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Especialistas acreditam que Pix deve revolucionar o mercado de alimentação fora do lar

Proprietários de negócio food service precisam ficar atentos a esse novo meio de pagamentos instantâneos que entra em operação por completo nesta segunda-feira

Somente na fase de testes sistema teve mais de 1,5 milhão de transações (Foto: Getty Images)

 

Nesta segunda-feira, dia 16/11/2020, o Pix, novo meio de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central do Brasil (BC), foi oficialmente lançado, estando, agora, disponível para todas as pessoas e empresas que possuem uma conta corrente, conta poupança ou uma conta de pagamento pré-paga em uma das 762 instituições aprovadas pelo BC para ofertarem essa novidade tão esperada do mercado financeiro.

 

Desde o dia 05/10/2020, os brasileiros já puderam cadastrar suas informações nos bancos e instituições de pagamento para o uso do Pix e, a partir de 03/11/2020, foi iniciada a fase de testes do Pix, em que o serviço foi disponibilizado apenas para alguns clientes selecionados até a data de ontem, dia 15/11/2020. Com isso, hoje, os pagamentos e transferências por meio do novo serviço para todos os clientes cadastrados em todo o país já são possíveis.

 

Por isso, nós da Rede Food Service temos uma importante pergunta para todos os proprietários de estabelecimento de alimentação fora do lar espalhados pelo Brasil: você sabe o que é o Pix e como esse novo meio de pagamentos instantâneos pode ajudar o seu negócio food service?

 

Se a resposta por negativa, fique tranquilo (a)! Afinal, a nossa missão aqui é te esclarecer todas essas dúvidas para que as questões ligadas à gestão e mercado sejam sempre tradadas da melhor e mais produtiva forma possível.

 

O que é o Pix?

 

O Pix é, basicamente, o novo meio de pagamentos do Banco Central que foi anunciado no mês de fevereiro deste ano e permite a execução de transferências e pagamentos em qualquer dia e qualquer horário do dia de forma instantânea, sendo que todas essas transações são completadas em até dez segundos. Ou seja, é uma melhor alternativa frente às opções de TED, DOC, boleto e até cartão de débito.

 

Todos os bancos e instituições financeiras com mais de 500 mil clientes já podem oferecer o Pix como uma forma de pagamento em seus aplicativos e serviços digitais. Sendo válido ressaltar que, tanto usuários pessoa física, quanto jurídica, podem usar o novo meio de pagamento para fazer e receber pagamentos.

 

 

Pix e mercado food service: como pode ser útil?

 

De acordo com divulgação do BC à imprensa, “o PIX é pautado nas seguintes características: disponibilidade, velocidade, conveniência, segurança, ambiente aberto, multiplicidade de casos de uso e fluxo de dados com informações agregadas”. Além disso, foi informado que o Pix “é prático, rápido e seguro e que foi pensado para aumentar a velocidade em que pagamentos ou transferências são feitos e recebidos. Assim como, o Pix tem o potencial de alavancar a competitividade e a eficiência do mercado; baixar o custo, aumentar a segurança e aprimorar a experiência dos clientes; incentivar a eletronização do mercado de pagamentos de varejo; promover a inclusão financeira; e preencher uma série de lacunas existentes na cesta de instrumentos de pagamentos disponíveis atualmente à população”.

 

Mas, especificamente para o mercado food service? Como o Pix pode ser útil?

 

Para Victor Corazza Modena, professor nos departamentos de Economia e Gestão Financeira da IBE, conveniada da Fundação Getúlio Vargas (FGV), “a implementação do Pix pode trazer muitos cenários interessantes para o mercado food service. No momento em que os QR Codes forem implementados, o que não deve ocorrer logo neste primeiro momento, a tecnologia já chegará testada e deverá ter muitas adesões por parte dos clientes. Em outras palavras, será um meio de pagamento usado por uma expressiva parte da população que consome esse tipo de serviço, principalmente, se pensarmos nas gerações mais jovens, que têm alta adesão à tecnologia”, acredita.

 

Victor Modena (Foto: Divulgação)

 

Claudio Dias, CEO da Pagolivre e Co-Fundador e CEO da Joinkey, pontua que “o Pix é uma solução disruptiva e inovadora, mas precisa de atenção para adaptar à cultura atual das pessoas em utilizá-las. Não é fácil lançar algo inovador e torná-lo utilizável rapidamente. Neste caso específico, essa fase foi superada surpreendentemente e com uma velocidade incrível, pois já são milhões de pessoas que já acataram e já aderiram ao novo modelo. A curto prazo, vejo como tendência a utilização do Pix na substituição rápida de pagamentos que, atualmente, são feitos em cartão de débito e em transferência de pessoa para pessoa (P2P). A tecnologia também realizará transações por recolhimento de guias da União e QR Code, sendo essa segunda utilizada pelas lojas físicas. O benefício do caixa também é algo importante a se destacar. A médio prazo vejo uma transferência também de transações de créditos. Para o mercado de food service, com certeza, o efeito será imediato, já que boa parte dos pagamentos são feitos com cartões de débito. É mais uma alternativa de pagamento, de recebimento e conveniência para o consumidor”, avalia.

 

Claudio Dias, CEO da Pagolivre e Co-Fundador e CEO da Joinkey (Foto: Divulgação)

 

Mercado mais inovador

 

Outra utilidade direta do Pix para o ramo de alimentação fora do lar, segundo Modena e Dias, é que o novo meio de pagamento tem tudo para tornar o mercado food service mais inovador. “O Pix permite que se realize qualquer tipo de operação 24 horas por dia, sete dias por semana. Ou seja, não é necessário mais aguardar horários específicos para realização ou liberação de créditos como no caso de TED, DOC, Pagamento de Tributos, etc. É um diferencial para o mercado food service e vale destacar ainda que, como uma transformação digital, isso adiantará novas possibilidades de negócios e integrações, como por exemplo, com carteiras digitais e soluções financeiras. A grande vantagem é que a inovação do Pix acelera e muito toda a transformação digital e inovações que já estavam rondando o mercado food service. O surgimento do Pix irá acelerar o processo de digitalização dos pagamentos, além de trazer praticidade, velocidade e usabilidade, que são pontos importantes”, afirma Dias.

 

Modena, por sua vez, reforça que o PIX veio sim para trazer inovação ao mercado food service, “primeiramente, por provocar o setor a aderir mais rapidamente à tecnologia de uma forma geral. É cada vez mais raro os estabelecimentos que não aceitam pagamento por cartão de crédito e débito. O Pix vem para acelerar ainda mais esse cenário para o caminho de adesão à tecnologia e ao atendimento eficaz e rápido, com soluções inovadoras e que atendam às necessidades dos clientes. As novas gerações, principalmente, clamam por rapidez e praticidade. O Pix colabora com isso e faz com que o setor de food service se modernize como um todo”, explica.

 

Fintechs podem ajudar na implantação do Pix?

 

Também conforme Dias, “toda inovação disruptiva e, principalmente na área de pagamentos e financeira, provoca uma adaptação cultural e exige um controle maior na área financeira dos estabelecimentos. Imaginem a quantidade de possibilidades de recebimentos que já existem: dinheiro, cartão de débito, crédito, vouchers de alimentação, programas de deliveries, carteiras digitais, links de pagamento à distância, e-commerce e, agora, o Pix. Nesse cenário diverso, as fintechs são ágeis, inovadoras e flexíveis. Por isso, imagino que as fintechs irão trazer soluções que agreguem muito, tanto no controle quanto nas novas possibilidades de novos negócios”, ressalta.

 

Também para o CEO da Pagolivre e co-fundador e CEO da Joinkey, “há três grandes frentes de aceleração desta transformação digital vinda com o Pix e que as fintechs atuarão de forma rápida. A primeira é a integração de canais de vendas (loja física, online, redes sociais, programas de deliveries). A segunda é a integração financeira, que engloba a consolidação e conciliação de pagamentos, BaaS, gestão financeira, ERP e sistemas para ponto de vendas. E a terceira é a integração com pagamentos (cartões, boletos, carteiras digitais, links de pagamentos, venda por Whatsapp e o Pix)”, lista.

 

Modena acrescenta ainda que “as fintechs podem ajudar de diversas formas, desde o processo de adesão ao novo meio de pagamento com informações mais claras e diretas, até com futuras soluções importantes que passarão a existir a partir de agora. A existência de um novo meio de pagamento no mercado traz oportunidades infinitas para novas fintechs surgirem com soluções inovadoras, da mesma forma que fintechs e instituições financeiras que já estão atuando no mercado estão de olho nessas novas oportunidades. Podemos esperar um cenário de concorrência maior entre essas instituições, resultando em um cenário que tem o cliente/consumidor como principal beneficiado”, prevê.

 

Quando adotar o Pix?

 

Os entrevistados aconselham que a adoção do Pix por parte setor de alimentação fora do lar deve ser rápida. “O quanto antes os empresários food service adotarem melhor. Porém, é importante pesquisar e conhecer bem como funciona o sistema. Será mais uma opção de recebimento. Por isso, a importância em estar bem gerida e controlada financeiramente”, orienta Dias.

 

Modena aconselha que o uso do Pix deve ser “o quanto antes, melhor”. No entanto, pondera que “provavelmente, as operações de pagamento com Pix não serão maioria no primeiro momento. Entretanto, um grande boom pode ocorrer se for puxado pelas gerações mais tecnológicas. Em um cenário ainda de pandemia de Covid-19, em que muita gente ainda não está saindo de casa, pode ser que este boom demore a ocorrer. Em todos os cenários possíveis, entretanto, é melhor o empresário estar preparado para qualquer pedido e exigência dos clientes. Portanto, aceitar pagamentos com Pix pode ser um diferencial nestas primeiras fases de implementação”, alerta

 

Na prática

 

Rodrigo Saloio Mendes é Gerente Financeiro na Digital Restaurants, startup foodtech gestora de restaurantes voltados exclusivamente ao delivery via aplicativos. Ele conta que, somos uma startup e estamos sempre atentos às novidades. Assim que o Pix foi liberado pelo Banco Central, já fomos nos informar sobre o assunto. Afinal, essa é uma mudança muito grande para o mercado, envolve todos os players. Por isso, fomos atrás dos nossos parceiros/adquirentes para entender o papel de cada um. Fizemos alguns calls com o nosso gerente para entender a preparação deles, atualizar nosso cadastro e montar um processo interno de controle. Nosso foco é o cliente, trazer facilidade e conforto. Todas as pesquisas mostram que os clientes estão se cadastrando, não poderíamos ficar de fora”, divide.

 

Mendes finaliza partilhando que “o mercado de food service é muito ágil, muda muito todo dia. Temos que acompanhar preços e tendências diariamente. O Pix é sinônimo de agilidade, pois pode melhorar o fluxo de caixa aos finais de semana. Isso era algo que não existia! E sabemos que o maior volume de vendas desse mercado acontece nos finais de semana”, enfatiza.

 

Ainda tem dúvidas ou quer saber mais sobre o Pix? Então, clique aqui!

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