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Embalagens de delivery inovadoras conquistam restaurantes e fazem sucesso entre nomes da alta gastronomia

Empresa de São Paulo descobriu carência no mercado de recipientes de entrega e desenvolveu modelos que aliam eficiência e sustentabilidade, além de sofisticação

Embalagem Delivery Ristorantino (Foto: Renan Magalhães - Divulgação)

 

Que o delivery de comida ultrapassou as barreiras de tendência e se tornou uma realidade não é uma novidade para ninguém. Tanto que a estratégia de entrega fisgou os restaurantes de alto padrão: os pratos mais requintados do país entregues na sua casa, sem perder a qualidade, a excelência e a experiência da alta gastronomia.

 

Para alcançar o patamar desses restaurantes, o delivery precisou encarar a exigência dos donos dos estabelecimentos. Foi assim com a gerente de Marketing e sócia do Ristorantino, Márcia Trevisano, literalmente desafiada pelo marido Ricardo a encontrar uma embalagem que se parecesse com um porta-joias. “Ele falou: me traga uma embalagem onde as pessoas vão receber como se fosse uma caixa de joias, um presente. O cliente precisa ter o impacto que a gente tem no Ristorantino. Uma experiência de muita excelência, de muita qualidade. Fica o desafio. Se você conseguir, colocamos o restaurante no delivery”, lembra.

 

Márcia e Ricardo Trevisani (Foto: Dani Bayer – Divulgação)

 

E ela conseguiu. Durantes as pesquisas, encontrou a empresa Scuadra, especializada em embalagens diferenciadas, que desenvolveu protótipos específicos para o cardápio criado para entrega. A novidade não só atraiu os clientes do Ristorantino, como chamou atenção no mundo virtual pela aparência  “instragramável”. “Viralizou na internet e, no fim das contas, ganhamos mais clientes. São pessoas que não conheciam o Ristorantino antes e vieram nos prestigiar no salão, e é um barato isso. Uns vieram pela plataforma do Ifood, outros por indicação de amigos através das redes sociais”, comemora.

 

Embalagem Delivery Ristorantino Foto: Renan Magalhães – Divulgação)

 

O restaurante italiano não é o único estabelecimento de alta padrão entre os clientes da Scuadra. Nomes reconhecidos como Fasano, Mocotó, Pobre Juan e Rubaiyat têm embalagens desenvolvidas pela empresa. De acordo com o CEO da Scuadra, Luiz Silveira, a fábrica é a principal fornecedora de recipientes de delivery para os restaurantes de alta gastronomia de São Paulo.

 

Eficiência e sustentabilidade 

 

Apesar da sofisticação, a empresa tem o propósito de desenvolver embalagens eficientes e sustentáveis. Os modelos são produzidos em papel reciclável e próprio para alimentos, aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).  O designer desenvolvido permite que a comida não vaze e conserva a temperatura dos alimentos. “Ganha todo mundo, o cliente recebe uma comida quente, sem vazar. Uma embalagem que é produzida com papel, um material mais sustentável. Logo estamos falando de sustentabilidade. Além disso, dá para o restaurante levar a comunicação dele para a casa do cliente”, afirma Luiz Silveira, em entrevista para a Rede Food Service.

 

Embalagens SCUADRA (Foto:Divulgação)

 

As soluções das embalagens personalizadas também foi a saída para restaurantes com proposta de porções familiares. Após receber reclamações de clientes sobre as entregas por delivery, o proprietário do Chico Tatuapé, Caio Martins, resolveu adotar os modelos da Scuadra. “Como os alimentos iam juntos, acabava chegando tudo misturado. Então, a gente estava estudando algumas mudanças. Recebi uma embalagem da Scuadra de outro restaurante. Procurei o Luiz e conversamos. Acabamos adotando os produtos dele e, no momento, foi a melhor solução para o que estávamos procurando”, conta.

 

Embalagem Chico Tatuapé Foto: Divulgação)

 

Focado em comida brasileira, o Chico Tatuapé preza por um ambiente familiar com pratos caseiros que servem de duas a três pessoas. Para levar essa experiência a casa dos clientes, foi desenvolvida uma embalagem que transportasse uma quantidade maior de comida sem vazar. Mesmo com o investimento, Caio comemora os resultados com a mudança. “Foi bastante positivo a troca, vai tudo separadinho, sem vazamento. Você tem que se adaptar ao que o cliente necessita. Por mais que você tenha que olhar custo. O benefício do cliente te traz mais retorno”, diz.

 

Do lixo ao luxo

 

A história da Scuadra e do seu idealizador se misturam. Luiz começou sua vida profissional, ainda na infância, ajudando o pai no lixão da Vila Guilherme, local onde funciona o Shopping Center Norte, em São Paulo. Já na vida adulta, se tornou dono de uma pequena distribuidora de materiais de limpeza e higiene.

 

Luiz Silveira (Foto: Divulgação)

Eis que em 2017 as primeiras ideias da fábrica de embalagens surgiram a partir do que o empresário chama de “dor de cliente”. Após uma visita ao Coco Bambu, Luiz ficou decepcionado quando viu que o molho da comida que havia levado para casa vazou. Ao questionar o restaurante sobre o imprevisto, ele ficou surpreso ao descobrir que as reclamações eram recorrentes e o que o mercado não oferecia opções para um transporte eficiente.

 

A experiência foi como um estalo na mente de Luiz que, a partir daquele dia, decidiu:  “Eu vou criar a primeira empresa especializada em produzir embalagem para delivery de comida do Brasil. Até aquele momento, não havia”.

 

Após um ano de intensas pesquisas e de convencer sua equipe da distribuidora a embarcar na ideia, o empreendedor desenvolveu o primeiro projeto. Com o protótipo em mãos, conseguiu um horário com a chef Renata Vanzetto, proprietária do Marakuthai. Em 15 minutos de conversa e com embalagens já personalizados com a marca do restaurante, Luiz a convenceu e, em 30 dias, começou a produzir para sua primeira cliente. “A partir daquele dia, as pessoas que pediam delivery do Marakuthai compartilhavam nas redes sociais e isso tomou uma proporção que fez com que gestores e proprietários pedissem comida do restaurante para ver quem produzia as embalagens. Começaram a me ligar e viralizou. Restaurantes de médio e alto padrão, que não tinham coragem de colocar suas marcas no delivery, me procuraram e conseguimos convencê-los que era possível levar uma experiência bem agradável na casa da cliente”, conta.

 

Hoje, quase três anos depois do primeiro protótipo, a Scuadra atende 400 marcas, somando quase 700 restaurantes. Com a pandemia do novo coronavírus, Luiz teve que dobrar sua produção: passou de 700 mil embalagens por mês para 1,5 milhão. “No início de março, São Paulo fechou o comércio e 60% dos nossos clientes passaram a operar no delivery. Houve uma demanda gigantesca. Restaurante que utilizava 2.000 embalagens, passou a utilizar 8.000”, diz. Com o aumento dos pedidos, a empresa precisou suspender temporariamente as vendas para novos clientes.

 

De olho no futuro, Luiz é defensor do delivery de comida e acredita que a estratégia de venda vai ocupar cada vez mais espaço. Para ele, quem não aderir, não vai sobreviver no mercado. “O delivery não tem volta. Não é tendência, é realidade. É como você entrar em um restaurante e perguntar se aceita cartão de crédito. Ninguém faz mais isso. Eu me arrisco a dizer que quem não adotar, vai fechar”, finaliza.

Escrito por #molongui-disabled-link

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