agrotóxico, me inspira”, partilha.

 

Foto: Divulgação

 

Como tudo começou

 

Assis é filho mais novo de outros treze da dona Madalena e começou a trabalhar bem cedo para ajudar a família. Afinal, aos 13 anos, ele vendia bolos feitos pela sua mãe na praia. No entanto, o chef revela que a sua escolha pela Gastronomia não foi aceita de primeira pelo seu pai, que sonhava que ele gastasse as suas primeiras economias com a compra de uma casa própria.

 

Aos 18 anos, Assis já havia concluído um curso de padeiro no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e fazia estágio no restaurante Manacá, de Edinho Engel, em Camburi. Porém, ao participar de um evento gastronômico em Boiçucanga, praia vizinha de Camburi, ele teve a sorte de ter como um dos seus colegas o então chef do Fasano, Luciano Boseggia. Na mesma data, o chef notou que havia sido observado por Fasano de forma diferente devido às suas grandes habilidades na cozinha e pediu para também estagiar no Fasano, de onde ainda correu atrás da oportunidade de atuar no Gero, na cidade de São Paulo.

 

Foto: Arquivo Pessoal

 

No grupo Fasano, Assis conheceu uma culinária mais sofisticada e isso criou nele uma vontade imensa de conhecer e estudar na Europa. Assim, ele passou a juntar boa parte do que ganhava até conseguir se matricular em um curso da Aliança Francesa. Mas, ao terminar seu estudo e estágio, voltou pra Camburi e conquistou seu primeiro emprego efetivo como chef responsável pela cozinha do restaurante Freijó, em Juquey. Entretanto, algum tempo depois, seu desejo de estudar fora falou mais alto, quando pegou suas economias e, enfim, foi para a França, onde fez os cursos de Peixes e Panificação da tradicional Le Cordon Bleu.

 

Equipe do restaurante Taioba recebe a visita da Chef Paola Carosella – Foto: Arquivo Pessoal

 

Após o término dos cursos internacionais, o chef seguiu para Lyon e estagiou em mais três restaurantes, inclusive o estrelado Bistrot Leon de Lyon. “Lembro que juntei dinheiro em caderneta de poupança mesmo e, em junho de 2002, eu tinha já a passagem para a França comprada. Eu me recordo bem, nessa época, quando meu pai tirou esse dinheiro da poupança e me falou: filho, não vai gastar esse dinheiro com isso, compra um terreno! Mas, eu o desobedeci dessa vez. Em Lyon, eu ficava na casa de um amigo que era professor de línguas de uma universidade e casado. De vez em quando, nos reuníamos para fazer churrasco e tomar vinho. Eles costumavam brigar por causa de produtos e ingredientes de receitas. Comparavam que os produtos da Borgonha eram melhores do que os San Giovanni, da Toscana, e por aí vai. Aquilo me pasmava e me chamou a atenção sobre o porquê ninguém brigava daquele jeito pelos ingredientes da cozinha caiçara, por exemplo? Assim, me surgiu a ideia de que, quando eu voltasse ao Brasil, iria passar a brigar também pelas minhas raízes”, relembra.

 

Delicias Caiçaras renderam prêmios e reconhecimento ao Chef – Foto: Divulgação

 

Além de Lyon, Assis também morou em Paris, onde fez dois módulos de um outro curso, mas decidiu voltar para Lyon por lá ter mais opções de emprego. No entanto, depois de algum tempo, o chef resolveu voltar para o Brasil, onde acabou ficando pouco tempo prestando consultorias até aceitar a oportunidade de trabalhar como personal chef em um iate de luxo.

 

Carreira internacional

 

Depois de partir do porto de Genova para seu novo trabalho como personal chef, Assis conheceu diversos lugares, como as Ilhas Gregas, Cote D’azur, Sardenha, Turquia, Saint-Barth, Saint-Martin, entre outras localidades que somam nada menos que 23 países em mais de seis anos fora do Brasil.

 

O Chef Eudes com o Chef Alex Atala no restaurante Dalva e Dito – Foto: Arquivo Pessoal

 

Sendo válido ressaltar que, entre esses bons anos pelos mares, o chef também trabalhou por algum tempo em um barco norte-americano antes de retornar ao seu país definitivamente. “Eu sou casado com uma cozinheira que, na época, trabalhava no restaurante Manacapuru. Eu vinha muito ao Brasil e voltava para onde estivesse o barco, sendo para a Europa, ou para os EUA ou para o Caribe. E, numa dessas vindas de Miami, eu fiquei aqui uma semana com a minha esposa. E, quando eu voltei para Miami, ela falou que estava grávida. Com isso, resolvi voltar de vez para o Brasil”, divide.

 

De volta ao Brasil e uma coleção de prêmios

 

De volta ao Brasil, Assis reencontrou uma antiga colega que havia trabalhado com ele no Restaurante Manacá, Julia Dannamm, que estava abrindo um restaurante em Maresias. Ele foi convidado por ela, em 2007, a assumir a cozinha do Restaurante Seu Sebastião, onde, de fato, o chef começou a desenvolver, na prática, a sua cozinha caiçara. “Qual ela me convidou, eu falei  que só aceitaria se fosse um restaurante de culinária caiçara, de cozinha raiz. Ela topou e, assim, comecei a fazer tudo aquilo que a minha mãe fazia, dos  pratos mais emblemáticos que ninguém fazia, como o arroz lambe-lambe de marisco azul marinho. Preparava também o pé de moleque caiçara e fazia os peixes secos que minha mãe fazia. Aí, todo mundo ficou muito curioso para saber que cozinha era essa que ninguém falava”, ressalta o chef.

 

Chef Revelação 2010 da Revista Prazeres da Mesa – Foto: Arquivo Pessoal

 

O trabalho de Assis no Seu Sebastião lhe resultou diversas premiações, como a de Chef Revelação 2010 da Revista Prazeres da Mesa e Melhor Cozinha de Frutos do Mar do Litoral pela Revista Veja. Além disso, lhe rendeu a admiração de muitos colegas de profissão experientes e renomados, como Alex Atala e Carla Pernambuco. Assim como, depois do estabelecimento ser fechado, ele ainda atuou como consultor de vários restaurantes, como o Vinea Alphaville, até abrir o Taioba Restaurante juntamente com o seu fã, amigo e sócio Alan Barros. “Como eu era um chefe já conhecido, muitos amigos meus mandavam mensagem para mim dizendo que estavam indo para o litoral e me pedindo dicas de onde comer uma comida típica caiçara. Mas, como eu não sabia onde indicar, decidi abrir o Taioba, deixando a vaidade de lado ligada à cozinha caiçara moderna para fazer uma cozinha de raiz”, explica.

 

Realizado

 

Por fim, Assis garante que, hoje, é extremamente realizado na sua profissão como chef por trabalhar com o que gosta. “Eu amo a minha profissão.  Tem gente que viaja de longe para comer no meu restaurante. Então, eu tenho que estar amarradão todo dia no Taioba, pois eu tenho uma clientela muito, muito, muito fiel, que, até durante esta pandemia de Covid-19, não me abandonou e comprou as opções delivery que lancei”, comemora.

 

Chef Eudes e o Chef Luiz Farias (Foto: Arquivo Pessoal)

 

E aí? Gostou da história do chef Eudes Assis? Então, clique aqui e acompanhe o seu perfil no Instagram, pois, com toda a certeza, ele é um exemplo da real vida de chef que fazemos questão de sempre apresentar a você.

Escrito por #molongui-disabled-link

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